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2. MANYET˙IK MALZEMELER˙IN TEMEL ÖZELL˙IKLER˙I

2.6 Manyetik Domenler

Essa migração anglo-antilhana, isto é, a das Antilhas de fala inglesa, ocorreu em diferentes momentos330, sobretudo no final do século XIX e na primeira década do XX.

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GÓMEZ NAVIA, Raimundo. Lo haitiano en lo cubano, p. 20. 325

Para o significado do termo mambí, cf. capítulo 1, p. 30, nota de rodapé 22 da presente tese. 326 Idem. Ibid., p. 16. 327 Idem. Ibid., p. 27. 328 Idem. 329 Idem. Ibid., pp. 27-28.

330 No ano de 1899 chegou a Cuba um grande grupo de pessoas procedentes das Antilhas de fala inglesa. Tudo parece indicar que foi um movimento migratório espontâneo devido à proximidade com a Jamaica à costa sul da região oriental cubana, ao barato custo da passagem e às ofertas de trabalho nas construções ferroviárias que nessa época havia na Ilha. Outro momento de acréscimo da imigração anglo-antilhana ocorreu por volta dos anos 1908 e 1929, época do auge açucareiro que terminaria em 1931. No ano de 1941, véspera da entrada dos Estados Unidos na Segunda Guerra Mundial, incrementou-se a demanda de trabalhadores para recondicionar a Estação Carbonera dos Estados Unidos em Cuba, que a partir desse momento converter-se-ia num complexo aéreo naval, a Base Naval na Bahia de Guantánamo. Tal situação

Estes imigrantes se assentaram, principalmente, na região oriental de Cuba. “O Censo de 1931 informa que 50% deles encontravam-se na província de Camagüey e 44% na de Oriente”331.

Um aspecto significativo foi o alto índice de alfabetização exibido pela migração procedente das ilhas anglófonas. Estima-se que, pelo menos, 85% das pessoas emigradas dessa região sabiam ler e escrever. Graciela Chailloux Laffita e Robert Whitney afirmam que “isto era o resultado do trabalho das igrejas protestantes nessas ilhas, pois em cada uma delas havia uma escola”332. A partir da análise desses autores intui-se que o fato da emigração econômica ter sido uma das principais atividades laborais dos anglo- antilhanos foi uma das razões que lhes possibilitou alcançarem um alto nível de qualificação como obreiros333.

A cultura familiar praticada nas ilhas de origem fazia das mulheres imigrantes habilidosas donas de casa, costureiras, bordadoras, cozinheiras-confeiteiras, o que lhes permitia encontrar facilmente emprego como domésticas, principalmente nas casas dos empresários e técnicos estadunidenses do ramo açucareiro. Estas mulheres também prestavam seus serviços como professoras de inglês nas escolas às que assistiam os filhos de imigrantes nascidos na Ilha, bem como parteiras e enfermeiras334.

Os homens, além de desenvolverem tarefas relativas às usinas de açúcar, se desempenharam como trabalhadores agrícolas em outros ramos, por exemplo, nas plantações de cítricos. Alguns deles resolveram serem proprietários de parcelas de terra de pouca extensão ou de pequenos negócios no setor dos serviços à população: alfaiataria, venda de sapatos e chapeis, entre outras tarefas.

Homens também trabalhavam como professores de língua inglesa e música. Quase em meados do século XX, por volta de 1941, os anglo-falantes imigrados a Cuba encontraram uma fonte de emprego que melhoraria suas condições de vida, pois tinham a vantagem de conhecer a língua de seus empregadores. O conhecimento do idioma propiciou a chegada de força de trabalho procedente das Antilhas anglófonas. Cf. CHAILLOUX LAFFITA, Graciela, WHITNEY, Robert. British Subjects y Pinoches en Cuba. In: CHAILLOUX LAFFITA, Graciela (coord.). De dónde son los cubanos, pp. 61 e 66.

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A região de Oriente compreende as províncias de: Las Tunas, Holguín, Granma, Santiago de Cuba e Guantánamo. Para maior informação a respeito dos dados sobre os imigrantes anlgo-antilhanos. Cf. CHAILLOUX LAFFITA, Graciela, WHITNEY, Robert. British Subjects y Pinoches en Cuba, p. 61. 332 Idem. Ibid., p. 51. 333 Idem. Ibid., p. 59. 334 Idem. Ibid., p. 61.

inglês tornou-se um capital simbólico que permitiu a muitos se converterem num tipo de aristocracia obreira, numa região eminentemente agrícola. Tal situação estimulou uma forte ola de imigração anglo-falante para Guantánamo335.

No âmbito familiar, enfatizava-se, o mesmo que no caso dos imigrantes haitianos, o respeito pelas pessoas adultas, o apego ao trabalho e à educação, o esmero com as boas maneiras de se comportar, a educação da mulher para a laboriosidade no lar, o aprendizado da música e das artes manuais, bem como o culto à superação pessoal. O fato dos pais procurarem para seus filhos cônjuges imigrantes, ou descendentes de imigrantes, não constituiu uma norma. Costumava-se, até a década dos anos 50 do século XX, que os recém casados fossem direto da cerimônia eclesiástica para a casa do fotógrafo para deixar constância da boda. Nas áreas rurais o casamento podia durar até três dias. O rito funerário de Ninth Night (Novena Noite), de origem jamaicana, era também celebrado sempre que um imigrante ou descendente anglo-antilhano falecia336. “Outra particularidade notável é a prática do ecumenismo religioso ao interior do núcleo familiar. Os laços familiares [...] são de tal fortaleça, que a prática de diferentes ramos do protestantismo [...] não é motivo de conflitos”337.

Quanto às festividades, especialistas afirmam que a música se interpretava e dançava segundo o costume jamaicano; que os ritmos favoritos eram o calipso e o mento, dançados em quadrille (grupos de quatro, dois casais de dançarinos), e os ritmos cubanos; que as mulheres assistiam com vestidos compridos e os homens com roupa formal338. Graciela Chailloux Laffita e Robert Whitney, no intuito de expor a presença da cultura anglo-antilhana em Cuba, tomaram como referencia algumas das festividades do bairro Baraguá. Os autores testemunham que no dia em que se comemora a emancipação dos escravos339 a comunidade comparte entre seus integrantes sweet bread (pão de glória), limonada, refrigerante e vinho de sareel, bebidas extraídas de uma flor desse mesmo nome, e o ginger bear (cerveja de gengibre). Nessa ocasião degustam-se

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CHAILLOUX LAFFITA, Graciela, WHITNEY, Robert. British Subjects y Pinoches en Cuba, p. 66. 336

A novena noite depois do falecimento da pessoa, os parentes e amigos reuniam-se para, ao compasso dos cânticos religiosos e rezas, despedir o finado. Vozes bem afinadas dirigiam os cantos e as rezas. O rito terminava ao amanhecer, quando todos os presentes levavam flores ao cemitério e desmontavam a cama onde o defunto dormia. Cf. CHAILLOUX LAFFITA, Graciela, WHITNEY, Robert. British Subjects y Pinoches en Cuba, pp. 78-79. 337 Idem. Ibid., p. 84. 338 Idem. Ibid., p. 79. 339

Em primeiro de agosto se celebra nas ilhas britânicas das Antilhas o dia de emancipação dos escravos, ocorrida em 1838.

bolos tradicionais como: black cake, pastel de frutas que tem uma massa obscura; war

ponee, pudín de mandioca, batata doce e coco; e pratos como: rice, beans and coconuts,

arroz e feijão misturado com coco; o cucú, farinha de milho com quimbombó; banana com breadfruit, pão de fruta; e o ackee340. Todos estes costumes e alimentos, mesmo que advindos de outras latitudes e culturas são elementos constituintes da cultura cubana.

Quanto às crenças religiosas, vale destacar que as imigrações advindas a Cuba das ilhas vizinhas reproduziram e reconstruíram as práticas sociais de seus lugares de origem. Sociedades nas quais já o cristianismo tinha feito a sua entrada. Os recém chegados expressaram a sua necessidade de ter espaços para conservar as suas tradições e costumes através da fundação de igrejas – fundamentalmente protestantes –, logias, associações de ajuda mútua e recreação, assim como escolas.

Conseqüentemente, a associatividade pública, espaço para a solidariedade e a reprodução da cultura própria, se realizou em Guantánamo através de três formas básicas e intimamente relacionadas que eram parte de uma tradição trazida das ilhas de origem e de suas experiências migratórias anteriores em Costa Rica e Panamá: as igrejas, as lógias e as associações fraternais e de recreação341.

Antes de 1899 “os esforços das igrejas protestantes norte-americanas para se expandirem em Cuba foram nulos”342. Isto devido ao fato de que o país estava sob o domínio espanhol e a Igreja Católica Romana tinha um papel preponderante na Ilha. O florescimento do protestantismo, entre outras rações, pode associar-se à entrada de missionários norte-americanos e cubanos, formados nos Estados Unidos na doutrina protestante; assim como com a irrupção em Cuba de uma população anglo-antilhana que já era praticante, ou estava familiarizada, com os cultos deste ramo do cristianismo343.

Mesmo usufruindo algumas vantagens laborais pelo fato de falar o inglês num período em que a presença dos Estados Unidos em Cuba era econômica e politicamente significativa, imigrantes anglo-antilhanos também foram alvo de discriminações. Em diferentes momentos estiveram expostos às deportações e às segregações raciais. O ano de 1921, imediatamente depois da Primeira Guerra Mundial – período conhecido como das “vacas magras” –, foi uma época bem difícil para estes imigrantes. Os mesmos tinham poupado algum dinheiro na etapa de prosperidade econômica que antecedeu o

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CHAILLOUX LAFFITA, Graciela, WHITNEY, Robert. British Subjects y Pinoches en Cuba, p. 86. 341 Idem. Ibid., pp. 67-69. 342 Idem. Ibid., p. 69. 343 Idem. Ibid., pp. 67-70.

conflito bélico, mas com o influxo da crise a popança esfumou-se. Experimentaram, pela primeira vez, os sensabores das políticas de repatriação. Outro momento crítico foi a Grande Depressão de 1929 até 1933, quando a produção açucareira nem sequer alcançou 50% do monto esperado, o que motivou o retorno de muitas pessoas para seus lugares de origem. Estatísticas revelem que em 1931 só aparece registrada a permanência em Cuba de 33 000 antilhanos de fala inglesa344. Não só desde Cuba foram obrigados a voltarem, mas também de Panamá, Costa Rica e Santo Domingo, entre outros países.

Quanto ao grupo que ficou, autores345 constatam a valiosa contribuição que essas pessoas deram à cultura cubana, pois elas

sabem de religiões protestantes, de comidas temperadas com leite e coco e gengibre, que falam inglês em meio às comunidades que criaram seus maiores, em cujas fantasias estão as narrativas sobre as ilhas de procedência de seus pais ou avós; mas se alguém lhes perguntar [pela sua nacionalidade], respondem, como si fosse o mais obvio deste mundo, que eles são cubanos346.

No que se refere aos que se foram, muitos deles, quando inicia o período da revolução socialista em Cuba no ano de 1959, continuaram a trabalhar no território estadunidense de Guantánamo, na Base Naval; outros emigraram, por isso “as comunidades anglo-antilhanas de New York, Toronto, Londres ou Barcelona se nutriram dos que haviam vivido em Cuba”347.

A partir de 1990 se produz em Cuba um processo em prol do reencontro familiar. Neste sentido, “contribuiu poderosamente o estreitamento dos vínculos diplomáticos e de cooperação de Cuba com o resto das Antilhas”348, fato que propiciou a migração de descendentes às ilhas de seus maiores e a visita de familiares que moram em diferentes partes do mundo aos que se encontram em Cuba.

Benzer Belgeler