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2.9 Taşra Örgütlenmesi

2.9.2 Mahalleler

Martins et al. (2006) analisaram a evolução da produção brasileira em cada região, nos últimos 10 anos, e verificaram que ela não têm apresentado os mesmos índices de crescimento. A Região Sul, pioneira na avicultura, teve um incremento de 133% na sua produção e aumentou de 50% para 56% sua participação na produção brasileira. A Região Centro-Oeste é a mais recente área de expansão da avicultura. Essa região tem apresentado o maior crescimento da produção (306%) e também

dobrou (de 5% para 10%) sua participação na produção brasileira, ultrapassando a Região Nordeste e colocando-se como a terceira maior região produtora. O Sudeste ocupa a segunda posição, embora esteja perdendo participação. As regiões Norte e Nordeste, devido aos pequenos volumes produzidos e custos mais elevados da alimentação de frangos, têm uma pequena participação na produção nacional.

A relação entre a expansão das culturas de soja e milho e a expansão da avicultura de corte e, por conseguinte, a desconcentração espacial da indústria da carne de frango é muito estreita e explica, em parte, a viabilidade que a indústria processadora de frango teve a partir de uma oferta abundante de grãos destinados à fabricação de ração, principalmente nas regiões Sul e Sudeste do país e, recentemente, a incorporação da Região Centro-Oeste no mapa da cadeia (IPARDES, 2002).

Tabela 12. Principais Estados produtores (em toneladas) de carne de frango no Brasil no período de 2000 a 2005.

Estados 2000 2001 2002 2003 2004 2005 Paraná 1.136.129 1.343.967 1.563.863 1.693.998 1.907.017 2.097.042 Santa Catarina 1.121.401 1.204.635 1.345.891 1.274.848 1.504.540 1.614.365 Rio Grande do Sul 1.061.529 1.116.781 1.249.030 1.257.668 1.273.579 1.379.609 São Paulo 1.030.695 1.099.269 1.163.466 1.195.976 1.354.600 1.549.590 Minas Gerais 465.475 467.252 558.391 600.741 622.108 681.853 Goiás 117.434 179.388 230.287 300.573 354.724 406.230 Subtotal 4.932.664 5.411.292 6.110.927 6.323.204 7.016.568 7.728.688 Outros estados 1.047.992 1.155.976 1.338.111 1.321.958 1.391.960 1.619.421 Total Geral 5.980.656 6.567.268 7.449.038 7.645.162 8.408.528 9.348.109 Fonte: ABEF (2006).

A Tabela 12 apresenta os seis Estados de maior produção, sendo liderado pelo Estado do Paraná que, em média cresceu, 13,1% entre os anos de 2000 e 2005. O Estado de São Paulo teve um crescimento, em média, de 8,6%, e Goiás, com maior crescimento, de 28.8%.

No ano de 2005, o Estado de Paraná ocupou 22,4% da produção total de frango, seguido pelo Estado de Santa Catarina com 17,2%; e, como terceiro produtor o Estado de São Paulo com o 16,6%.

2.2.2.5. Desempenho produtivo de empresas avícolas

Na década de 1970, o complexo avícola brasileiro estruturou-se por intermédio da implantação de empresas que atuaram com abate de suíno, localizadas na Região Sul, especialmente, no Estado de Santa Catarina. Essas empresas copiaram o modelo americano de produção e organização integradas verticalmente. Com exceção das matrizes e de aves melhoradas geneticamente, no Rio Grande do Sul e Paraná, as empresas instaladas só atuavam no segmento de carne de frango. Em São Paulo e Minas Gerais, as empresas passaram a atuar no abate de frango e na produção independente. As empresas que se destacaram nesta década foram Sadia, Perdigão, Granja Rezende, Cooperativa Cotia e Pena Branca, entre outras.

A consolidação do complexo avícola do Sul se beneficiou de uma conjuntura favorável de financiamento, tanto de crédito de custeio como de investimento, provenientes do Banco Regional de Desenvolvimento do Extremo Sul e do Governo de Santa Catarina (COUTINHO & FERRAZ, 1993).

Queiroz (2002) mencionou que, no início da década de 1970, o Brasil abriu o setor avícola para a produção interna de matrizes. Nesse período, já havia cerca de 18 empresas, nove delas estrangeiras, operando diretamente no país, enquanto uma delas trabalhava com linhagem própria (Granja Guanabara). Nessa década, quando ocorreu a grande expansão da produção, havia grande necessidade de importação de avós. Esse cenário favorável de crescimento na estrutura produtiva provocou novos desenvolvimentos nos anos 1980.

Nesses anos, houve forte desconcentração regional da produção, em razão da participação relativa do Estado de São Paulo em favor do Sul, especialmente, com maior inserção do Estado do Paraná. O processo de modernização da agricultura, com base na cultura de soja, permitiu que esses Estados, principalmente os da Região Sul, com destaque para o Paraná, se tornassem importantes produtores dessa oleaginosa. O Estado do Paraná passou a atrair e receber investimentos, terminando a década de 80 com quatro filiais de empresas catarinenses (RIZZI, 1999).

A inserção de São Paulo e, especialmente, a Região Sul, com maior número de empresas com elevada capacidade produtiva, esteve relacionada tanto a aspectos gerais do processo de modernização como também às características da região como pólo de consumo e de atração de capitais.

A expansão de novos mercados, como São Paulo e Rio de Janeiro, nas quais ocorria um crescimento demográfico por um processo migratório rural urbano, ajudou no desenvolvimento da indústria avícola.

O completo processo de verticalização proporcionou às cinco maiores empresas a duplicação da sua produção conjunta e um aumento da participação na produção nacional, passando de 17%, em 1980, para 35%, em 1985, posição essa mantida até 1993, quando houve uma ligeira redução, passando para 34% (BORTOLIN, 2002).

No ano 2000, as cinco maiores empresas representavam 36,6% da produção nacional, aumentando a concentração da produção em 41,8%, no ano de 2005.

Nos primeiros anos da década de 2000, as empresas do setor avícola brasileiro empreenderam esforços para a ampliação e modernização de unidades já existentes, bem como a implantação de outras amplas e modernas, envolvendo as diversas etapas da produção de frango. Dessa forma, as empresas do setor buscam maior produtividade, ganhos de escala, melhorias na qualidade dos produtos, além de atender as exigências fitossanitárias impostas pelos países importadores de carne de frango (MATIAS et al. 2003).

Na Tabela 13, observam-se as doze empresas de maior produção de frango, sendo a empresa Sadia, líder na produção, instalada em cinco Estados: Santa Catarina, Paraná, Minas Gerias, Mato Grosso e Rio Grande do Sul, apresentou crescimento na produção em 31% entre os anos de 2003 e 2005, seguida pela empresa Perdigão, que cresceu 16%, instalada nos Estados de Santa Catarina, Rio Grande do Sul, Paraná e Goiás.

Tabela 13. As doze maiores empresas produtoras de carne de frango no Brasil nos anos de 2003 a 2005 (cabeças). EMPRESA 2003 2004 2005 Sadia SC-PR-MG-MT-RS 479.900.928 550.149.640 629.209.878 Perdigão SC-RS-PR-GO 427.439.592 475.596.089 498.850.657 Seara SC-PR--SP-MS 246.151.173 263.320.384 277.320.934 Frangosul RS-MS 237.804.287 231.503.059 237.068.234 Avipal RS-MS-BA 213.950.448 187.653.021 208.096.594 Dagranja PR-MG 95.784.949 114.056.368 117.199.849 Aurora SC-MS 87.567.045 86.227.916 91.826.334 Diplomata PR-RS-SC 33.154.426 84.401.085 90.754.483 Penabranca SP 72.163.169 74.778.648 82.155.225 Copacol PR 56.438.391 62.029.390 72.080.048 Pif Paf MG 48.561.267 50.511.257 53.192.295 Sertanejo SP 48.426.390 47.193.539 48.703.960

Fonte: Elaborado pela autora com dados da UBA (2006).

Observa-se que a expansão das empresas do setor avícola está ocorrendo na direção da Região Centro-Oeste, grande produtora de grãos, e nos moldes de alguns projetos já implantados, com um sistema de parceria com menor número de grandes produtores, com produção em alta escala.

A avicultura brasileira surgiu a partir do desenvolvimento de empresas de abate suíno, com a adoção de novas tecnologias e a implementação do sistema de produção integrado. A produção avícola se consolidou com o crescimento das empresas e as estratégias de produção e produtividade na década de 1970. Na década de 1980, o setor avícola desenvolveu a integração vertical que garantia custo de produção reduzido, qualidade do produto e grande escala de produção. Essas mudanças viabilizaram o incremento das vendas para o mercado externo e a diversificação do produto destinado a abastecer a demanda do mercado interno.

Na década de 1990, a produção de frango incrementou-se significativamente. Grande parte desse aumento foi devido às exportações, visto que o Brasil se posicionou como um dos maiores produtores e exportadores no mercado internacional, assim como o consumo per capita de carne de frango. Cabe ressaltar que, apesar da abertura comercial, o Estado continua presente com incentivos no setor agropecuário mediante o Sistema Financeiro de Credito Rural, seja com crédito, custeio ou investimento mediante os recursos do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social

(BNDES), Fundo Centro-Oeste (FCO), Fundo Nordeste (FNE), Fundo Norte (FNO), também programas como o Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (Pronaf), contribuindo para a competitividade do agronegócio brasileiro, na adição de novas tecnologias, sobressaindo o setor avícola.

Benzer Belgeler