A. İdeolojinin ve Araçsal Aklın Eleştirisi
5. Louis Althusser
A ESF apresenta-se como um espaço privilegiado para a efetivação de práticas de educação em saúde orientadas pelo diálogo entre o saber científico e o saber popular, uma vez que é neste espaço da saúde que profissionais e indivíduos/família se inter- relacionam, criam vínculos, dialogam e constroem soluções para o enfrentamento dos
problemas de saúde da população. É no espaço da micropolítica da ESF que o agir em saúde se efetiva, se constrói, compreendendo micropolítica como o espaço onde os profissionais, os usuários e o território se relacionam, onde as práticas cotidianas de saúde acontecem em ato (FRANCO e MERHY, 2007; VASCONCELOS, 2010).
A educação em saúde deve perpassar as práticas dos profissionais da ESF, sejam estas individuais ou coletivas, podendo acontecer dentro das USF ou em outros espaços comunitários. Desta forma a educação em saúde faz parte das ações que compõem o processo de trabalho das equipes que atuam na atenção básica, que têm como premissa “interferir no processo saúde-doença da população e ampliar o controle social na defesa da qualidade de vida” (BRASIL, 2006, p. 2).
Chiesa e Veríssimo (2001) chamam a atenção para a importância da comunicação usuário/profissional como requisitos para consolidar a educação em saúde na ESF que possibilite a emancipação dos sujeitos e fortaleça, no usuário, a capacidade de criticar e fazer escolhas conscientes. Para tanto é imprescindível que os profissionais da ESF tenham “uma atitude comunicativa, isto é, a disponibilidade interna de se envolver na interação pessoa a pessoa e o compromisso de utilizar a comunicação como instrumento terapêutico” (CHIESA, VERÍSSIMO, 2001, p. 35-36), estando inclusive aberto a críticas.
Albuquerque e Stoz (2004) e Alves (2005) relatam o caráter marginal que a educação em saúde vem assumindo hegemonicamente na prática dos profissionais da ESF, no cotidiano dos serviços de saúde as práticas valorizadas são as de caráter curativo, como consultas, prescrições medicamentosas, procedimentos de apoio diagnóstico dentre outros, ficando em segundo plano as ações ligadas à educação em saúde, principalmente as voltadas para a coletividade. Desta forma “trabalhos em grupo são muitas vezes marginalizados, os profissionais envolvidos são desacreditados e desestimulados, a infraestrutura necessária é escassa e de difícil acesso aos profissionais” (ALBUQUERQUE, STOZ, 2004, p. 246), demonstrando, assim, que a educação em saúde de fato não vem sendo priorizada na ESF.
Vários estudos relacionados à prática educativa desenvolvida na ESF, têm revelado que houve, sim, uma evolução conceitual acerca dos pressupostos teóricos e metodológicos que devem orientar a educação em saúde, sendo os pressupostos da educação problematizadora de Paulo Freire e a preocupação em efetivar um sistema de saúde equânime, universal e integral, uns dos pilares que suscitaram estas reflexões. No entanto, quando parte para a experiência prática, poucos são os avanços, persistindo
uma educação em saúde tradicional. (ALVES, 2005; GAZINNELLI et al., 2005; MANO, PRADO, 2010).
Os profissionais se veem sem tempo para um trabalho educativo mais estruturado e elaborado, fazendo, muitas vezes, apenas atividades de informação em massa em campanhas educativas como de combate à dengue, prevenção de câncer de mama, vacinação do idoso, entre outras. As demandas curativas, gerenciais e burocráticas são um dos grandes motivos da sobrecarrega dos profissionais da ESF, principalmente o enfermeiro, que termina assumindo, também, a coordenação da equipe e o acompanhamento dos ACS (ALBUQUERQUE, STOZ, 2004; ROCEKR, MARCON, 2011)
Recentemente para concretizar as práticas educativas embasadas na EPS foi criada através da portaria Nº. 2.761, de 19 de Novembro de 2013, a Política Nacional de Educação popular em Saúde no SUS (PNEPS-SUS). A política traz como princípios norteadores: o diálogo; a amorosidade; a problematização; a construção compartilhada de conhecimentos; a emancipação; e o compromisso com a construção do projeto democrático e popular. A portaria traz em seu Artigo 1 que
a PNEPS-SUS tem como objetivo geral implementar a Educação Popular em Saúde no âmbito do SUS, contribuindo com a participação popular, com a gestão participativa, com o controle social, o cuidado, a formação e as práticas educativas em saúde.(PORTARIA Nº. 2.761, de 19 de Novembro de 2013).
Esta política representa uma conquista para o campo da saúde, uma vez que normatiza a EPS enquanto política de saúde e possibilita investimentos financeiros para os municípios concretizarem experiências educativas orientadas pela EPS. Oportuniza, desta forma, a utilização de práticas educativas que privilegiam o diálogo entre o saber científico e popular, estimula à gestão participativa, o controle social, a valorização da cultura popular, possibilita a construção coletiva de estratégias de enfrentamento dos problemas de saúde e representa um caminho para a conquista de liberdade e direitos (VASCONCELOS, 2007). No entanto a política por si só, não é suficiente, sendo necessária ainda a vontade política dos profissionais e gestores que a operam, em efetivarem de fato práticas educativas emancipatórias.
Mano e Prado (2010), em seu livro Vivência em Educação Popular na Atenção Primária à Saúde, trazem que a realidade e a utopia, apresentam várias experiências de EPS vivenciadas por profissionais de saúde, comunidades, professores e estudantes das
graduações em saúde, que potencializaram a participação popular e possibilitaram que profissionais, usuários e estudantes assumissem papel de protagonistas nos cenários da atenção básica brasileira. Desta forma,
nas suas mais diversas formas de expressão, a educação popular em saúde é também um compromisso político com as classes populares, com a luta por condições de vida e de saúde, pela cidadania e pelo controle social. Está diretamente ligada à valorização e à construção da participação popular (ALBUQUERQUE e STOZ, 2004, p. 269).
Para que de fato seja concretizada uma educação em saúde que possibilite a prática da integralidade e a efetivação de estratégias de saúde capazes de atender as necessidades dos usuários, é necessário que gestores, profissionais de saúde e usuários criem espaços de diálogos e negociações, ambos assumindo suas responsabilidades dentro do SUS.