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As creches comunitárias são locais dentro de determinada comunidade no qual é oferecido atendimento às crianças também da região. Uma variação desse modelo, que atingiu grande popularidade em especial durante os anos 1990 é o da creche domiciliar.

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No modelo da creche domiciliar, o poder público capacita, orienta, remunera e acompanha uma mãe de uma comunidade de forma a torná-la cuidadora das crianças daquela região.

A terceira variação dessa concepção é a capacitação das mães pelo poder público, para que elas cuidem apenas de seu filho. Assim, o estado repassa o “voucher” para a mãe, devidamente capacitada e orientada, dedicar-se ao seu filho.

Quadro 4 – Vantagens e Desvantagens da Creches Comunitárias e Domiciliares

VANTAGENS DESVANTAGENS

 Menor custo para a administração pública  Alguns especialistas vêm com positiva a

permanência dos pais junto aos filhos

 Maior aproximação entre comunidade e crianças do entorno – reforço dos laços comunais

 Maior aproximação entre mãe e filhos em momento crucial de desenvolvimento afetivo e psicossocial

 Possível maior respeito e maleabilidade às diferenças sócio-culturais e demográficas existentes

 Baixo custo de implementação e manutenção  Rápida implementação e capacidade de expansão

 Dificuldades para a realização de

acompanhamento efetivo por parte do poder público, tanto sob o ponto de vista do tratamento educacional da criança, quanto o controle sobre a efetiva permanência dos pais com os filhos

 Restrição da capacidade de geração de renda da família

 Tendência de predominância de visão

assistencialista em detrimento da assistencial- educacional

 Alternativa comumente aplicada para segmentos

sociais desfavorecidos e em países em

desenvolvimento (com forte restrição orçamentária)  Possíveis concepções não-feministas sobre o papel da mulher e da mãe, que se traduzem em gestão não-democrática da política

Internacionalmente, as creches italianas são referências no caso das creches comunitárias, dada a forte preponderância do paradigma familiar enquanto norteador das relações sociais naquele país. Também é possível encontrar numerosas experiências nesse sentido nos vilarejos franceses e nas dorf alemãs. Nos países com forte tradição liberal, como os Estados Unidos e Inglaterra, também constam diversos equipamentos em condados e pequenos aglomerados populacionais, muitas vezes com algum apoio pecuniário estatal que lhe confere o status de serviço público, ainda que pago.

No Brasil, é bastante conhecida a experiência porto-alegrense, na qual a prefeitura estabelece convênios com as organizações de bairro em troca da prestação do serviço,

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oferecendo ainda assistência pedagógica para a normatização da implementação da política. Peculiarmente a esse caso, desenvolveu-se historicamente um forte senso de debate e publicização das decisões acerca dos recursos a serem despendidos – em Fortaleza também se desenvolveu estratégia razoavelmente similar. Duas diferenças a serem observadas entre esse modelo e o do conveniamento tal qual existente em São Paulo são o fato de o primeiro, em geral, exigir pagamento por parte do demandante e, do ponto de vista histórico, existirem, na maioria dos casos, antes da aparição do poder público.

Com relação aos casos de creches domiciliares, é referência o caso do Rio de Janeiro, que experimentou com vigor o programa das mães-crecheiras a partir dos anos 80, notadamente nas comunidades mais carentes da cidade. No caso, a política contou com a articulação de diversos setores sociais, internos e externos às favelas, de forma a viabilizar o serviço em um contexto de forte transição no papel das mulheres no mercado de trabalho.

Internacionalmente, são bastante conhecidos, ainda que balizadas em pressupostos razoavelmente diferentes, os casos colombiano, cubano e escandinavo. O primeiro caso, com o nome-fantasia de “Hogares Comunitarios de Bienestar, foi um programa desenvolvido com forte participação por parte do Banco Mundial, e alicerçado no entendimento de que haveria uma forte privação cultural e nutricional por parte das crianças pobres, que precisaria ser compensada por um aumento do seu cuidado por meio de alguma solução mínima. O segundo, tradicionalmente apresentado como “Educa a tu Hijo”, é particularmente específico na medida em que a intervenção feita pelo Estado se dá no treinamento da mãe para cuidar de seu próprio filho, expressando as concepções de que cabe ao poder público fornecer os insumos para o melhor cuidado a ser realizado e que à mulher incumbe o desenvolvimento extensivo dessa atividade, dada sua condição de mãe. O terceiro, existente com certa relevância na Suécia, Finlândia, Noruega e Dinamarca, é representado tanto pela presença de nurseries – (que seriam, grosso modo, babás) parcial ou totalmente financiadas pelo Estado que acompanham as famílias diariamente, provendo a educação e o cuidado das crianças de 0 a 3 anos – como pelas escolas de bairro que, na prática, se aproximariam mais do modelo comunitário.

Programa Primeira Infância Melhor (PIM) - Rio Grande do Sul

O Programa Primeira Infância Melhor (PIM) foi criado em 2003 e tem como referência a metodologia do Projeto cubano “Educa a tu Hijo” do Centro de Referencia Latinoamerica para La Educación Preescolar (CELEP). O objetivo do PIM é orientar as

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famílias a partir de sua cultura e experiências, para que desenvolvam integralmente as suas crianças desde a gestação até os seis anos de idade.

Assim, o Governo Estadual instituiu e definiu as responsabilidades do Estado e dos municípios, e firmou o Protocolo de Intenções entre as Secretarias Estaduais da Saúde, Educação, Cultura, Trabalho, Justiça e Desenvolvimento Social, para o estabelecimento de ações conjuntas com vistas à implementação e ao funcionamento do Programa. O financiamento do programa consiste basicamente no repasse mensal de recursos do Fundo Estadual da Saúde para os Fundos Municipais das prefeituras conveniadas.

A estrutura do PIM consiste em três eixos: (i) família (grupo mais importante nos anos iniciais de vida), (ii) comunidade (costumes, tradições, produções culturais são importantes na educação, saúde e no desenvolvimento das crianças); (iii) intersetorialidade (setores da saúde, educação, assistência social, cultura e justiça, atuando em conjunto ou separadamente) (RIO GRANDE DO SUL, 2011).

O PIM prioriza as famílias em situação de vulnerabilidade e risco social, compreendendo as gestantes e as crianças de 0 a 6 anos. O Programa também contempla as áreas com índices elevados de mortalidade infantil e alto número de crianças sem atendimento pelas escolas de educação infantil. Segundo a Secretaria da Saúde do RS, de 2003 a 2011, o PIN já atendeu mais de 88 mil crianças, em aproximadamente 255 municípios (RIO GRANDE DO SUL, 2011).

Programa Educriança / Guarulhos - SP

Em 2002, no município de Guarulhos, foi criado o programa Educriança, destinado ao atendimento público de crianças de 1 a 3 anos. Consiste em auxílio financeiro mensal repassado pela Municipalidade à mãe-bolsista, até o limite de duas crianças por família.

A lei municipal criou duas figuras para o recebimento da bolsa-creche: a mãe- bolsista (a mãe das crianças atendidas pelo Programa Educriança, ou o pai responsável pela guarda e educação da criança); e a mãe-comunitária (a cidadã indicada pela mãe-bolsista para cuidar de suas crianças) as quais deverão obrigatoriamente participar do processo formativo estabelecido pelo programa.

O pagamento da bolsa-creche teve inicio em 2004 e, paralelamente, o poder público iniciou a construção de creches para atender a demanda. Na medida em que os prédios eram entregues, as crianças eram transferidos para as novas unidades educacionais. Assim, no

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início de 2011, o programa Educriança foi extinto, na medida em que a municipalidade atendeu o déficit de vagas em creches.

Benzer Belgeler