F- Araştırmanın Sınırlılıkları ve Kapsamı
I. BÖLÜM
2. ÖTEKİLEŞTİRME
1.3. Süleyman Hilmi Tunahan Cemaatine Mensup Kadınlar ve Moda
1.3.4. Marka ve Aidiyet
Como citamos anteriormente, a democracia grega pode ser chamada de democracia direta, na medida em que todos os cidadãos – uma pequena parcela da população total com direitos - tinham acesso a participar dos debates de decisões. As democracias modernas são chamadas de representativas, na medida em que os cidadãos – todos os nascidos num país ou por qualquer motivo assim considerados – elegem seus representantes. Vemos que estes sistemas são um tanto contraditórios, pois cada um tem características distintas na maneira como o cidadão tem acesso as esferas e processos de decisão.
A democracia direta, como seu próprio nome diz, pode ser entendida como o exercício direto do poder político por cada cidadão. Ainda que possa haver um corpo técnico ou administrativo dirigindo determinados temas ou ações do estado, não haveria delegados, deputados ou representantes de qualquer espécie para legislar, julgar ou decidir, sendo isto feito por todos os cidadãos em conjunto, exercitando sua autonomia individual. Neste modelo se apoiava a democracia grega, como diz Castoriadis:
"A participação se concretiza na Eclésia, Assembléia do Povo, que é o corpo soberano efetivo. Nela, todos os cidadãos têm o direito de tomar a palavra (iségoria), suas vozes têm cada qual o mesmo peso (isopséphia) (...) Mas a participação se dá também nos tribunais, onde não há juizes profissionais e a quase totalidade das cortes são formadas de júris, sendo os jurados escolhidos por sorteio." (Castoriadis, 1987, p. 294).
Disto resultava em um estado absolutamente diverso do estado moderno, pois os diversos e diferentes cidadãos tem capacidade, autonomia e objetividade para deliberar e tomar as decisões sobre o estado, assumindo integralmente os processos a ações necessários ou demandados por este estado.
Nisto reside também o cerne do pensamento sobre a maioria, pois na medida em que todos os cidadãos participavam é necessário estabelecer princípios para a tomada coletiva de decisão, sendo para os gregos considerada como a melhor a decisão tomada pela maioria após os debates.
A democracia representativa, por sua vez, não extingue ou elimina a idéia da maioria, mas o poder passa a ser delegado pelos cidadãos a um conjunto ou grupo de representantes que irão fazer frente as demandas e necessidades do estado. Ou seja, o poder passa a ser não mais um poder de fato, mas o poder de delegar, o poder àquele ou àqueles que o cidadão entender como capaz de representá-lo.
Podemos dizer que esta forma de democracia surge em função e com as características do estado moderno, que com seus amplos espaços territoriais e grande quantidade de cidadãos – lembramos, todos os nascidos na nação ou que ganharam o direito de assim ser considerados – fica impossibilitada de reunir todos para as tomadas de decisões. Carece, assim, de um corpo de técnicos e burocratas para cumprir as atividades necessárias ao andamento dos assuntos do estado, muitos selecionados pelos cidadãos através de sufrágio.
Sob certos aspectos este sistema coloca os cidadãos na periferia do poder democrático, pois estes transferem aos eleitos o poder de levar à cabo as tarefas de estado, como legislar, decidir obras e mesmo gerir a segurança.
Essa relação de troca de transferência de poder leva a necessidade da criação de uma estrutura capaz de dar conta das ações do estado. Surge assim, um estado estruturado, que na modernidade reflete o pensamento do filósofo Francês Montesquieu.
Em sua clássica obra “O espírito das leis” (2000), Montesquieu, inspirado pelo trabalho de John Locke sobre o sistema de governo Inglês, observa que as leis são fruto do clima, dos costumes e de uma realidade histórica observável, no sentido de uma identidade nacional que projeta em suas leis seus valores, experiências e expectativas.
A partir disso Montesquieu (2000) identifica três sistemas de governo próprios e distintos, Monarquia, Despotismo e República, sendo que neste último agrupava, por considerar semelhantes, Aristocracia e Democracia. Pela natureza das leis de busca da preservação do equilíbrio entre os iguais e na intenção de preservar o estado do autoritarismo e da violência de eventuais governantes, independente do sistema, Montesquieu propõe a separação dos poderes do estado no tripé Executivo, Legislativo e Judiciário, na denominada “Teoria da Separação dos poderes”.
“Quando, na mesma pessoa ou mesmo corpo de Magistratura, o Poder Legislativo é reunido no executivo, não há liberdade”. Porque pode temer-se que o mesmo Monarca ou mesmo Senado faça leis tirânicas para executá-las tiranicamente. Também não haverá liberdade se o Poder de Julgar não estiver separado do Legislativo e do Executivo. Se estivesse junto com o legislativo, o poder sobre a vida e a liberdade dos cidadãos seria arbitrário: pois o juiz seria o legislador. Se estivesse junto ao executivo, o juiz poderia ter a força de um opressor. Estaria tudo perdido se um mesmo homem, ou mesmo corpo de principais ou Nobres, ou do povo, exercesse estes três poderes: o de fazer leis; o de executar as resoluções públicas; e o de julgar os crimes ou as demandas dos particulares. (MONTESQUIEU, 2000, p. 132)
Na visão do filósofo o poder executivo seria exercido por um rei, a quem caberia controlar e executar as ações de estado, bem como controlar e mesmo vetar as ações do legislativo. Vemos que Montesquieu não pode ser considerado exatamente um democrata, na medida em que acreditava num poder composto e levado pela nobreza, mas tinha sim uma preocupação com um maior equilíbrio e controla nas ações e efeitos dos diferentes grupos sociais.
Na modernidade o termo executivo adquire nova feição, podendo ser considerado com o presidente, caso norte-americano, ou pelo presidente auxiliado pelos ministros de estado, caso brasileiro, que se relaciona com os demais poderes, especialmente o legislativo (DANTAS, MARTINS JÚNIOR, 2007).
O poder legislativo, como o próprio nome demonstra, deve legislar sobre os temas e assuntos do estado, buscando o melhor para os cidadãos. Na visão de Montesquieu (2000), este poder legislativo seria dividido em dois, o corpo dos comuns, formado por representantes do povo, e o corpo dos nobres, formado naturalmente pela nobreza, com cargos vitalícios e poder de vetar as ações do corpo dos comuns, tendo ambas as câmaras seções e decisões separadas.
Esta divisão se devia a necessidade de dar espaço para a população, mas manter o controle nas mãos da nobreza, e ambas ter o poder de controlar o poder do executivo, de forma que a função e razão maior das câmaras era evitar o autoritarismo que a função poderia facultar e facilitar, além de olhar para as necessidades do estado como um todo através de seus representantes.
Na contemporaneidade esta organização se mantém na maioria das nações democráticas. No caso norte-americano, ainda hoje considerado o
modelo de organização democrática a partir de sua primeira constituição – assunto sobre o qual nos debruçaremos em mais detalhes a seguir – a divisão se dá entre câmara, com representantes do povo eleitos na proporção da população, e senado, representantes dos estados eleitos na ordem de dois por cada (DANTAS; MARTINS JÚNIOR, 2007).
Este sistema se repete no caso Brasileiro, onde a câmara de deputados é composta por representantes dos diferentes estados eleitos na razão da população, e o senado é composto por três representantes de cada estado, todos eleitos diretamente pela população.
Devemos frisar que a função de legislar não impede o poder legislativo de controlar e mesmo bloquear ações e atos do executivo, fato normal na organização da maioria dos sistemas ocidentais, como EUA, França e Brasil (DANTAS; MARTINS JÚNIOR, 2007). Por sua natureza de representação dos interesses da população é natural que destas câmaras partam projetos e ações de interesse da população, bem como haja o impedimento de ações consideradas fora do escopo ou do interesse buscadas pelo executivo, na lógica de troca e equilíbrio projetada no pensamento de Locke e Montesquieu.
As medidas provisórias, previstas na constituição Brasileira de 1998, podem ser consideradas uma exceção nesta lógica, uma vez que dá ao executivo, mais especificamente o presidente, o poder de editar leis com duração provisória sem a necessária aprovação do legislativo. Já o caso do
impeachment do ex-presidente Brasileiro Fernando Collor de Melo é um
exemplo do legislativo agindo sobre o executivo de forma a preservar o sistema mantendo o equilíbrio do estado democrático.
Já ao judiciário caberia a verificação e cumprimento das leis criadas pelos demais poderes na busca de manutenção e segurança do estado. Mas
este não seria um poder único, uma vez que Montesquieu acreditava que os nobres não poderiam ser julgados por um poder leigo, mas apenas por seus iguais, ou seja, os também nobres. Assim, o judiciário também teria câmaras diferentes, uma composta por membros do povo e outros da nobreza, exclusivo para cuidar de seus iguais. Esta lógica não se repete nos estados modernos, que tem no judiciário, organizado em várias instâncias com hierarquia, um elemento de equilíbrio e mesmo um espaço de apelo contra ações dos demais poderes.
Vemos então, de forma geral, que Montesquieu não defendia ou mostrava preocupação com a igualdade de todos os cidadãos, cerne da democracia. Longe disso, o autor considerava que a nobreza e a realeza deviam sim ser mantidas e preservadas, porém tendo limitações em seu poder e sua capacidade de ação. Apesar disso, o pensamento do filósofo francês se mostra presente e válido até os dias atuais na forma de organização dos poderes nos estados democráticos contemporâneos, tendo forte influência no pensamento dos norte-americanos que geraram a constituição dos Estados Unidos da América, considerada até hoje um dos mais avançados e abertos modelos de democracia.