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3. BÖLÜM

4.5. Güncel Politika Tartışmalarına Dair Görüşler

4.5.7. Makroekonomi Politikasına Dair Tartışmalara İlişkin Görüşler

Para que houvesse promessa de futuro matrimônio, os chamados desposórios de futuro ou esponsais, os futuros nubentes, tanto homens quanto mulheres, deveriam ter a idade mínima de sete anos. A cópula entre os desposórios não era capaz de torná-los casados e, portanto, deveria ser postergada para depois da realização do casamento e, se ocorresse, configurava ilicitude. Também era ato ilícito (mas não inválido) casar-se com uma pessoa, sem se desobrigar da promessa de casamento futuro feita a uma terceira.84

Segundo Maria Beatriz Nizza, após Trento, a Igreja tentou, ao máximo, diferenciar os esponsais da realização do matrimônio, pois era necessário demonstrar que eles não substituíam o verdadeiro casamento. Mas a prática unicamente de esponsais manteve-se arraigada na população por um bom tempo, assim como a prática de casamentos clandestinos. A Igreja, ao mesmo tempo em que era incisiva frente aos olhos do povo na diferenciação entre matrimônio e esponsais, continuava atribuindo valor a estes. Isso porque o descumprimento deles dava direito de se acionar o Juízo Eclesiástico para obrigar a realização do matrimônio ou gerar indenizações por meio de dotes. Os juramentos e palavras dos esponsais eram testemunhados e todo o rito deveria ser respeitado, devido à importância da celebração.85

Após os esponsais, os consortes ainda não eram casados, mas também não mais eram caracterizados como solteiros. Os desposórios de futuro eram um tipo de contrato e, por isso mesmo, exigiam o livre consentimento das partes, podendo ser anulados, se houvesse erro quanto à pessoa ou qualquer tipo de violência ou medo grave, a menos que houvesse ratificação do consentimento, após ter cessado o medo, o dolo ou o erro.86 Para os filhos-

84 VIDE, Sebastião Monteiro da. Constituições primeiras do Arcebispado da Bahia. São Paulo: Typographia 2

de dezembro de Antonio Louzada Antunes, 1853. P. 108, nos. 262, 263.

85 SILVA, Maria Beatriz Nizza da. Sistema de casamento no Brasil colonial. São Paulo: T. A. Queiroz/EDUSP,

1984. P. 84-85.

86 CARNEIRO, Manuel Borges. Direito civil de Portugal: contendo três livros: I. Das pessoas, II. Das cousas,

III. Das obrigações e ações. Tomo II. Lisboa: Typ. Maria da Madre de Deus, 1858. Disponível em: <http://purl.pt/705>. Acesso em 8 de março de 2012. P. 5-6.

famílias87 e os menores de 21 anos, também era necessário o consentimento dos pais, tutores ou curadores para que os esponsais fossem válidos.88

Obrigatoriamente, depois da Carta Régia de 6 de outubro de 1784, os esponsais deveriam ser feitos por Escritura Pública, lavrada por Tabelião e assinada pelos contraentes, por seus pais (na falta destes, pelos respectivos Tutores ou Curadores) e por duas testemunhas. Qualquer promessa, pacto ou convenção esponsalícia que não fosse feita por essa forma, não produziria qualquer efeito.89

A realização de esponsais era capaz de gerar dois tipos de impedimentos para o matrimônio. Um impedimento impediente, pois aquele (a) que houvesse prometido casamento a outra (o), cometeria pecado grave se se casasse com qualquer outra (o). Poderia ser um impedimento dirimente também, pois quando duas pessoas realizavam esponsais, não se podiam casar com os consanguíneos de primeiro grau do outro, uma vez que resultava o impedimento de pública honestidade, limitado ao primeiro grau. Os esponsais também poderiam ser absolutos ou condicionados. No caso dos últimos, só haveria impedimento com a implementação da condição.90 Os desposórios futuros podiam se dissolver por mútuo consentimento, por matrimônio subsequente com outra pessoa (dissolvia-se, então, apenas para o que não houvesse se casado, porque se este quisesse exigir o cumprimento dos esponsais, eles ainda tinham validade), pelo fato de um dos contraentes decidir seguir vida religiosa ou prometer votos de castidade perpétuos, bem como quando sobreviesse alguma notável mudança na vida, honra ou riqueza, a qual se fosse conhecida anteriormente não levaria ao compromisso.91 Borges Carneiro ainda acrescentava como causas de extinção o fato da futura esposa se tornar inepta para os serviços domésticos por cegueira ou doença perpétua

87 Os filhos-famílias eram aqueles que estavam sob poder do pai, independentemente da idade. Cf. FREITAS,

Augusto Teixeira de. Consolidação das leis civis. Vol 1. Ed. fac-sím. Brasília: Senado Federal, Conselho Editorial, 2003. P. 167, artigo 201.

88

PEREIRA, Lafayette Rodrigues. Direitos de família. Ed. fac-sím. Brasília: Senado Federal, Conselho Editorial, 2004. P. 24

89 Apêndice para se mostrar em que a Constituição do Arcebispado da Bahia se acha alterada, revogada pelas

Leis do Império, e modificada finalmente pelos costumes. In: VIDE, Sebastião Monteiro da. Regimento do Auditório Eclesiástico do Arcebispado da Bahia. Metrópole do Brasil e da sua Relação, e oficiais da Justiça Eclesiástica, e mais causas que tocam ao bom Governo do dito Arcebispado, ordenado pelo ilustríssimo senhor D. Sebastião Monteiro da Vide. 5º Arcebispo da Bahia e do conselho de sua Magestade. São Paulo: Na Typografia 2 de dezembro de Antonio Louzada Antunes, 1853. P. 154.

90

Cláusula elaborada pelas próprias partes que realizam um negócio jurídico, cujo objetivo é subordinar os efeitos deste mesmo negócio a um acontecimento futuro e incerto. É marcada pela partícula SE. Mais informações: PEREIRA, Caio Mário da Silva. Instituições de Direito Civil. Vol. 1. 21. ed. Rev. e atualizada por Maria Celina Bodin de Moraes. Rio de Janeiro: Forense, 2005. P. 555-575.

91

LARRAGA, Fr. Francisco. Prontuario de la teología moral. Ampliado e revisto por D. Antonio Maria Claret. 6. ed. Barcelona: Libreria Religiosa D. Pablo Riera, 1866. P. 188-189.

(só a mulher é citada); heresia, paralisia ou “qualquer outra enfermidade”; fornicação quanto ao esposo inocente; notável e constante deformidade da futura esposa (também aqui, só a mulher é citada); abandono por longo período (mas desfazimento apenas em favor do abandonado).92

A finalidade dos esponsais era facilitar a concretização do matrimônio, dificultando o arrependimento, a menos que fosse fundado em causa justa.93 Contudo, apesar de serem um contrato, não obrigavam, precisamente, a realização do matrimônio. Mas cabia ação de competência do Juízo Eclesiástico para que os esponsais fossem cumpridos, efetuando-se o matrimônio ou pagando-se a pena convencionada. O réu poderia alegar em sua defesa nulidade na realização dos esponsais (falta de idade mínima, ausência de escritura pública, mentira da mulher sobre sua honra); mudança de fortuna ou de circunstâncias (isso porque os contratos eram feitos tendo em vista a cláusula rebus sic stantibus,94 logo, os esponsais podiam ser desfeitos por fornicação posterior, doença, deformidade, pobreza superveniente, inimizade capital, causada pelo autor, e outras circunstâncias que, se sabidas, os esponsais não se celebrariam); não implemento de uma condição.9596

Os esponsais podiam ainda ser dissolvidos por morte de um dos contraentes; pela superveniência de algum impedimento para o casamento; pela expiração do prazo marcado ou do prazo legal, sem reclamação dos contraentes; pelo mútuo dissenso; pela recusa de um dos

92 CARNEIRO, Manuel Borges. Direito civil de Portugal: contendo três livros: I. Das pessoas, II. Das cousas,

III. Das obrigações e ações. Tomo II. Lisboa: Typ. Maria da Madre de Deus, 1858. Disponível em: <http://purl.pt/705>. Acesso em 8 de março de 2012. P. 13.

93

PEREIRA, Lafayette Rodrigues. Direitos de família. Ed. fac-sím. Brasília: Senado Federal, Conselho Editorial, 2004. P. 23.

94 Esta expressão latina pode ser traduzida como "estando as coisas assim" ou "enquanto as coisas estão assim".

A cláusula rebus sic stantibus é uma exceção ao princípio da obrigatoriedade no cumprimento dos contratos. Segundo ela, os contratantes devem cumprir rigorosamente o contrato que estabeleceram entre si no pressuposto de que as circunstâncias ambientes se conservem inalteradas no momento da execução, de forma idêntica às que vigoravam no da celebração. Qualquer mudança que torne sacrificante o cumprimento posterior do contrato, pode levar à sua extinção ou modificação: esta é a cláusula rebus sic stantibus – o contrato deve ser cumprido, desde que as coisas permaneçam como estão. Mais informações: PEREIRA, Caio Mário da Silva. Instituições de Direito Civil. Vol. 3. 12. ed. Rev. e atualizada por Regis Fichtner. Rio de Janeiro: Forense, 2006. P. 162-163.

95 TELLES, José Homem Corrêa. Doutrina das Ações. Aumentada por Joaquim José Pereira da Silva Ramos.

Rio de Janeiro: E. & H. Laemmert, 1865. Disponível em: <http://bdjur.stj.gov.br/dspace/handle/2011/16818>. Acesso em 5 de março de 2012. P. 24-25.

96 A condição, como dito anteriormente, é a cláusula elaborada pelas próprias partes para suspender ou extinguir

os efeitos de um negócio jurídico, subordinados a um evento futuro e incerto. Se o evento não ocorre, não há implemento da condição. Logo, o negócio não gera os efeitos previstos no momento de sua celebração. Mais informações: PEREIRA, Caio Mário da Silva. Instituições de Direito Civil. Vol. 1. 21. ed. Rev. e atualizada por Maria Celina Bodin de Moraes. Rio de Janeiro: Forense, 2005. P. 562-563.

esposos fundada em justa causa (doença contagiosa ou repugnante, infidelidade, impudicícia e todos os vícios e costumes torpes).97