4. SIDDÎK HASAN HÂN VE YAġADIĞI BÖLGE
2.2. FETHU‟L-BEYÂN‟DA KUR‟ÂN ĠLĠMLERĠ
2.2.3. Muhkem ve MüteĢâbih Hakkındaki GörüĢleri
2.2.3.5. MüteĢâbih Âyetleri Yorumlama Meselesi
Sou uma falante nativa de inglês, natural da Califórnia, EUA. Porém, descobri que esse fato não se constitui numa vantagem para fins deste estudo. Ao contrário, no presente trabalho, a famosa ‘intuição do nativo’ me levou a precipitar conclusões falsas, bem como Egan (2008) acusa Verspoor (apud EGAN, 2008): “Verspoor chega às suas conclusões a respeito da forma baseada em apenas, um exemplo; além disso, distinto em um importante aspecto em relação à vasta maioria das instâncias de ‘pretend to infinitive’ do BNC [British National Corpus]” 88 (EGAN, 2008, p. 72). ‘Pretend’ não consta entre os 44 verbos estudados no presente trabalho; portanto, o debate entre Egan (2008) e Verspoor não está no escopo do presente estudo. Contudo, a crítica metodológica de Egan a Verspoor é pertinente. Os dados apresentados para negar a conclusão de Verspoor são 443 exemplos do BNC, sendo 95% deles em oposição ao seu único exemplo. Egan (2008, p. 73) explica que “na maioria dos casos da construção, o sujeito finge uma ação com o propósito de enganar alguma pessoa que o observa. Esse aspecto da construção não poderia passar despercebido a alguém utilizando dados de uso, mas passou despercebido a Verspoor”. 89
A citação acima foi incluída com o objetivo de demonstrar o risco que o pesquisador corre em não utilizar quantidades significativas de dados de uso real, gravados ou escritos. Portanto, o presente trabalho conta com 1112 orações extraídas de corpora da língua inglesa em seu contexto original. Nenhum exemplo é apresentado sem comprovação de sua origem.
A construção do ‘verbo + complemento verbal gerundivo’ é o núcleo do presente trabalho, tendo o verbo ‘intend’ uma posição central na pesquisa. Combinando as duas coisas, a construção ‘intend + gerúndio’ é comentado por Egan (2008, p. 75) a partir do seguinte exemplo: “in the meantime, the solicitor intended administering the estate on behalf of the
88
“Verspoor (1998, p. 511) reaches her conclusions regarding the form on the basis of just one example, an example, moreover, that is dissimilar in one important respect to the vast majority of occurrences of ‘pretend to infinitive’ in the BNC” (EGAN, 2008, p. 72).
89
“In the majority of instances of the construction, the subject feigns an action with a view to deceiving the judgment of some onlooker. This aspect of the construction could not be missed by anyone examining usage data, but is overlooked by Verspoor.” (EGAN, 2008, p. 73).
family (HHC 2205).” (Tradução: enquanto isso, o advogado pretendia administrar o inventário por parte da família).
Mais uma crítica metodológica a Verspoor segue o exemplo: “Infelizmente, Verspoor nega a própria existência de construções como a do exemplo (151). 90 Ela escreveu [-ing] não pode ocorrer com verbos que dizem que alguma forma de intenção a priori esteja envolvida (refuse).’” (EGAN, 2008, p. 75).
Constata-se que o verbo que Verspoor usa para exemplificar o princípio é ‘refuse’, o qual realmente não é usado com o gerúndio, conforme os dados do corpus BNC e do corpus COCA. Porém, o princípio que Verspoor generaliza a partir do verbo ‘refuse’ é invalidado por não admitir o uso do gerúndio com ‘intend’, bem como Egan apontou. Além disso, meus dados contêm o uso de ‘promise’ com o gerúndio, (5 do BNC e 61 do COCA) o qual certamente contém o elemento de ‘intenção a priori’. Sendo assim, o princípio que Verspoor propõe é inválido.
Considerando todos os fatos, penso que a critica de Egan (2008) foi demasiadamente dura. Segundo minha intuição, como nativa da Califórnia, EUA, eu nunca tinha usado a construção ‘intend + gerúndio’ nem imaginava que existisse, o qual suponho também tenha sido o caso de Verspoor. Durante o período inicial do presente projeto, li o período escrito por uma autora da Nova Zelândia contendo a oração conjunto ‘and [which] he never intends
using again...’,91 a qual muito me surpreendeu, pois usa o gerúndio e claramente refere a um
ato futuro imaginado (embora negado com o ‘nunca’).
Com o objetivo de compensar minha intuição enganadora, resolvi usar apenas dados de corpus, decisão esta que me levou a coletar dados do British National Corpus, onde descobri, entre seus 100 milhões de palavras, 336 orações contendo o verbo ‘intend’ seguido por um complemento gerundivo. Em contraste, no Corpus of Contemporary American
English, com 385milhões de palavras, 92 o número de orações com ‘intend + gerundivo’ é de apenas 44, não algo em torno de 1.300 esperado, se o seu uso fosse igual ao da Inglaterra. Essa proporção de 28 usos pelos britânicos para um uso pelos americanos confirma que a minha intuição realmente representa o dialeto da minha origem e conforme a um dialeto específico do inglês. Definitivamente essa limitação na intuição nativa causa um problema na tentativa de propor princípios semelhantes ao de Verspoor, sendo que eles não se aplicam com
90
(151) In the meantime, the solicitor intended administering the estate on behalf of the family. (HHC 2205) Unfortunately, Verspoor denies the very existence of constructions like the one in (151). She writes: ‘[-ing] may not occur with verbs that express that some form of prior intention is involved (refuse)” (EGAN, 2008, p. 75).
91
Banco de Dados número 16.
92
igualdade a outras variedades da língua inglesa. Na avaliação final do assunto, concordo com Egan (2008) na sua insistência em analisar apenas ‘usage-based data’, ou seja, dados da língua em uso, e não dados inventados pelo linguista para conformar a sua análise.
Biber, (2000) (americano, principal autor do Longman Grammar of Spoken and
Written English) é um proponente entusiasta do uso de corpora e considera a ‘intuição nativa’
extremamente enganadora:
O que começa a ser percebido justamente agora é a extensão e a sistematicidade dos padrões do uso da linguagem. Tais padrões de associação são aquém do acesso das intuições, apesar de que esses padrões são demasiadamente sistemáticos para serem desprezados como acidentais. 93
(BIBER, 2000, p. 290). 94
Nesse sentido, o presente trabalho não conta com ‘julgamentos’ do que seja correto ou aceitável por falantes nativos, mas apenas com o que foi devidamente registrado (gravado ou escrito) como uso da língua em algum corpus previamente publicado.95 As fontes de cada um dos 1112 exemplos estudados nesse projeto são identificadas e discutidas na seção 3.7. do presente capítulo. Segundo Labov (1982), toda língua foi falada em algum lugar, em algum momento por alguém para alguém. Assim, o contexto de uso da língua, contemplando todas as variáveis sociolinguísticas96 será refletido na sua estrutura. Considerando os limites inerentes dos corpora fontes, detalhes do contexto e gênero de cada exemplo foram identificados com comentários vinculados às próprias frases no banco de dados criado para a presente pesquisa.
‘Usage-based studies’ são preferidos dentro da linguística cognitiva pelas razões
expostas acima, sendo todas elas pertinentes ao presente estudo. A citação a seguir97 apresenta algumas das razões:
93
“What is just now coming to be realized is how extensive and systematic the patterns of language use are. Such association patterns are well beyond the access of intuitions, yet these patterns are much too systematic to be disregarded as accidental” (BIBER, 2000, p. 290).
94
Durante a sua palestra na UFMG em 21 de Outubro de 2008, Douglas Biber demonstrou que as especulações da platéia sobre a frequência do uso dos verbos com aspecto durativo são enganadores. Em um momento leve da oficina em que apresentei minha previsão que frases do tipo ‘you intend returning’, prevalecerão no futuro, Biber disse, “I will never say that!”
95
Exceções são devidamente identificados na seção 3.7.2. do presente capítulo.
96
Não foi possível comprovar efeitos das variáveis sociolinguísticas sobre a alternância em foco no presente estudo, apesar do armazenamento devido de tais detalhes.
97
“Studies of use are concerned with actual practice, and the extent to which linguistic patterns are common or rare, rather than focusing exclusively on potential grammaticality. As such, adequate investigations of language use must be empirical, analyzing the functions and distribution of linguistic features in natural discourse contexts. In descriptive lexicography, which is concerned with the actual use of words, new meanings are discovered only by examining the use of a word in actual discourse contexts. Grammatical structures can also be compared from a use perspective, by studying the ways in which seemingly similar structures occur in different contexts and serve different functions” (BIBER, 2000, p. 287).
Estudos de uso focam o emprego real [dos elementos de uma dada língua], o quão certos padrões linguísticos são comuns ou raros; portanto, [tais estudos] não focam exclusivamente a gramaticalidade potencial. Sendo assim, as investigações adequadas do uso da língua devem ser empíricas, devem analisar as funções e a distribuição de aspectos linguísticos nos seus contextos discursivos naturais. Em estudos lexicográficos descritivos focados no emprego real das palavras, novos sentidos semânticos são descobertos apenas ao examinar o uso da palavra nos contextos dos discursos reais. Estruturas gramáticas também podem ser comparadas pela perspectiva de uso, estudando como estruturas aparentemente similares acontecem em contextos distintos e servem funções distintas98 (BIBER, 2000, p. 287).
Para concluir, os propósitos dos exemplos apresentados ao longo do presente trabalho não incluem o objetivo de demonstrar o que seria possível na língua inglesa, ou gramaticalmente correta/incorreta. A meta é apenas analisar o que está sendo usado por falantes de inglês presente e passado. Portanto, todos os exemplos, isto é, todas as 1112 oracões contidas no banco de dados que serviu como base da pesquisa foram originalmente gravados ou escritos, em contextos ‘naturais’99 e não situações inventadas pela autora.