2)HAKSIZ FİİL SORUMLULUĞU
4) KİŞİLİK HAKLARINA SALDIRIDAN DOĞAN HUKUK DAVALAR
4.2. TAZMİNAT DAVALAR
4.2.2. Manevi Tazminat Davası
análise e apresentação dos dados. Nos capítulos 3, 4 e 5, dedicados à análise dos
dados, serão apresentadas outras considerações sobre a construção da metodologia utilizada.
2.1 A determinação das zonas do perfil conceitual de calor
O principal princípio metodológico que guia a proposição das possíveis zonas que constituem um perfil conceitual específico, conforme relatado por Mortimer e outros (2012), é a máxima vigotskiana de que, para se estudar um conceito, é preciso buscar desenvolver um quadro completo de sua gênese em diferentes domínios genéticos. Assim, deve-se estudar como se desenvolveu o conceito no domínio da história sociocultural, ou seja, como ele evoluiu com a história da humanidade. Ao mesmo tempo, devem-se buscar os estudos que nos dizem como esse conceito é aprendido e como evolui ao longo da história de cada indivíduo, lidando, neste caso, com o domínio ontogenético. Finalmente, devemos associar esses estudos em dois domínios bem mapeados com um terceiro domínio, que lida com os nossos próprios estudos empíricos sobre como ocorre o uso desse conceito em diferentes situações, o que conforma os domínios microgenético e ontogenético. Neste trabalho, partimos de uma proposta do perfil conceitual de calor já existente (AMARAL; MORTIMER, 2001). Isso significa que não faremos o tipo de estudo sugerido no parágrafo anterior, trabalhando todos os domínios genéticos. Investigaremos a utilização das diferentes zonas propostas para esse perfil em duas comunidades socioculturalmente situadas que, diferentemente da comunidade acadêmica, utiliza esse conceito na prática do exercício profissional: técnicos em refrigeração e bombeiros militares. Portanto, estudaremos os diferentes usos do conceito de calor e a suas relações com as zonas do perfil conceitual de calor proposto na literatura. Por meio desses estudos, procuraremos as principais características de cada modo de falar associado a formas de pensar que são estabilizadas e legitimadas por cada uma dessas comunidades.
Diferentes zonas do perfil conceitual de calor podem ser utilizadas nos contextos tecnológico e profissional. A utilização de diferentes zonas do perfil conceitual deve-se à coexistência de formas diferenciadas de pensar e significar um conceito e ao fato de que essas formas apresentam valor pragmático para lidar com
problemas de diferentes naturezas. (SEPÚLVEDA, 2010). A utilização prática do conceito leva à construção de diferentes significados pelas diferentes comunidades. Como a pesquisa exige o acompanhamento dos sujeitos de diferentes comunidades em seu ambiente de trabalho, conduziremos uma pesquisa com caráter etnográfico.
Procuramos investigar na pesquisa (i) os modos de falar associados ao modo de pensar que caracterizam cada uma dessas zonas; (ii) as zonas do perfil conceitual estabilizadas e legitimadas por cada uma dessas comunidades; (iii) as diferenças de utilização das diferentes zonas pelas comunidades; (iv) o refinamento das zonas do perfil conceitual propostas para o conceito de calor, a partir dos dados obtidos e da revisão na literatura referente aos trabalhos desenvolvidos que envolvem o conceito de calor, bem como sua evolução no domínio sociocultural.
2.2 Os pressupostos para uma pesquisa etnográfica
Para investigar como o conceito de calor é utilizado e quais zonas são privilegiadas pelos profissionais citados, acompanhamos aulas em curso de formação desses profissionais e algumas atividades do exercício profissional. Por essa razão, utilizamos alguns procedimentos do método etnográfico para coleta dos dados.
Um método que pode ser utilizado para a condução e documentação de pesquisas etnográficas deve apresentar objetivos claros, condições de trabalho apropriadas e rigor metodológico, para garantir à pesquisa um caráter científico. (MALINOWSKI, 1922/1990). Para Malinowski, toda pesquisa etnográfica deve ser tão rica que possibilite uma reanálise de dados, por isso, o pesquisador deve ter cuidado ao apresentá-los. A documentação deve ser feita mediante a apresentação de evidências concretas. O pesquisador deve observar os fatos do ponto de vista dos sujeitos, e a pesquisa deve oferecer uma visão completa e adequada da cultura dessa comunidade, as maneiras típicas utilizadas por eles para pensar, sentir e agir.
O objeto de estudo da etnografia “é esse conjunto de significantes em termos dos quais os eventos, fatos, ações, e contextos, são produzidos, percebidos e interpretados, e sem os quais não existem como categoria cultural” (MATTOS, 2001). A realização de uma pesquisa com caráter etnográfico se deve ao fato de que essa forma de abordagem tem como principal objetivo a realização de uma
descrição densa, a mais completa possível, sobre o que um grupo particular de pessoas faz e o significado das perspectivas imediatas que eles têm do que fazem. A observação do pesquisador não deve interferir nas ações do grupo.
Em etnografia, existe um interesse em conhecer determinada sociedade ou grupo estudado e relatar o mais detalhadamente possível todos os tipos de variações que ocorrem dentro desse grupo. Como em nossa pesquisa analisaremos a utilização de um conceito por uma comunidade específica, acreditamos que a pesquisa etnográfica poderá nos propiciar uma análise das formas de pensar e falar desse grupo, pois, durante o exercício profissional, eles irão lançar mão de um discurso típico do lugar social de onde falam. Dessa forma, poderemos verificar como ocorre o emprego do conceito de calor e de frio.
Nesta pesquisa, buscamos conhecer como os técnicos em refrigeração e os bombeiros militares utilizam o conceito de calor quando da atuação profissional do ponto de vista dos sujeitos. Por essa razão, a pesquisadora buscou conhecer e se apropriar do discurso dos sujeitos e utilizar, quando interagia com eles, expressões similares às que utilizaram em suas falas nas aulas, entrevistas ou nos manuais. A pesquisa não é puramente etnográfica, pois o que nos interessava nessas comunidades era a utilização de um conceito específico, ainda que central para a suas atividades. Também não foram considerados vários aspectos da antropologia referentes a essa metodologia, em especial à de não ter uma questão fechada para a análise do campo.
A proposta inicial desta pesquisa era adotar uma perspectiva etnográfica, acompanhando os trabalhos de campo, durante a atuação prática, dos sujeitos da pesquisa. Pretendíamos acompanhar (i) a venda, instalação e manutenção de equipamentos de ar condicionado e câmaras frigoríficas por técnicos que trabalham com refrigeração e (ii) ocorrências de incêndio atendidas por bombeiros militares. Depois de realizado esse trabalho de campo, faríamos entrevistas com os participantes. Com esses procedimentos, acreditávamos que a perspectiva etnográfica fosse nos auxiliar a melhor conhecer o campo de trabalho dessas comunidades.
Durante a atuação desses profissionais, acreditávamos que haveria diálogo e negociações entre os pares e os demais envolvidos sobre a capacidade e o funcionamento da máquina térmica ou sobre as estratégias de combate ao incêndio,
que envolveriam o conceito de calor e sua contrapartida sensorial, o frio. Contudo, a execução do trabalho por esse caminho não foi possível, pois não conseguimos a liberação para acompanhar a instalação/manutenção desses equipamentos por parte das empresas responsáveis e houve dificuldades de acesso aos locais com incêndios para que a pesquisadora acompanhasse o trabalho dos bombeiros.
Acreditamos que, por ser um setor comercial e pelo fato de muitos técnicos de refrigeração não possuírem uma formação em um curso técnico específico para essa atuação, a liberação para a pesquisa em educação em empresas de refrigeração não é vista como proveitosa ou mesmo importante.
Com os bombeiros militares, a dificuldade na coleta de dados por esse caminho ocorreu devido à dificuldade em permanecer no quartel por longos períodos, à espera das ocorrências. Aguardamos, sem sucesso, por duas semanas durante o período diurno no quartel, à espera das ocorrências de incêndio. Nesse período, houve três ocorrências: duas de pequeno porte e uma mais expressiva. A pesquisadora acompanhou as de pequeno porte. A nossa hipótese era de que, durante o combate, haveria diálogo entre os pares sobre o conceito de calor para a escolha dos procedimentos a serem executados quando do combate ao incêndio. Contudo, nessas ocorrências, não ocorreram diálogos que permitissem avaliar a utilização desse conceito, uma vez que o trabalho, a nosso ver, foi bastante simples para o grupo de bombeiros, não exigindo deles escolhas ou procedimentos técnicos mais elaborados. O incêndio de maior porte foi fora da cidade. Além do risco para a pesquisadora, havia o problema de sair da cidade sem previsão de retorno e a impossibilidade de permanecer no quartel durante o período noturno. Por essas razões, optamos por outro caminho para a coleta de dados.