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4. MARKA SADAKATĐ

4.1. Marka Sadakati Kavramının Gelişimi

O saber biomédico sistematiza o funcionamento normal do organismo, definindo as práticas necessárias para o tratamento das patologias. Constituiu o principal discurso de orientação para as políticas públicas de distribuição dos bens e serviços na área social, proporcionando a neutralidade e cientificidade exigidas pelas sociedades contemporâneas94.

A pessoa com deficiência era entendida como alguém que detinha alguma anomalia, geradora de desvantagem natural, o que era explicado com base nas ciências médicas. Surgiram, assim, práticas de reabilitação ou de tratamento que eram oferecidas aos indivíduos95.

Por muito tempo, a concessão de benefício de prestação continuada (BPC – LOAS) para pessoas deficientes era quase exclusivamente condicionada à avaliação de perícia médica, evidenciando a relevância do aspecto biomédico para as políticas de Estado96.

Nesse sentido, a legislação que anteriormente regulamentava o BPC –

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BARBOSA, Lívia; DINIZ, Debora; SANTOS, Wederson. Diversidade corporal e perícia médica: novos contornos da deficiência para o benefício de prestação continuada. Revista Textos &

Contextos, Porto Alegre, v. 8, n.2, p. 377-390, jul./dez. 2009, p. 382.. Disponível em:

<http://repositorio.unb.br/bitstream/10482/8218/1/ARTIGO_DiversidadeCorporalPericiaMedica.pdf>. Acesso em: 20 nov. 2016.

95

DAMASCENO, Luiz Rogério da Silva. DO BENEFÍCIO ASSISTENCIAL E SUA ADEQUAÇÃO À

CONVENÇÃO DE NOVA IORQUE SOBRE OS DIREITOS DAS PESSOAS COM

DEFICIÊNCIA.: ALCANCE E DEFINIÇÃO DO CONCEITO DE DEFICIÊNCIA. 2014. 68 f. Monografia

(Especialização) - Curso de Direito, Universidade de Brasília, Brasília, 2014, p. 10.

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LOAS, Decreto 1744/95, conceituava o deficiente como a pessoa que era “incapacitada para a vida independente e para o trabalho em razão de anomalias ou lesões irreversíveis de natureza hereditária, congênitas ou adquiridas, que impeçam o desempenho das atividades da vida diária e do trabalho”.

A legislação anterior destacava demasiadamente o aspecto biomédico, cabendo aos peritos apenas avaliar se a deficiência seria uma limitação corporal para a interação social97. A avaliação médica era então uma forma de objetivar o deferimento do benefício98, ao definir quais deficiências e em que grau dariam direito à sua concessão.

O modelo médico é especialmente insuficiente quando se trata de comorbidade mental, como é o caso do autismo, que não é compatível com definições objetivas e universais. A condição mental é a expressão da diversidade humana que mais exigia uma revisão do modelo avaliativo adotado99.

Em reação ao critério exclusivamente biomédico, passou-se a exigir a aplicação de um novo modelo: o critério social, que trouxe novos elementos à caracterização da deficiência.

A deficiência, para o paradigma social, resulta da interação entre as pessoas com deficiência e um ambiente que impeça a sua plena e efetiva participação na sociedade, conforme a Convenção Internacional sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência.

Para esse modelo, as adversidades enfrentadas pelos deficientes não seriam intrínsecas à comorbidade, mas uma condição imposta por ambientes insensíveis à diversidade. Na nova perspectiva, é preciso associar saber biomédico ao contexto social do indivíduo, atuando o primeiro na melhoria das condições de vida e, o segundo, na maior acessibilidade dada aos portadores de necessidades

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DAMASCENO, Luiz Rogério da Silva. DO BENEFÍCIO ASSISTENCIAL E SUA ADEQUAÇÃO À

CONVENÇÃO DE NOVA IORQUE SOBRE OS DIREITOS DAS PESSOAS COM

DEFICIÊNCIA.: ALCANCE E DEFINIÇÃO DO CONCEITO DE DEFICIÊNCIA. 2014. 68 f. Monografia

(Especialização) - Curso de Direito, Universidade de Brasília, Brasília, 2014, p. 12.

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BARBOSA, Lívia; DINIZ, Debora; SANTOS, Wederson. Diversidade corporal e perícia médica: novos contornos da deficiência para o benefício de prestação continuada. Revista Textos &

Contextos, Porto Alegre, v. 8, n.2, p. 377-390, jul./dez. 2009, p. 382.. Disponível em:

<http://repositorio.unb.br/bitstream/10482/8218/1/ARTIGO_DiversidadeCorporalPericiaMedica.pdf>. Acesso em: 20 nov. 2016.

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DINIZ, Debora; SQUINCA, Flávia; MEDEIROS, Marcelo. Qual deficiência?: perícia médica e assistência social no Brasil. Cad. Saúde Pública, Rio de Janeiro , v. 23, n. 11, p. 2589-2596, Nov. 2007, p.2592. Disponível em: <http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0102- .311X2007001100006&lng=en&nrm=iso>. Acesso em: 03 mai. 2016.

diferentes100.

Da necessidade de conjugação das duas formas de compreensão da deficiência, quais sejam, a médica e a social, surgiu um novo modelo de avaliação denominado biopsicossocial.

O modelo biopsicossocial surgiu com a edição da Resolução 5421/2001 da OMS, que instituiu a Classificação Internacional de Funcionalidade, Incapacidade e Saúde (CIF), que tem como objetivo proporcionar uma linguagem comum e padronizada para os diferentes estados de saúde101.

A Classificação Internacional de Funcionalidade, Incapacidade e Saúde (CIF) é: “uma classificação das características de saúde das pessoas dentro do contexto das situações individuais de vida e dos impactos ambientais”102 É a interação dos indivíduos com um ambiente com limitações que proporciona a deficiência, que não existiria em um ambiente mais inclusivo.

Recentemente, esse modelo foi o adotado pelo Estatuto da Pessoa com de Deficiência (Lei 13.146/15), que aduz em seu art. 2º, §1º, que a avalição da deficiência deverá ser biopsicossocial, sendo realizada por equipe multidisciplinar e interdisciplinar, devendo considerar: os impedimentos nas funções e nas estruturas do corpo, os fatores socioambientais, psicológicos e pessoais, a limitação no desempenho de atividades e a restrição de participação.

A Lei Orgânica da Assistência Social (Lei 8.742/93) também se refere ao modelo biopsicossocial, em seu art. 20, §6º, sendo o procedimento adotado nas perícias destinadas à eleição dos beneficiários de benefício de prestação continuada.

O atendimento ao modelo biopsicossocial, nos casos de requerimento de benefício de prestação continuada, tem sido efetivado com a adoção de duas perícias: uma médica e uma social, sendo a última realizada por assistentes sociais.

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BARBOSA, Lívia; DINIZ, Debora; SANTOS, Wederson. Diversidade corporal e perícia médica: novos contornos da deficiência para o benefício de prestação continuada. Revista Textos &

Contextos, Porto Alegre, v. 8, n.2, p. 377-390, jul./dez. 2009, p. 386-387.Disponível em:

<http://repositorio.unb.br/bitstream/10482/8218/1/ARTIGO_DiversidadeCorporalPericiaMedica.pdf>. Acesso em: 20 nov. 2016.

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VIEIRA, Susana. A avaliação da deficiência para acesso ao benefício de prestação

continuada: um processo em construção. 2013. 127 f. Tese (Mestrado em Serviço Social) –

Pontífica Universidade Católica do Rio Grande do Sul, Porto Alegre, 2013, p. 63. Disponível em: <http://repositorio.pucrs.br/dspace/bitstream/10923/5134/1/000445643-Texto%2bCompleto-0.pdf>. Acesso em: 20 nov. 2016.

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Organização Mundial da Saúde. Classificação Internacional de Funcionalidade, Incapacidade

Enquanto a avaliação médica visa a reconhecer a existência da deficiência, a social busca constatar alguma vulnerabilidade social do periciado, o que também influência na identificação da deficiência, segundo o modelo biopsicossocial.