4. SIDDÎK HASAN HÂN VE YAġADIĞI BÖLGE
1.3. FETHU‟L-BEYÂN‟NIN KAYNAKLARI
2.1.4. Kur‘ân‘ı Kırâat Vecihleriyle Tefsiri
2.1.4.2. Kırâatlardan Yararlandığı Konular
2.1.4.2.2. Ġ‗râb Analizlerini Yapma
Dizem que todos os estudos diacrônicos são estudos de corpus, pois não há a possibilidade de entrevistar ou experimentar com um falante vivo no século XV. Entretanto, existem estudos com dados históricos, e existem estudos de corpus, uma diferença que é muito significante. O estudo de caso que segue bem demonstra a diferença entre conclusões tomadas a partir de dados históricos avulsos, e as conclusões tomadas com base em estudos estatísticos de um corpus diacrônico.
Na gramática, podemos ver a continuação, em pequenos passos, da tendência histórica longínqua da língua inglesa da [passagem] de um sistema sintético para um sistema analítico; de um que depende de sufixos para um que depende da ordem das palavras e de palavras com funções gramaticais. Um exemplo é [o sistema de] comparação de adjetivos, em que
‘more’ e ‘most’ estão tomando o lugar das terminações flexionadas –er e – est. Houve uma época em que –er e –est foram usadas muito mais que hoje,
sendo que no Early Modern English encontra-se formas como ancientest,
famousest, patienter, perfecter e shamefuller. Na primeira metade do século
XX, adjetivos de mais que duas sílabas sempre foram modificadas por
‘more’ e ‘most’ (‘more notorious, most notorious’), enquanto adjetivos de
uma sílaba normalmente tinham –er and –est (‘ruder, rudest’). Adjetivos de duas sílabas variavam, alguns com uma forma de comparativos (‘more
famous, most famous’) e outras com a outra forma (‘commoner, commonest’). Nesse grupo de adjetivos de duas sílabas, há uma tendência
nos últimos anos de –er e –est serem substituídos por more e most, sendo bastante normal hoje se dizer ‘more common, most common’, e de forma similar com cloudy, cruel, fussy, pleasant, quiet e simple. Além disso, recentemente, more e most têm sido empregados para modificar adjetivos de uma sílaba, não sendo raro ouvir expressões como, por exemplo, ‘John is more keen than Robert’, ou então, ‘It was more crude than I expected’”83
(BARBER, 1993, p. 274, grifo do autor).
83
“In grammar we can see the continuation, in small ways, of the long-term historical trend in English from synthetic to analytic, from a system that relies on inflections to one that relies on word-order and grammatical words. An example is the comparison of adjectives, where more and most are spreading at the expense of the endings –er and –est. At one time, –er and –est were used much more widely than today, and in Early Modern English you meet forms like ancientest famousest, patienter, perfecter and shamefuller. In the first half of the twentieth century, adjectives of more than two syllables always had more and most (‘more notorious, most
A posição exposta por esse autor, até então, não foi polêmica, e gozou de ampla aceitação entre linguístas. Porém, o estudo de corpus de Kytö e Romaine (2006) contradiz tal conclusão. Em primeiro lugar, cito sua apresentação do tópico do estudo: “A variação envolve concorrência entre o [sistema de] comparativos/superlativos usando sufixos (ex.
happier/happiest), historicamente a forma mais antiga, e a construção mais nova e perifrástica
usando morfemas livres (ex. more/most elegant)” 84 (KYTÖ e ROMAINE, 2006, p. 194). O tópico acima apresentado foi estudado usando uma nova ferramenta do corpus, bastante flexível e poderosa, o CONCE, apresentada pelos autores da seguinte forma:
Dado o amplo leque de possibilidades de pesquisa existente e a carência de
corpora disponível, qualquer projeto de montar um corpus deve se restringir
à tentativa de captar o contínuo de variação existente do inglês do século XIX. O presente volume é, em sua maior parte, o resultado de tal projeto de montagem de um corpus, lançado pelos departamentos de Inglês da Universidade de Uppsala [Suécia] e pela Universidade de Tampere [Finlândia] na década de 1990. O objetivo do projeto foi a compilação do
Corpus of Nineteenth-Century English (CONCE), um corpus de um milhão
de palavras com foco no inglês da Inglaterra, e a produção de pesquisas baseadas nesse novo recurso de dados linguísticos.85 (KYTÖ e ROMAINE, 2006, p. 4).
O CONCE é dividido em três períodos: 1800-1830, 1850-1870, 1870-1900 e compreende sete gêneros de escrita e fala (obviamente não gravada, mas sim transcrita na própria época): Debates parlamentares, Ações judiciais (no formato de diálogos). Teatro (comédias, incluindo paródias), Romances de ficção, Cartas entre parentes e amigos íntimos, Monografias históricas, Monografias de ciências naturais ou sociais, conforme Kytö e Romaine (2006). Além da diversidade de gêneros, atingiu-se uma meta de igualdade na notorious’), while adjectives of one syllable normally had –er and –est (‘ruder, rudest’). Adjectives of two syllables varied, some being compared one way (‘more famous, most famous’) and some the other (‘commoner, commonest’). In this group of two-syllabled adjectives there has been a tendency in recent years for –er and –est to be replaced by more and most, and it is now quite normal to say ‘more common, most common’, and similarly with cloudy, cruel, fussy, pleasant, quiet and simple. Recently, moreover, more and most have been spreading to adjectives of one syllable, and it is not at all uncommon to hear expressions like ‘John is more keen than Robert’ and ‘It was more crude than I expected’ (BARBER, 1993, p. 274).
84
“This variation involves competition between the inflectional comparative/superlative (e.g. happier/happiest), historically the older form, and the newer periphrastic construction (e.g. more/most elegant)” (KYTÖ e ROMAINE, 2006, p. 194).
85
“Given the wide range of research possibilities and the shortage of available corpora, any one corpus project must be selective in terms of attempting to capture the spectra of variation existing in nineteenth-century English. The present volume is, for the most part, a result of one such corpus project, launched at the Departments of English at Uppsala University [Sweden] and the University of Tampere [Finland] in the mid- 1990s. The aim of the project was to compile CONCE (A Corpus of Nineteenth-century English), a one-million- word corpus focusing on English English [UK], and to produce research based on this new source of linguistic data.” (KYTÖ e ROMAINE, 2006, p. 4).
representação de autores dos dois sexos inclusos do corpus. “Na tentativa de incluir vozes de mulheres e homens, o gênero ‘Cartas’ foi propositadamente divido para incluir o mesmo número de textos por escritores de ambos os sexos.” 86 (KYTÖ e ROMAINE, 2006, p. 8). Usando o novo corpus, esses autores apresentam uma conclusão diametralmente oposta ao que foi afirmado por Barber (1993) do tópico acima apresentado:
A análise revelou um aumento continuo no uso das formas com sufixos em todo o período estudado. Assim como nos estudos anteriores de comparação dos adjetivos, estrutura das palavras, notavelmente o tamanho de palavra e a natureza das terminações, demonstrou-se um efeito sobre a variação. Por exemplo, já no período de Early Modern English, sufixos como –ous (ex.
gracious) e –ful (painful) promoveram o uso da forma perifrástica de
adjetivos dissilábicos.” 87 (KYTÖ e ROMAINE, 2006, p. 12).
Na citação acima, duas coisas chamam a atenção. O sistema de comparação dos adjetivos em inglês não representa uma mudança simples, como proposto por Barber, em que a forma perifrástica gradativamente substitui a forma flexional mais antiga. Em vez disso, uma mudança mais complicada é evidente: da introdução da forma concorrente, que começa a substituir a forma antiga (na época do inglês medieval) e que cresce muito em certa época (Early Modern English), mas que começa a declinar a partir do século XVIII. Junto com a declinação, as convenções começam a se estabelecer como regras rígidas sobre qual das formas concorrentes será apropriada em cada caso. Não se trata de uma mudança simples, mas sim, complexa, fato que emerge claramente somente com um estudo de corpus. Barber (1993) reconhece a existência das formas perifrásticas e se engana ao considerá-las dominantes. Kytö e Romaine (2006), por outro lado, contam com um estudo quantitativo de maior poder explicativo: a frequência é mais significante que a simples existência. Os dados do corpus comprovam que as formas perifrásticas estão perdendo espaço para as formas mais antigas (com sufixos) em termos numéricos. Da mesma forma, no capítulo 4, proponho que a frequência de uso das construções com o complemento gerundivo teve um efeito coercivo e que o ciclo de realimentação descrito no presente trabalho foi crucial para manter o crescimento das construções com complemento gerundivo. Simplificando, cada vez que era usada, a construção ganhava aceitação na comunidade de fala, resultando em seu uso
86
“In an effort to include both women’s and men’s voices, the Letters genre has been stratified in order to include the same number of texts by female and male letter-writers.” (KYTÖ e ROMAINE, 2006, p. 8).
87
“The analysis revealed a steady increase in the use of inflectional forms throughout the period studied. As in previous studies of adjective comparison, word structure, notably word length and the nature of word endings, was shown to constrain variation. For example, as early as in the Early Modern English period, word endings such as –ous (e.g. gracious) and –ful (painful) promoted the use of periphrastic form in disyllabic adjectives. (KYTÖ e ROMAINE, 2006, p. 12).
gradativamente maior, num efeito recursivo (vide páginas 127 a 134 do capítulo 5: Discussão).