2. LİTERATÜR ve BAZI ÖN BİLGİLER
2.2 Matematik Öğretiminde Karşılaşılan Sorunlar
A const rução dos am bient es urbanos ocorre diariam ent e pela ação ant rópica, at ravés da substituição do ecossist em a nat ural por est rut uras artificiais, sej a com a ret irada da veget ação nativa, com a alteração no relevo at ravés da realização de cort es e at erros, com a im perm eabilização dos solos por m eio da pavim ent ação ou com a criação de est rut uras com plexas com o grandes superfícies verticais ( edifícios) e/ ou horizont ais. Esse processo é cont ínuo e ocasiona im pact os am bient ais em vários níveis, principalm ente em função da m odificação na qualidade do ar e do clim a, o que pode represent ar um a dim inuição na qualidade de vida da população.
Segundo Leff ( 2002, p. 148- 149) , a noção de qualidade de vida deve conciliar a dimensão das necessidades objetiva e subjetiva, e “[...] implica uma abertura do desejo e das aspirações que vão além da satisfação das necessidades básicas”. Discorre ainda que: “A qualidade de vida está necessariamente conectada com a qualidade do ambiente, e a sat isfação das necessidades básicas, com a incorporação de um conj unt o de norm as ambientais para alcançar um desenvolvimento equilibrado e sustentado […].” (LEFF, 2002, p. 148- 149) .
Ent ende- se que, para avaliar a qualidade de vida, deve prevalecer o j ulgam ento subj etivo dos grupos pesquisados, pois o at endim ent o às necessidades básicas ou aos anseios individuais diverge m uit o conform e suas cult uras. Conform e ressalva Ribeiro (2003, p. 407), “vida de qualidade” não é “necessariamente aquela preconizada pelos indicadores da sociedade capitalista”. Neste sentido, a discussão sobre indicadores qualit ativos tem acrescent ado not órias cont ribuições ao conceit o em t ela.
Diante da com plexidade na definição de qualidade de vida, Moyano ( 1991, 1992 apud BASSANI , 2001, p. 51, grifo do aut or) “[...] propõe que se utilize, nos estudos e nas intervenções urbanas, o conceito de qualidade ambiental urbana e não qualidade de vida, por considerar ser este um conceito muito amplo e de difícil mensuração completa.” Ainda o mesmo autor qualifica como vantajoso utilizar o termo “qualidade ambiental urbana”, pois pode ser avaliado at ravés de indicadores que, efetivam ent e, possam ser m edidos, como exemplo: “[...] como qualidade do ar, da água, a frequência de transporte, a disponibilidade de água pot ável ou crit érios objetivos‟.” (MOYANO, 1991, 1992 apud BASSANI , 2001, p. 51) .
Port ant o, qualidade am bient al urbana, nesse t rabalho, é com preendida com o o suprim ent o de condições básicas adequadas para viver dignam ent e, com o uso igualit ário dos serviços e equipam ent os urbanos disponíveis aos seus m oradores. Pressupõe ainda, a qualidade do am biente em que se desenvolvem t odas as atividades hum anas.
A ação ant rópica quando realizada de form a pouco racional nas áreas urbanas pode t razer danos e riscos para a natureza e para sociedade, fazendo das cidades um local
com pouca qualidade am bient al para a vida hum ana. Gonçalves ( 2003) dest aca alguns dos im pact os am bient ais advindos de atividades ant ropogênicas com o: a poluição atm osférica e das águas, produção do lixo, alt erações no m icroclim a (ilhas de calor) , a dest ruição do solo e da cobert ura veget al, chuvas t orrenciais e escorregam ent o de encost as.
Esse processo contínuo ocasiona im pact os am bient ais em vários níveis, det eriorando principalm ent e a qualidade do ar, o m icroclim a da cidade e a paisagem urbana. A principal evidência das alt erações clim áticas provocadas est á na elevação da t em perat ura do ar, que vem sendo estudada pela clim at ologia urbana.
O processo de urbanização no Brasil se int ensificou a partir da segunda m et ade do século XX, devido ao crescim ent o indust rial e a m odernização agrícola, o que levou m ilhares de pessoas a m igrarem do cam po para as cidades. Houve, com isso, o inchaço das regiões m et ropolit anas, bem com o um considerável crescim ent o das cidades de port e m édio.
De acordo com est udos de Mendonça ( 2003, p,175):
No caso brasileiro a passagem do estágio de população predominantemente rural para urbana aconteceu em meados da década de 1960, tendo o processo de urbanização apresentado considerável aceleração nas décadas seguintes e estando ligado, mais diretamente, ao êxodo rural e a migração urbano-urbano. Caracterizado como “urbanização corporativa”, o processo brasileiro gerou cidades com expressiva degradação das condições de vida e do ambiente urbano.
Segundo dados do I BGE ( 2011) a população urbana ult rapassou a rural a partir da década de 1960, chegando a cerca de 160 m ilhões de resident es urbanos de acordo com os núm eros do últim o censo.
Com o rápido crescim ent o, t ant o dem ográfico com o espacial das cidades, com eçam a surgir vários problem as principalm ent e de cunho socioam bient al com o a crim inalidade, pobreza, condições precárias de m oradia, t ransport e público, ocupações irregulares, poluição sonora, atmosférica e dos cursos d’água, mudanças climáticas locais ent re out ros.
O crescim ent o desordenado do espaço urbano t em gerado m odificações no quadro nat ural das cidades, afet ando até m esm o o seu clim a. Segundo Lom bardo ( 1985, p.17) “a natureza hum anizada, através das m odificações do am biente, alcança m aior expressão nos espaços ocupados pelas cidades, criando um am bient e artificial”.
A degradação am bient al, port ant o, é um dos principais problem as da sociedade m oderna. A articulação do desenvolvim ent o tecnológico, com o crescim ent o dem ográfico ( e sua concent ração no m eio urbano) , a indust rialização e o uso de novos m ét odos e t écnicas na agricult ura são sem dúvida algum a, fat ores ligados á ação hum ana que são cont ribuintes para a int rodução de diferent es subst âncias quím icas, sint éticas e, até m esm o naturais no am biente, que geram efeit os adversos sobre o m eio am bient e e os seres vivos, inclusive, no seu gerador, o hom em .
Com t ant os problem as list ados percebe- se ent ão nas cidades, que a relação sociedade e nat ureza represent am um a com plet a desarm onia que de acordo com Drew ( 2002) são o m elhor exem plo da im posição da força hum ana nas m udanças das caract erísticas naturais da superfície t errest re e da at m osfera.
Por out ro lado, considera- se que essa desarm onia, é percebida com m aior ou m enor grau de influência quando são confront ados com os diferent es est rat os sociais que com põe a população de um a cidade.
Em decorrência desse processo desordenado de ocupação e consequent e aum ent o da população, as cidades foram adquirindo novas configurações espaciais de acordo com as vant agens locacionais, det erm inadas pelo m aior ou m enor acesso a serviços urbanos e nível socioeconôm ico, com t endência dos grupos m ais ricos em segregar- se e da aspiração dos m em bros da classe m édia em ascender socialm ent e. ( MI NAKY, SI LVA e AMORI M, 2005)
As áreas urbanas em t odo o m undo são consideradas locais privilegiados para geração de em prego, para inovação, para am pliar as oport unidades econôm icas. Os cent ros urbanos revelam enorm e agilidade na const rução de um a rede de relações no plano da econom ia, da política, da cult ura, conect ando zonas rurais, pequenas, m édias e grandes cidades. No m arco dessas t ransform ações, um a parcela significativa da população m undial passou a t er acesso a um nível de consum o e riquezas sem precedent es. Obviam ent e, essa parcela da população que desfrut a de um nível alt o de consum o e a out ra, que desfrut a de um consum o m oderado ( satisfazendo suas necessidades básicas) , devem às cidades o padrão de vida que possuem . Na out ra face do espaço urbano est ão os excluídos, aqueles que não satisfazem suas necessidades m at eriais básicas. Ainda que de form a diferenciada, cidades do m undo inteiro se defront am com est e quadro de inclusão- exclusão.
Por out ro lado, criam - se espaços públicos e se socializa a vida urbana, aum enta- se a ofert a de serviços públicos e de equipam ent os coletivos, m as t am bém , o núm ero de pessoas que vivem ilhadas em áreas degradadas e periféricas, sem m eios para se inform ar e t er acesso a esses equipam ent os.
Mendonça ( 2004, p.140- 141) , afirm a que enquant o as classes m ais favorecidas, detentoras do “poder econômico e tecnológico, vivem a impressão de controlar o tem po e a natureza”, as parcelas da sociedade desprovidas da tecnologia são m ais vulneráveis às vicissitudes clim áticas.
As cidades cresceram segundo as regras do capit alism o do desenvolvim ento desigual e com binado, e, dessa form a, suscit aram fort es desigualdades no espaço int raurbano. (Atualmente, as cidades se tornaram o “lócus” da desigualdade e da miséria, e de acordo com Sant os (1994, p.10) :
A cidade em si, como relação social e materialidade, torna-se criadora de pobreza, tanto pelo modelo socioeconômico de que é o suporte, como pela sua estrutura física, que faz dos habitantes das periferias (e dos cortiços)
pessoas ainda mais pobres. A pobreza não é apenas o fato do modelo socioeconômico vigente, mas também do modelo espacial.
Essa alt eração no espaço é decorrent e do m odo de vida urbano, que se t orna cada vez m ais com plexo e que, para se viabilizar, retiram de form a crescent e e significativa, recursos do m eio am biente, cuj a consequência, é a degradação am bient al, principalm ente nas grandes cidades que concent ram a m aior part e da população.
At ualm ent e, com a m aior part e da população brasileira vivendo nas cidades, est udos dessa natureza represent am im port ant e cont ribuição, pois, buscam avaliar qual o grau de alterações que a ação hum ana produz na cidade, principalm ent e, as caract erísticas clim áticas, m ais possíveis de se detect ar na escala local ou m icroclim ática, que propriam ent e, as int erferências provocadas pelo hom em em term os globais.
A int ensa ocupação das áreas urbanas represent a um a grande pressão sobre os condicionant es do clim a local, interferindo no est ado da at m osfera e, em alguns casos, at é m esm o, provocando variações no clim a.
Ent re os m ais evident es e graves im pact os socioam bient ais produzidos pela urbanização devido à sua int ensa t ransform ação do m eio nat ural, encontram - se a cont am inação e a form ação de um clim a urbano específico e, com o consequência, a perda da qualidade de vida dos habit ant es da cidade
.
De acordo com Lom bardo ( 1985, p. 18):
A influência da população para as cidades tem uma velocidade que o planejamento urbano, a ampliação da administração e o estabelecimento de um controle sanitário adequado não conseguem alcançar. As pessoas se tornam vulneráveis às enfermidades cardiovasculares, principalmente as de idade avançada. O próprio tamanho cada vez maior das cidades passa a ser inconveniente à população.
Para Bustos Romero (2001) “os efeitos da urbanização são negativos” na maioria dos assent am ent os urbanos. O uso do solo, a concent ração da poluição, o aum ent o da t em perat ura do ar em razão de diversos m otivos quant o à dim inuição da circulação dos vent os, a grande absorção de calor pela m assa const ruída e dos m enores índices de evaporação afet am a saúde física e m ent al da população.
As alterações clim áticas t ornam - se relevant es, principalm ente na m edida em que int erferem na organização do espaço, nas atividades hum anas, nas condições econôm icas, na qualidade de vida, no confort o am bient al e no equilíbrio am bient al.
As condições clim áticas urbanas inadequadas represent am perda significativa da qualidade de vida, em especial, para a part e da população m ais desprovida, enquant o para out ra, conduzem ao aport e de energia para o condicionam ent o t érm ico das edificações. Em consequência, aum ent am as const ruções de usinas geradoras de energia de diferentes m at rizes, que produzem diferent es graus de im pact o sobre o m eio am bient e. ( LAMBERTS, DUTRA e PEREI RA, 1987)
A principal evidência desse processo é o aum ent o da t em perat ura do ar nas cidades, que vem sendo est udado pela clim at ologia urbana e t em at raído à at enção de especialist as e da própria sociedade, que vive hoj e em am bient es urbanizados. Port ant o, o hom em é ao m esm o t em po aut or e at or dessas m udanças - sentindo na própria pele as consequências de suas ações, um a vez que o am bient e ext erno t em ficado cada vez m ais desconfort ável t erm icam ente.
I sso porque as áreas urbanas se constituem com o polos de at ração populacional. Com o a segregação socioespacial é um a das caract erísticas do capit alism o, em geral e, brasileiro, em particular, os bairros populares têm sido est abelecidos nas periferias urbanas, em grande part e utilizando m ateriais const rutivos inadequados t ant o do pont o de vist a da qualidade de vida, quant o da eficiência t érm ica. Essa expansão t errit orial urbana caract eriza- se pelo aum ent o das áreas edificadas e pavim ent adas que geram inércia t érm ica e a produção de calor. As ilhas de calor não causam apenas desconforto t érm ico em am bient es de clim a t ropical, m as são responsáveis t am bém , pelo aum ent o da dem anda por energia e por am bient es urbanos insalubres que afet am a saúde hum ana. (SANT’ANNA NETO e AMORI M, 2008)
Para Brandão ( 2003, p.121-122):
O clima vem adquirindo crescente importância nos estudos ambientais destacando-se como um dos principais componentes da qualidade ambiental urbana. O enfoque atual concentra-se, essencialmente, na contaminação da atmosfera e nas alterações climáticas e sua intensidade de repercussão sobre a qualidade do ar (poluição atmosférica e seus efeitos sobre a saúde), o conforto térmico (configuração de “ilhas de calor”) e os impactos hidrológicos concentrados (geradores de frequentes inundações urbanas). A “ilha de calor” representa o fenômeno mais significativo do clima urbano.
Port ant o, a sociedade de diferent es m aneiras, quer sej a de form a diret a ou indiret a, sofre as consequências das variações do t em po e das variações clim áticas sazonais e/ ou definitivas, porém , t am bém constit ui um agent e que int erfere sobr e as condições do t em po e do clim a, sendo um a das razões para o aum ent o da im port ância dos est udos de Clim a Urbano. ( CRUZ, 2009)
A m odificação no am bient e urbano reflete no bem est ar e na saúde dos cit adinos. Conforme Ribeiro (1996, p.01): “[...] o homem se encontra em equilíbrio dinâmico com o am biente local ( social e físico) , as m udanças no am biente alteram este equilíbrio e ocasionam o surgimento de novos padrões de saúde e de distribuição de doenças”. A Geografia, que t em com o um a de suas preocupações a análise das int er- relações ent re a sociedade e m eio am bient e, num a perspectiva espacial pode cont ribuir para com preensão dest a relação.
Para Ugeda Junior ( 2011, p. 53) ,
a climatologia, além de um campo disciplinar e científico, torna-se um instrumento de síntese, na medida em que para se compreender os fenômenos climáticos integralmente, é necessário recorrer à composição e dinâmica da atmosfera, e também a sua interação com a superfície, o que
envolve não apenas as características físicas do meio, mas também os elementos antrópicos, as formas de construção, e também o jogo de interesses por traz da forma como as sociedades materializam seu modo de vida no espaço através da técnica.
Há necessidade de com preender com o as alterações feit as pelo hom em nas cidades m odificaram as caract erísticas clim áticas locais. A busca desse ent endim ent o se const it ui no cam po de int eresse da clim at ologia urbana ( SI LVA, 2010) . O planej am ent o urbano, a clim at ologia aplicada e a bioclim at ologia urbana t êm com o obj etivo com preen der com o essas alt erações int erferem na qualidade do am bient e urbano e, consequent em ent e, na saúde e bem -est ar dos cit adinos. Essa com preensão deve levar, port ant o, a int ervenções que possam criar am bient es m ais saudáveis.