No Brasil, o uso do CAR está bastante difundido, sendo que uma referencia é o edifício E-Tower em São Paulo, com mais de 160 m de altura, projetado pelo Engenheiro e Professor Ricardo Leopoldo e Silva França, no qual foi empregado CAR, apresentando resistências maiores do que 100 MPa (Fig. 1.1). O edifício representa uma barreira ultrapassada pelos projetistas brasileiros.
Fig. 1.1 – Edifício E-Tower em São Paulo. Disponível em:
http://forum.skyscraperpage.com
Texto da BASF (The Chemical Company) informa que os pilares, no nível das fundações, podem ser submetidos a forças de compressão de grande intensidade, que oscilam entre 13800 kN e 18200 kN, as quais exigem seções resistentes de medidas próximas a 0,9 m
x 0,9 m, com concreto com fck = 40 MPa. No entanto, por especificações de projeto,
considerando as vagas de estacionamento, era indispensável que as dimensões máximas dos pilares não ficassem maiores do que 0,6 m x 0,7 m. Para tal, foi estudada a viabilidade da utilização de um CAR, solução mais cara com relação aos concretos utilizados rotineiramente no Brasil. Foi considerado, no estudo de viabilidade, questões econômicas e de durabilidade, que é aumentada de modo relevante pela utilização do CAR. Consegui-se um recorde de resistência do concreto em canteiro de obras, com resistência média de 125 MPa e máximo de 149 MPa aos 28 dias e 155 MPa aos 63 dias. O valor médio do módulo de elasticidade foi de 47 GPA, valor que também representa um recorde. O concreto dos pilares foi dosado com adição de corante vermelho, para valorizar o seu significado histórico e de desempenho tecnológico.
Entre outros edifícios com estrutura de CAR, ainda no Brasil, na cidade de São Paulo, têm-se o MASP que é considerado o primeiro edifício com CAR no Brasil (45 MPa) e Centro Empresarial Nações Unidas (Fig. 1.2). Em Curitiba-PA o Evolution Towers (Fig. 1.3), em Salvador-BA, o Centro Empresarial Previnor e o Suarez Trade Center (Fig. 1.4). Todos eles com parte dos seus elementos estruturais (pilares) de concreto com resistência maior do que 60 MPa.
Entre os futuros projetos com uso de CAR, na cidade de São Paulo está o Company Business Tower que terá ao redor de 200 m de altura.
Estas são algumas edificações com CAR das muitas existentes no Brasil, como a ponte do Rio Maranhão (80 MPa) inaugurada em 1997.
Fig. 1.2 – MASP e o Centro Empresarial Nações Unidas (São Paulo – SP). Disponível em:
Fig. 1.3 - Evolution Towers (Curitiba – PA). Disponível em:
http://www.skyscrapercity.com
Fig. 1.4 - Centro Empresarial Previnor e Suarez Trade Center (Salvador - BA). Disponível em: http://www.skyscrapercity.com e em http://www.skyscraperlife.com
No mundo são muitas as edificações construídas com CAR que tem se tornado quase que obrigatório para obras importantes, entre os quais podem ser citados os quatro mais altos edifícios do mundo: na Fig. 1.5 a Torre de Burj Dubai (Dubai - Emirados Árabes Unidos) é o prédio mais alto, inaugurado em 5 de janeiro de 2010 com 828 m de altura; a Torre Taipei 101 (Taipei – Taiwan) finalizada em 2004 tem 509 m de altura; na Fig. 1.6 o Shangai Word Finance Center (Shangai – China) com 492 m, finalizada em 2008; e, as Torres Gêmeas Petronas (Kuala Lumpur - Malásia) com 452 m de altura, as maiores torres gêmeas do mundo na atualidade, finalizadas em 1998. Em todas elas tem-se empregado concretos com resistências à compressão maiores do que 70 MPa.
Fig. 1.5 – Torre de Burj Dubai e Torre Taipei 101. Disponível em:
http://wiki.taringa.com e em http://portalplanetasedna.com.ar
Fig. 1.6 – Shangai Word Finance Center e as Torres Gêmeas Petronas. Disponível em
http://www.taringa.net
Existem outros em construção que terão alturas maiores do que as do Taipei 101, Shangai World Center e as das Torres Gêmeas Petronas, entre eles Pentominium (Dubai – Emirados Árabes Unidos, a ser finalizado em 2012, com 618 m de altura); Chicago Spire (Chicago - USA, a ser finalizado em 2010, com 610 m de altura); o Freedom Tower (Nova York - USA, a ser finalizado em 2011, que está sendo construído no espaço deixado pelas torres gêmeas do World Trade Center, esta edificação terá 541 m de altura, com um núcleo de
CAR de 100 MPa, a maior resistência de concreto que foi empregada em prédios na cidade de Nova York até agora).
A China é o país com maior quantidade de edifícios altos em construção, entre eles o Shanghai Tower (em Shanghai, será de 632 m de altura e será finalizado em 2014), o China 117 Tower (em Tianjin TJ, será de 600 m de altura e será concluído em 2012) o Pingan International Finance Center (em Shenzhen GD, terá 508 m de altura e estará concluído em 2012). Alem desses, existem 7 edifícios em construção com mais de 400 m de altura, e muitos outros com mais de 300 m.
Atualmente a Ásia é o continente onde mais se emprega o CAR. O Skyscraper City indica que, em todas as edificações anteriormente mencionadas que estão em construção ou que foram construídas e 5 das 7 com mais de 400 m em construção na China, foi empregado o CAR, seja no núcleo, na estruturas de barras ou como parte de uma estrutura mista.
O CAR é muito empregado em pontes e viadutos, o viaduto de Millau na França (Fig. 1.7), é uma das grandes obras deste inicio de século, têm 2460 m de comprimento, apoiado em 7 pilares de concreto com resistência de 60 MPa com seção variando de um diâmetro de 24,5 m na base até 11 m no alto, foi empregada forma deslizante na execução dos pilares em tramos de 4 m, que forma a maior pista suportada por cabos do mundo, com 343 m de altura sobre o rio Tarn.
Fig. 1.7 - Viaduto Millau – França. Disponível em:
http://www.arqhys.com e em http://brifgepros.com
Em estruturas pré-moldadas, o uso do CAR é muito vantajoso, um exemplo é o da Fig. 1.8, a ponte Hangzhou Bay (Hangzhou – China), que é a ponte mais extensa que atravessa o mar com 36 km de comprimento, com as vigas tipo caixão perdido pré-moldadas e
protendidas, nestas foram empregados concretos com 80 MPa, esta obra foi concluída em 2008.
Fig. 1.8 – Ponte Hangzhou Bay. Disponível em:
http://www.arqhys.com e em http://www.bpovia.com
Pode-se pensar que o início dos trabalhos com CAR foi com as plataformas de petróleo do Mar do Norte nos anos 80 e 90 do século passado, onde as ações e ambiente muito agressivo levaram à utilização do CAR. Na Fig. 1.9 a plataforma Hibernia (Canadá) na fase construtiva, lançada ao mar em 1997, o concreto empregado na sua base foi de 80 MPa.
Fig. 1.9 – Base da Plataforma de Hibernia - Canadá. Disponível em: http://www.offshore-technology.com
Outra edificação de relevância é o edificio Guangzhou West Tower, o mais alto de Guanghou e o segundo mais alto da China na atualidade, com 103 andares e 440 m de altura (na Fig. 1.10 mostram-se as Torres Este e Oeste, sendo que a Torre Este ainda está no projeto). O recorde nesta construção, é que o concreto foi bombeado a mais de 400 m de
altura, utilizando um CAR de 100 MPa, com dosagem estudada para não necessitar de compactação mecânica.
Fig. 1.10 – Guanzhou East and West twin Towers. Disponível em:
http://www.herdaily.com