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Kişisel Bilgilerin (Verilerin) Gizliliği ve Korunması

5.İNTERNET İŞLEVLERİNİN YERİNE GETİRİLMESİ

8) Kişisel Bilgilerin (Verilerin) Gizliliği ve Korunması

Uma das primeiras formas, e mais naturais, pela qual organizamos nossa experiência e nosso conhecimento é por meio de uma história, de uma narrativa. Estamos tão acostumados à narrativa que esta nos parece natural como a própria linguagem. Essa característica nos permite considerar a narrativa essencial à elaboração de vivências pessoais e coletivas e para a construção do conhecimento, nos mais diversos contextos e espaços sociais. (BRUNER, 2001/2002).

Mas o que é uma narrativa? Bruner (2001) propõe que existem nas narrativas nove elementos universais: (1) Uma estrutura de tempo consignada: o tempo não é apresentado cronologicamente, mas a partir de eventos ou ações humanas mais importantes, mas respeitando começos, meios e fins; (2) Particularidades genéricas: a realização das narrativas se dá por meio das particularidades, e estas são construídas em gêneros ou tipos específicos (comédia, tragédia, ironia,

romance). Essa construção é essencial para extrair um sentido e uma representação de mundo, a partir de uma história; (3) As ações têm motivos: não ocorrem ao acaso, nem são determinadas por causa e efeito, mas por razões motivadas por crenças, desejos, valores, entre outros; (4) Composição hermenêutica: nenhuma história possui uma única interpretação e sempre existe a possibilidade de questionamento; (5) Canonicidade implícita: uma narrativa deve ir contra a expectativa ou desviar-se da “legitimidade”. Uma estratégia que pode ser utilizada é fazer parecer que o corriqueiro pareça estranho novamente; (6) Ambiguidade de referência: as narrativas são abertas a questionamentos. Muitas vezes expressam um sentido que não é direto, exigindo do ouvinte avaliação dos fatos contados; (7) A centralidade do problema: as histórias giram em torno de um problema (uma intriga13); (8) Negociabilidade inerente: existe espaço para contestação, para se contar e negociar versões de uma mesma história. Aceitamos mais facilmente versões concorrentes de uma história do que de argumentos ou provas; (9) A extensibilidade histórica da narrativa: O enredo, os personagens e o contexto de uma história parecem continuar a se expandir, validando-as e preservando sua identidade ao longo dos anos.

Uma narrativa envolve uma sequência de eventos que carregam um significado.

O “motivo” da narrativa é resolver o inesperado, eliminar a dúvida do ouvinte ou, de alguma forma, corrigir ou explicar o “desequilíbrio” que, antes de mais nada, fez com que a história fosse contada. Uma história, portanto, tem dois lados: uma sequência de eventos e uma avaliação implícita dos eventos contados. [...]

Você não pode explicar uma história; tudo que você pode fazer é dar a ela várias interpretações. Você pode explicar os corpos que caem fazendo referência à teoria da gravidade. Mas você só pode interpretar o que pode ter acontecido com o Sir Isaac Newton quando a lendária maçã caiu em sua cabeça no pomar. Então, nós dizemos que as teorias científicas ou as provas lógicas são julgadas por meio das verificações ou de testes ou, mais precisamente, por meio da sua capacidade de serem verificadas ou testadas –, ao passo que as histórias são julgadas com base em sua verossimilhança ou “semelhança com fatos da vida”. (BRUNER, 2001, p. 119).

Por se tratar de um discurso, a principal regra é que haja um motivo para que esse discurso rompa o silêncio. Para isso, além de um motivo, justificado pelo fato, a

13Ação considerada como um conjunto de acontecimentos que se sucedem, segundo um princípio de

narrativa traz uma violação da canonicidade: ela conta algo inesperado ou algo de que o ouvinte possa duvidar, e exige desse ouvinte uma interpretação e um julgamento daquilo que está sendo narrado. Em uma narrativa é sempre importante a proposição de uma intriga, para que crie no leitor um processo de tensão, que será posteriormente resolvido, trazendo ao final uma intenção moral. (BRONCKART, 1999).

Bronckart (1999) destaca ainda a importância de distinguir as diferenças textuais dos mundos da ordem do NARRAR e do EXPOR. Quando nos colocamos na ordem do NARRAR, o mundo discursivo é situado em “outro lugar”. Entretanto, esse outro lugar precisa ser parecido com algo conhecido pelo leitor, para que possa ser avaliado ou interpretado. Quando nos situamos na ordem do EXPOR, o conteúdo temático será interpretado sempre à luz dos critérios de validade do mundo ordinário.

A narrativa é uma forma de pensamento que pode ser considerada como uma estrutura para a organização do conhecimento e como um veículo no processo de educação, para além de simplesmente expor conceitos como verdades acabadas, especialmente no ensino de ciências. As narrativas possibilitam uma forma de construção de conhecimento, a caracterização, compreensão e representação da experiência humana.

Assim, é natural contarmos histórias, já que a realidade social apresenta-se a nós, em grande parte, em forma de narrativa. Para Bruner (2001), o ensino de ciências deve levar em consideração os processos intensos de se fazer ciência, ao invés de ser um relato apenas da ciência acabada, apresentada nos livros didáticos e nos experimentos demonstrativos. Assim sendo, narrativa é um instrumento capaz de produzir e cristalizar significados, criando um espaço de diálogo intersubjetivo que permite às pessoas negociarem significados em comum.

Diferentemente da argumentação e do ato de expor um fato ou conceito, na narrativa existe sempre a possibilidade de negociação cultural e de uma interpretação individual. Embora tenham que passar por uma avaliação de verossimilhança, nas narrativas consentimos com certa facilidade versões concorrentes de uma mesma história, pois não há necessariamente uma exigência de comprovação dos fatos, mas de aceitação. (BRUNER, 2001; BRONCKART, 1999). Mas o que faz da narrativa algo tão especial? Para esses autores, o homem é

essencialmente um contador de histórias que extrai sentido do mundo por meio das narrações que ouve e constrói.

Apesar de as narrativas tratarem de detalhes, de algo particular, ou subjetivo, elas são interpretadas como casos gerais. Geralmente essas histórias lembram o ouvinte de outras histórias semelhantes a ela, o que dá um caráter quase que universal às narrativas. (BRUNER, 2001).

A narrativa é uma das formas mais comuns de o professor expressar um tipo de saber. Quando um professor está ensinando e utiliza narrativas para tal, contar uma história não é apenas uma forma de relato, mas uma forma de retórica. O professor narra sempre da forma mais persuasiva possível. Ele busca, ainda que intuitivamente, que sua narrativa alcance o maior domínio dos fatos apresentados naquela situação particular.

Por ser a narrativa um instrumento capaz de produzir e validar significados, ela cria um espaço de diálogo intersubjetivo que permite às pessoas negociarem significados em comum. Por essa razão, acreditamos que seja uma ferramenta metodológica importante neste trabalho. Ao analisar como a linguagem situada é utilizada pelos indivíduos em diferentes comunidades práticas, a narrativa é capaz de apreender como um sujeito desenvolve uma determinada prática, permitindo divulgá-la de modo que a característica central dessa prática seja difundida, preservada e validada por essa comunidade.

Dessa forma, a narrativa surge como uma possibilidade para investigar como diferentes zonas do perfil conceitual de calor são utilizadas e os significados que são estabilizados para o conceito de calor e frio, em cada comunidade. Pretendemos (i) analisar as narrativas realizadas pelo professor durante as aulas dos cursos de formação de bombeiros militares e técnicos de refrigeração e (ii) construir narrativas, a partir da análise dos dados nas aulas, entrevistas e manuais, de modo a evidenciar os modos de falar associados às formas de pensar, que caracterizam as zonas do perfil conceitual de calor nas comunidades investigadas. Acreditamos que a apresentação dos dados de forma narrativa pode preservar, além da intriga que motivou a utilização do conceito, seu contexto de uso.

2 PROCEDIMENTOS METODOLÓGICOS

Neste capitulo, apresentaremos os procedimentos metodológicos adotados no desenvolvimento desta pesquisa. Como citado anteriormente, a metodologia aqui proposta insere-se em uma das linhas de pesquisa desenvolvida pelo grupo de pesquisa Linguagem e Cognição em Salas de Aula de Ciências: os perfis conceituais. Esse grupo de pesquisa busca compreender como o conhecimento é produzido e articulado no discurso das salas de aulas de ciência e em diferentes contextos sociais.

Com base nos estudos que realizamos, procuraremos (i) refinar as zonas do perfil conceitual de calor proposto por Amaral e Mortimer (2001) e (ii) verificar como as comunidades socioculturalmente situadas de técnicos em refrigeração e bombeiros militares utilizam esse perfil conceitual em sua atuação profissional, dando ênfase a diferentes zonas.

Para investigar a utilização do conceito de calor em contextos de utilização profissional, foram escolhidas as duas comunidades de prática citadas, que trataremos apenas de comunidade ao longo do texto. Técnicos em climatização e refrigeração de ambientes trabalham com a diminuição da temperatura de determinados ambientes, ou seja, buscam “produzir o frio”. Bombeiros militares trabalham no combate a incêndios e precisam “combater o calor”. Portanto, essas comunidades utilizam o conceito de calor em diferentes circunstâncias e em diferentes perspectivas.

Para a coleta de dados nas comunidades citadas, assistimos a aulas dos cursos de formação de cada um desses profissionais, aplicamos questionários e realizamos entrevistas e visitas técnicas.

Vamos retomar aqui a questão de pesquisa que foi adiantada na Introdução deste trabalho, por motivo de comodidade para o leitor: Como as comunidades socioculturalmente situadas de técnicos em refrigeração e bombeiros militares utilizam o perfil conceitual de calor?

Apresentaremos, neste capítulo os procedimentos para responder a essa questão, articulados nas seguintes seções: 2.1 A determinação das zonas do perfil

conceitual de calor; 2.2 Os pressupostos para uma pesquisa etnográfica; 2.3 Os dados coletados; 2.4 Os sujeitos da pesquisa; e 2.5 Os procedimentos para a

análise e apresentação dos dados. Nos capítulos 3, 4 e 5, dedicados à análise dos

dados, serão apresentadas outras considerações sobre a construção da metodologia utilizada.