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2.5. STOK YÖNETİMİNDE MALZEMELERİN KODLANDIRILMASI

3.1.1. Malzeme Yönetimi Tanımı

Há para Martins (1997, p. 36) uma fratura da sociedade em dois mundos que é difícil de ultrapassar. As soluções que se apresentam, segundo o Autor, no entanto, são soluções neoliberais, já que a sociedade civil é quem está resolvendo os seus problemas, tendo o Estado aberto a mão de suas responsabilidades. O Autor propõe que no livremos dos estereótipos, neoliberalismo, por exemplo, porque eles nos enganam e enganam as pessoas que se quer ajudar. Este é o nosso desafio primário. Ao pensarmos no alternativo, “podemos ver que a população mesma está construindo a alternativa, uma alternativa includente, não uma alternativa que aprofunde o abismo com o existente, não a recusa das contradições da sociedade atual”, que se concretiza sobretudo na recusa de uma “dupla sociedade onde uns só têm obrigações de trabalho e não tem absolutamente mais nada, e outros têm em princípio absolutamente tudo e nenhuma responsabilidade pelo destino dos demais”.

Martins (1997, p 37) acredita que no fundo estas grandes lutas sociais vão se desenvolver em torno daquilo que Lefèbvre chamou de necessidades radicais,

necessidades que derivam de contradições subjetivamente insuportáveis e que não podem ser atendidas se a sociedade não sofrer mudanças fundamentais e profundas de responsabilidade de todos; se a sociedade não se modernizar revolucionando suas relações arcaicas, ajustando-as de acordo com as necessidades do homem, e não de acordo com as conveniências do capital. (MARTINS, 1997, p. 38). 32

Pouco a pouco estes trabalhadores passam a tomar consciência de que apesar de ser uma atividade desprezada por grande parte da sociedade, o que fazem traz grandes benefícios à natureza, à limpeza urbana e à sobrevida de aterros sanitários, que é tão cara às administrações municipais. Especificamente no caso dos catadores reunidos em Brasília em junho de 2001 vê-se que eles lutam por direitos a uma vida mais digna. Dentre os 122 entrevistados 26,6% demandam qualificação na área do cooperativismo, 16,9% querem estudar, 20,2% desejam obter mais conhecimentos sobre projetos e parcerias e 36,3% querem aprender mais sobre como trabalhar melhor com os materiais e lidar com o mercado.

A realização de um Encontro de nível nacional fortaleceu os catadores enquanto categoria profissional, embora não tenham sua profissão regulamentada. Um primeiro passo já foi dado pelo Ministério do Trabalho e Emprego, ao reconhecer

32 Na verdade tais necessidades radicais fazem parte da obra de Agnes Heller e não de Henri Lefèbvre como argumenta José de Souza Martins.

que a atividade realizada pelos catadores ganhou expressão significativa, incluindo-a na CBO- (Classificação Brasileira de Ocupações).

5192 :: Catadores de material reciclável

5192-05 - Catador de material reciclável - Catador de ferro-velho, Catador de papel e

papelão, Catador de sucata, Catador de vasilhame, Enfardador de sucata (cooperativa), Separador de sucata (cooperativa), Triador de sucata (cooperativa).

Descrição sumária

Catam, selecionam e vendem materiais recicláveis como papel, papelão e vidro, bem como materiais ferrosos e não ferrosos e outros materiais reaproveitáveis.

Retirado de: Ministério do Trabalho e Emprego. In: http://www.mtecbo.gov.br/index.htm

Outro reconhecimento da importância do papel do catador de lixo se deu no ato da criação de um Comitê Interministerial da Inclusão Social de Catadores de Lixo com vistas a implementar ações que melhorem as condições de vida e de trabalho da população catadora de lixo e que destinem adequadamente os resíduos sólidos nos municípios. Ao criar o Comitê Interministerial da Inclusão Social de Catadores de Lixo ficou decretado que:

Art. 1º Fica criado o Comitê Interministerial da Inclusão Social de Catadores de Lixo, com a finalidade de:

I - implementar o Projeto Interministerial Lixo e Cidadania: Combate à Fome Associado à Inclusão de Catadores e à Erradicação de Lixões, visando garantir condições dignas de vida e trabalho à população catadora de lixo e apoiar a gestão e destinação adequada de resíduos sólidos nos Municípios;

II - articular as políticas setoriais e acompanhar a implementação dos programas voltados à população catadora de lixo;

III - definir mecanismos de monitoramento e avaliação da implantação das ações articuladas que deverão atuar de forma integrada nas localidades.

Art. 2º O Comitê Interministerial da Inclusão Social de Catadores de Lixo será composto por um representante, titular e suplente, de cada órgão e entidade a seguir indicados:

I - Casa Civil da Presidência da República; II - Ministério da Educação;

III - Ministério da Saúde;

IV - Ministério do Trabalho e Emprego; V - Ministério da Ciência e Tecnologia; VI - Ministério do Meio Ambiente; VII - Ministério da Assistência Social; VIII - Ministério das Cidades;

IX - Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior;

X - Gabinete do Ministro de Estado Extraordinário de Segurança Alimentar e Combate à Fome; XI - Secretaria Especial dos Direitos Humanos da Presidência da República;

XII - Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social; e XIII - Caixa Econômica Federal.

§ 1o O Comitê poderá convidar representantes de órgãos da administração federal, estadual e

municipal e de entidades privadas, inclusive organizações não-governamentais, para o acompanhamento dos trabalhos.

§ 2o A coordenação do Comitê será exercida em conjunto pelos representantes do Ministério das

Cidades e do Gabinete do Ministro de Estado Extraordinário de Segurança Alimentar e Combate à Fome.

§ 3o Os membros do Comitê serão indicados pelos titulares dos órgãos e entidades representados

e designados pelo Ministro de Estado das Cidades.

Art. 3º Este Decreto entra em vigor na data de sua publicação.

LUIZ INÁCIO LULA DA SILVA

José Graziano da Silva

Olívio de Oliveira Dutra

Publicado no DOU de 12.09.2003, Seção I, pág. 12.33

Observamos que, apesar da pouca instrução demonstrada nos dados acima, juntamente com a condição de pobreza e exclusão, os catadores de lixo, incluídos no

33 Retirado de Ministério da Ciência e Tecnologia. Disponível

em:<http://www.mct.gov.br/legis/decretos/11092003a_2003.htm>.Acesso 22 de março de 2004.

setor informal, que já representa mais de 50% dos empregos criados na América Latina durante a década de 1990 segundo dados da CEPAL (apud RODRÍGUEZ, 2002, p. 332), estão tomando consciência que é só através da articulação que podem pleitear alguma transformação nas suas condições de trabalho e vida.

A coleta seletiva ocorre informalmente no Brasil, com o trabalho do catador, há muitas décadas. Por diversas denominações – papeleiro, garrafeiro, sucateiro ou “burro sem rabo” – estas pessoas que percorrem todos os cantos das cidades sempre estiveram de forma mais ou menos institucional no processo de gerenciamento de resíduos. Procura nos restos daqueles que podem consumir a matéria que lhe dará os meios de sua reprodução.

É a partir de encontros nacionais, regionais e estaduais que estes trabalhadores ganharam visibilidade por parte daqueles que fazem as políticas públicas. É importante ressaltar que há um grande número de catadores não organizados e que sequer sabem que possuem algum direito. Para muitos a atividade que realizam é apenas um meio de conseguir o alimento de hoje.

• Lixo: a nova mercadoria

Lixo é basicamente todo e qualquer material descartado, proveniente das atividades humanas.

Para Lefèbvre vivemos em uma fase ou zona crítica, que tem como característica a problemática urbana. Tal problemática envolve na sua essência as questões sociais, espaciais e ambientais. O lixo por sua vez, considerado apenas como um problema ambiental, deve ser analisado também como questão social e espacial, porque ele é o produto final, o resíduo, de tudo o que se produz e se consome nesta sociedade.

O Homem sempre produziu resíduos. O que evidentemente mudou foi a qualidade e quantidade deste material gerado com o desenvolvimento das técnicas e formas de vida. De acordo com Berríos (1999, p.18) no contexto de um modo de vida muito simplificado, os produtos residuais do consumo das mais antigas formas de organização social humana restringiam-se a matérias em condições próximas às naturais, mesmo porque, ou se tratava de matérias consumidas nos seus estados iniciais, naturais (como os alimentos), ou se tratava de objetos transformados e

adaptados aos usos específicos requeridos, usando-se técnicas muito rudimentares. Por isso a constituição dos resíduos era predominantemente orgânica, o que os tornava facilmente assimiláveis pelos mecanismos de auto-regulação dos mesmos sistemas naturais, não causando impactos ambientais.

Em termos ecológicos, nos estágios mais primitivos, o homem era parte da biocenose, atuando como qualquer outro organismo vivo, realizando funções parecidas, captando, assimilando e eliminando materiais e energia, logo transformadas através dos mecanismos próprios da natureza, sem aumentar a entropia nem romper o equilíbrio hemeostástico, como acontece com o atual aperfeiçoamento da tecnologia. (MARTINEZ E SCHLUPMAN, 1991 APUD BERRÍOS, 1999, p. 18).

A Revolução Industrial, mais uma vez com papel de destaque, é o momento que intensifica o processo de descarte de materiais. É a partir da industrialização que se acrescenta ao lixo as variáveis quantidade e tipo, a consideração da escala e da concentração. A sociedade (pós-industrial, avançada e desenvolvida) passa a gerar dejetos industriais, que são subprodutos dos processos fabris, assim como modifica o seu lixo doméstico – antes quase que exclusivamente orgânico, tem a partir de então outros componentes (vidros, metais, plásticos, etc.). São, sobretudo, materiais inorgânicos que inseridos no menu lixo tornam difícil a sua reciclagem, agravada pela concentração e pelo seu caráter artificial (RODRIGUES, 1998, p. 143).

Assim, retomando Lefèbvre mais uma vez, com a complexificação da sociedade, quando ela passa do rural ao industrial e do industrial ao urbano, atingindo o espaço e o tempo, porque a complexificação do espaço e dos objetos que nele se situam não ocorrem sem uma complexificação do tempo e das atividades que nele se desenvolvem, há uma complexificação dos resíduos desta sociedade, através dos novos tipos e da quantidade gerada.

Do início da industrialização até a década de 1970, quando as preocupações ambientais passaram a ser tratadas com maior rigor, o lixo era disposto em áreas das cidades sem qualquer preocupação maior. Disseminavam-se os lixões a céu aberto com todo o tipo de material, desde resíduos orgânicos até resíduos tóxicos das indústrias e lixo hospitalar. Tal situação ainda não se modificou em muitas cidades brasileiras, apesar do discurso ecológico, das normas técnicas para construção de aterros e da possibilidade de aproveitamento de grande parte do material que se destina aos lixões através de novas tecnologias.

O retorno de materiais ao ciclo de produção não é contemporâneo à tomada de consciência ecológica da década de 1970. Antes mesmo de ser denominado como reciclagem, muitas indústrias se utilizavam de materiais descartados no seu processo de produção. Por isso, a reciclagem antes de “beneficiar o meio ambiente”, já beneficiava a economia de muitas indústrias.

As indústrias metalúrgicas e de vidros são as primeiras a se utilizar de produtos descartados no seu processo produtivo. Os metais ferrosos e não ferrosos utilizados em pequenas fundições e grandes siderúrgicas, assim como cacos de vidro já substituíam matéria-prima virgem desde a segunda metade do século XX nos Estados Unidos e Europa. Na América Latina tal processo se inicia em 1975 na Colômbia e difunde-se para todos os outros países. O Brasil, com a criação da LATASA em 1991, tornou-se o maior reciclador mundial de latas de alumínio utilizadas em embalagens de bebidas.

Somada à preocupação ambiental e à economia das indústrias, a crise do petróleo da década de 1970 também agregou importância estratégica à reciclagem, tornado-se um imperativo das sociedades contemporâneas, principalmente nos países com poucos recursos naturais, países com crises energéticas e países subdesenvolvidos que buscam otimizar a produção e limitar importações.

O lixo, que durante toda a história do Homem representou um resto de valor de uso, sobras do consumo que simplesmente eram dispostas à ação do tempo, torna- se matéria reutilizada em períodos de crise, seja por falta de novos recursos naturais, seja pelos problemas ambientais que se apresentam com sua disposição inadequada.

Benzer Belgeler