O Modelo do Controle Adaptativo do Pensamento – ACT* – reconhece que os mecanismos de aquisição podem atuar tanto na compreensão como na formulação (produção) da linguagem. Desta forma, outras teorias cognitivistas são propostas considerando que input e output produzem situações de aprendizagem de segunda língua e compartilhando características do processo cognitivo tais como: recebimento de informações do mundo externo; processamento das informações em nível consciente ou inconsciente; incremento gradativo da sintaxe com o acúmulo de novo vocabulário; importância do feedback para a organização e adaptação da informação adquirida; e automatismo e falta de necessidade da atenção na produção, advindos da frequência com que o uso do novo idioma acontece para o aprendiz.
A seguir, abordamos a importância do input nas teorias cognitivistas a partir da proposta de Krashen (1985), a ênfase no output, utilizando a proposta de Swain (2005) e a junção das duas vertentes, unindo compreensão e produção, conforme proposto no modelo de Long (1996).
A Hipótese do Input de Krashen (1985) é um dos modelos mais influentes de aquisição de Segunda Língua. Para Krashen, a Hipótese do Input consiste de cinco hipóteses.
A primeira hipótese trata da diferença entre aquisição e aprendizagem, em que aquisição é um processo inconsciente, enquanto que a aprendizagem processa-se conscientemente. Essa hipótese relaciona a aquisição a processos aquisitivos semelhantes aos de primeira língua ou de segunda língua, em que o novo falante adquire a nova língua inconscientemente em um contexto natural como o de bilinguismo. Por outro lado, a aprendizagem é tratada como um processo relacionado ao ganho de uma língua estrangeira, em que o novo falante aprenderá de maneira consciente, focalizando principalmente a forma da língua alvo.
Já a segunda, a da ordem natural, lança a hipótese de que a aquisição de uma língua aconteça em uma ordem previsível, ou seja, algumas regras tendem a ser adquiridas antes que outras. Para Krashen (1985), a ordem não parece ser determinada unicamente pela instrução formal e há evidências de que seja independente da ordem em que as regras são ensinadas em um contexto de sala de aula.
De acordo com a hipótese do monitor, a aprendizagem consciente atuaria como um monitor ou editor do output do novo usuário do idioma, pois a habilidade de produção de enunciados em outra língua vem da competência adquirida, do conhecimento inconsciente. Krashen aponta duas condições para que o Monitor seja ativado: o produtor da linguagem deve estar conscientemente preocupado com correções e ele deve conhecer as regras do idioma.
Para a hipótese do Input Compreensível, um novo input compreensível agrega novo conhecimento ao aprendiz, fazendo com que ele progrida de um estágio i para um estágio i + 1. Segundo Krashen, essa hipótese tem dois pressupostos. O primeiro diz que a fala é resultado da aquisição e não sua causa. A produção oral não pode ser ensinada diretamente porque emerge como resultado da construção da competência via input compreensível. O segundo atesta que, se o input é compreendido, e há bastante quantidade dele, a gramática necessária para a competência no idioma é automaticamente proporcionada;
Por último, a hipótese do Filtro Afetivo caracteriza esse ‘filtro’ como um bloqueador mental que previne o aprendiz de utilizar o novo input compreensível que ele
recebe, principalmente quando o filtro está cheio. O que pode encher o filtro afetivo é a falta de motivação, de autoconfiança ou a ansiedade.
O input, para Krashen, é uma condição si ne qua non para o desenvolvimento de um novo idioma. Em sua obra, Krashen menciona o output ao abordar hipóteses interacionistas que reputam suas teorias de aquisição como comunicativas. De acordo com tais hipóteses, o novo usuário do idioma adquire regras testando-as em situações comunicativas; se o uso de determinada estrutura obtiver êxito, a regra relacionada a ela foi confirmada. Se esse fenômeno acontece com muita frequência, então a regra foi adquirida.
Para Krashen, essa visão da aquisição de idiomas apresenta alguns problemas. Primeiro, prevê que a aquisição de um idioma seria impossível através da habilidade auditiva, que a leitura seria útil, ou que o ensinamento do professor somente teria efeito quando o aluno produzisse algo. Segundo, tal visão não considera os métodos de ensino baseados em input ou a possibilidade de se adquirir um idioma com pouca ou nenhuma produção. E, terceiro, na hipótese do output, cada item produzido pelo novo falante (seja ele fonológico, morfológico, sintático, sociolinguístico ou discursivo) deveria receber feedback do interlocutor para que as tentativas do novo falante fossem confirmadas ou refutadas. Krashen termina sua crítica à Hipótese do Output alegando que negá-la não implica dizer que se nega a testagem de hipóteses no processo de aquisição de idiomas. Para ele, a testagem de hipótese na Hipótese do Input acontece em um nível inconsciente.
Contrariando Krashen, a Hipótese do Output foi defendida por Swain (2005) ao propor que a produção de linguagem move os aprendizes de um estágio meramente semântico de uso da língua para um estágio de uso sintático. Através de suas produções, os alunos são forçados a utilizar estruturas sintáticas mais complexas em seus enunciados. Desta forma, o output teria um papel significativo no desenvolvimento da sintaxe e da morfologia da língua alvo. A hipótese do output reconhece a importância de dois elementos centrais: o feedback proporcionado aos enunciados dos aprendizes e o automatismo. Seja ele implícito ou explícito, o feedback do falante mais proficiente é responsável pela testagem de hipóteses do novo falante. Por sua vez, o automatismo acontece quando os processos de enunciação de atos de fala se tornam rotineiros e não requerem mais a atenção do falante.
Já Long (1996) procurou unir os pressupostos teóricos das Hipóteses do Input e do Output. Sem negar a importância do input compreensível para o aprendiz, principalmente aquele proporcionado pelo falante nativo, Long acrescenta a importância da produção do novo falante (output) ao processo de aquisição de idiomas. Para ele, a produção de um falante não nativo é caracterizada por imperfeições que requererão ajustes, advindos do feedback
proporcionado pelo falante mais proficiente. Esses ajustes acontecem através de táticas da conversação empregadas pelos participantes, tais como: repetições, checagem de informação, checagem de compreensão ou pedidos de esclarecimento.
Enquanto esses processos ocorrem em uma conversa que foi interrompida, Long aponta os momentos de negociação de sentido como cruciais para a aquisição de um novo item do idioma alvo. Nesse caso, as interrupções aconteceriam através de um feedback negativo18 proporcionado pelo falante mais proficiente, o que faria com que o aprendiz ajustasse seu discurso para um padrão que satisfizesse seu interlocutor, fazendo com que a interação continuasse.