4. SIDDÎK HASAN HÂN VE YAġADIĞI BÖLGE
4.7. Hakkındaki ÇalıĢmalar
Existem verbos cuja escolha de complemento é justamente uma escolha entre sentidos diferentes. Um deles, ‘try,’ é um verbo polissêmico bem comentado na literatura específica de DUFFLEY (2006), Duffley e Tremblay (1994), Egan (2008), Fanego (2007) e de Rohdenburg (1995). Com ‘try’ o gerúndio é usado para construções com o sentido de ‘experimentar’; enquanto o infinitivo é reservado pelo uso com o sentido ‘tentar, realizar uma tentativa’. Existem outros sentidos não discutidos aqui.
Há um estudo de caso em que Egan (2008) explica uma ‘exceção da classificação’ como um ‘erro’. O caso é do uso da construção minoritária de ‘try (VP) verb +–ing’ para dizer, na definição desse autor, ‘tentar solucionar um dado problema com a ação do verbo complementar’. De fato, o autor propõe os sentidos distintos para ‘try + (verbo)–ing’ e
‘try + to infinitive’, respectivamente, como ‘salientar uma dada alternativa no futuro
projetado’ e ‘tentar solucionar um dado problema com a ação do complemento no infinitivo’. Entretanto, Egan (2008) admite que o sentido o qual define como protótipo explica apenas 80% dos casos encontrados por ele no corpus. O seguinte exemplo é um dos ‘casos minoritários’.
“(377) The city had tried ameliorating its appalling traffic congestion by restricting entry to the city: cars whose registration plates ended in an even number were permitted to enter one day and those in an odd number the next (BNS 371)” (EGAN, 2008, p. 159).
Na explicação do exemplo 377, novamente, encontra-se um pesquisador que caracteriza os dados sincrônicos como um ‘mistério’.
Não pode haver dúvida que ‘restricting entry’ é o meio empregado pelo sujeito em direção a sua meta de ‘ameliorating its appalling traffic
congestion’. Porque o falante, neste caso, teria escolhido empregar o –ing ao
invés do padrão to infinitive tem de permanecer como um mistério. Sempre que uma língua contém duas construções similares (similar neste caso porque os dois têm o mesmo verbo matricial e um complemento indefinido)
com sentidos distintos, é sempre possível que alguns falantes terão suas
linhas gramaticais cruzadas, para dizer em metáfora, assim usando uma construção com o sentido de uma construção, intimamente ligada com a primeira. Aparentemente, foi isto que aconteceu aqui. Além disso, o fato é que complementos com –ing também são encontrados em outras construções (Forward-looking) com outras classes de verbo matrix que podem ter facilitado este ato de cruzamento de linhas 81 (EGAN, 2008, p. 159, grifo nosso).
Na minha opinião, não há mistério na escolha da ‘had tried ameliorating’ em que foi esperada a oração ‘had tried to ameliorate’. Além disso, duvido que houvesse ‘cruzamento de linhas gramaticais’. A explicação é mais simples. Um processo de mudança no uso das construções alternativas está em andamento na língua inglesa. O uso do gerúndio é crescente na atualidade; portanto, é esperado que esta forma seja usada gradativamente, mas no lugar onde anteriormente, apenas o infinitivo foi usado. Em outras palavras, acredito que o sentido protótipo da construção ‘try + infinitive’ passará a ser expressado pela construção ‘try + -ing’ cada vez mais no futuro, da mesma forma que ‘intend + -ing’ hoje em dia, ainda em uso minoritário, diz o que foi dito apenas por ‘intend + infinitive’ antes do ano 1940. Pela minha perspectiva diacrônica, não houve ‘erro’ na parte de quem escreveu ‘had tried ameliorating’ em vez de ‘had tried to ameliorate’.
81
“There can be no doubt that restricting entry is the means employed by the subject to reach its goal of ameliorating its appalling traffic congestion. Why the speaker in this case should have chosen to employ the – ing rather than the standard to infinitive complement form must remain a mystery. Wherever a language contains two similar constructions (similar in this case in that they both contain the same matrix verb and a non-finite clausal complement) with distinct senses, it is always possible that some speakers will get their grammatical wires crossed, so to speak, thereby imbuing one construction with the sense of another, closely related construction. This would appear to be the case here. Moreover, the fact that –ing clauses also occur in Forward- looking constructions with other classes of matrix verb may have facilitated this act of wire-crossing” (EGAN, 2008, p. 159, negrito nosso).
A qualidade polissêmica do verbo ‘try’ foi a provável causa da confusão manifestada por Egan (2008), Duffley e Tremblay (1994) e ainda por Rohdenburg (1995), nas suas respectivas determinações dos sentidos das construções com ‘try’. Entretanto, penso que o verbo ‘try’, futuramente, manterá os sentidos múltiplos de ‘experimentar’ e ‘testar o valor de’ e ainda ‘tentativa de solucionar’. Porém, não serão restritos os sentidos distintos às construções de complementos verbais de um tipo ou outro, e sim haverá cada vez mais coincidência entre elas para dizer a mesma coisa. A respeito dessa coincidência, Sapir (1921) apud Egan (2008) oferece a seguinte explicação:
[...] gramáticas tendem a vazar, como foi apontado por Sapir (1921), e não há nenhuma razão aparente porque construções com complementos deveriam ser menos tendenciosas a vazamento do que outras combinações de forma-função. Nunca se pode completamente excluir a possibilidade de uma construção ser empregada em circunstâncias particulares para expressar uma função não canônica 82 (SAPIR, apud EGAN, 2008, p. 41).
Os dados do presente estudo comprovam a tendência do vazamento de toda língua natural. Aponto o uso minoritário do ‘try -ing’ para dizer ‘uma tentativa não bem sucedida’ como um exemplo do vazamento na estreita margem entre a construção com o infinitivo e com o gerúndio.
Encerre neste ponto o presente capítulo de apresentação das leituras básicas e específicas no que concerne a questão da alternância entre os dois complementos indefinidos da língua inglesa. Havia estabelecido um posicionamento em relação às demais pesquisas, no próximo capítulo o presente trabalho passa a descrever o método pelo qual a questão foi investigada ao longo do projeto.
82
“[...] grammars have a tendency to leak, as was pointed out by Sapir (1921), and there would appear to be no reason why complement constructions should be any less prone to leakage than other form-function combinations. One can never completely exclude the possibility of a construction being employed in certain circumstances to encode a non-canonical function.” (EGAN, 2008, p. 41).
3 METODOLOGIA
O objetivo deste capítulo é descrever os métodos e corpora que serviram como fontes das orações estudadas nessa pesquisa sobre o uso dos dois complementos verbais indefinidos de inglês: infinitivo e gerúndio.