2.2. MUHASEBE HĠLESĠ NEDEN YAPILIR 11
2.3.1.1. Mali Tablolar Üzerinde Yapılan Hile Yöntemleri
A explanação, os dados e as reflexões contidas no tópico 4.1 possibilitam afirmar que o Projeto GET pode ser caracterizado como uma iniciativa mais próxima à formação em serviço. Essa concepção estará presente como pano de fundo para as apresentações e análises das dimensões de tempo encontradas durante o desenvolvimento do projeto.
Essa presença das dimensões de tempo serão abordadas da seguinte forma:
Dimensões internas ao projeto – São dimensões presentes a partir das três modalidades que
estruturam o Projeto GET e que têm sua gênese no tempo cronológico: tempo do contexto online, tempo no contexto presencial centralizado e tempo no contexto da prática em cada unidade de ensino.
Dimensões externas ao projeto – São dimensões que estão presentes no contexto da
existência e realização do Projeto GET e que influenciam seu desenvolvimento. Também estão mais diretamente relacionadas ao tempo cronológico: tempo institucional e tempo político.
Dimensão interna e subjetivo do profissional em formação – É a dimensão de tempo em
que acontecem todos os processos de formação do sujeito, portanto, mais ancorada em Kairos, embora esbarre em Cronos e na vigência dos tempos de duração do Projeto GET: tempo da formação.
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4.2.1 - Tempo no contexto online
As características de um processo de formação online, como sabido, favorecem que o objeto em estudo esteja presente para o profissional em formação de forma incondicional, observados apenas aspectos técnicos e de suporte tecnológico, porque está livre das amarras espaciais e temporais, porque habita o ciberespaço. A esse respeito, vale lembrar Ferrara:
Esse espaço tempo heterodoxo constitui não uma unidade, mas o discurso do espaço sobre o tempo ou as nuances do tempo através da fala do espaço ou pelo que esta fala sugere sobre si mesmo ao dizer o tempo. Essa fala assinala o fim do tempo como narrativa da duração que situava e classificava historicamente a vida entre “antes e depois”. (2009)
Embora a cibercultura seja esse espaço recombinante, Lemos (2000), em que os contextos vão se relacionando e se instituindo sem ancoragem em distâncias ou velocidades, para entender como o projeto ocupou o tempo dos profissionais envolvidos foi estruturada uma tabela que sistematizou como ocorreram esses acessos, nessa modalidade do projeto. De forma que a interpretação dos dados desse levantamento pudesse evidenciar em que tempo essa recombinação do espaço do projeto ocorria para cada um dos envolvidos, se em horário de serviço ou fora dele. O Quadro 18 apresenta esse levantamento.
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Na coluna Unidade ETEC estão relacionadas de forma abreviada, para preservar-lhes a identidade, as unidades a qual pertencem cada grupo de profissionais em formação. Há entre elas uma distinção relacionada a que parte do estado pertencem, se na grande São Paulo, incluindo a região metropolitana, ou no interior.
Na segunda coluna, Cursista, estão discriminados os profissionais em formação, segundo a construção de legenda anteriormente especificada na figura 8. A abreviação do nome do cursista que recebe um asterisco à direita indica que, no projeto, este participante era o representante do grupo, responsável pela organização e postagem das atividades coletivas. A terceira coluna Cargo/Função recebe a indicação da colocação que o profissional possuía em 2009, época da realização do projeto.
Total Acessos é o título da próxima coluna, em que constam os totais de acesso pertencentes a cada profissional em formação, resultado da somatória das duas próxima colunas, Nº Acessos Dentro Horário de Trabalho e Nº Acessos Fora Horário de Trabalho, considerando-se apenas as atividades individuais, cuja realização dependesse estritamente da conexão ao ambiente, como foi o caso de fóruns individuais, mensagens pelo e-professor – sistema de correio interno do curso – e comentários a respeito do trabalho dos colegas.
As colunas Nº Acessos Dentro Horário Trabalho e Nº Acessos Fora Horário Trabalho representam a quantidade de acessos de cada profissional, se dentro ou fora de seu horário de trabalho. Foi obtida em detalhado levantamento em que se cotejava o horário de acesso dos profissionais em formação ao ambiente em contraposição ao horário de trabalho deles na instituição financiadora do projeto, naquele ano de 2009.
As duas colunas seguintes, % Acessos Dentro Horário Trabalho e % Acessos Fora Horário Trabalho, representam em percentuais o volume de acessos já apresentado nas duas colunas anteriores, a fim de proporcionar uma segunda forma de expressão dos resultados, para que se possa optar por uma ou outra, dependendo do efeito de sentido que possa proporcionar para facilitar o entendimento do levantamento e das relações que se pode estabelecer a partir dele. A última linha do quadro, Totais, foi construída para abrigar os totais das colunas que demonstraram o número total de acessos total ao ambiente, pelos profissionais em formação, e o total dos acessos dentro e fora do horário de serviço, considerando as atividades que só poderiam ser feitas de forma online.
Para sistematizar melhor os dados sobre essa realidade dos acessos às atividades essencialmente online foi montado o Quadro 19, mais enxuto, que é apresentado a seguir:
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Quadro 19: Síntese dos acessos individuais ao ambiente online
Na primeira coluna deste quadro 19 há a descrição do tipo de acesso, se dentro ou fora do horário de serviço, que terá sua quantidade apresentada. Na segunda coluna estão apresentados os totais obtidos em cada categoria, a partir do quadro 18 e, na terceira coluna, esses resultados expressos em percentuais.
Na última linha, o número total de acessos, forma de checar se os índices apresentados realmente totalizam o número de acessos levantados no ambiente e se os percentuais perfazem 100%.
Fica explícito que o percentual de acessos fora do horário de trabalho, 78%, foi muito superior àquele realizado dentro do horário de serviço, 22%.
Analisando a coluna % Acessos Dentro Horário de Trabalho, Quadro 18, apenas 7 profissionais em formação conseguiram realizar mais atividades individuais com acesso online dentro da instituição, utilizando menos o tempo pessoal livre. Esses sete profissionais estão destacados no quadro 20, que é um recorte do quadro 18.
Quadro 20: Profissionais que realizaram mais acessos dentro do horário de trabalho
A maioria dos profissionais destacados neste quadro 20 ocupava cargo que possibilitava esse acesso ao ambiente em horário de serviço. Eram três diretores, um assistente técnico e um coordenador. Somente uma professora conseguiu valer-se do mesmo expediente, frequentando o ambiente do projeto.
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Esse horário de trabalho pedagógico existia para todos os professores, assim como as condições para que utilizassem computadores com acesso à internet em seus locais de trabalho.
Pode-se ver por esse levantamento do Quadro 20 que são poucos os profissionais em formação que se dedicaram ao projeto principalmente em horário de serviço. Cabe registrar aqui que, segundo a coordenação da instituição financiadora, esse horário, na proporção de 20% da carga horária do professor, destinava-se à elaboração de aulas, trabalhos, provas e correção dos mesmos. Legalmente não comportariam formação. Independente disso, alguns depoimentos apontam justificativas para não realizar as atividades nas unidades de ensino.
Eu até tinha, na época, a chance de fazer todas as atividades aqui, entre um serviço e outro. Até a diretora nem se importava se a gente aproveitava o tempo, ela até falava mesmo, mas eu não conseguia me concentrar direito, tinha que parar de vez em quando, então muitas vezes eu acabei deixando pra fazer as atividades em casa. Eu fazia sempre isso quando tinha que fazer alguma coisa que precisava de mais concentração, porque eu não tinha muita prática, né. (ETEC GSP02–C4)
O depoimento da profissional ETEC GSP02–C4 enfatiza a possibilidade de realizar a formação em serviço, até com o consentimento da gestora, mas sem um distanciamento do posto de trabalho, o que, segundo ela, a expunha a ruídos e distrações que dificultavam a realização das atividades a contento.
Por outro lado, o depoimento da diretora (ETEC GSP02-C3) ressaltou a possibilidade do trabalho a distância em horário de serviço e as boas oportunidades que isso trouxe para a formação, embora também acusasse uma certa limitação para dedicação adequada às atividades do projeto.
...por falar nessa coisa de fazer as tarefas a distância aqui mesmo, eu achei bem bacana. Toda vez que dava eu tentava fazer aqui, sabe por quê? Você se sente dentro da situação que está discutindo, não é um curso, uma coisa vaga que você tá lembrando que acontece com você. Tá aqui, você fala do seu dia a dia. Eu já cheguei levantar, ir atrás do [nome do
coordenador] e discutir, olha, como é isso, como vamos fazer? Tá lá, a gente tem que
opinar, a gente tem que fazer. Nem sempre a gente conseguia a tranquilidade pra se dedicar, porque uma escola exige muito, são os professores, alunos, a comunidade, as coisas que a gente precisa dar conta... (ETEC GSP02–C3)
Os profissionais ETEC GSP04-C2 e ETEC GSP05-C2 foram entrevistados e se mostraram favoráveis a aproveitar o tempo em que se encontravam dentro da unidade de ensino para desenvolver o projeto, embora o número de participações destes, diretor e coordenador, tenha sido extremamente baixo tanto dentro quanto fora do horário de serviço. Já o profissional ETEC GSP06-C1, também diretor e com alto número de participações dentro do horário de
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serviço não foi entrevistado, por fazer parte de uma das unidades de ensino que não foi visitada, devido a grande distância da capital. Ele também não respondeu à pesquisa enviada por e-mail.
Pontuadas essas exceções, é possível analisar as manifestações de muitos profissionais dentre os 78% que utilizaram prioritariamente seu horário livre, ou seja, desenvolveram as atividades do projeto principalmente fora do horário de serviço. Quais as razões para que essa apropriação do tempo livre dos profissionais em formação não fosse rejeitada por eles?
Foi possível apurar alguns posicionamentos em relação a essa questão. Pode-se afirmar, a partir das entrevistas feitas, que há várias razões para que as atividades online não tenham ocupado mais o tempo disponível em serviço, para aqueles que tinham essa possibilidade. Em alguns momentos e depoimentos há indícios de uma reflexão a respeito da ocupação indevida do tempo livre e da dificuldade de apropriação da rotina de trabalho, mas os aspectos favoráveis dessa modalidade como possibilidade de formação está presente em todos os depoimentos colhidos.
No tópico 4.6 serão apresentadas as razões apuradas que explicam essa aceitação da ocupação do tempo livre com uma formação nitidamente concebida para ser em serviço, tanto no que se refere à dimensão de tempo presente no contexto online quanto às demais dimensões, conforme apresentadas nos próximos tópicos.