entre os heróis gregos e entre os troianos e seus aliados:
Silenciosos, furor respirando, os Aquivos avançam, no coração desejosos de auxílio uns aos outros prestarem. (HOMERO, 2002, III, v. 8-9, pp. 103-104) Por outro lado, os Aquivos do campo o cadáver tiraram
do companheiro [Tlepólemo]; esse foi pelo divo Odisseu conhecido, o sofredor, que sentiu na alma grande incontida revolta.
(ibidem, V, v. 668-670, p. 154) Pôs a falar, novamente, Diomedes, de voz atroante:
“Se decidis que seja eu que hei de a escolha fazer do meu sócio,
como é possível que venha do divo Odisseu a esquecer-me, cuja coragem, nos grandes perigos, e o espírito ardente sempre se firmaram, o herói, distinguido por Palas Atena? Tendo-o por meu companheiro, até mesmo das chamas ardentes
retornaremos ilesos, por ser mais que todos astuto”.
(ibidem, X, v. 241-247, p. 242) Obedeceu-lhe Tootes, sem perda de tempo, ao mandado; corre ao comprido do muro dos fortes Aqueus, e parando junto dos nobres Ajazes, lhes diz as palavras aladas:
“Nobres Ajazes, mentores dos brônzeos guerreiros Argivos,
manda pedir o notável Pelida, nutrido por Zeus,
da parte de ambos ajuda, ainda mesmo que seja por pouco. Se for possível, os dois; que é melhor, por, sem dúvida, ter-vos perto de nós, porque ameaça a esse lado iminente perigo. Os chefes Lícios, de fato, ali fazem pressão, conhecidos pela maneira impetuosa com que nos combatentes se portam. Mas, se ambos vós estiverdes a braços, também, com trabalhos, venha ajudar-nos, ao menos, Ajaz Telamônio preclaro,
acompanhado de Teucro, que o arco maneja perito”.
O grande Ajaz Telamônio de grado acedeu ao pedido. (ibidem, XII, v. 351-364, pp. 289-290) De boamente obedece-lhe o herói Menelau glorioso;
com voz possante chamou pelos fortes guerreiros Aquivos:
“Vós, conselheiros e guias dos fortes Acaios, ouvi-me
quantos à custa do povo bebeis nos banquetes dos claros filhos de Atreu e exerceis sobre os vossos soldados o mando, vós, a quem Zeus poderoso honra e glória perene concede! É-me impossível andar à procura, um por um, dos caudilhos, tal é o furor com que a chama da guerra por tudo se alastra. Vinde espontâneos; revolta no peito abrigai ante a idéia
de se atirar o cadáver de Pátroclo aos cães dos Troianos”.
Mui claramente chegou aos ouvidos de Ajaz esse apelo, filho de Oileu, que, muito antes dos outros correu para a pugna. Idomeneu vem depois, e Meríones, fiel companheiro,
que tinha de Ares funesto a figura exterior e a importância. (ibidem, XVII, v. 246-259, pp. 394-395)
Dos chefes, pois, dos navios, direi, do conjunto das naves. Vieram trazidos, os homens da Beócia, por Lito valente, Arcesilau, Peneleu, Protoénor e Clônio fortíssimo,
de Áulide pétrea habitante, dos campos da Hiria e de Esqueno, os de Eteono, de montes e selvas, de Escono e de Escolo, Téspio, também, Micalesso, de vastas campinas, e Graia; mais: os que à volta habitavam de Iléssio, de Eritras e de Harma; os moradores, ainda, de Eleona, Peteona, Ocaléia
de Hila e Medeona, cidade de muros de forte estrutura, Copas, Eutrésis e Tisbe, onde pombas adejam ruidosas: De Coronéia os que moram na ervosa Haliarto vieram, os de Platéia habitantes, bem como os campônios de Glissa; os de Hipotebas, ainda, cidade de aspecto imponente,
da sacra Onquesto, onde o bosque se encontra do divo Posido: de Arne, também, pampinosa, chegaram, da extensa Midéia, Nisa divina e de Antedo postrema, lugar fronteiriço: todos, armaram cinqüenta navios, e cada um dos cascos com cento e vinte guerreiros da Beócia se achava pejado. [...]
Os que moravam no vale escavado de Lacedemônia, dentro de Esparta, de Fáride e Messa, cidade de pombas; os habitantes, também, de Brísias e Áugias amena, e os que em Amicla demoram e em Helo, cidade marítima,
bem como os homens de Etilo e os que os muros de Laia habitavam, trá-los o irmão de Agamémnone, o herói Menelau de voz forte, dentro de naves sessenta; a departe eles todos se armavam. No próprio ardor confiado, as fileiras o chefe percorre, a estimulá-los. Pedia-lhe o peito ardoroso vingar-se dos sofrimentos passados por causa do rapto de Helena. [...]
Uns, o comando recebem de Anfímaco e Tálpio; este, filho de Êurito, o grande; de Ctéato, aquele; ambos de Áctor nasceram. Diores, o filho do forte Amarinco, outro grupo comanda.
O quarto, alfim, traz Políxeno, o herói de presença divina, filho de Agástenes, rei que de Áugias possante descende. Os de dulíquio habitantes e os homens das sacras Equínades, Ilhas que se acham mui longe no mar, defrontando com a Élide, vêm por Megete mandados, no porte semelho a Ares forte, que de Fileu picador descendia, querido dos deuses, o qual, brigado com o pai, em Dulíquio assentou o palácio: esses, perfazem quarenta navios de casco anegrado. Os cefalênios magnânimos traz Odisseu astucioso,
de Ítaca os homens, também, e os de Nérito, monte frondoso, de Crociléia os guerreiros, de Samo e de seus arredores, do continente, e os que pastos possuem na terra fronteira:
trá-los o divo Odisseu, no saber só a Zeus comparável: doze navios de casco vermelho ao seu mando obedecem. [...]
Os de Nisiro habitantes, de Crápato e Caso, bem como os da cidade de Eurípilo, Cós, da ilha bela Calidna, vieram trazidos por Ántifo e Fídipo, filhos de Téssalo, rei poderoso e valente, que de Héracles forte nascera: estes, em trinta navios dispostos em fila, embarcaram. Ora, menção seja feita dos de Argos Pelasga habitantes, dos do Alo e Alope, de Ftia, e de quantos Trequina cultivavam, bem como os da Hélade, célebres pelas mulheres formosas, como Mirmídones todos nomeados, Helenos e Aquivos: destes, cinqüenta navios Aquiles herói conduzira. (ibidem, II, v. 493-685, pp. 91-97, passim) Íris, de rápidos pés, sob a forma aludida, lhes fala:
“Como se em paz estivéssemos, velho, te agradam discursos
intermináveis: a guerra, no entanto, nos calca impiedosa. Certo, em muitíssimas pugnas achado me tenho presente, mas tais e tantos guerreiros, como esses, jamais tenho visto. Mais semelhantes à areia do mar ou às folhas das matas, movem-se todos no plaino, visando a atacar nossos muros. Por isso, Heitor, recomendo-te agora que faças desta arte: muitos aliados se encontram na grande cidade de Príamo, de diferentes países, e línguas de vária estrutura.
Que cada grupo receba instrução de seus guias nativos,
Que hão de saber coordená-los e à guerra, depois, conduzi-los”. Reconheceu, logo, Heitor que provinha de um deus o conselho; Fez dissolver a assembléia: os guerreiros às armas correram; abrem-se todas as portas, porque se franqueasse a saída, aos combatentes de pé e aos de carro era imenso o estrupido. [...]
Lá, se puseram em ordem os Teucros e seus aliados.
Sobre os Troianos Heitor comandava, o herói de elmo ondulante, filho de Príamo. Muitos guerreiros, dos mais distinguidos, com ele as armas empunham, de a pugna encetar desejosos. Sobre os Dardânios o mando exercia o nascido de Anquises e da divina Afrodite, o guerreiro notável Enéias,
pós haver no Ida selvoso a um mortal uma deusa se unido. Mas de Antenor os dois filhos, do mando, também, compartilham, ambos prudentes varões, Acamante e o notável Arquéloco. Os de Zeléia habitantes, da falda contérmina do Ida, gente opulenta, que as águas escuras do Esepo bebiam, sob o comando se achavam de Pândaro, o filho notável
do alto Licáone, o mesmo a quem Febo o arco dera em lembrança. (ibidem, II, v. 795-827, pp. 100-101, passim)