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OSMANLI EĞĠTĠM DÜġÜNCESĠNĠN DÖNÜġÜMÜ

1.2. EĞĠTĠMDE ĠLK YENĠLEġME ÇALIġMALARI

A expansão mercantilista europeia do século XVI passava, cada vez mais, a incorporar economias como as latino-americanas, engendrando, nessas nações, situações conflitivas.

Segundo Marini (2012b), ao longo dos três primeiros quartos do século XIX, tem-se a afirmação definitiva do capitalismo industrial na Europa, fundamentalmente na Inglaterra. Nesse período, a região latino-americana foi inserida de forma mais ativa na divisão internacional do trabalho, como vimos, como produtora de matérias-primas e como consumidora de uma parte da produção europeia. Como resultado, iniciava-se uma forte integração dessas economias à dinâmica do capitalismo central.

A Segunda Guerra Mundial correspondeu à culminação de um longo período de crises da economia capitalista internacional e provocou o deslocamento de forças entre as potências imperialistas e o surgimento de novas tendências, no que se refere à acumulação de capital - etapa dos monopólios e do capital financeiro.

Nesse processo, o resultado foi a necessidade da formação de um novo esquema de divisão internacional do trabalho e novas formas de relação entre os países latino- americanos e os países centrais imperialistas. Aos primeiros foram transferidas certas etapas inferiores do processo de produção, e reservaram-se, aos países centrais, as etapas mais avançadas e o controle tecnológico. Conforme Marini (2012b), cada avanço da indústria latino-americana resultaria em uma dependência econômica e tecnológica diante dos centros imperialistas ainda mais fortes, por outro lado, eram estabelecidos níveis ou hierarquias entre os países da região, conforme os ramos de produção que se desenvolveram ou que possuíam condições de se desenvolver. Como consequência, aos demais países negou-se o acesso a certos processos de produção, tornando-os meros mercados consumidores. Tudo isso deu base à reafirmação imperialista e à formação de centros subimperialistas associados, por sua vez, aos países centrais, no intuito de explorar os países vizinhos.

Assim, o surgimento de uma nova divisão internacional do trabalho transferiu de forma desigual etapas da produção industrial para os países dependentes. Nesse processo, os países centrais ampliaram sua especialização nas etapas de produção superiores, além de aprimorarem as estruturas de funcionamento e de controle do capital financeiro, e de desenvolvimento tecnológico dos países dependentes em todo o mundo. O resultado foi um alargamento e intensificação da circulação do capital, possibilitando, sobretudo a diversificação da acumulação, pois passariam a ser incorporadas novas economias, mas sob seu controle e benefício. As tendências dessa dinâmica são mais desigualdades, dadas a concentração e a centralização da acumulação capitalista nas economias centrais, mas

ampliando para nações de composição orgânica intermediária como o Brasil. A partir disso, tem-se, segundo Marini (2012b), o subimperialismo, definido, portanto:

a) a partir da reestruturação do sistema capitalista mundial que deriva da nova divisão internacional do trabalho; e

b) a partir das leis próprias da economia dependente, especificamente: a superexploração do trabalho; o divorcio entre as fases do ciclo do capital; a monopolização extremada a favor da indústria de bens de consumo suntuário; a integração do capital nacional ao capital estrangeiro ou, o que é o mesmo, a integração dos sistemas de produção (e não simplesmente a internacionalização do mercado interno, como dizem alguns autores) (MARINI, 2012b, p. 40)

Assim, conforme bem percebeu Luce (2011), a gênese do fenômeno subimperialista habita na conjunção das leis próprias da economia dependente, com a nova divisão internacional do trabalho, procedente do movimento de capitais do pós-guerra, processo marcado pelo domínio de investimentos externos na indústria de bens duráveis com a presença cada vez maior do capital norte-americano.

Marini (2012b) entende que a reorganização dos sistemas de produção latino- americanos, nos marcos da integração imperialista e diante do recrudescimento das lutas de classe na região, resultou na implementação de regimes militares de corte essencialmente tecnocrático, com dupla tarefa: promover ajustes estruturais necessários para colocar em marcha a nova ordem econômica requerida pela integração imperialista; ao mesmo tempo, reprimir a aspiração de progresso material e os movimentos de reformulação política originados pela ação das massas. Isso ocorre pois a integração da região ao imperialismo da forma em que se dava não era mais viável dadas as perdas sofridas.

O objetivo assumido pelo subimperialismo brasileiro passou a ser o de adentrar na etapa dos monopólios e do capital financeiro, sobretudo em seus vizinhos latino- americanos, ao mesmo tempo em que corporações multinacionais, em especial, norte- americanas, viam no país um centro especial de multiplicação de sua expansão na região.

O governo militar de Castelo Branco, em sua política interna e externa, segundo Marini (2012b), manifestou sua decisão de acelerar a integração da economia brasileira à economia norte-americana, mas, ao mesmo tempo, converteu-se no centro de irradiação da expansão imperialista na América Latina. Assim, não se tratava mais de aceitar passivamente as decisões do império norte-americano, mas, sobretudo, de colaborar para a expansão

imperialista. Por fim, seria uma forma de compensar as perdas sofridas pela relação dependente e subordinada da fase anterior, pois seria possível agora a ampliação do mercado da indústria de bens duráveis para os países vizinhos, dada a sua restrição de ampliação do consumo interno em função da estrutura de superexploração aqui existente (problemas de realização no ciclo do capital). Esse processo possibilitou à economia subimperialista replicar a transferência para economias ainda mais fracas, podendo apropriar-se de um valor a mais produzido. Assim, o subimperialismo implica um esquema singular de realização do capital-mercadoria, em que sua lógica cumpre a função de deslocar parte das contradições intrínsecas ao desenvolvimento capitalista dependente (LUCE, 2011)

Esse processo acarretou a elevação do nível tecnológico das empresas, revertendo em maiores possibilidades de absorção de bens de capital, em especial, por meio do capital norte-americano, e na necessidade de forte atuação do estado brasileiro para dar base à infraestrutura necessária à expansão do mercado de bens de produção implicando a ampliação da composição orgânica do capital.

Para concretizar o subimperialismo brasileiro, o país utilizou uma politica de hegemonia regional, que teve como objetivo implementar uma esfera de influência, em especial, na América-Latina. Todos esses elementos são apontados por Marini (2012b), que entende o subimperialismo,

[...] como a forma que assume a economia dependente ao chegar à etapa do monopólio e do capital financeiro. O subimperialismo implica dois componentes básicos: por um lado, uma composição orgânica média em escala mundial dos aparelhos produtivos nacionais e, por outro lado, o exercício de uma política expansionista relativamente autônoma, que não apenas se acompanha de maior integração ao sistema produtivo imperialista mas também se mantém no marco da hegemonia exercida pelo imperialismo em escala internacional (MARINI, 2012B, p.17, tradução nossa).

O autor completa que, dados esses elementos, apesar dos esforços da Argentina e de outros países na tentativa de ascender a um patamar subimperialista, apenas o Brasil conseguiu expressar na América Latina essa formação.

Luce (2011) completa nossa breve intenção de apresentar uma forma particular de dependência própria da dinâmica do capitalismo, no que tange à sua atuação hegemônica no plano econômico, já que a economia subimperialista faz dos países vizinhos verdadeiros mercados consumidores, que absorvem seus produtos manufaturados; controlando as

atividades extrativas e produtoras de matérias-primas materiais auxiliares (insumos e energias) do seu entorno geográfico, de forma que reduzam os custos operacionais de suas indústrias, proporcionando, em alguns casos, a obtenção de lucros extraordinários; e atuando de forma a estabelecer uma divisão regional desigual do trabalho, de forma a possibilitar ao subimperialist apropriar-se de valores produzidos pelos vizinhos e ultrapassar competidores regionais. Tudo isso, como já dissemos, é propiciado, definitivamente, pelos esforços do Estado nacional subimperialista.

No próximo capítulo, veremos na nova etapa do capitalismo, que se forma a partir dos anos 1980, como se configura a operação das leis do desenvolvimento capitalista, ou seja, se o funcionamento do capitalismo nas economias dependentes, mais especificamente, a América Latina e o Brasil, tornou-se mais ou menos adequado ao funcionamento da lógica do capital.