• Sonuç bulunamadı

4. ARAŞTIRMA BULGULARI ve TARTIŞMA

4.1. Malahit Yeşili Adsorpsiyonu

4.1.5 Malahit Yeşili Adsorpsiyon İzoterm ve Kinetik Model Sonuçları

Atualmente, é importante destacar o caráter pioneiro desse empreendimento, “que serviu de ponto de partida para a tomada de consciência dos problemas sociais, econômicos e políticos envolvidos em obras desse porte” (TSUKUMO, 1994, p. 36). Os estudos apontaram uma equivalência nos custos de instalações provisórias ou permanentes. A escolha da segunda opção possibilitava, além da implantação de uma cidade, a transferência para a região das melhorias realizadas após o término das obras.

O núcleo foi concebido como cidade aberta, destinando espaços para a instalação da iniciativa privada para comércio e serviços, o que proporcionou uma parcela da população independente do centro da CESP, ou seja, a organização social do complexo social exprimia-se em termos de um modelo intermediário entre o paternalismo do acompanhamento e a estrutura liberal de uma cidade comum.

Com a construção iniciada em 1967, a cidade atingiu sua população máxima em 1971 com 32.000 hab. (CESP, 1988, p.10) Ao final do “pico” da obra, a população decresceu, atingindo o patamar dos 20.000 habitantes. Posteriormente, parte das residências da cidade foi utilizada como moradia para abrigar as famílias de cerca de 6.000 trabalhadores para a construção da UHE Água Vermelha (1974-1977). Este empreendimento estava localizado no Baixo Rio Grande, aproximadamente, a 180 km de distância de Ilha Solteira. Além de abrigar famílias de funcionários da CESP, em 1979, acolheu funcionários para as obras de Três Irmãos e do canal Pereira Barreto.

Foram tomadas medidas concretas para a transformação da cidade em núcleo urbano permanente, com a implantação de um Campus da UNESP em 1978/79, com seu Centro de Treinamento, e a colocação à venda no mercado imobiliário dos imóveis da cidade a partir de 1980. “Nesse momento, Ilha Solteira começou a assumir sua própria identidade como espaço urbano em transformação, onde as relações entre seus moradores se dão num contexto de atividades diversificadas, mais próximas do objetivo pretendido” (CESP, 1988, p.40).

O município de Ilha Solteira/SP, criado em 1991, pouco lembra a região que, no início da década de 1970, expunha um quadro de pecuária extensiva, baixa densidade

populacional e rede urbana composta de grandes vazios, com a distância entre os núcleos urbanos mais importantes variando de 50 a 100 km.

O livro Arquitetura na CESP abrange os vários modelos de concepção e ocupação de núcleos habitacionais. Entre eles, a acomodação dos trabalhadores compatível com as condições de infra-estrutura regional, como o caso da construção da UHE Capivara que distribuiu trabalhadores nas cidades de Iepê e Nantes/SP e Porecatu/PR com a construção de 625 casas e a Vila de Operadores com 20 casas integradas na trama urbana.

Segundo a autora, foram aproveitados os equipamentos comunitários (escolas, postos de saúde, praças e quadras de esporte) das próprias cidades que, quando necessário, eram reformados ou ampliados pela empresa. Após 1980, essas edificações foram naturalmente absorvidas, passando a incorporar o patrimônio municipal ou estadual.

A UHE José Ermínio de Morais ou Água Vermelha (1973) também optou pela utilização da estrutura urbana da região como apoio. Foram utilizadas cinco cidades no Estado de São Paulo para receber o contingente populacional de 2.000 pessoas a serem alojadas: Fernandópolis (170 casas),Guarani D’Oeste, Indiaporã, Ouroeste (1005 casas) e Iturama/ MG. De um total de 8.000 trabalhadores envolvidos na obra, 1.500 funcionários casados permaneceram morando em Ilha Solteira e 4.500 solteiros foram alojados na própria obra.

A decisão de ocupar Iturama/MG, conforme o projeto inicial, por impedimento de natureza política, levou à construção das outras 775 casas pré-fabricadas próximas da cidade de Indiaporã com caráter transitório. Com ênfase na desmontabilidade e reutilização dos componentes em detrimento da visão do descartável ou provisório, essas casas, ao término das obras, foram reimplantadas na cidade de Primavera, servindo de apoio às obras de Pontal de Paranapanema. As edificações comunitárias que foram construídas ou reformadas foram doadas ou repassadas para os governos local e estadual.

Durante a década de 1970, a CESP planejou e iniciou as obras das Usinas Hidrelétricas Rosana e Porto Primavera (1988); a primeira no Rio Paranapanema, a

segunda no Rio Paraná, região que, na época, era a menos desenvolvida do estado de São Paulo. As obras buscaram uma ocupação efetiva da região, propiciada pelas ligações viárias com a utilização das barragens como passagem, abrangendo o noroeste paranaense, o Mato Grosso do Sul e o Pontal do Paranapanema no Estado de São Paulo.

A implantação da cidade de Primavera (1980) nessa região visou, a estabelecer além de núcleo de apoio às obras das Usinas Rosana e Primavera, uma cidade destinada a integrar a rede urbana regional. O projeto da cidade foi elaborado pela divisão de Arquitetura e Urbanismo da CESP, com a colaboração de técnicos da Hidrobrasileira S/A Engenharia e Consultoria Técnica. Região peculiar, caracterizada por uma economia derivada da exploração agropecuária, a baixa qualidade da terra e o regime de propriedade formavam um quadro de subdesenvolvimento e baixa densidade de ocupação. A autora descreve, inclusive, os problemas campo-cidade relacionando-os com o aparecimento dos “bóias-frias”.

A cidade foi construída ao longo da rodovia estadual, linearmente, como um eixo divisor entre os setores norte e sul, “com esta configuração, buscou-se favorecer o não isolamento do novo núcleo em relação à rede urbana regional e reproduzir-se o esquema tradicional de cidade que tem suas origens relacionadas com a rodovia” (TSUKUMO, 1994, p. 121). Os equipamentos comunitários foram estrategicamente localizados, permitindo o uso pelas populações das cidades vizinhas, o que prevalecia era o caráter e a idéia de cidade “aberta” sem a possibilidade de ser cercada e transformada em acampamento.

Com base nas experiências anteriores da CESP, adotou-se o índice de 4,8 pessoas por família e mais 500 pessoas para prestação de serviços, totalizaram-se 26.000 habitantes, sendo 2/3 em instalações provisórias (3.635 residências desmontáveis, 43 pavilhões desmontáveis mais o equipamento correspondente comunitário) e 1/3 no núcleo permanente: 1.255 residências com população em torno de 5.000 habitantes. As 750 casas de madeira remontáveis utilizadas em Água Vermelha foram remontadas em Porto Primavera, o que significou grande economia para a CESP. O lote individual foi proposto com dimensões mínimas, em beneficio da liberação de área para uso coletivo e redução de infra-estrutura.

A implantação de Primavera (1980) tinha a previsão da conclusão das usinas de Rosana e Porto Primavera para 1985, porém atrasos nos cronogramas das usinas levaram a uma reprogramação das obras da cidade. Com isto, o plano inicial de Primavera foi sucessivamente revisto e adequado. Em 1994, a cidade contava com 12.000 habitantes, ano da publicação do livro: Arquitetura na CESP, o que nos leva a concluir que, passados 12 anos, novas questões manifestaram-se relacionadas com o Gerenciamento para a autonomia. No final da década de 1990, a CESP iniciou ações junto à Universidade Estadual de Maringá/PR para a implantação de um Campus avançado nas instalações remanescentes do canteiro de obras da Usina de Rosana/PR e estudos para a exploração do potencial turístico da região.

A autora descreve tais ações fundamentada na concepção do projeto e das novas práticas desencadeadas pela CESP na época. Essas ações viabilizariam a autonomia econômica da cidade com os serviços públicos gerenciados pelas respectivas concessionárias, desde o início da ocupação do núcleo urbano até a abertura para a iniciativa privada, com a venda de lotes comerciais e residências que possibilitaria gerar vínculos permanentes com o local.

A importância dessa obra está, principalmente, no registro dessas cidades por uma profissional que atuou nesse segmento participando, durante várias décadas, do exercício de conceber com uma equipe multidisciplinar a construção, inicialmente, de cidades fechadas para cidades abertas, em um período de exceção, que assim como as cidades descritas no texto também se abrem politicamente.

Benzer Belgeler