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2.3. Matematik

2.3.2. Matematik Öğretimi

Segundo Habermas (1999), a variedade de conceitos de ação comumente empregados na teoria sociológica podem ser resumidas em quatro tipos de ações: a ação teleológica, a ação regulada por normas, a ação dramatúrgica e a ação comunicativa.

Para ele, o conceito de ação teleológica ocupa o centro das atenções da teoria filosófica da ação desde os tempos de Aristóteles. Nessa forma de ação, o ator realiza um fim ou atinge um estado de coisas desejado, escolhendo em uma situação dada os meios mais apropriados e aplicando-os de maneira adequada. Trata-se de uma tomada de decisão entre alternativas de ação com o objetivo de realizar um determinado propósito, a partir de uma determinada interpretação da situação. A ação teleológica se converte em ação estratégica toda vez que envolve a participação de pelo menos mais um ator, que também procura atingir um fim ou propósito de seu interesse. Portanto, enquanto a ação teleológica tem um caráter individual, ação estratégica resulta de uma ação orquestrada por dois ou mais atores que perseguem fins específicos. Tais ações tem um fim eminentemente utilitário, sendo portanto ações essencialmente guiadas por uma razão instrumental.

A ação regulada por normas se refere ao comportamento de um ator que, em sua relação com outros atores, se guia por um conjunto de valores comuns. Dessa forma, esse ator observa uma norma (ou a viola) na medida em que se definem as condições em que tal norma se aplica.

Na ação dramatúrgica, um ator suscita em seu público uma determinada imagem ou impressão de si mesmo ao compartilhar com esse público sua própria subjetividade. Nesse sentido, todo agente pode controlar o acesso dos demais ao universo de seus próprios sentimentos, atitudes, desejos etc., ao qual somente ele tem um acesso privilegiado.

Finalmente, o conceito de ação comunicativa se refere à interação de pelo menos dois sujeitos capazes de linguagem e ação que estabelecem uma relação interpessoal visando alcançar entendimento, no sentido de um processo de interpretação cooperativo. Segundo Habermas, na ação comunicativa a única força admissível é a força do melhor argumento.

Todavia, nas situações em que um enunciado é problematizado e a pretensão de validade a ele correspondente é desafiada, faz-se necessário recorrer ao processo argumentativo, ao qual Habermas chama de discurso, com o objetivo de resolver, pela argumentação, a validade da pretensão levantada.

Só falarei, pois, de «discursos» quando o sentido mesmo da pretensão de validade que se tornou problemática force conceitualmente os participantes a supor que em princípio poderia alcançar-se um acordo racionalmente motivado, significando aqui «em princípio» a seguinte fonte idealizadora: contanto que a argumentação fora suficientemente aberta e durara o tempo suficiente. (HABERMAS, 1999, p. 69, tradução nossa)

Habermas classifica os discursos em teórico, prático e crítica terapêutica, conforme eles se refiram a problematizações das pretensões sobre a verdade das proposições (mundo objetivo), a validade das normas de ação (mundo social) e sinceridade das expressões (mundo subjetivo), respectivamente (BANNELL, 2006).

Bannel (2006) alerta que para que a argumentação tenha maiores chances de produzir um consenso verdadeiro, é preciso assegurar que condições específicas de fala sejam cumpridas. Tais condições configuram o que Habermas denomina “situação ideal de fala” e é caracterizada pelos seguintes princípios:

a) publicidade e inclusividade: todos devem ter oportunidade de expressar suas ideias;

b) simetria de oportunidade de falas: todo mundo deve ter a mesma oportunidade de falar sobre o assunto;

c) exclusão de enganação e ilusão: todos os participantes devem ser sinceros no que dizem;

d) ausência de coerção: a comunicação deve ser isenta de coações e coerções que impeçam o melhor argumento de ser manifestado e que determinem o resultado da discussão.

Para encerrar esse capítulo, retomamos a ideia da razão emancipatória tão comumente associada aos ideais mais preciosos da teoria crítica e, como não poderia deixar de ser, a teoria habermasiana engendra seu compromisso com esse interesse emancipatório característico das origens da Escola de Frankfurt, na medida em que a ação comunicativa proposta por Habermas visa combater o dogmatismo, a dominação social e qualquer forma de coação interna ou externa imposta ao sujeitos falantes. Nesse sentido reafirma seu comprometimento com a

transformação social, mediante a emancipação do ser humano da dominação social e política.

Nós entendemos que esse caminho apontado por Habermas possa vir a ser uma alternativa viável para orientar a ação pedagógica e o processo educativo em todos os níveis de ensino, uma vez que se trata de uma proposta que se compromete com a transformação social e emancipação do ser humano, mediante o fortalecimento do mundo da vida e o resgate da cultura através de uma nova racionalidade, que rompe com o estabelecido. Nesse trabalho, nos baseamos nessa teoria para compreender como a ação comunicativa subsidia a construção de uma prática de formação continuada de professores de ciências para o enfrentamento da realidade escolar e o repensar do ensino de ciências, que possibilite dar os primeiros passos em busca dessa nova racionalidade para o ensino.

Por isso, no próximo capítulo, apresentaremos um breve panorama de algumas das principais pesquisas sobre formação de professores, nos quais nos baseamos para realizar essa pesquisa.

2 Formação de professores

Diante dos atuais desafios da educação no Brasil e no mundo, torna-se premente repensar que papel deve ser assumido pelo professor e como o processo educativo pode ser reconfigurado para atender às necessidades formativas do cidadão contemporâneo.

Nesse sentido, para delimitar com mais clareza o nosso foco de interesse na formação de professores, nos baseamos nos “modelos de professor” apresentados por Domingo (2003):

a) o professor como profissional técnico; b) o professor como profissional reflexivo; c) o professor como intelectual crítico.

Benzer Belgeler