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OSMANLI EĞĠTĠM DÜġÜNCESĠNĠN DÖNÜġÜMÜ

1.4. MAARĠF-Ġ UMUMĠYE NĠZAMNAMESĠ VE UYGULANMASI

Conforme a fórmula do ciclo do capital vista anteriormente, o ciclo do capital dinheiro (D – D’) ocorre em três estágios:

Ft

D – M ... P ... M’ - D’ Mp

1ª fase fase 2ª fase circulação produção circulação

Em cada um deles, há tarefas específicas para o capital a serem resolvidas. Primeiramente, o capitalista aparece como comprador no mercado de mercadorias e no mercado de trabalho; assim, passa pelo ato da circulação em que seu dinheiro é convertido em mercadoria (D - M). Em segundo, no consumo produtivo dessas mercadorias, o capitalista atua como produtor capitalista de mercadorias. Seu capital percorre o processo de produção (P), fase em que cumpre a tarefa de intermediação da primeira e segunda fase de circulação, tendo como resultado uma mercadoria de maior valor do que seus elementos de produção. Por fim, o capitalista retorna à fase de circulação, porém, agora, como

vendedor, na qual sua mercadoria é convertida em dinheiro ou passa pelo processo de circulação (M’ – D’).

Seguiremos a mesma sequência feita por Marx (1984) em “O Capital”, e Osorio (2012a), para o entendimento dos caminhos do capital e, portanto, da reprodução do capital,108 mais especificamente, nas economias latino-americanas.

Na primeira fase da circulação (D - M ), tem-se a conversão de uma soma de dinheiro em uma soma de mercadorias (força de trabalho ou meios de produção109), assim, para o comprador, a transformação de seu dinheiro em mercadorias e, por consequência, para o vendedor, a transformação de suas mercadorias em dinheiro. Nesta fase, são tomadas as decisões de investimento, nas quais, portanto, é conhecido quem investe, quanto investe e em que investe. Consideramos investimentos o dispêndio de dinheiro para a aquisição de máquinas, equipamentos e tecnologias.

A partir deste esclarecimento, podemos indicar as implicações dessas diferentes escolhas sobre o investimento para o estabelecimento de um padrão de reprodução.

O entendimento da origem daqueles que investem, ou seja, se é capital privado nacional ou estrangeiro, se é capital público estatal e mesmo as proporções entre esses setores, podem indicar para onde serão direcionados, em última instância, os lucros desses investimentos. Por exemplo, Osorio (2012a) lembra que, no início da industrialização nos países latino-americanos, o Estado desempenhou um papel importante nos investimentos de infraestrutura e indústrias básicas, para atrair grandes investimentos do capital privado, mas, ao longo do tempo, essa estrutura foi sendo alterada, dado o crescente papel do capital privado, em especial, capital privado estrangeiro, atraído por novas políticas econômicas e pela formação de um novo padrão de reprodução do capital. Aqui, já é possível perceber a influência da política econômica para as transformações dos processos de reprodução do capital e que analisaremos em outra seção.

Além disso, o entendimento do montante investido e dos setores em que realizam, são elementos importantes, que contribuem para a determinação das esferas produtivas

108

Conforme nota Osorio (2012a), Marini realiza esse mesmo exercício, porém, sem fazer a relação com a ideia do padrão de reprodução do capital, embora, em uma publicação anterior, tenha feito de maneira sucinta um trabalho que trata do padrão de reprodução do capital no Chile. Neste trabalho, o autor aponta que a noção do padrão de reprodução do capital remete à relação entre as estruturas de acumulação, produção, circulação e distribuição de bens.

109 Essas duas séries de compras pertencem a mercados distintos e relações qualitativas particulares, portanto,

que desempenham um lugar central na acumulação e, por consequência, na reprodução do capital (OSORIO, 2012a). Esses setores que concentram investimentos, em dado período, propiciam maiores lucros, sendo que o incremento dos investimentos favorece a concentração de capitais e a obtenção de lucros extraordinários, com custos cada vez mais abaixo da média social. Isto se relaciona à disposição, cada vez maior, de montantes de investimentos para compra de equipamentos, maquinários e tecnologias nesses mesmos setores, portanto, (elevam) “adaptam o capital constante, em detrimento do capital destinado ao capital variável (força de trabalho), o que propicia a elevação da composição orgânica do capital”, processo que, inevitavelmente, levará a tendência da queda da taxa de lucro (OSORIO, 2012a, p. 48).

Osorio (2012a) levanta, ainda, o peso do capital financeiro especulativo predominante sobre a lógica produtiva e sua volatilidade dos dias atuais. Vê-se, por exemplo, as aplicações no mercado de ações da Petrobrás, em que grande parte dos ‘investidores’ são especulativos e que, por pequenas manifestações do mercado, levam a grandes incertezas, sendo que essas manifestações possuem pouca ou nenhuma relação com fatores que levam à maior ou menor lucratividade do setor. Esse tipo de flutuação pode levar a mudanças repentinas das condições de reprodução do capital, em setores que seguem dentro desta mesma lógica e que dependem, fundamentalmente, dessa fonte de investimentos.

Paulani e Pato (2005) mostram a perversidade do funcionamento dessa dinâmica, em que prevalece a transformação arbitrária do valor de um ativo produtivo em ações. Elemento que carrega um forte movimento especulativo, já que sua dimensão, em cada momento, não está mais vinculada a esse capital, mas ao jogo das bolsas. Conforme os autores, o que ocorre é que essa duplicata de capital, como qualquer outro, reclama por seus direitos com ameaças, como um fantasma, visto que, no mundo real e concreto, a renda real produzida por seus ativos de origem pode não ser capaz de alimentá-lo. No que diz respeito ao domínio do capital fictício, não se pode deixar de indicar outra forma de manifestação, que são os títulos de dívida pública, que também reclamam por seus direitos, no entanto não há um capital capaz de atendê-los, pois esse atendimento é feito pela extração da renda real da sociedade (PAULANI; PATO, 2005).

Note-se que a valorização das ações parece não passar pela esfera produtiva ou não levar em conta o seu desempenho, porém não é exatamente isso o que acontece. Isso é o que é mais perverso desse sistema.

A dinâmica do capital na esfera financeira vem ganhando espaço nas economias dependentes desde os anos 1980, e, nos últimos anos, alcançou escalas importantes de forma como vem ganhando peso e transformando a dinâmica econômica desses países. Porém, essa é uma questão que será tratada mais ao final do capítulo. Assim, aqui é importante também levar em conta os efeitos que cada setor pode originar, pois existem setores que arrastam uma série de outros segmentos, direta ou indiretamente, necessários ao seu crescimento. Além disso, o autor atenta para os valores de uso produzidos pelos ramos centrais, ou seja, as indústrias que concentram os investimentos e que tendem a ser o eixo de acumulação do país em que estão imbricados. Seguindo como exemplo um país que produz soja e outro que produz carros, temos setores que demandam economias e mercados essencialmente díspares, assim como diferentes necessidades sociais dos consumidores110.

Antes disso, vamos seguir nosso entendimento dos caminhos do capital para apreender melhor as consequências do predomínio de um tipo de capital que parece estar desligado da esfera produtiva.

Ft Primeira fase da circulação: D – M

Mp

Como esclarecemos anteriormente, D – M representa, para o comprador, a conversão de uma soma de dinheiro em soma de mercadorias e, para o vendedor, a transformação de suas mercadorias em dinheiro. No entanto, o que faz deste ato da circulação geral de mercadorias parte funcionalmente determinada do ciclo autônomo de um capital individual, não é, em primeira instância, a forma do ato, mas seu conteúdo

110 Mas, como já indicamos, não só isso, a quem destina esses produtos também é de grande importância para

entender as características dos padrões de reprodução e, por consequência, as particularidades do desenvolvimento (desenvolvimento no sentido de processualidade) de cada nação. Dados de 2010, divulgados por um estudo recente do Banco Mundial (WORLD DEVELOPMENT REPORT ON JOBS, 2013), mostram que, nos Estados Unidos, o consumo de carros de passeio foi de 627 para cada 1000 residentes, no Brasil esse número não chegou próximo a um terço, 127 carros por 1000 residentes. Assim, embora o Brasil, seja uma importante plataforma de montagem de carros, a grande parte da população não possui acesso a um dos maiores setores de média tecnologia do país conforme a classificação feita por Lall (2000).

material, ou seja, o caráter particularmente útil das mercadorias que alteram de lugar com o dinheiro (MARX, 1981).

Assim, são compras (D – M) de força de trabalho (D - Ft) e meios de produção (D - Mp), fatores pessoais e materiais da produção de mercadorias, cuja espécie particular deve corresponder ao tipo de artigo a ser produzido. De tal modo, o dinheiro que precisa circular como capital industrial destina-se a mercados categoricamente distintos, mercado de trabalho (compra da força de trabalho vendida por parte do trabalhador) e mercado de mercadorias propriamente dito (espaços industriais, máquinas e ferramentas, matérias- primas, reposição de peças, computadores, softwares, tecnologias, licenças etc.), deste modo, são compras qualitativamente diferentes.

A divisão não é apenas qualitativa, mas também quantitativa. E essa divisão dependerá do setor da produção, do grau de tecnologia empregado e do grau de exploração empregado, de forma que a massa dos meios de produção, conforme alerta Marx (1983), precisa ser suficiente para absorver a massa de trabalho empregada, para ser transformada em produto por intermédio dela, pois caso não haja meios de produção suficientes, certamente, o comprador terá um trabalho excedente inutilizável, não levando a nada. Da mesma forma, sucede quando se tem mais meios de produção do que trabalho disponível não seriam transformados em produção.

Aqui, já fica claro que o valor adiantado pelo capitalista na forma dinheiro, ao ser destinado para a compra de força trabalho e meios de produção, encontrar-se-á, agora, sob uma forma em que pode ser realizado o valor que gera mais-valia (na figura das mercadorias). Ou seja, encontra-se, na forma de capital produtivo, que possui a capacidade de atuar como criador de valor e mais-valia111 (MARX, 1983).

Examinemos, em Osorio (2012a), as particularidades e as implicações para as economias do ato do capitalista da compra de meios de produção. A capacidade produtiva de uma empresa, formada pela compra dos meios de produção (D – Mp), é, geralmente determinada pelo estado de avanço de seus meios de produção em relação à média social. De tal modo, quanto mais um capitalista exceder a média social, mais possibilidades ele terá de apropriar-se de lucros extraordinários na hora da fixação dos preços de produção e

111

Aqui vale ressaltar uma passagem em que Marx (1982) argumenta que o valor-capital, em estado monetário, só pode cumprir funções de dinheiro e nenhuma outra, o que faz destas últimas funções de capital descritas é seu papel determinado no movimento do capital e, daí, a conexão do estágio em que aparecem outros estágios do seu ciclo.

divisão da taxa média de lucro na economia. Isso explica, segundo Osorio (2012a), a precoce monopolização do setor secundário da economia latino-americana, que se apresenta apoiado por vultosos investimentos estrangeiros.

Por outro lado, isso coloca o capital diante de suas grandes contradições. A lei tendencial da queda da taxa de lucro, em que a necessidade individual de realizar avanços permanentes no campo da produtividade, para apropriar-se de maiores lucros, tem o ônus de gerar uma queda da taxa de lucro, dada a elevação da composição orgânica do capital, e diminuição do capital variável em relação ao capital total investido.

Percebe-se que esse processo, nas economias com características dependentes, é ainda mais agravante, quando se entende em quais mercados são adquiridos os meios de produção - equipamentos, maquinários e tecnologias tanto do setor I (meios de produção) quanto do setor II (meios de consumo): essencialmente, no mercado externo. No capítulo 1, fica nítida a crescente dependência das economias latino-americanas das importações de bens de capital.

Assim, aqui, a pergunta a se fazer é: os mercados de meios de produção necessários ao desenvolvimento dessas economias estão na economia interna ou são adquiridos no mercado externo? Além disso: em qual mercado externo? Osorio (2012a) alerta que o assunto é relevante, pois envolve consequências ao menos em duas direções: (a) se são adquiridos no exterior, como ocorre na América Latina, isso mostra, por um lado, o débil desenvolvimento interno do setor I; e (b), por outro, que uma parte importante do capital (D), levando em conta apenas no início do processo, sairá imediatamente para o exterior como forma de pagamento para compra desses bens.

Agora, passemos para a análise da compra da força de trabalho. Para Marx (1983), a compra de força de trabalho pelo capital (D – Ft) é considerada o traço característico do modo de produção capitalista, em que se dá a transformação do capital monetário em capital produtivo, pois é a condição essencial para que o valor adiantado em forma dinheiro se transforme realmente em capital, em valor que produz mais-valia.

Aqui, vale a pena recorrer ao livro I de “O Capital”, no qual Marx trata do processo de trabalho ou o processo de produzir valores de uso, para se entender o papel elementar da força de trabalho. Segundo Marx (2008), a utilização da força de trabalho é o próprio trabalho, em que o comprador da força de trabalho a consome, fazendo seu vendedor trabalhar, sendo que este, ao trabalhar, torna-se, realmente, no que antes era apenas

potencialmente força de trabalho em ação, trabalhador. Marx (2008) argumenta que, para o trabalho reaparecer em mercadorias, tem de ser empregados valores de uso, em coisas que sirvam para satisfazer necessidades de qualquer natureza, assim, o que o capitalista determina ao trabalhador produzir é, portanto, um valor de uso particular, um artigo especificado.

A análise da compra da força de trabalho envolve implicações importantes, além destas de produzirem valores de uso. Essas implicações perpassam pelo valor da mercadoria força de trabalho, intensidade do uso dessa mercadoria, além de suas formas de reprodução, que são correlacionadas com a sua capacidade de consumir bens necessários não só para a sua reprodução, mas também para viver uma vida que se valoriza. Antes de nos atermos a essas questões vamos entender alguns elementos iniciais importantes para a apreensão que pretendemos abarcar ao longo de todo o capítulo: a produção de valores de uso pode determinar o padrão de reprodução de uma nação. É isso que veremos na próxima seção.