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KİP VE KİPLİK İLE İLGİLİ TEORİK YAKLAŞIMLAR

ORHON YAZITLARINDA KİPLİK İFADELERİ

3. Kanıt Kipliği (Alethic Modality):

3.3. Mantıksal Zorunluluğa Bağlı Kanıt Kipliği

Neste capítulo, fazemos a análise e discussão dos dados, procurando identificar, nas reflexões dos sujeitos, os limites e as possibilidades do curso CPSAP para o desenvolvimento da formação profissional em administração pública em Moçambique.

Da análise de dados, concluimos que o curso CPSAP foi criado para formar grande número de funcionários do Estado, promovendo a consciência crítica para que os servidores públicos possam agir como intelectuais em rede que buscam permanentemente a compreensão da realidade em que actuam, aprimorando constantemente a sua acção, como profissionais e como cidadãos.

Sobre os limites e possibilidades do curso CPSAP para o desenvolvimento da formação profissional em administração pública, os dados revelam que a formação oferecida é relevante, pois está a produzir resultados cujas evidências podem ser percebidas na actuação dos egressos do curso nas instituições do sector público e nas mudanças que ocorrem na organização e funcionamento dessas instituições. Dentre os aspectos que reduzem as possiblidades de tais resultados produzirem mudanças significativas, destacam-se:

₋ Falta de actualização dos conteúdos e materiais de formação;

₋ Algumas actividades de ensino-aprendizagem inadequadas para a educação de adultos e para a formação profissional;

₋ Fraco reconhecimento do valor da formação oferecida pelo ISAP pelas lideranças do sector público;

₋ Ambiente e clima organizacional assim como condições de trabalho em algumas instituições do sector público, que não favorecem o desenvolvimento do espírito crítico e criativo nem a introdução de mudanças;

₋ Ausência de evidências de que os resultados do curso possam reflectir-se fora do contexto institucional, que pode denunciar as limitações do curso para a formação de profissionais cidadãos competentes para a promoção da cidadania plena, conscientes de que o seu espaço de actuação não se limita ao contexto institucional.

Organizamos o capítulo em cinco itens, sendo que os três primeiros correspondem aos três temas que identificamos na análise preliminar dos dados, nomeadamente: expectativa em relação ao ISAP e ao curso CPSAP; processo de formação no curso CPSAP; resultados do curso CPSAP percebidos pelos sujeitos da pesquisa.

No quarto item, fazemos uma reflexão crítica, aprofundando a interpretação dos dados, na busca de uma melhor compreensão dos limites e possibilidades do curso CPSAP para o contínuo aprimoramento do currículo de formação profissional superior em administração pública, reforçando a capacidade do ISAP como força motriz e núcleo dinamizador de uma comunidade intelectual engajada no desenvolvimento e transformação da administração pública moçambicana e na promoção da cidadania plena.

No quinto item, reflectimos sobre as possibilidades e sentido para a transformação do currículo de formação profissional em administração pública em Moçambique, reduzindo os limites e potenciando as possibilidades de formação de profissionais do sector público moçambicano competentes para a melhor prestação dos serviços e para a solução dos problemas que limitam as possibilidades de usufruto do direito à cidadania plena.

4.1.Expectativas em relação ao ISAP e ao curso CPSAP

Iniciamos a discussão dos dados recolhidos no contexto da avaliação dos resultados do curso de Certificado Profissional Superior em Administração Pública passando em revista as expectativas expressas pelos sujeitos em relação ao ISAP por concordarmos com Masetto (2010) ao dizer que a “aula universitária”93 promove

“aprendizagem significativa” quando ocorre numa dinámica de trabalho em equipa, na qual todos os membros aprendem juntos o que se propuseram.

“[...] a condição básica para aprendermos alguma coisa é sentirmos necessidade daquilo, vivermos uma carência que precisa ser suprida, experimentarmos uma sensação de falta de algo que poderá nos completar ou realizar ou nos tornar mais felizes. Nessas condições vamos atrás, perseguimos nosso objetivo com afinco e determinação” (MASETTO, 2010:33).

Ao analisar as expectativas em relação ao ISAP e ao curso CPSAP procuramos perceber os objectivos que os actores desse curso perseguem, por acredidarmos que a avaliação que eles fazem dos resultados do curso reflecte o seu sentimento de satisfação ou insatisfação da necessidade que os moveu a procurar o ISAP.

De um modo geral, a expectativa em relação ao ISAP e ao curso CPSAP, tanto para os formadores como para os funcionários do Estado, é de aprender para contribuir para o desenvolvimento da administração pública moçambicana, buscando uma melhor compreensão e solução dos problemas que afectam o funcionamento do sector público.

Questionados sobre a sua expectativa ao integrarem a equipa do ISAP, os formadores membros do “núcleo duro” do ISAP apontam para elementos como:

₋ Reforçar o seu “capital” na área científica em que já actuavam; ₋ Encontrar oportunidades para o seu crescimento pessoal;

₋ Enfrentar novos desafios e novas experiências, numa área nova para eles; ₋ Elevar o seu conhecimento científico, aprendendo com dirigentes do sector

público;

₋ Realizarem-se profissionalmente como docentes;

₋ Contribuir para a solução dos problemas existentes na administração pública e melhorar o seu funcionamento.

93 “Onde quer que possa haver uma aprendizagem significativa buscando intencionalmente objetivos

A referência a novos desafios pode ter a ver com factores como: o ISAP é a primeira instituição moçambicana de ensino superior vocacionada à formação de funcionários do Estado; alguns formadores, principalmente aqueles que eram docentes em universidades moçambicanas, não possuiam experiência anterior de interacção com o sector público; outros formadores, essencialmente os funcionários do Estado, identificados em instituições do sector público seguindo o critério de experiência profissional e formação académica, nunca tinham trabalhado na docência.

Tinha experiência em relação aos assuntos da administração pública e gestão do sector público através de leituras pessoais por curiosidade, [...] para facilitar o diálogo e interação com os estudantes na sala de aula porque [...]

Trabalho na [universidade pública] como docente num departamento onde

temos curso de Administração pública (Q/ F/CPSAP2/03).

Já tinha alguma experiência [em assuntos relacionados com administração pública e gestão do sector público] por ter formação em administração pública e estar a

trabalhar no [instituição do sector público] (Q/F/CPSAP1/08).

Alguns formadores estavam em início de carreira no sector público, mas no seu trabalho tinham tido experiências práticas de trabalho, sobretudo ao nível dos órgãos locais do Estado, por se acreditar que a sua integração na equipa do ISAP constituída maioritariamente por funcionários em exercício nos órgãos centrais do Estado, era uma oportunidade para a partilha de tais experiências.

[Em 2002, ano em que o formador integrou a equipa do Projecto ISAP] Tinha

experiência de um ano de trabalho. Ganhei experiência em administração dos orgãos locais do Estado, por ter participado na elaboração da lei dos Orgãos Locais do Estado, Lei nº 8/2003, e prestei assistência técnica às Províncias e Distritos em concepção de relatórios e balanços (Q/F/CPSAP1/02).

A metáfora da “aventura científica” expressa na afirmação do sujeito Q/ND/01 constitui a referência que consideramos mais expressiva do desejo de aprender, de um docente universitário que trabalha na área de ciências sociais desde os anos 1990 e vê no ISAP a possibilidade de reforço do seu conhecimento.

Tratou-se de uma Aventura científica ao aceitar novos desafios contribuindo com o meu saber na procura de novas experiencias numa área que se encontrava distante de mim (Q/ND/01).

A aventura implica vontade e coragem para enfrentar o desconhecido, curiosidade para descobrir e desvelar algo novo, prazer pela busca, criatividade para

seguir novos rumos e enfrentar novas situações. Essa metáfora faz lembrar que a vontade de aprender é o principal motor da acção do sujeito pensante e inteligente.

Os superiores hierárquicos indicam que as suas instituições decidiram enviar funcionários para formação no curso CPSAP para:

₋ Melhorar os conhecimentos dos funcionários;

₋ Elevar o nível de formação técnico-profissional e de profissionalização dos funcionários;

₋ Elevar a capacidade técnica dos funcionários;

₋ Melhorar o desempenho profissional como condição para fazer face aos desafios da administração pública no âmbito da reforma;

₋ Elevar a autoestima dos funcionários; ₋ Melhorar o desempenho da instituição;

₋ Promover a partilha de experiências profissionais com vista à harmonização dos métodos de trabalho no sector público moçambicano;

₋ Melhorar as condições de trabalho e a qualidade dos serviços prestados; ₋ Contribuir para os processos de reforma e modernização da administração

pública;

₋ Cumprir a política e estratégia de formação elaborada pela instituição94.

As respostas dos superiores hierárquicos sugerem que, ao enviar os funcionários para se formarem no ISAP, as instituições do sector público esperam que a aprendizagem transforme as pessoas de modo a que elas possam transformar as instituições e o sector público no geral.

Essa expectativa esteve sempre presente no sector público moçambicano, como referem os membros fundadores do ISAP:

[A formação constituía preocupação] porque nós começávamos a edificação da

administração pública em cada um dos sectores com um grande défice de capacidades, não tínhamos tido tempo de preparar técnicos de administração pública nos sectores governamentais durante o período de luta de libertação

(D/MF/01).

A visão da formação foi uma razão estabelecida desde a independência, por causa da própria conjuntura. O país ficou independente e com poucos quadros

94 Das instituições selecionadas para este estudo, apenas uma referiu ter uma política e estratégia de

formação dos funcionários com vista à melhoria do seu desempenho, aumentando a capacidade da instituição de responder aos desafios do dia-a-dia.

Benzer Belgeler