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4. TOZ ÜRET˙IM˙I VE KARATER˙IZASYON TEKN˙IKLER˙I

4.1 Toz Üretimi

4.1.1 Elektro erozyon

movimento, como um período histórico e como um sistema sócio-político-econômico. Como movimento, porque surge a partir da organização de grupos de pessoas que se uniram para derrocar o governo de Fulgêncio Batista; como período histórico, porque a frase Revolução Cubana identifica a etapa que inicia em 1959, com o triunfo do Exército Rebelde396 sobre o exército batistiano, e que continua a estar vigente no momento em que se escreve esta tese (2009-2010); como sistema sócio-político- econômico, porque o governo revolucionário articula e mantém uma estrutura e um conjunto de medidas que incidem nas relações sociais, na dinâmica política e na vida econômica do país.

392

CORRALES CAPESTANY, Maritza. Cuba: Paraíso recobrado para los judíos, p. 178. 393

Corrales explica que mais de 90% dos judeus cubanos emigraram depois das mudanças sociais ocorridas a partir de 1959 (irrupção do socialismo) em Cuba. A imigração não se deveu a questões relativas ao anti-semitismo, mas à economia e ao comércio: muitas das pessoas que saíram do país pertenciam às classes media e altas da sociedade, porém, uma parte da mesma estava diretamente relacionada ao mundo dos negócios. Segundo a autora, teve quatro etapas migratórias: 1) entre 1960 e 1962, para os Estados Unidos, Puerto Rico, México, Venezuela e Israel; 2) em 1968, principalmente para América do Norte; 3) em 1986, através do porto Mariel saíram para Estados Unidos 125 000 cubanos, dos quais, 400 eram judeus; 4) na década dos 90, fundamentalmente para Israel. Idem. Ibid., pp. 197, 198. 394

Idem. Ibid., p. 202. 395

Idem. 396

Para informações acerca do Exército Rebelde, cf. capítulo 1, p. 31, nota de rodapé 23 da presente pesquisa.

Para compreender o processo revolucionário em Cuba e a cosmovisão da Revolução cubana, que iniciou seu mandato em 1º de janeiro de 1959, é oportuno destacar as causas que influenciaram tal acontecimento, tanto no âmbito nacional quanto internacional. Neste sentido, se enfatizam questões relativas a três contextos: 1) ao contexto global, 2) ao contexto latino-americano, e 3) ao contexto nacional cubano.

Quanto ao contexto global, pode-se afirmar que a historia da nação cubana e do pensamento político-ideológico nesse país têm se desenvolvido a partir de encontros e desencontros com três grandes potencias: Espanha, Estados Unidos (EEUU) e Rússia. Com a Espanha, porque por quase quatrocentos anos Cuba foi colônia desse país397, do qual herdou parte da riqueza cultural, mas também muitas das contradições e problemas existentes na nação ibérica na etapa colonial, que no decurso da história geraram grandes confrontos. Com EEUU, porque a partir de 1898, com a intervenção deste país na guerra cubano-hispana, Cuba passou a ter um vínculo político-econômico muito estreito com o governo estadunidense, relacionamento no qual EEUU “levava sempre a melhor”. Isto mudaria com o triunfo da Revolução Socialista em 1959398.

No que diz respeito à terceira potência, é oportuno destacar que desde outubro de 1917, com o triunfo da Revolução socialista na Rússia, país que passou a nomear-se como União de Repúblicas Socialistas Soviéticas (URSS), o mundo ficou dividido em dois grandes blocos: o dos países que abraçavam o sistema capitalista, cujo maior representante era EEUU; e o dos países que aderiram aos ideais socialistas, tendo como máximo referencial a URSS. Dessa oposição adveio a Guerra Fria399 entre ambas as potências [EEUU e a URSS], que em meados do século XX alcançava dimensões mundiais. A Revolução Cubana acontece em meio a essa contradição e opta por um

397

Conferir capítulo II da presente pesquisa, item 2, dedicado à presença espanhola em Cuba. Para maior informação sobre a história de Cuba no período colonial, cf. GUERRA, Ramiro. Manual de historia de

Cuba; e PICHARDO, Hortensia. Documentos para la historia de Cuba. t. 1. La Habana: Editora Nacional

de Cuba, 1965.

398 Conferir capítulo I da presente pesquisa, item 1, que oferece uma Panorâmica geral da Ilha de Cuba; e consultar PIERRE-CHARLES, Gerald. Génesis de la revolución cubana. 7 ed. Ciudad de México: Siglo XXI editores, 1978, pp. 11-14; 35-43.

399

Chama-se Guerra Fria à disputa pela hegemonia mundial entre EEUU e a URSS após a Segunda Guerra Mundial (1939-1945). Tal conflito provocou uma intensa luta econômica, diplomática e ideológica travada pela conquista de zonas de influência; bem como uma corrida armamentista que se estendeu por 40 anos. Para informações sobre a Guerra fria e o contexto cubano, cf. AYERBE, Luis Fernando. A

modelo sócio-político-econômico concomitante com o assumido pela URSS e outros países socialistas400.

No contexto latino-americano, entre outros eventos, se tornavam significativas as reformas e movimentos universitários que iniciaram na Argentina em 1918, na Universidade de Córdoba, e que se espalharam por toda América Latina, inclusive em outros territórios, como na Espanha e nos EEUU401. As reformas universitárias difundiram no continente latino-americano a ideia do antimperialismo402. Um exemplo de sua força se percebe nas conquistas do Movimento de Reforma Universitária na Guatemala, que em 1944 derrocou ao ditador Ubico e impus um sistema democrático nesse país. A partir desse momento ocorreriam reformas políticas e sociais que conflitariam com interesses de empresas estadunidenses, como a United Fruit Company, por exemplo403.

Nesse período os movimentos estudantis e operários404 em Cuba tiveram um papel muito importante na luta contra administrações governamentais corruptas. Isto permite afirmar que os sucessos que levaram a Revolução ao poder advieram não só de uma situação interna do país, mas também de uma dinâmica que pairava sobre os países latino-americanos.

400

Antes da queda do socialismo nos países europeus em 1989, a relação entre os governos de Cuba e da URSS era muito estreita: pessoal técnico da URSS ia a Cuba para ajudar desenvolver diferentes indústrias, tais como a têxtil, a química, a agricultura, o transporte, a elétrica, as comunicações, etc.; estudantes cubanos iam à URSS para estudarem história, psicologia, filosofia, entre outras áreas do saber; o Sistema de Educação de Cuba recebia muito material acadêmico da URSS; por muito tempo, a segunda língua estrangeira que se estudava nas escolas cubanas era o russo; lideranças do governo eram treinadas também nesse país; frequentemente o cinema e a televisão de Cuba apresentavam programas alusivos à URSS; o fluxo de pessoas de um país para o outro trouxe em continuidade matrimônios entre pessoas de ambos os países e filhos russo-cubanos; a economia cubana recebia grandes quantidades de produtos e recursos soviéticos; a URSS era vista como um modelo a seguir.

401

Para maior informação sobre esses movimentos, cf. ALBUQUERQUE, J. A. Guilhon. Movimento

estudantil e consciência social na América Latina. Rio, Paz e Terra, 1977.

402

O antimperialismo é uma postura ideológica contrária à dependência colonial, aos mecanismos de subordinação financeira e econômica. No caso de Cuba, uma das figuras que com maior força destacou esta ideia foi Martí. Um documento que expressa este sentimento é a carta que em meio à Guerra de Independência (1895-1898) ele escreve ao seu amigo mexicano Manuel Mercado. Devido a sua morte, a carta não foi concluída nem entregue ao destinatário. Posteriormente foi publicada na revista El Fígaro. Uma copia desta carta aparece no site: http://resumos.netsaber.com.br/ver_resumo_c_55175.html. Captado em 31-12-2009.

403

Tomado de: Conjunto de autores. Guatemala: Entre el dolor y la esperanza. Valencia: Universidad de Valencia. 1995, pp. 31-35.

404

Para maior informação sobre essas organizações, cf. Conjunto de autores. Historia del movimiento

A queda do governo de Juan Domingo Perón, na Argentina405, e de Jacobo Arbenz, na Guatemala406, fez com que vários setores nacionalistas de América Latina abandonassem a via democrática para realizar reformas sociais e se pensasse na luta armada como um meio menos falível para mudar, para melhor, a sociedade. O que faz pensar que essa lógica também foi assumida pelos grupos que almejavam transformações sociais positivas em Cuba407.

No que diz respeito ao contexto nacional cubano, há três pontos que merecem destaque: 1) a herança ideológico-política, 2) a tradição de luta do povo, 3) a síntese que desses fatores ideológico-político-libertários faz o movimento revolucionário cubano.

A gênese do pensamento revolucionário cubano remete às ideias dos presbíteros Felix Varela (1788-1853)408 e José de la Luz y Caballeros (1800-1862)409. Ambos opinavam que a independência de Cuba da Espanha era o único caminho possível para a reivindicação da população. Mas é com José Martí410 que essa linha de pensamento adquire uma forma mais orgânica e acabada. Foi ele que criou o Partido Revolucionário Cubano (PRC) em Tampa, em 5 de janeiro de 1892, no intuito de juntar os cubanos que já tinham lutado pela independência de Cuba. O objetivo de Martí não era só a libertação de Cuba, mas de toda a América Latina. Isto se corrobora numa de suas cartas quando enfatiza que seu objetivo era “impedir com a independência de Cuba que os Estados

405

BARROETAVEÑA, Mariano; PARSON, Guillermo; ROMÁN, Viviana; ROSAL, Hernán; SANTORO, Mara. Ideas, política, economía y sociedad en la Argentina (1880-1955). Editora Biblos, 2007, pp. 103-106.

406

Conjunto de autores. Guatemala: Entre el dolor y la esperanza, pp. 31-35. 407

A ideia da luta armada como meio efetivo para conquistar os direitos da nação já estava presente no povo cubano desde a Primeira Guerra de Independência em Cuba (1868-1878): Ignacio Agramonte – um dos líderes dessa luta em Camagüey, na região oriental do país –, ante a tentativa de vários chefes militares de chegar a um acordo com a Espanha, persuadiu muitas pessoas de que “a guerra era o único meio efetivo e decoroso [...] para reivindicar os ultrajados direitos de Cuba”. Cf. GUERRA, Ramiro.

Manual de historia de Cuba, p. 698.

408

Cf. capítulo 1, item 5.1, p. 50 da presente pesquisa.

409 José de la Luz y Caballero foi um filósofo, educador, político, ensaísta, que representou à classe meia de Havana nas suas lutas contra o despotismo colonial. Segundo Guerra, José de la Luz y Caballero, conjuntamnete com seus amigos, José Antonio Saco e Domingo del Monte, interessava-se pela “prática do ensino, do cultivo das letras, da crítica dos costumes e pelo estudo das causas que acarretavam os problemas sociais”. Ele acreditava num futuro melhor para Cuba e estava convicto de que era um dever “preparar seus conterrâneos para alcançá-lo”. Para maior informação sobre a vida de José de la Luz y Caballero, cf. GUERRA, Ramiro. Manual de historia de Cuba, pp. 310, 336, 337, 338, 349, 361.

410

Unidos se estendessem pelas Antilhas”411 e acrescenta: “Quanto fiz até hoje, e farei, é para isto”412.

Martí organizou, conjuntamente com outras personalidades cubanas413, a Segunda Guerra de Independência de Cuba (1895-1898)414. Inspirados neste esforço, outras organizações políticas, estudantis, camponesas e de massas surgiram no século XX. Todas elas com ideais libertários. Entre as mais conhecidas estão:

• 1908, Independentes de Cor (Independientes de Color), que se opunha à discriminação das pessoas negras;

• 1925, Partido Comunista de Cuba (PCC), fundado por Julio Antonio Mella415 e Carlos Baliño,

• 1925, Confederação Nacional de Trabalhadores de Cuba (CNOC), cujo objetivo era a defesa dos interesses da classe operária, organização que em 1937 passou a ser chamada como Central de Trabalhadores de Cuba (CTC)416;

• 1953, Ação Nacional Revolucionária (ANR), que composta por estudantes e obreiros e liderada por Frank País tinha o propósito de procurar armas e dinheiro, bem como realizar ações de massas, para lutar contra a tirania de Batista;

• 1955, Movimento 26 de Julho (M-26-7), liderado por Fidel Castro, tinha o propósito de derrocar o governo de Batista;

411 MARTÍ, José. Carta de José Martí a Manuel Mercado. http://www.granma.cubaweb.cu/marti-

moncada/col-05.html

412 Idem. 413

Entre outras personalidades que participaram na Segunda Guerra de Independência de Cuba, duas que alcançaram grande renome foram Máximo Gómez e Antonio Maceo.

414

Para maior informação sobre a Segunda Guerra de Independência de Cuba (1895-1898), consultar AGUIRRE, Sergio. Ecos de Caminos. La Habana: Editora de Ciencias Sociales. Instituto Cubano del Libro. 1974, pp. 253 ss.

415

Mella (1903-1929) é uma das figuras importantes do movimento revolucionário cubano durante a república neocolonial. Foi Presidente do Primeiro Congresso Nacional de Estudantes em 1923 e neste mesmo ano fundou a Universidade José Martí. Criou a Liga Anticlerical em 1924 e a seção cubana da Liga Antiimperialista das Américas em 1925. No ano de 1924 ingressou no Agrupamento Comunista de Havana e dois anos mais tarde, em 1926, foi expulso da Universidade devido ao seu envolvimento em atividades revolucionárias. Após este fato se exila no México, onde funda a Associação de Novos Emigrantes Revolucionários Cubanos (ANERC). Em 1927 participa como delegado do IV Congresso da Internacional Sindical Vermelha na URSS. Foi assassinado no México em 10 de janeiro de 1929. Cf. MARSISKE, Renate. Movimientos estudiantiles en la historia de América Latina. v. 3. México DF: Centro de Estudios Sobre la Universidad, 2006.

416

Entre outras participações importantes dessa organização, destacam-se a greve de agosto de 1933, contra o governo de Machado; e a greve de março de 1935.

• 1956, Diretório Revolucionário, integrado por estudantes universitários, liderados por José Antonio Echeverría, que alvejava o apoio à luta armada contra Batista417.

Essa súmula de organizações e ações, que emanam de ideologias nacionalistas e independentistas, revela que o pensamento revolucionário cubano, com o passar do tempo, ia alcançando uma maturidade que lhe permitiria assumir ações mais arriscadas e de maior repercussão no que diz respeito à derrocada de administrações políticas injustas.

Quanto à tradição de luta do povo cubano, pode se afirmar que os esforços libertários ocorridos no país entre 1868 e 1957 não conseguiram seu objetivo: a Guerra dos Dez anos (1867-1878)418 levada a cabo por patriotas cubanos contra a Espanha, concluiu abruptamente com o Pacto de Zanjón419; a Guerra de Independência (1895- 1898), que estava praticamente ganha e que perseguia fins parecidos à anterior, não teve sucesso devido à intervenção dos EEUU no conflito420; a revolução de 1930, dirigida por Rubén Martinez Villena421 para derrocar o ditador Gerardo Machado422, não conseguiu

417

Para maior informação sobre esses aspectos, cf. BOSCH, Juan. De Cristóbal Colón a Fidel Castro; e Conjunto de autores. Historia del movimiento obrero cubano, 1865-1959.

418

A Guerra dos Dez Anos foi a primeira guerra de independência cubana contra a Espanha, que iniciou em 10 de outubro de 1968 numa usina na região oriental de Cuba, conhecida como La Demajagua. O dono da usina era Carlos Manuel de Céspedes, que fez um apelo aos escravos para que lutassem pela liberdade de Cuba. Outras regiões do país juntaram-se à contenda, episódio que durou dez anos, culminando com o Pacto del Zanjón. Ignácio Agramonte, Vicente García e Antonio Maceo – que também participou na Segunda Guerra de Independência (1895-1898) – encontram-se entre as figuras mais relevantes dessa luta. Para maior informação sobre o início desta guerra, cf. GUERRA, Ramiro. Manual

de historia de Cuba, pp. 668-699; PICHARDO, Hortensia. Documentos para la historia de Cuba, pp. 358.

419

Pacto del Zanjón, refere-se a um documento que no ano de 1878 estabelece a rendição do exército de patriotas cubanos (Exército Independentista Cubano) diante as tropas espanholas. Várias causas levaram à capitulação. As mais notáveis foram: marcado regionalismo entre os dirigentes do Exército Independentista; falta de apoio dos emigrados; pugnas entre a Câmara de Representantes, ou Executivo e os chefes militares. O pacto propunha: a capitulação incondicional do exército cubano diante do exército colonialista; a aceitação da desmoralização das tropas independentistas (do exército cubano); o reconhecimento do governo espanhol como máxima autoridade em Cuba; a formação de partidos que não lutassem contra o poder espanhol; a liberdade de imprensa e de reunião, com a condição de que tais espaços não fossem usados para atacar a Espanha; a saída ao exterior só de quem aceitara o proposto pelo

Pacto del Zanjón. Cf.GUERRA, Ramiro. Guerra de los Diez Años, pp. 336 ss.; PICHARDO, Hortensia.

Documentos para la historia de Cuba, 1965, p. 403.

420

Consultar capítulo 1, p. 30 da presente pesquisa. 421

Villena (1899-1934), poeta e advogado cubano, dedicou a maior parte de sua vida à atividade política. Dirigiu a Greve General que derrocou o governo de Gerardo Machado. Morre de tuberculose. Cf. NUÑEZ MACHÍN, Ana. El joven Rubén. La Habana: Editorial Gente Nueva, 1981.

422

Gerardo Machado (1871-1839) governou Cuba entre 1925 e 1933. Foi um dos presidentes que pior reputação teve no país, devido à corrupção e à repressão durante sua administração.

levar a classe operária ao poder; o assalto ao Quartel Moncada423 em 26 de julho de 1953, liderado por Fidel Castro, e o ataque ao Palácio Presidencial em 13 de março de 1957, comandado por José Antonio Echeverría424, ambas ações dirigidas contra a ditadura de Batista, também não alcançaram o alvo almejado. Mas é nessa corrente de reveses que se forja o espírito libertário da nação.

A partir dessa última data, as ações libertárias, em sua grande maioria, foram bem sucedidas. Disto se deduz que esses 90 anos de luta (1867-1957) poderiam considerar-se como um período que preparou as condições objetivas e subjetivas para o triunfo de uma revolução socialista, evento que ocorreu de forma rápida, se se considera que Fidel Castro e seu grupo partiram do México, lugar em que vários revolucionários se organizaram e planejaram a guerra, em 25 de novembro de 1956, desembarcaram em Cuba em 2 de dezembro desse mesmo ano e já em 1º de janeiro de 1959 tinham conquistado o poder425.

No concernente à síntese que desses fatores ideológico-político-libertários faz o movimento revolucionário cubano, vale destacar que o PCC, que constitui “a força dirigente superior da sociedade e do Estado”426, se proclama como continuador das tradições heróicas do povo cubano contra o colonialismo espanhol, contra o neo- colonialismo estadunidense, e se considera herdeiro direto do PRC, fundado por Martí. Neste sentido, a própria Constituição do país enfatiza:

Nós, cidadãos cubanos, herdeiros e continuadores do trabalho criador e das tradições de combatividade, firmeza, heroísmo e sacrifício forjados pelos nossos antecessores […]; pelos patriotas que em 1868 iniciaram as guerras de

423

O assalto ao Quartel Moncada, fortaleza localizada na Cidade de Santiago de Cuba na região oriental da Ilha, ocorreu conjuntamente com o assalto ao quartel Carlos Manuel de Céspedes, na cidade de Bayamo, também na parte oriental do país. O assalto ao Moncada foi coordenado por Fidel Castro, com o objetivo de derrotar o exército de Batista que tinha esse lugar como sua principal unidade militar nessa região. A repressão militar do governo de turno impediu o sucesso da operação e Castro e seus colegas foram presos e levados a juízo. Castro, que era advogado, leva acabo a sua autodefesa e aproveita a ocasião para acusar o governo de Batista de todas as violações contra a Constituição do país. Por este motivo se diz que ele “passou de acusado a acusador”. Depois de ter denunciado o governo e de proferir que estava ciente de que seria condenado expressou: “Condenadme, no importa. La historia me absolverá”. Os argumentos de Castro foram agrupados, posteriormente, num volumem intitulado A

história me absolverá. Nesse texto encontram-se as ideias principais do programa revolucionário. Cf.

SADER, Emir (org). Fidel Castro: Política. São Paulo: Editora Ática S.A., 1986, pp. 41, 44, 45. 424

O Palácio Presidencial era a residência de Fulgencio Batista, que governou Cuba em dois períodos (de 1940 a 1944 e de 1952 a 1º de janeiro de 1959). Echeverria (1932-1957) foi um dos mais renomados líderes estudantis dessa época. Para maior informação sobre este aspecto, cf. PEREZ CABRERA, Guerra.

De palácio hasta Las Villas. En la senda del triunfo. La Habana: Nuestra América, 1977.

425

Cf. BOSCH, Juan. De Cristóbal Colón a Fidel Castro. 426

independência […] e os que no último impulso de 1895 as levaram à vitória […]; pelos obreiros, camponeses, estudantes e intelectuais que lutaram durante cinquenta anos […]; pelos integrantes da vanguarda da geração do centenário do natalício de Martí […]; guiados pelo ideário de José Martí e as ideias político- sociais de Marx, Engels e Lênin […]; declaramos […] nossa vontade de que a lei de leis da República esteja regida por este […] anseio […] de Martí: “Quero que a lei primária de nossa República seja o culto dos cubanos à dignidade plena do homem”427.

Um exemplo da síntese ideológico-política feita pelo movimento revolucionário, ou pela Revolução Cubana, se reflete na criação das Organizações Revolucionárias Integradas (ORI), no ano de 1961. A ORI uniu, numa só organização, três instituições políticas: o M-26-7, o Partido Socialista Popular (PSP) e o Diretório Revolucionário 13

Benzer Belgeler