2. KURAMSAL ÇERÇEVE
2.4. Hizmet Hatası Telafisi Performansı
2.4.3. Müşterilerin Telafi Beklentisinin Öncülleri
Distribuição espacial
A partir do local de captura de cada indivíduo e do(s) local(is) em que este foi avistado (durante todos os turnos de observação), analisamos a distribuição espacial dos preás considerando as áreas da Clareira da barraca, Campinho I e Campinho II, além de eventuais deslocamentos entre essas áreas. Para tanto, calculamos a porcentagem de indivíduos que foram capturados e avistados exclusivamente em uma área durante todo o trabalho e a porcentagem de indivíduos que foram capturados e/ou avistados em mais de uma área (indivíduos capturados e avistados em apenas uma viagem não foram considerados neste cálculo). Esta comparação permitiu ainda verificar a existência de dispersão e em qual fase da vida esta aconteceu.
Tamanho da agregação
Consideramos o conjunto de preás avistados em um mesmo scan em cada um dos locais amostrados como uma agregação, evitando usar o termo grupo, que implica em relacionamentos mais elaborados entre os indivíduos. Em roedores com complexa organização social, como mangustos (Palomares, 1993), o grupo é claramente definido pelo compartilhamento de tocas e comportamentos específicos exibidos por cada indivíduo (altruísmo, por exemplo). Como preás não vivem ou usam tocas e não são freqüentes comportamentos que indiquem coesão social (Rood,
1972), consideramos o termo “agregação” como sendo mais adequado para o presente estudo. Para uma análise global do tamanho de cada agregação, isto é, do número de indivíduos observados em cada scan, agrupamos todos os scans realizados entre janeiro de 2008 e dezembro de 2009 em todos os locais amostrados. Como os scans foram realizados em intervalos de um minuto, gerando uma grande dependência entre pontos consecutivos, decidimos calcular também o tamanho da agregação utilizando intervalos de 10, 30 e 60 minutos. O tamanho médio mensal das agregações foi comparado entre as estações “calor” e “frio” por meio do teste t-Student. O tamanho máximo das agregações em cada mês foi correlacionado com o total de precipitação mensal através da correlação de Pearson. Para a comparação do tamanho de agregação entre a) os locais (Clareira da barraca, Campinho I e Campinho II) e b) os períodos do dia (manhã até 12h, tarde entre 12h e 18h e noite após 18h), utilizamos o teste qui-quadrado. Consideramos um nível de significância de 0,05 para todos os testes. Por fim, analisamos também a influência da velocidade do vento sobre o tamanho das agregações, comparando o número médio de animais observados por scan sob diversas intensidades de vento (registrado no início dos turnos de observação). Para tanto, criamos as seguintes classes de velocidade: 0 a 1,9 m/s, 2 a 3,9 m/s, 4 a 5,9 m/s e maior que 6m/s. Esta comparação estatística foi feita utilizando-se a análise de variância ANOVA com correção de Bonferroni para a localização das diferenças.
Composição sexual-etária da agregação
Para esta análise, contabilizamos o número de scans que contiveram as seguintes categorias sexo-etárias (e combinações destas): machos adultos, fêmeas adultas e juvenis (critério visual). Em juvenis agrupamos jovens e filhotes de ambos os sexos. Os percentuais de cada classe foram comparados descritivamente.
Interações sociais
Para realizar a análise das interações sociais exibidas pelos preás, selecionamos todas as categorias que envolvessem contato social nos registros de scans (as mesmas da supercategoria “Comportamento social” - ver acima) somadas aos registros de interações obtidos pelo método “Todas as ocorrências”. As interações sociais foram comparadas entre as faixas etárias (segundo o critério visual) e também entre os sexos, utilizando neste último caso o teste qui-quadrado. Para compararmos a freqüência das interações exibidas por agentes (machos adultos, fêmeas adultas e
filhotes) a cada uma das categorias de interagentes (macho adulto, fêmea adulta, macho jovem, fêmea jovem e filhotes de ambos os sexos), relativizamos o número de interações em cada um dos casos pelo número de vezes em que o agente esteve a menos de dois metros de distância do interagente. A comparação entre estas freqüências relativizadas foi feita por meio do teste qui- quadrado (nível de significância de 0,05). Algumas categorias de interação semelhantes em função foram agrupadas para facilitar esta análise: Exploração social + Contato focinho-focinho = Exploração social; Oscilação dos quadris + Circundar a fêmea = Corte; Confronto + Ameaça = Confronto.
Espaçamento interindividual
O espaçamento interindividual foi analisado de forma descritiva (devido à dependência entre as classes sexo-etárias) através da comparação das freqüências de classes de distância que os animais apresentaram entre si nos scans (juntos, a menos de 1 m, entre 1 e 2 m, entre 2 e 3 m e a mais de 4 m).
Para sabermos com quem cada indivíduo se associou e se houve um padrão nestas associações, construímos Árvores Geradoras Mínimas (AGMs) (Izar & Sato, 1997), um método baseado na teoria de Grafos (Christofides, 1975 apud Izar & Sato, 1997). A construção de AGMs para relações de proximidade partiu de matrizes de scans (linhas) e indivíduos (colunas), onde atribuímos o valor “1” para a presença do animal naquele scan (em nosso campo de visão) ou “0” para sua ausência. Esta matriz foi convertida em uma matriz de índices de similaridade indivíduo x indivíduo, com caselas representando o índice de Jaccard para cada díade (Ginsberg & Young, 1992):
c
b
a
a
Sj
onde a é o número de scans em que os indivíduos X e Y foram observados concomitantemente; b é o número de scans em que X foi observado e Y não e c é o número de scans em que o indivíduo Y foi observado e o indivíduo X não. Indivíduos não identificados nos scans (por falta de marcas e/ou brincos) foram excluídos desta análise.
Os índices de Jaccard foram calculados pelo programa Simejjac, desenvolvido pelo Dr. Takechi Sato, do Instituto de Psicologia da USP. A matriz de similaridade foi convertida em uma matriz de dissimilaridade, com caselas representando o valor 1/Sj. Estes valores de dissimilaridade foram usados para a construção da Árvore Geradora Mínima, que representa graficamente as relações mais fortes considerando-se o conjunto total de indivíduos. Nas AGMs de proximidade
construídas aqui, díades mais associadas (freqüentemente observadas no mesmo scan) aparecem ligadas por arcos mais curtos (índices próximos de zero), enquanto díades pouco associadas aparecem ligadas por arcos longos (índices próximos de um). As AGMs não permitem, no entanto, a formação de circuitos.
Construímos quatro AGMs de relações de proximidade para o ano de 2008 e mais quatro para o ano de 2009, sendo que cada uma abrangeu um período de dois a três meses. Indivíduos de todas as faixas etárias foram considerados nesta análise. Como as árvores acabaram se separando entre a Clareira da barraca, o Campinho I e o Campinho II, isto é, praticamente não houve relações espaciais entre indivíduos capturados em locais diferentes, resolvemos calcular o tamanho médio dos arcos das árvores de cada local. Estes arcos médios foram comparados entre si (teste Kruskall Wallis, teste Dunn a posteriori) para verificar se os indivíduos se associaram mais fortemente em um certo local. Os índices de Jaccard médios entre díades macho-macho, macho-fêmea e fêmea-fêmea – considerando-se todos os locais juntos - foram comparados de forma descritiva (devido à dependência dos dados) para analisarmos se houve algum padrão de associação espacial em relação ao sexo.
Os padrões de associação entre os indivíduos também foram analisados com base em suas relações afiliativas. Para isso, construímos mais três AGMs, uma para cada local amostrado (Clareira da barraca, Campinho I e Campinho II). Estas AGMs partiram de três matrizes simétricas indivíduo x indivíduo, uma para cada local, contendo em suas caselas o número de interações afiliativas exibido entre cada díade, isto é, o número de vezes que o indivíduo X exibiu interações afiliativas dirigidas ao indivíduo Y somado ao número de vezes que Y dirigiu interações afiliativas a X. Apenas indivíduos adultos (de acordo com o critério visual) foram considerados nesta análise, evitando assim disparidades no caso de indivíduos que foram observados desde filhotes até a idade adulta. Os arcos das AGMs de relações afiliativas representaram o inverso do número de interações afiliativas exibidas naquela díade.
Consideramos interações afiliativas as seguintes categorias de comportamento (ver etograma completo em “Resultados”): seguir, contato naso-anal, contato focinho-focinho, exploração social, alo- limpeza, queixo-sobre-dorso, circundar a fêmea, rumba, cópula, mamar e amamentar, subir no dorso, brincadeira de correr, levantar o períneo e bater com o quadril. A comparação entre os tamanhos dos arcos das árvores dos três locais foi feita com o teste Kruskall Wallis, nível de significância de 0,05.
Comparamos a freqüência de interações agonísticas entre as estações do ano (“calor” e “frio”) para verificar se houve diminuição no número de conflitos em épocas de menor aporte energético (“frio”, no caso) ou se houve aumento em decorrência da maior competição por alimento nestas épocas.
Para investigar se os preás C. intermedia possuem uma hierarquia de dominância (e se sim, qual o padrão desta), construímos três Árvores de Dominância (Izar, Ferreira & Sato, 2006) partindo de três matrizes assimétricas de interações agonísticas (indivíduo x indivíduo), uma para cada local. Nas linhas destas matrizes foram colocados os indivíduos “vencedores” e nas colunas, os indivíduos “perdedores”, sendo que todos apareceram nas linhas e nas colunas, uma vez que um mesmo indivíduo podia ser vencedor em relação a certo indivíduo e perdedor em relação a outro. Preenchemos as caselas com o número de vezes em que um indivíduo (da linha) derrotou um indivíduo (da coluna) em um conflito agonístico, isto é, o número de vezes em que ele foi capaz de deslocar o outro, que se esquivou. As categorias tidas como interações agonísticas foram: investida de cabeça, lutar, perseguir (diretas) e encarar, ameaça, aproximação (em certos casos) e confronto (indiretas). Quando houve empate no conflito (não houve deslocamento), atribuímos o valor “1” para cada um dos membros da díade. Apenas indivíduos adultos (de acordo com o critério visual) foram considerados nesta análise.
As árvores de dominância, construídas com auxílio do programa Domina, representaram a relação de dominância entre os indivíduos com base no número de vitórias e derrotas de cada díade. Para a sua apresentação aqui, construímos um grafo único para cada local retirando as redundâncias nas relações O status de cada indivíduo foi indicado à esquerda da árvore de acordo com o número de indivíduos que ele derrotou.
Por fim, correlacionamos o peso e o comprimento de cabeça dos indivíduos (uma medida indireta do tamanho corpóreo) com seu status hierárquico para verificar se indivíduos maiores foram mais dominantes - ou se a dominância produziu um aumento no peso dos indivíduos. Esta correlação foi feita através do teste de Spearman (nível de significância de 0,05). A freqüência de interações de corte também foi comparada com o status hierárquico dos machos presentes nas árvores de dominância de cada local. Consideramos corte as seguintes categorias: oscilação dos quadris, circundar a fêmea, cópula, queixo-sobre-dorso e bater como quadril.
Para a realização dos testes estatísticos utilizamos os programa SPSS 13.0 e Minitab 13.2; alguns foram feitos manualmente (Siegel & Castellan, 2006; Zar, 2010).
3. RESULTADOS
3.1 Estrutura populacional
Durante as 25 viagens de coleta, foram capturados 132 indivíduos (esforço de 8127 armadilhas x noite), dos quais 115 passaram pelo procedimento de medição e marcação, 14 fugiram da armadilha no momento de sua retirada e três foram encontrados mortos (dois machos adultos, mortos provavelmente por desidratação quando mantínhamos as armadilhas abertas de dia e uma fêmea adulta que estava doente). Os animais mortos também foram medidos e pesados, sendo enterrados em seguida para a retirada do esqueleto completo no mês seguinte.