4. ARAŞTIRMA SONUÇLARI VE TARTIŞMA
4.3. Plasmonik Nanoparçacıklar
4.3.1. Lokalized Yüzey Plasmonlar
Na obra Dialética do Esclarecimento (2006), ao focalizarem, particularmente, os desdobramentos éticos, estéticos e políticos que o pensamento filosófico e os saberes científicos, sobretudo, sofreram com o advento do esclarecimento após a suposta destruição e superação das mitologias antigas, os autores Theodor W. Adorno e Max Horkheimer enunciam, já no prefácio desse livro, o problema central à luz do qual elaboram um diagnostico rigoroso e sistemático a respeito de seu tempo presente: “[...] por que a humanidade em vez de entrar em um estado verdadeiramente humano, está se afundando em uma nova espécie de barbárie” (2006, p.11). A inquietação desses autores adverte para a desproporção entre uma sociedade culta e profundamente ilustrada, para qual a cultura erudita e o progresso científico tornariam possível a emancipação dos indivíduos, e a proliferação, no interior da civilização burguesa, dos regimes totalitários e a integração das consciências individuais à indústria cultural e à paranoia antissemita. A hipótese inicial sugerida por Adorno e Horkheimer a esse questionamento caracteriza o esclarecimento como sendo autodestrutivo, cuja aporia revela um pensamento esclarecedor e irracional que, embora sua função estivesse vinculada ao exercício da razão e da autonomia, contém, em sua origem e constituição burguesa, o germe regressivo e destrutivo. As instituições disciplinares e as teorias pedagógicas que, particularmente, fundamentaram seus pressupostos e seus programas formativos nos princípios do projeto moderno do esclarecimento e que dispensaram a reflexão sobre esse elemento aporético negligenciaram os limites em torno dos quais os enunciados e prescrições sobre a formação humanística se encontram circunscritos. “Se o esclarecimento não acolhe dentro de si a reflexão sobre esse elemento regressivo, ele está selando o seu próprio destino” (2006, p.13).
Para Adorno e Horkheimer, o objetivo do esclarecimento burguês, no qual se baseou o projeto filosófico da modernidade, sempre esteve associado à tentativa “de livrar os homens do medo e de investi-los na posição de senhores”, desencantando o mundo a partir da dissolução dos mitos arcaicos e substituindo o animismo pelo saber cientifico (2006, p.17). O entendimento humano, sob a orientação de certas regras e procedimentos lógicos, deveria ser capaz de superar as superstições e dominar racionalmente tanto a natureza interna, de modo a
impedir que as imagens criadas pela imaginação interferissem no processo de elaboração do conhecimento objetivo, quanto da natureza externa, apreendendo-na não com o intuito de desfrutar do prazer desinteressado proporcionado pelo discernimento, mas para empregá-la eficazmente para os fins da economia fabril ou mesmo para os armamentos utilizados nos campos de batalhas civis e de concentração (ADORNO & HORKHEIMER, 2006, p.18). A constituição desses saberes baseou-se no pressuposto de acordo com o qual o sujeito racional, ao se desprender do vínculo que o mantivera preso ao mito e à magia e subsidiado pela lógica formal e pelo esquema de calculabilidade matemática, deve ser capaz de formular um sistema lógico-conceitual a partir do qual possa apreender a experiência sensível e a natureza interna e unificá-las em função das estruturas necessárias e universais do pensamento, reduzindo a multiplicidade indeterminada ao empírico, àquele elemento designado pelo positivismo como sendo o fato (ADORNO & HORKHEIRMER, 2006, p.20). Para esse saber, cujo desdobramento culmina na constituição da ciência moderna e sua subsequente conversão positivista, a pura técnica formalizada consiste em sua essência para a qual os meios preponderam sobre os fins, de modo que o procedimento eficaz, a fórmula e o esquema de probabilidade sejam capazes de garantir a unidade entre o conceito estruturado e sistematizado a priori pelo sujeito, e a experiência, enunciável por intermédio de uma linguagem esquematizada segundo critérios lógico-matemáticos (ADORNO & HORKHEIMER, 2006, p.18).
Ao analisar o conceito de esclarecimento – associando-o ao objetivo de elaborar os princípios necessários para a formulação de um conhecimento objetivo e o de eliminar o animismo característico das mitologias e das categorias da physis pressocráticas, da Teoria das Ideias de Platão e das filosofias nas quais reconheceu a identidade entre os deuses do Olimpo e as entidades ontológicas –, Adorno e Horkheimer (2006) argumentam em torno da hipótese segundo a qual os mitos já eram manifestações de um pensamento esclarecedor e o esclarecimento, por sua vez, converte-se em mitologia. As narrativas trágicas e épicas continham, em seus relatos, elementos do pensamento esclarecedor, na medida em que utilizaram a exposição e a explicação causal a fim de relatar os acontecimentos vivenciados pelos heróis e pelas entidades olímpicas, formularam uma representação dos fatos e dos processos a serem influenciados pela magia e, por fim, definiram uma hierarquia a partir da qual espíritos e demônios deveriam ocupar seu lugar no céu, sob o signo da disciplina e do poder. Além desses aspectos, os autores assinalam que o rigor da lógica formal já estava presente no princípio da necessidade fatal dos mitos, em função do qual a desgraça aos heróis
míticos é lançada e manifestada a partir da sentença oracular como consequência (ADORNO & HORKHEIMER, 2006, p.20-21).
Entretanto, embora tenha renunciado aos mitos por identificarem em suas narrativas imagens e figuras que revelavam um certo antropomorfismo, ou seja “a projeção do subjetivo na natureza”, de modo que, o sobrenatural, os demônios, os espíritos, elementos imagéticos decorrentes do medo pelo natural desconhecido, pudessem “se reduzir, segundo ao esclarecimento, ao mesmo denominador, a saber, ao sujeito” (ADORNO & HORKHEIMER, 2006, p.19), o esclarecimento, de acordo com os autores, recai na própria mitologia. A objetividade do saber e a autonomia moral, às quais a finalidade do projeto do esclarecimento esteve associada, demonstram apenas que o despertar do sujeito como princípio das relações e o reconhecimento do poder soberano que a razão lhe confere frente à natureza desconhecida acentuam o vínculo entre a unidade da razão, instrumento pelo qual o pensamento esclarecedor é capaz de exercer o domínio e o controle total de si e do mundo externo, e a unidade conceitual forjada pelo sujeito racional à qual a experiência deverá se submeter de modo a se tornar objetiva e desencantada. Assim caracterizado, o esclarecimento reitera e assimila a atitude em função da qual teria acusado a mitologia de antropomorfismo, ao preço de desconhecer e alienar-se daquilo sobre o qual exerce seu controle.
O mito converte-se em esclarecimento, e a natureza em mera objetividade. O preço que os homens pagam pelo aumento de seu poder é a alienação daquilo sobre o que exercem o poder. O esclarecimento comporta-se com as coisas como o ditador se comporta com os homens. Este conhece-os na medida em que pode manipulá-los. O homem da ciência conhece as coisas na medida em que pode fazê-las. É assim que seu em-si torna para-ele. Nessa metamorfose, a essência das coisas revela-se como sempre a mesma, como substrato da dominação. Essa identidade constitui a unidade da natureza. (ADORNO & HORKHEIMER, 2006, p.21).
A identidade entre o eu e a natureza, pela qual as múltiplas qualidades desta são eliminadas, enrijecendo e petrificando o objeto científico e o próprio pensamento, evidencia a aporia segundo a qual quanto mais o sujeito racional aproxima-se do objeto por intermédio de uma unidade conceitual capaz de garantir a produção de um conhecimento objetivo sobre ele, mais esse “doador de sentido a priori” se distancia da natureza sem sentido, coisificando, inclusive, a relação dos indivíduos com eles mesmos e com os outros, reduzindo-as a meras reações e funções convencionais. Se o princípio que desencadeia esses excessos de poder e controle da razão baseia-se no pressuposto de que o diferente deve ser igualado ao uno ao qual o esclarecimento denominou de número, então “o preço que se paga pela identidade de tudo com tudo é o fato de que nada, ao mesmo tempo, pode ser idêntico consigo mesmo” (ADORNO & HORKHEIMER, 2006, p.23-24). O incomensurável, o diferenciado e estranho,
o primário, aquilo que excede as sínteses conceituais deve ser eliminado pela universalidade do pensamento para a qual a natureza desconhecida ainda permanece como sendo uma ameaça à unidade da coletividade conquistada graças à anulação de cada indivíduo e sua integração e sujeição às massas. Para os autores (ADORNO & HORKHEIMER, 2006, p.26), o esclarecimento torna-se “a radicalização da angústia mítica”, pois, na tentativa de eliminar o medo pelo desconhecido, o esclarecimento, no trajeto da desmitologização, guiou-se pelo princípio de acordo com o qual “nada mais pode ficar de fora, porque a simples idéia do ‘fora’ é a verdadeira fonte da angústia...”.
Adorno e Horkheimer (2006, p.32-33) assinalam que, ao identificar-se ao procedimento matemático, para o qual até mesmo a indissolubilidade e a irracionalidade devem se adequar aos teoremas matemáticos, o pensar se reifica num processo automático e autônomo, converte-se em uma coisa, em um mero instrumento cuja exigência clássica da autorreflexão do pensamento torna-se completamente dispensável e desprezível. Ao igualar-se ao mundo, o pensamento considera o factual, o meramente existente, como sendo a única referência sobre a qual a mentalidade positivista, na qual se converteu, é capaz de pensar ou, mais propriamente, de repetir incansavelmente, até o infinito, o encadeamento dos fatos, transformando o pensamento numa mera tautologia. A dominação universal da natureza pelo sujeito volta-se contra o próprio sujeito, pois nada conhece do objeto senão suas próprias representações, o “eu penso” eternamente igual que, apesar da tentativa de sistematizar e conhecer a natureza, tem diante de si ele mesmo, o puro material abstrato.
O que aparece como triunfo da racionalidade objetiva, a submissão de todo ente ao formalismo lógico, tem por preço a subordinação obediente da razão ao imediatamente dado. Compreender o dado enquanto tal, descobrir nos dados não apenas suas relações espaço-temporais abstratas, com as quais se possa então agarrá-las, mas ao contrário pensá-las como a superfície, como aspectos mediatizados do conceito, que só se realizam no desdobramento de seu sentido social, histórico, humano – toda a pretensão do conhecimento é abandonada. Ela não consiste no mero perceber, classificar e calcular, mas precisamente na negação determinante de cada dado imediato. Ora, ao invés disso, o formalismo matemático, cujo instrumento é o número, a figura mais abstrata do imediato, mantém o pensamento firmemente preso à mera imediaticidade. O factual tem a última palavra, o conhecimento restringe-se à sua repetição, o pensamento transforma-se na mera tautologia. Quanto mais a maquinaria do pensamento subjuga o que existe, tanto mais cegamente ela se contenta com essa reprodução. (ADORNO & HORKHEIMER, 2006, p.34).
O pavor pelo retorno à natureza, em função do qual o indivíduo se vale de mecanismos que lhe assegurem a sua autoconservação, conduz esse mesmo sujeito a permanecer no contexto natural do qual ele necessita para se afirmar enquanto um ser vivo que se opõe a um outro ser vivo. Assim como no estado puro de natureza, o sujeito, no contexto do
esclarecimento, tende a se autoconservar e a buscar mecanismos que promovam a sua autoconservação, forjando, dentre outros recursos, a figura do sujeito lógico e abstrato. Dado o medo pelo retorno a um estado natural, a subjetividade aparece como sendo a representação de um mecanismo capaz de assegurar ao indivíduo a sua autoconservação, seja prevendo a priori toda e qualquer experiência pelo cálculo matemático e probabilístico, seja perpetuando a barbárie via racionalidade. “A dominação da natureza, sem o que o espírito não existe, consiste em sucumbir à natureza” (ADORNO & HORKHEIMER, 2006, p.50).
As consequências decorrentes desse entrelaçamento entre a razão esclarecedora e os mecanismos da dominação e poder, cujos excessos acentuaram e reproduziram o formalismo do pensar e sua conversão positivista, não poderiam ter sido outras senão o empobrecimento do pensamento e da experiência (ADORNO & HORKHEIMER, 2006, p.41). A “incapacidade de poder ouvir o imediato com os próprios ouvidos, de pode tocar o intocado com as próprias mãos” demonstra que, quanto mais o progresso técnico torna mais refinadas e complexas as relações sociais e econômicas, bem como a atividade científica, para o qual o corpo já teria há muito tempo se ajustado em função desse sistema, mais empobrecidas as experiências se tornam. A mediação total da unidade conceitual, cujo desdobramento social contribui para a unificação das relações e emoções no interior dos coletivos, impede que o sujeito se aproxime aconceitualmente daquilo que não pode ser conceitualizado ou enunciado pela linguagem racional, reiterando, no entanto, aquilo contra o qual teria acusado a mitologia, a saber, o princípio do eu, seres iguais uns aos outros, isolados na coletividade governada pela força, embrutecendo e atrofiando a sensibilidade.
Ao término do ensaio O conceito de Esclarecimento, Adorno e Horkheimer (2006, p.45) advertem que, no tempo presente, diante dos desdobramentos da Aufklärung, “reconhecer, porém, a presença da dominação dentro do próprio pensamento como natureza não reconciliada seria um meio de afrouxar essa necessidade” de tornar o não-idêntico um elemento idêntico, assimilável pelo conceito e pelo pensamento, formalizando, por um lado, as formas de pensar e de agir em nome de uma pretensa cientificização das relações e da comunicação que as compreende e, por outro lado, recalcando aquela lembrança originária da mimese e do medo perante o desconhecido, cujo esquecimento concorreu para toda e qualquer forma de mimetismo, desde o mais primitivo até as suas formas mais sofisticadas observadas na regularidade e na repetição características do método científico positivista. Enquanto exercício por meio do qual o pensamento reconhece a si e em si mesmo o elemento de dominação propulsor do enrijecimento do eu contra a ameaça dessa natureza inumana e de sua emancipação, a autorreflexão daria muito que pensar tanto à educação quanto à própria
filosofia, sobretudo porque, quando promovida ou quando encorajada, exige daquele que a exercita um questionamento profundo a respeito do tempo presente ao qual pertence e do sentido em torno do qual sua existência tem se caracterizado.