2. MARKA KONUMLANDIRMA
2.4. MARKANIN YENİDEN KONUMLANDIRILMASI
Apresentada a importância da auditoria e com o objetivo de “explicar os atributos comuns de atividades definidas como auditoria”, Boynton et alii (2002, p. 30 e 31) comentam sobre sua relação com uma grande variedade de atividades na sociedade contemporânea e apresentam o conceito estabelecido pelo Report os the Committee on Basic Auditing Concepts
of the American Accounting Association (Accounting Review, v. 47):
Processo sistemático de obtenção e avaliação objetiva de evidências sobre afirmações a respeito de ações e eventos econômicos, para aquilatação do grau de correspondência entre as afirmações e critérios estabelecidos, e de comunicação dos resultados a usuários interessados.
De acordo com Sá (2002, p. 21), “a Auditoria Contábil é uma tecnologia que se utiliza da revisão, da pesquisa, para fins de opinião e orientação sobre situações patrimoniais de empresas e instituições” e é normalizada por orientações, regras e normas definidas por diversos órgãos representativos dos interesses públicos, privados ou oligárquicos, caracterizando, assim, uma situação que não configura, muitas vezes, um padrão e uma coerência com os preceitos e diretrizes da melhor doutrina.
Por essa razão, ao longo do tempo, diversas foram as formas pelas quais a auditoria e os auditores realizaram seus trabalhos e muitos são os conceitos e definições que lhes são apresentados, tanto por estudiosos e pesquisadores quanto por organismos representativos de classe profissional.
Além disso, a própria evolução de conhecimentos e de relações sociais e de negócios entre pessoas e organizações na sociedade em geral contribui para a modificação
dos elementos constitutivos do conceito de auditoria, dando-lhe uma configuração coerente com a tendência da dinâmica que de resto cerca todas as áreas de conhecimento e de atuação dos profissionais.
Nesse sentido, Sá (2002, p. 25) enuncia o seguinte ponto de vista para a definição de auditoria:
Auditoria é uma tecnologia contábil aplicada ao sistemático exame dos registros, demonstrações e de quaisquer informes ou elementos de consideração contábil, visando a apresentar opiniões, conclusões, críticas e orientações sobre situações ou fenômenos patrimoniais da riqueza aziendal, pública ou privada, quer ocorridos, quer por ocorrer ou prospectados e diagnosticados.
Sá (2002, p. 27) acrescenta, em relação a esse conceito estabelecido, que ele se prende a três razões básicas, quais sejam:
1. Observação sistemática para obter elementos de convicção para opinar sobre evidências relativas aos fenômenos da riqueza patrimonial aziendal;
2. Aplicação de metodologia própria à avaliação das observações sistemáticas dos elementos coletados;
3. Conclusão sobre as avaliações, relatadas e sumarizadas, a seguir, em opiniões definidas, de acordo com a natureza das observações, aplicações metodológicas de indagação e avaliação.
Arrematando, Sá (2002, p. 27) assegura que a atividade de auditoria “não se trata, pois, de uma singela revisão, mas de uma tecnologia específica, hoje envolvida por Normas, Procedimentos e Comportamentos Éticos”.
Já o CFC – Conselho Federal de Contabilidade (2003, p. 131) estabelece o conceito e os objetivos da auditoria independente no corpo das Normas de Auditoria Independente das Demonstrações Contábeis – NBC T 11, na forma de que
A auditoria das demonstrações contábeis constitui o conjunto de procedimentos técnicos que tem por objetivo a emissão de parecer sobre sua adequação, consoante os Princípios Fundamentais de Contabilidade e as Normas Brasileiras de Contabilidade e, no que for pertinente, a legislação específica.
O IBRACON – Instituto dos Auditores Independentes do Brasil, de sua parte, editou a NPA no 01 – Parecer dos Auditores Independentes sobre Demonstrações Contábeis, ao indicar que
A auditoria independente das demonstrações contábeis constitui o conjunto de procedimentos técnicos que tem por objetivo a emissão de parecer sobre a adequação com estas representam a posição patrimonial e financeira, o resultado das operações, as mutações do patrimônio liquido e as origens e aplicações de recursos da entidade auditada, consoante as Normas Brasileiras de Contabilidade e a legislação especifica no que for pertinente.
Voltando ao CFC (2006), este estabelece na Resolução No 986/03 os conceitos e objetivos relativos à auditoria interna – NBC T 12, na forma de que
12.1.1.2 - A Auditoria Interna é exercida nas pessoas jurídicas de direito público, interno ou externo, e de direito privado.
12.1.1.3 - A Auditoria Interna compreende os exames, análises, avaliações, levantamentos e comprovações, metodologicamente estruturados para a avaliação da integridade, adequação, eficácia, eficiência e economicidade dos processos, dos sistemas de informações e de controles internos integrados ao ambiente, e de gerenciamento de riscos, com vistas a assistir à administração da entidade no cumprimento de seus objetivos.
12.1.1.4 - A atividade da Auditoria Interna está estruturada em procedimentos, com enfoque técnico, objetivo, sistemático e disciplinado, e tem por finalidade agregar valor ao resultado da organização, apresentando subsídios para o aperfeiçoamento dos processos, da gestão e dos controles internos, por meio da recomendação de soluções para as não-conformidades apontadas nos relatórios.
Considerando os comentários da subseção 2.4.2 sobre accountability e associando a auditoria a esse termo, Araújo (2001) comenta que a auditoria informa o delegante (sociedade ou representante dela) sobre o modo como a accountability foi e está sendo cumprida pelo delegado (gestor público).
Além disso, Araújo (2001) considera que a auditoria, como disciplina, tem origem na Ciência Contábil e, como atividade, está associada à função de controle, integrante do processo da gestão das organizações.
Gil (1999, p. 13) entende auditoria como “função organizacional de revisão, avaliação e emissão de opinião quanto ao ciclo administrativo (planejamento/execução/controle) em todos os momentos/ambientes das entidades” e que o exercício de sua prática está associado à estruturação e combinação de vetores diversos, dentre os quais o de que ela é exercida segundo dois focos temporais de revisão/avaliação/emissão de opinião de processos e resultados das linhas de negócios/produtos/serviços: i) quando ele ocorre na perspectiva passado/presente, se refere à auditoria operacional; e ii) quando ele se verifica no presente/futuro, diz respeito à auditoria da gestão.
Ainda de acordo com Gil (1999, p. 23), as dimensões dessa função organizacional têm os seguintes significados
• revisão implica definição de objetivos, prioridades, conhecimento do ambiente empresarial, formatação do ponto de controle e do programa de auditoria, testes; • avaliação compreende análise dos resultados dos testes, estudo de alternativas de
solução, estruturação da recomendação quanto a causas e conseqüências das fraquezas identificadas;
• emissão de opinião corresponde a desenvolvimento da lógica de sustentação da recomendação, estruturação da argumentação a ser debatida com o auditado, colocação da recomendação em forma de produto final de auditoria e acompanhamento da institucionalização e da efetividade operacional da recomendação feita.
Nada obstante a abordagem de Gil se refira às atividades de auditoria interna de organizações da iniciativa privada, são mencionados a seguir os denominados momentos de auditoria, os quais podem ser entendidos como os elementos sobre os quais a ação de auditoria será efetuada:
a) no plano de auditoria operacional – processos e resultados de vendas realizadas; seqüência de tarefas e produtos produzidos e serviços prestados; e atividades realizadas no âmbito administrativo/contábil/financeiro; e
b) no contexto de auditoria da gestão – planejamentos realizados; desenvolvimento de novos produtos/sistemas/tecnologias; pesquisas em realização; programas de qualidade em execução; e informação e contra- informação empresarial.
Gil (1999, p. 21 e 22) menciona ainda que a linha divisória entre essas duas modalidades de auditoria está relacionada com o momento em que “a formatação do ponto de controle e as recomendações quanto a sua operacionalização atacam causas e conseqüências”, considerando que isso pode ocorrer em relação a uma “situação/ambiente estático/predefinido e que não foi alcançado ou cumprido (é uma auditoria com base no binômio passado/presente)” ou “os pontos de controle passam por um processo de mudança ou de criação, ou seja, estão sendo discutidos hoje para vigorar no futuro” (referindo-se à associação presente/futuro).
Cruz (1997) indica que o exame de documentos e a escrituração da Contabilidade sempre foram premissas legitimadoras das técnicas utilizadas na atividade de auditoria e que os profissionais que a exercem têm como objetivos
(1) verificar a viabilidade dos planos do empreendimento; (2) estabelecer controle sobre a origem e o retorno do capital financeiro; (3) realizar o rateio preciso dos resultados segundo critérios contratuais e diferentes maneiras de participação; (4) verificar o controle à distância ou mediante prepostos de diversificada formação cultural; (5) examinar a diversidade e dificuldade de precisão no valor agregado ao resultado do negócio.
Todas essas definições remetem a um ponto em comum, qual seja, o de que a auditoria deve exercer atividades que buscam contribuir para assegurar condições mínimas de segurança e diminuição de riscos nas demais atividades exercidas em uma organização, no
espaço correspondente à execução da função de controle, integrante do processo da gestão, subsidiando esse mesmo processo, especialmente quanto às necessidades de tomada de decisões por parte dos gestores.