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Mahkemelerde Delil Olarak Kullanılması ve Önemi

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1. HASTA DOSYALARI ARŞİVİ

1.6. Tıbbi Dokümanların ve Hasta Dosyalarının Hukuki Durumu

1.6.2. Mahkemelerde Delil Olarak Kullanılması ve Önemi

técnica

Toda linguagem está constituída por símbolos, espécies de signos, como já visto anteriormente (nota de rodapé n. 39). Exemplo típico, as “palavras”, que representam a “realidade”, ou o “dado bruto”, a priori, como adverte VILÉM FLUSSER67, de forma artificial, em decorrência de pactos tácitos

feitos entre os membros de uma mesma sociedade: a palavra “árvore” representa o objeto árvore, sem com ele ter qualquer relação de semelhança física e simplesmente por uma convenção havida muito antes de a conhecermos. Nesse sentido, valem os esclarecimentos do professor acima citado68:

As palavras são apreendidas e compreendidas como símbolos, isto é, como tendo significado. Substituem algo, apontam para algo, são procuradores de algo. O que substituem, o que apontam, o que procuram? A resposta ingênua seria: “em última análise, a realidade”. A resposta mais sofisticada dos existencialistas e dos logicistas seria provavelmente “nada”. A resposta deste trabalho será: “já que apontam para algo, substituem algo e procuram algo além da língua, não é possível falar-se deste algo”. Não obstante, o fato persiste: as palavras são apreendidas e compreendidas como símbolos, e, em conseqüência, o cosmos da língua é símbolo e tem significado. Símbolos são resultados de acordo entre vários contratantes. [...] Qual foi o acordo ou os acordos que antecederam e resultaram no sistema de símbolos que é a língua? Esta pergunta ainda é mais ingênua que a opinião dos setecentistas quanto ao contrato social como base da sociedade humana. As origens da língua e de seu caráter simbólico perdem-se nas brumas de um passado impenetrável.

67 “A posição ontológica que este trabalho se propõe a investigar é a de que a realidade dos dados brutos é apreendida e compreendida por nós em forma de língua” (FLUSSER, 2004, p. 81-82). 68 Id., ibid., (p. 41-42).

As linguagens podem ser distinguidas entre naturais e artificiais. Aquelas são formadas por palavras utilizadas pelos seres humanos em sua comunicação ordinária e cujos sentidos vieram sendo determinados, historicamente, mediante os usos de determinado grupo social69.

O significado de determinada palavra, construído a partir de sua utilização na linguagem natural (comum), pode ser encontrado nos dicionários, instrumentos que, por excelência, pretender relatar as diversas acepções dos termos que compõem cada idioma.

O Dicionário Aurélio Básico da Língua Portuguesa(FERREIRA, 1994, p. 291) não traz definição do termo faturamento, subentendo-o como o substantivo masculino que decorre do ato de faturar70. Faturar, segundo o mesmo dicionário, significa “1. fazer a fatura de (mercadoria vendida), 2. Incluir na fatura (uma mercadoria)”. Fatura, por sua vez, significa

relação que acompanha a remessa de mercadorias expedidas, ou que se remete mensalmente ao comprador, com a designação de quantidades, marcas, pesos, preços e importâncias, podendo tais referências ser substituídas pela simples menção dos números e valores de notas fiscais extraídas, e guardadas conforme determinações da lei.

Assim, é possível entendermos que o ato de faturar ensejaria dois produtos: o faturamento e o documento denominado fatura.

Por outro lado, receita seria “1. Quantia recebida, ou apurada, ou arrecadada; produto, féria, renda. 2. O conjunto dos rendimentos de um

69 Ricardo A. Guibourg, Alejandro M. Ghigliani e Ricardo V. Guarinoni (2003, p. 20).

70 O Dicionário Houaiss (2001, s. v. faturamento), embora traga a definição de faturamento, expressa-a como “o ato ou efeito de faturar”, isto é, o mesmo significado do substantivo masculino que decorre do ato de faturar, descrito no Dicionário Aurélio da Língua Portuguesa.

Estado, de uma entidade ou de uma pessoa, destinados a enfrentar gastos necessários. […]”71.

A partir dos dicionários da língua portuguesa, os quais fornecem critérios para determinar o uso corrente dos termos pesquisados, não é possível encontrarmos a distinção entre receita e receita bruta.

Por outro lado, a linguagem artificial, formada por palavras de cunho técnico, isto é, pela “linguagem natural com termos técnicos”, tem a pretensão de atribuir a determinados vocábulos definições mais precisas72, ou seja, com maior grau de conotação que a linguagem natural.

Na linguagem jurídica, segundo o VOCABULÁRIO JURÍDICO de DE

PLÁCIDO E SILVA (2003, s. v. fatura), a palavra fatura se origina “do latim

factura, de facere (fazer), significando feitio, quer indicar todo ato de fazer alguma coisa”. Ressalva que,

na técnica jurídico-comercial, no entanto, é especialmente empregado para indicar a relação de mercadorias ou artigos vendidos, com os respectivos preços de venda, quantidade, e demonstrações acerca de sua qualidade e espécie, extraída pelo vendedor e remetida por ele ao comprador.

De uma perspectiva mais formal que de conteúdo, prossegue o autor indicando que fatura seria “o documento representativo da venda já consumada ou concluída, mostrando-se o meio pelo qual o vendedor vai exigir do comprador o pagamento correspondente, se já não foi paga e leva o correspondente recibo de quitação”. Com relação às prestações de serviços, alerta que é o mesmo documento (fatura) que irá representar a

71 Cf. Aurélio Buarque de Holanda Ferreira (1994, p. 554).

O dicionário da língua portuguesa não traz definição para receita bruta.

conta extraída para a demonstração dos valores devidos por uma pessoa a outra, em virtude de serviços prestados ou executados. Nele se faz, igualmente, a discriminação dos serviços, tal como se procede na discriminação das mercadorias, com a indicação dos preços correspondentes a cada espécie.

Com relação às palavras faturar e faturamento, o mesmo autor descreve que, por ser o verbo faturar “derivado de fatura”, significaria “o ato de se proceder à extração ou formação da fatura”, ato este “a que se diz propriamente faturamento”, donde se pode observar, aqui, a nítida acepção de faturamento como indicativa do processo de produção de faturas73

.

Ainda na mesma obra encontra-se, para a palavra receita, a seguinte definição:

Derivado do latim recepta, forma feminina de receptus, de recipere (receber), é, na linguagem correntia e em sentido geral, compreendido como toda soma ou quantia recebida. A receita, assim, importa num recebimento de dinheiro ou de soma pecuniária.74

Segundo o autor,

na significação econômica e financeira, jurídica ou contábil, receita resulta sempre de uma entrada de numerário, recebimento de dinheiro ou arrecadação de verbas. Mas, na acepção propriamente financeira, exprime especialmente o total de rendas ou o total de rendimentos prefixados ou previstos num orçamento e efetivamente arrecadados. No sentido contábil, entende-se todo recebimento de numerário ou a entrada de dinheiro, que se contabiliza, isto é, que se registra ou se escritura nos livros comerciais como um deve da conta de Caixa, correspondendo a um crédito da conta que produziu a renda, ou da pessoa que fez a entrega do dinheiro, isto é, que pagou ou cumpriu um pagamento.75

Na ENCICLOPÉDIA SARAIVA DO DIREITO (1979, s. v. fatura) é possível

encontrarmos apenas a definição de fatura, que seria,

73 De Plácido e Silva (2003, p. 601-603). 74 Grifos nossos.

em direito mercantil, o documento relativo à venda de mercadorias, pelo qual o vendedor faz conhecer ao comprador a lista das mercadorias vendidas, discriminando-as por quantidade, qualidade, espécie, tipo e outras características, o preço das mesmas e as condições de entrega e pagamento. A emissão de fatura nas vendas é obrigatória, nos termos da Lei nº 5.474 de 18-7-196876, mas é facultativa a emissão de duplicata77.

Da mesma forma, o DICIONÁRIO JURÍDICO, elaborado pela professora

MARIA HELENA DINIZ (1998, s. v. fatura), descreve que a fatura, em direito

comercial, significa

a) relação das mercadorias vendidas, contendo sua quantidade, qualidade, marca, peso, preço, condições de pagamento etc., que acompanha sua remessa ao serem expedidas ao comprador. Trata- se da nota de venda. b) documento comprobatório da compra e venda mercantil pelo qual o vendedor pode exigir o preço do comprador. Na hipótese de venda a crédito, é indispensável para a extração da duplicata mercantil; […] c) conta que demonstra os valores devidos por uma pessoa a outra, em relação aos serviços prestados.

Prossegue a referida autora definindo faturamento como palavra representativa, no direito comercial, da “formação ou extrato da fatura comercial relativa às mercadorias vendidas”, acepção ambígua que coincide com o conceito de faturar, exposto por ela (ato de “fazer a fatura”, “proceder à extração da fatura”, “incluir ou relacionar mercadoria na fatura”) (DINIZ, 1998, s. v. faturamento) ou indica o produto destes atos (extrato que decorre da formação).

76 Art.1º. Em todo o contrato de compra e venda mercantil entre partes domiciliadas no território brasileiro, com prazo não inferior a 30 (trinta) dias, contado da data da entrega ou despacho das mercadorias, o vendedor extrairá a respectiva fatura para apresentação ao comprador.

§1º A fatura discriminará as mercadorias vendidas ou, quando convier ao vendedor, indicará somente os números e valores das notas parciais expedidas por ocasião das vendas, despachos ou entregas das mercadorias.

Art. 2º. No ato da emissão da fatura, dela poderá ser extraída uma duplicata para circulação como efeito comercial, não sendo admitida qualquer outra espécie de título de crédito para documentar o saque do vendedor pela importância faturada ao comprador.

Com relação ao termo receita, a professora acima citada inicia, na descrição de sua definição, alertando para o fato de que, “na linguagem jurídica, em geral, pode ter o sentido de: a) quantia integrante de um patrimônio; b) soma pecuniária recebida”. Levando em consideração essa ambigüidade, prossegue: no direito comercial, receita pode significar “a) entrada ou recebimento de dinheiro que constitui o crédito da conta; b) resultado de vendas à vista ou de prestações de serviços levadas a efeito em certo período” (DINIZ, 1998, s. v. receita). Já receita bruta, na definição da autora, indicaria “aquela em que não há abatimento de despesas” (DINIZ, 1998, s. v. receita bruta).

Segundo o DICIONÁRIO DE TERMOS FINANCEIROS (RUDGE, 2003, s. v.

faturamento), a palavra faturamento representaria “o valor total das vendas de produtos ou serviços de uma empresa”.

Portanto, ainda que com maior grau de conotação que aquela contida na linguagem natural, a linguagem técnica do direito não se mostra suficiente para precisarem-se as definições de faturamento, receita bruta e receita. Ao contrário, por conterem mais símbolos, sempre advindos da linguagem ordinária, parecem conter maior grau de vagueza e ambigüidade, elementos que dificultam a precisão semântica dos termos a serem precisados, conforme veremos no item III.5.

III.3 Faturamento no Direito Privado (Código Comercial e Lei das

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