1.6. MARKA SADAKATİNİ BELİRLEYEN/ETKİLEYEN FAKTÖRLER
1.6.1. Marka Sadakatini Belirleyen İçsel Faktörler
1.6.1.6. Markaya Tutumsal Bağlılık
Segundo Bourdieu,
A noção de campo é, em certo sentido, uma estenografia conceptual de um modo de construção do objecto que vai comandar – ou orientar – todas as opções práticas da pesquisa. Ela funciona como um sinal que l embra o qu e há que fazer, a sabe r, verificar que o objecto em questão não está isolado de um conjunto de relações de que retira o essencial das suas propriedades. (BOURDIEU, 1989:27).
42 Os agentes criam o espaço, isto é, o campo econômico, que só existe pelos agentes que se encontram nele e que deformam o espaço na sua vizinhança, conferindo-lhe uma certa estrutura. Dito de outro modo, é na relação entre as diferentes “fontes de campo”, isto é, entre as diferentes empresas de produção, que se e ngendram o campo e as relações de força que o caracterizam. (BOURDIEU, 2005:23)
De acordo com Bourdieu,
Há leis gerais dos campos: campos tão diferentes como o da política, o campo da filosofia, o campo da religião possuem leis de funcionamento invariantes... Cada vez que se estuda um novo campo, seja o campo da filologia no século XIX, da moda atual ou da religiao da Idade Média, decobre-se propriedades específicas, próprias a um campo particular, ao mesmo tempo que se faz a vançar o conhecimento dos mecanismos universais dos campos que se especificam em função de variá veis secundárias. Por e xemplo, as variá veis nacionais fazem com que mecanismos genéricos tais como a luta entre os pretendentes e os dominantes assumam formas diferentes. Mas sabe-se que em cada campo se encontrará uma luta, da qual se deve, cada vez, procurar as formas específicas, entre o novo que está entrando e que tenta forçar o direito de entrada e o dominante que tenta defender o monopólio e excluir a concorrência” (BOURDIEU, 1983, p. 89).
Um campo se define e m função dos “objetos de disputas”, dos “interesses específicos”.
“A Estrutura do campo é um estado da relação de força entre os agentes ou as instituições engajadas na luta ou, se preferirmos, da distribuição do capital específico que, acumulado no curso das l utas anteriores, orienta as estratégias ulteriores. Esta estrutura, que está na origem das estratégias destinadas a transformá- la, também esta sempre em jogo: as lutas cujo espaço é o campo têm por objeto o monopólio da violência legítima (autoridade específica) que é ca racterística do campo considerado, isto é, em definitivo, a conservação ou a subversão da estrutura da distribuição do capital específico” (IDEM, p. 90).
De acordo com o autor, Capital específico é aquele que vale em relação a um determinado campo, dentro dos limites do campo considerado. Este capital específico “só é convertível em outra espécie de capital sob certas condições” (IBIDEM, p. 90).
“Outra propriedade, já m enos visível, de u m campo: todas as pessoas que estão engajadas num campo tem um certo número de interesses fundamentais em comum, a saber, tudo aq uilo que está ligado à p rópria existência do campo: daí a cumplicidade objetiva subjacente a t odos os antagonismos. Esquece-se que a lu ta pressupõe um acordo entre os antagonistas sobre o que merece ser disputado, fato escondido por detrás da aparência do óbvio, deixado em estado de doxa, ou seja, tudo aquilo que constitui o próprio campo, o jogo, os objetos de disputas, todos os pressupostos que são tacitamente aceitos, mesmo sem que se saiba, pelo simples fato de jogar, de entrar no jogo. Os que participam da luta contribuem para a reprodução do jogo contribuindo (mais ou menos completamente dependendo do campo) para produzir a crença no valor do que esta sendo disputado (IBIDEM, p. 90-91)
43 O campo econômico é formado por sub-campos identificados, tradicionalmente, como setores da economia. Um determinado agente econômico possui uma força em um sub-campo que é função do volume e da estrutura do cap ital que ele detém . O capita l apresenta-se simultaneamente em diferentes for mas: financeiro, cultural, tecnológico, jurídico, organizacional, comercial e simbólico. A estrutura do campo (ou sub-cam po) é determinada pelas relações de forças entre os ag entes que constituem o campo. A posição do agente no campo depende da estrutura de seu capital específico e da estrutura do próprio campo, ou seja, a posição do agente colabora para definir a estrutura do campo que por sua vez é determinante para a definição da posição que o agente ocupará no campo.
Segundo Bourdieu (2005), a estrutura do cam po e a distribuição dos capitais entre os agentes determinam o processo de reprodu ção do próprio campo. O campo econômico, antes de tudo, é um campo de lutas entre os diferentes atores (dom inantes (First movers/market
leaders) e os desafiadores/pretendentes ( challengers)) que disputam o poder nestes espaços,
mas também cooperam entre si para a constr ução e manutenção dele . Os atores m elhor posicionados no campo (dominantes) atuam no sentido de preservar ou m elhorar sua posição no campo. Aqueles que ocupam uma posição dom inada no cam po seguem as estratégias adotadas pelos dominantes, mas também são potenciais pretendentes à posição de dom inante, uma vez que podem se aliar a agentes externos ao subcampo específico, mas com o conjunto de capitais que provocaria uma pertubaçao na configuração estabelecida. “Para que um campo funcione, é preciso que haja objetos de disp utas e pessoas prontas para disputas o jogo, dotadas de habitus que impliquem no conhecimento e no reconhecimento das leis imanentes do jogo, dos objetos de disputas, etc” (BOURDIEU, 1983, p. 89).
44 “o habitus, sistema de di sposições adquiridas pela aprendizagem implícita ou explícita que funciona como um sistema de e squemas geradores, é gerador de estratégias que p odem ser objetivamente afins aos interesses objetivos de seus autores sem terem sido expressamente concebidas para este fim” BOURDIEU (1983, p. 94).
Bourdieu (2001) afirma ainda que,
Pelo fato de que o social também se institui nos indivíduos biológicos, existe muito de coletivo em cad a individuo socializado, entendendo-se por isso propriedades validas para uma classe interira de agentes – que a estatística permite trazer à luz do dia. O habitus entendido como individuo ou corpo biológico socializado, ou como social biologicamente individuado pela encarnação num corpo, é c oletivo ou transindividual – pode-se então construir classes d e habitus, estatisticamente caracterizáveis. É n essa qualidade que o habitus está em condições de intervir eficazmente num mundo social ou num campo ao qual esteja ge nericamente ajustado (IDEM, 2001, p. 191)
No estudo de um determ inado campo interessa tanto as relações que se desenvolvem no seu interior como aquelas do campo com seu exterior.
Mas, entre todas as trocas com o exterior do campo, as mais importantes são as que se estabelecem com o Estado. A c ompetição entre as em presas assume freqüentemente a forma de uma competição para o poder sobre o poder do Estado, - notadamente, sobre o poder de regulamentação e sobre os diretos de propriedade21 - e para as vantagens asseguradas pelas diferentes intervenções do Est ado, tarifas preferenciais, patentes, regulamentos, créditos para pesquisa-desenvolvimento, compras públicas de equipamentos, ajudas para a c riação de empregos, inovação, modernização, exportação, habitação, etc. (BOURDIEU, 2005:39-40).
Num determinado campo industrial os atores (grupos empresariais) competem entre si. Representantes de diversos cam pos organizacionais disputam pelo poder sobre o poder do Estado.
Para Bourdieu uma empresa constitui um campo que goza de um a relativa autonomia em relação ao campo que a engloba.
As estratégias das em presas (em termo de preç o, notadamente) não dependem somente da posição que elas ocupam na estrutura do ca mpo. Elas dependem, também, da estrutura das posições de poder constitutivas do governo interno da firma ou, mais exatamente, das disposições (socialmente constituídas) dos dirigentes agindo sob pressão do campo do poder no seio da firma e do cam po da firma em toda sua totalidade (que se pode caracterizar através de índices, tais com o a
21 Cf.J. Campbell, L. Lindberg. Property rights and the organization of economic action by the State. American Sociological Review, 55, 1990, p.634-647.
45 composição hierárquica da mão-de-obra, o capital escolar e, pa rticularmente, científico do qua dro executivo, o grau de diferenciação burocrática, o pes o dos sindicatos, etc.).” (Bourdieu, 2005:42)
Para compreendermos a constituição e consolidação de uma determinada empresa em determinado campo, Bourdieu sugere que analis emos tanto a em presa em relação ao cam po que a engloba como a própria empresa enquanto um campo relativamente autônomo.
A desestabilização de um campo organizacional pode ser função de várias forças como, por exem plo, choques m acroeconômicos. Mas ela estaria, m ais freqüentemente, relacionada às organizações dominantes, mas oriundas de outros campos organizacionais que procuram explorar novas oportunidades de ne gócio, no campo e m questão. Ao ingressar no campo, estes atores provocam um rearranjo das forças. A posição que o entrante ocupará no campo, estaria diretamente relacionada ao conj unto de capitais que ele detém (BOURDIEU, 2005). Quanto maior o volume de capital de um determinado ator, maior a força com que ele impõe que se faça ver pelos seus pares (BOURDIEU, 1989; 2005).
Seguindo as sugestões de Bourdieu, procuram os estudar a indústria sucroalcooleira como um sub cam po econômico, constituído pelos atores que dele participam , interagindo entre si e com o Estado, para a expansão dos negócios sucroalcooleiros. Um conjunto expressivo de investidores, naci onais e internacionais, ingressou nas atividades da indústria sucroalcooleira, sobretudo após 2006, qua ndo as transações envolvendo grupos sucroalcooleiros e novos investidores se intensif icaram. Apesar das especificidades de cada (sub) campo econômico, eles estariam em sintonia com as tendências do campo que os engloba. A indústria sucroalcool eria brasileira estaria em sintonia com as tendências do capitalismo brasileiro.
Conforme será apresentado a seguir, para analisar as transfor mações na industria sucroalcooleira, recorreu-se também à aborda gem político-cultural d esenvolvida por Neil
46 Fligstein, nos estudos da dinâm ica dos grandes grupos econômicos norte americanos desde o final do século 19.