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''Daha Az Mülkiyet, Daha Çok Bağlantı!''

A burguesia inglesa orientada pelas idéias de Calvino procurava na prática econômica aquela virtudes preconizadas.75 Em arremate, as matérias primas e o

74 DE MASI, Domenico. O ócio criativo: entrevista a Maria Serena Palieri. Trad. Léa Manzi. 3º. ed.

Rio de Janeiro: Sextante, 2000. p. 02 et seq.

mercado consumidor76 em franca expansão, acabaram por constituíram os últimos

elementos para este pioneirismo inglês que seria sedimentado através do Capitalismo Concorrencial marcado pela forte industrialização e pela livre iniciativa.

O liberalismo era a teoria econômica preponderante que defendia a propriedade privada capitalista e a livre concorrência e ao Estado cabendo um único papel: garantidos desta dinâmica favorável aos interesses desta burguesia industrial ascendente.

Para estes teóricos liberais o progresso econômico estaria no afastamento do Estado, este por sua vez não interviria na economia, limitando-se a cuidar da segurança e da justiça, seu papel fundamental.77

Se é verdade que o Estado não pode se limitar a este papel, aliás é contrário a Constituição, mais certo ainda é que serviu a este interesse e ainda parece servir.O Estado é “limitado” até o momento que convém a quem o controla, fato que com a globalização esta dinâmica tornou-se mais complexa, pois alcança todo o planeta em linhas de inter-relações extremante complexas.

A ignomínia deste atroz “estado de conveniência” do Estado evidencia-se como seu negador, afinal para que serviria o Estado nestas condições? Entretanto, na globalização os resultados desta política se eram funestos, e com o enfraquecimento da soberania na globalização, seus efeitos são ainda mais sensíveis.

Fica bastante claro a falácia deste discurso no qual o Estado é um coadjuvante na economia que tem leis naturais que equilibra a oferta e a procura, regulando o mercado e o desenvolvimento tecnológico.78

Plauto Fáraco de Azevedo ressalta que estamos em um momento de crise na civilização, apontando que a crise se manifesta na política, é tica e ciência,

76 Tanto interno, quanto o externo.

77 CACERES, Florival. História Geral. 3º ed. rev. e ampl. São Paulo: Moderna, 1988. p. 147. 78 CACERES, Florival. História Geral. 3º ed. rev. e ampl. São Paulo: Moderna, 1988. p. 147.

implicando em uma sistemática desorientação caracterizadas pela desigualdade e injustiça com reflexos devastadores também no meio ambiente que igualmente vem sendo destruído ante a ao modelo de “desenvolvimento” da globalização neoliberal.79

As recentes crises globais da economia são produtos da globalização e escancaram a fragilidade destas “leis de mercado” que são soberanas até o momento que sirva aos interesses dos grupos burgueses da modernidade que parecem se assentar não mais na esfera produtiva, mas na especulativa financeira.

O Estado é obrigado a intervir, pois a cupidez e a exploração cruelmente desmedida chegam a tais níveis que o voraz falacioso binômio de desenvolvimento: a dinâmica desenvolvimentista de produção e consumo alienado baseado no trabalho assalariado, por sua vez acaba por revelar toda sua fragilidade escancarando e sua horrenda faceta.

O Estado é chamado a salvar o sistema financeiro e para isto não hesita em salvar os bancos e instituições financeiras falidas ou com problemas decorrentes exclusivamente de sua administração que sempre tem um único objetivo: o lucro.

Fato que em razão desta problemática implica o enfraquecimento do Estado para atender interesses outros que não os que deveria tutelar e acaba por servi-los80

com a mais servil subserviência.

Em verdade, quedou-se inerte em prol de peculiares interesses em benefícios de uns poucos, mas se vê obrigado a intervir, o Estado, para evitar seu próprio colapso baseado em um sistema a assegurar um Estado de iniquidade e de subserviência.

79 AZEVEDO, Plauto Faraco de. Ecocivilização. 2º ed. São Paulo: Revista dos Tribunais, 2008.

passim

80 Referimo-nos aos bancos e instituições financeiras, embora possamos alavancar esta análise

Estado não interventor é inconstitucional e somente existe no discurso daqueles que querem afastar o Estado de seu papel de consecutor do bem comum e de seus objetivos contidos na Constituição.

Desde quando as ditas leis do mercado foram ”legisladas” para os pobres? Evitou-se a penúria, a fome e a miséria que se viu e que se vê há séculos? Parece haver ocorrido seu inverso.

A falácia desde discurso se desmonta diante da realidade, contudo, o status quo se mantém inalterado, graças a intervenção do Estado que evita o colapso do sistema assegurando bem estar e proteção dos que detém seu domínio e os interesses a que servem.

Não raras vezes para assegurar as benesses que a uns poucos alcançam ao preço de distribuição de mais pobreza.

Mas fica a indagação de a quem interessa a manutenção de um Estado que serve a uns poucos privilegiados? Tão certo quanto transformar o Direito se faz urgente, não deve o Estado carecer do mesmo remédio?

Sabe-se, conforme observa Florival Cáceres, que os objetos das críticas dos pensadores liberais eram dirigidas ao mercantilismo e ao pacto colonial, notadamente em relação aos monopólios e primando pela idéia de comércio livre que desempenharam papel relevante nos processos de independência dos países latino-americanos que serviriam bem aos interesses da burguesia inglesa:

Os liberais criticavam o mercantilismo e o pacto colonial, com seus monopólios. E defendiam a idéia de que todas as nações deveriam implantar a liberdade de comércio e especializar-se naquilo que produzissem com mais eficiência e menores custos. Suas críticas às restrições mercantilistas forneceram a ideologia para os movimentos de emancipação da América Latina. Não por acaso todos os pensadores liberais eram ingleses: a burguesia inglesa era a maior interessada no rompimento do pacto colonial para ocupar o mercado latino-americano, o que de fato ocorreria com a independência dos países.81

Ao seu turno, no processo de desenvolvimento do capitalismo82, pode-se

afirmar que sua transição do feudalismo ocorreu de forma desigual no espaço e no tempo, notadamente na Inglaterra o processo se mostrou mais acelerado. Este caráter dinâmico do capitalismo de se adequar e de se desenvolver diante das dificuldades é marcante desde a Revolução industrial.

A substituição do modo de produção foi de forma gradual com sucessivas sobreposições onde são marcadas certas características deste sistema: predomínio da propriedade privada dos meios de produção, império da lei da oferta e da procura como lógica de mercado, relação de trabalho assalariado, presença do crédito como dinâmica econômica e a existência de classes sociais como produto concentrando cada vez mais riqueza nas mãos de poucos e ampliando pobreza e a miséria pelo globo.

Já assinalava Karl Marx e Friedrich Engels que são os seres humanos que constroem sua história, mas não da maneira que querem, pois existem situações anteriores que condicionam o modo como ocorre a construção, assim o alicerce central da reflexão é o indivíduo como principal ator histórico suportando neste processo peculiares condições:

A Historia não faz nada, “não possui nenhuma riqueza imensa”, “não luta nenhum tipo de luta! Quem faz tudo isso, quem possui e luta é, muito antes, o homem, o homem real, que vive; não é , por certo, a “História”, que utiliza o homem como meio para alcançar seus fins – como se tratasse de uma pessoa à parte - , pois a História não é senão a atividade do homem que persegue seus objetivos.83

Do capitalismo comercial, marcado pela expansão das potências européias, em especial Portugal e Espanha, lançadas ao mar a procura de novas rotas acabou por romper a presente hegemonia italiana à época. Para as Américas significou o aniquilamento de populações inteiras em nome das conquistas territoriais e também vieram acompanhadas da escravidão.

82 Tanto como sistema econômico, quanto social que passou a ser dominante no ocidente a partir do

século XVI.

Há que se ressaltar que o mercantilismo do Estado absolutista era favorável a burguesia comercial, mas em relação a esta nova burguesia, a industrial, mostrou um mal a ser extirpado.

A não intervenção da economia que funcionaria segundo uma suposta lógica de mercado que é guiada pela livre concorrência, esta ai novamente o liberalismo.

E no curso da história surge a segunda revolução Industrial.

A segunda Revolução Industrial foi marcada pelo avanço tecnológico e a introdução de novas fontes de energia no processo produtivo, ampliando ainda mais aquela dinâmica de alta produção que para gerar cada vez mais lucro deveria ser absorvida pelo mercado, este consumidor.

A busca de mercados e de consumo ao longo da sustentação e aprimoramento dos processos ideológicos de conversão do cidadão em consumidor parece ter principiado nesta ocasião ao passo que na globalização tenha alcançado seu ápice. Nesse sentido, era, então importante e necessária a busca de novos mercados, novas áreas, territórios e pessoas a serem exploradas.

A África sofre até hoje os efeitos desta expansão imperialista que fragmentou territórios de uma forma que até hoje não permitiu sua recuperação, tanto econômica, quanto social.

Estas colônias84 das potências imperialistas foi marcada pelo fornecimento de

matérias primas baratas, sua exploração implicou em males que condenaram gerações à miséria e guerras.

Por sua vez, há que se consignar acerca do capitalismo financeiro, vez que se caracteriza e é marcado pelo crescimento acelerado da economia com colossal processo de concentração de capitais.

Surge ai o início da formação dos grandes conglomerados econômicos, resguardada as proporções ao longo de sua evolução no tempo-espaco, ditando a lição que o Estado deveria seguir.

Como grande acúmulo de capital advindo do mercantilismo surge o capitalismo industrial decorrente da Revolução Industrial potencializando a capacidade de produção e ampliando o consumo de forma nunca vista.

Karl Marx que já discernia a essência no sistema de exploração capitalista85, no qual marcou de uma vez por todas o modo de produção que iria se “aprimorar” até os dias atuais, observando-se uma relevante mudança de foco: o comércio e o sistema de produção não era mais a essência, mas sim o sistema financeiro que sem produzir absolutamente nada podia possibilitar também o lucro elevado a ser obtido pela especulação e sustentados pelos processos que culminaram na globalização e que a mantém perversa.

Sua perversidade, muito embora seus ideólogos apontem ser necessária e o único caminho da uma suposta evolução das pessoas no globo na qual a pobreza cada vez mais crescente são meros “efeitos colaterais”, indubitavelmente se mostra anti histórica e falaciosa, sustentada pela tirania da informação e do dinheiro e em grande medida por seu sustentáculo ideológico que é disseminado.

Um outro caminho é, sim, possível. Aliás, muito os caminhos são possíveis.

Na obra, “Por uma outra globalização - Do pensamento único à consciência universal”, de Milton Santos86, sustenta a idéia de que é preciso uma nova interpretação do mundo contemporâneo, uma análise ampla e multidisciplinar que permita destacar a ideologia na produção da história, além de mostrar os limites do seu discurso frente à realidade vivida pela maioria dos países do mundo.

85 O essencial objetivo é o lucro. 86

SANTOS, Milton. Por uma outra Globalização: do pensamento único à consciência universal. 19º ed. Rio de Janeiro: Record, 2010, passim.

O dinheiro e a informação revelam-se vilões, na medida em que a maioria das pessoas do planeta não tema ou vislumbra acesso a ambos, e na qual a realidade mostra-se que o progresso técnico é aproveitado por um pequeno número de atores globais em seu benefício privativo, implicando no aprofundamento da competitividade e afastamento da solidariedade.

Com efeito, manifesta-se a confusão dos espíritos e o empobrecimento crescente das massas, enquanto os governos não são capazes de regular a vida coletiva, mas Milton Santos reconhece nas primeiras linhas uma evolução positiva nas pequenas reações que ocorrem na Ásia, África e América Latina.

Talvez podendo ser este o caminho que conduzirá ao estabelecimento de uma outra globalização em uma mensagem de esperança na construção de um mundo universalista e emancipador: