O Tídida, no entanto, uma pedra
nas mãos tomou – grande empresa –, que dois dos guerreiros de agora mal abalar poderiam; sozinho a atirou, facilmente,
indo atingir o guerreiro, nascido de Anquises, no ponto
justo – de nome acetáb‟lo – em que o fêmur se encaixa na pelve, que estraçalhado ficou juntamente com os dois tendões fortes. (HOMERO, 2002, V, v. 302-307, p. 144) enquanto Heitor de uma pedra tomou que se achava na frente
da grande porta, achatada na base e de ponta afilada. Dificilmente dois homens do povo, dos mais esforçados, conseguiriam movê-la do chão de depô-la no carro –
homens dos de hoje. Ele, entanto, sozinho a maneja galhardo. (ibidem, XII, v. 445-449, p. 292) Disse-lhe Aquiles, de rápidos pés, o seguinte, em resposta:
“Podes dizer, sem receio, o que na alma vidente souberes.
Por Febo Apolo, querido de Zeus, a quem preces diriges, nobre Calcante, que possas contar aos Aqueus teus augúrios, enquanto eu vivo estiver e na terra gozar da existência, nunca nenhum dos Argivos, ao lado das célebres naves, há de violência fazer-te, ainda mesmo que penses no Atrida, que, no momento, se orgulha de ser o melhor de nós todos. (ibidem, I, v. 84-91, p. 60)
Nela, apoiando-se, pôs-se a falar [Heitor] para os Troas guerreiros:
“Teucros, Dardânios e aliados, agora atenção concedei-me.
Já imaginara que fosse possível voltarmos para Ílio
pós o extermínio completo dos homens Aqueus e seus barcos. A escuridão, porém, veio antes disso, salvando os Argivos e as naus de boas cobertas que se acham na praia marinha.
À negra Noite, entretanto, convém demonstrar obediência [...]”.
(ibidem, VIII, v. 496-502, pp. 209-210) Se Febo Apolo, porém, me fizer vencedor do adversário, Despojá-lo-ei da armadura e, levando-a para Ílio sagrada, no templo hei pendurá-la de Apolo, frecheiro infalível, mas o cadáver será restituído aos navios simétricos, para que os fortes Aquivos cacheados lhe dêem sepultura e um monumento lhe elevem na margem do largo Helesponto, para que possam dizer as pessoas dos tempos vindoiros, quando, em seus barcos de remos, cruzarem o mar cor de vinho:
„Eis o sepulcro de um homem que a vida perdeu há bem tempo; pelo admirável Heitor, em combate esforçado, foi morto‟. Isso dirão, certamente; imortal há de ser minha glória”.
(ibidem, VII, v. 81-91, p. 182) Mas amanhã, logo cedo, enviemos Ideu aos navios, para dizer aos dois chefes insignes, os claros Atridas, o que lhes manda propor Alexandre, fautor desta guerra, e ainda mais, perguntar-lhes se querem – e é justo – dar tréguas ao fragoso combate, até termos queimado os cadáveres, reiniciando-se a fera peleja no dia seguinte,
té que um dos deuses decida a quem venha a caber a vitória”.
(ibidem, VII, v. 372-378, p. 190) Vira-se, então, para Ideu o potente senhor Agamémnone:
“Ouves, Ideu, com teus próprios ouvidos, o que te respondem
No que concerne aos cadáveres, não lhes recuso a fogueira; impedimento nenhum costumamos fazer aos defuntos, mas, extinguindo o vigor, procuramos aplacá-los com o fogo.
Zeus, de Hera esposo, de voz atroante, confirme esta jura”.
(ibidem, VII, v. 405-411, p. 191) exclamou Odisseu, exultante:
“Ó viril Soco, que vens do grande Hìpaso, o forte ginete,
a destruição te alcançou; não pudeste da Morte esquivar-te. Infortunado! Ao morreres, o pai nem a mãe veneranda vieram fechar os teus olhos, mas corvos virão lacerar-te as tenras carnes, aos bandos, batendo, ruidosas, as asas.
Morra eu, porém, e os Aquivos dar-me-ão sepultura condigna”. (ibidem, XI, v. 449-455, p. 266)
o louro Atrida, desta arte, circunda o cadáver de Pátroclo, a defendê-lo, mantendo sobre ele o pavês e a hasta longa, pronto a ser vida prostrar o inimigo que ousasse antepor-se-lhe. Não se descuida, também, do cadáver do herói prestantíssimo, o alto Pantóida, lanceiro extremado; para ele achegando-se. (ibidem, XVII, v. 6-10, pp. 387-388) Pós ter despido o cadáver de Pátroclo, Heitor o arrastava para poder decepar-lhe a cabeça com o bronze afiado, e o corpo, assim mutilado, jogar para os cães da cidade. Aproximou-se-lhe Ajaz, de pavês a alta torre semelho; o ínclito Heitor retrocede, acolhendo-se às Teucras fileiras; salta, depois, para o carro, mandando que as armas de Pátroclo para Ílio sacra levassem, como alto sinal de triunfo.
Com o pavês defendia o cadáver Ajaz Telamônio. (ibidem, XVII, v. 125-132, p. 391)
Como admitir que te esforces e exponhas, no ardor das refregas, para salvar os guerreiros obscuros, se o claro Sarpédone, que foi teu hóspede e amigo, abandonas às mãos dos Aquivos? Enquanto esteve com vida, serviu-te, e à cidade, de amparo; e ora permites que seja o cadáver aos cães atirado?
Por tudo isso, se os Lícios me ouvisse, a casa voltáramos, e a mais terrível catástrofe, então, sobre Tróia caíra. Se o coração varonil e ousadia os Troianos possuíssem, tal como soem mostrar os que a pátria querida defendem contra inimigo tenaz, suportando canseira e lutas, já para Tróia teriam levado o cadáver de Pátroclo. Caso nos fora possível tirá-lo do meio da pugna e para dentro levá-lo da grande cidade de Príamo, não só as armas do grande Sarpédone os Dânaos trariam para o resgate; o cadáver, também, com certeza obteríamos, pois era o morto o escudeiro do herói mais prestante de quantos ao pé das naves se encontram; só gente esmerada o acompanhava. (ibidem, XVII, v. 149-165, p. 392)
Disse-lhe, então, em resposta, Agamémnone, rei poderoso:
“Muito me alegra, Laercìada, ouvir essas tuas palavras, pois discorreste com senso e eqüidade a respeito de tudo [...]”.
(ibidem, XIX, v. 184-186, p. 437)
“[...] Caros amigos, paciência! Esperai mais um pouco, até vermos
se de Calcante os augúrios nos saem verazes ou falsos. Sim, todos vós, que da Morte escapastes, ainda no espírito tendes presente a ocorrência, do que podeis dar testemunho.
Ontem, parece, ou anteontem, se achavam reunidos em Áulide as naves todas que a Príamo e a Tróia a desgraça trouxeram. Junto das aras sagradas, ao pé de uma fonte, nós todos às divindades do Olimpo hecatombes perfeitas fazíamos, sob a frescura de um plátano, donde fluía água límpida. Nisso, um prodígio nos veio: uma serpe com dorso sangüíneo, monstro terrível, que à luz fora enviado por Zeus poderoso. Do supedâneo surgindo, do altar, subiu logo pela árvore, onde a ninhada se achava de um pássaro, míseros seres, sob as folhinhas oculto, no ramo mais alto do plátano;
oito eram eles; incluindo-se a mãe, que os gerou, nove ao todo. Por entre pios sentidos ali devorou todos eles
e a própria mãe, que, gemente, esvoaçava ao redor dos filhinhos: o bote atira-lhe o monstro, apanhando-a por uma das asas. Mas, pós haver o dragão os filhotes e a mãe devorado, foi pelo deus, que o enviara, mudado num grande prodígio; petrificou-o ali mesmo o nascido de Crono tortuoso. Quantos aos fatos assistíamos, cheios de espantos ficamos. Mas, vaticínios Calcante começa ali mesmo a tecer-nos sobre o terrível prodígio, que em meio do ofício nos viera:
“Por que calados ficastes, Aquivos de soltos cabelos?
Esse prodígio por Zeus grande e sábio nos foi enviado. Vai demorar; veio tarde; mas fama vai ser sempiterna.
Do mesmo modo que o drago os filhotes matou e a mãe deles – oito eles eram, incluindo-se a mãe, que os gerou, nove ao todo – o mesmo número de anos devemos passar nesta guerra,
mas no dezeno, haveremos de entrar a cidade espaçosa. Foi esse o seu vaticínio, que se há de cumprir sem demora. Por isso tudo, esforçados Acaios, ficai mais um pouco,
té que possamos tomar a espaçosa cidade de Prìamo”.
(HOMERO, 2002, II, v. 299-332, pp. 86-87) Era quando aos mortais começa e côa,
Divino dom, gratíssimo descanso: Tétrico Heitor em sonhos se me antolha, Debrulhando-se em pranto; com outrora, [...]
Chorando eu mesmo
Parecia argüi-lo em mesto acento:
“Ó luz dardânia, segurança e apoio!
Donde vens? que detença! Em tal estado Só te avistamos, caro Heitor, agora Que a cidade agoniza e os teus perecem? Que ato indigno afeou teu rosto ameno?
Que feridas são essas?” Ele nada,
De vãs queixas não cura, e grave arranca
Fundo suspiro: “Ui! Foge, o incêndio medra,
Foge, filho da deusa; em preia aos Dânaos Rui do fastígio Tróia. Assaz fizemos Pelo rei, pela pátria. Esta só destra, A haver defensa, defendera Pérgamo. Seu culto Ílio te fia e seus penates: Toma-os contigo; o pélago discorram, Té que lhes fundes majestoso alcáçar”
(VIRGÍLIO, 2005, II, v.277-304, pp. 63-64, passim) Quando lassos na terra adormeciam,
Dos perigos aflitos, à riba Enéias, Tardo repouso aos membros concedendo, Sob o eixo do céu frio recostou-se.
Deus do sítio, a surgir do leito ameno, Entre álamos se antolha o Tiberino: Ao velho tênue bisso um verdoengo Cendal compõe, e o touca umbrosa cana. Ao teucro fala e o peito lhe mitiga:
“Divo renovo, que dos Gregos salva
Pérgamo eterna à Hespéria nos transportas, Nestas Laurentes veigas esperando, Casas tens certa, certos os penates; Avante! não te assuste e feia guerra: O tumente furor cessou dos deuses. Por que isto um sonho fútil não reputes, Em litório azinhal grande alva porca Deitada encontrarás parida, e em roda Nela a mamar trinta alvos bacorinhos. Descanso aqui tereis; trinta anos voltos, Aqui fundando-a Iulo, deste agouro Alba derivará seu claro nome.
Não dúbio o vaticínio. O modo em suma Te ensinarei de conseguir vitória. (ibidem, VIII, v.25-48, pp. 186)