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3. YÖNTEM

3.1 Çok Kriterli Karar Verme

3.1.2 Literatürde Yer Alan ÇKKV Yöntemleri

Um dos pensadores que mais captou o poder da escrita sem dúvida foi Jacques Derrida, e a análise que Habermas (2000) fez de seu projeto filosófico é bastante elucidativa em relação ao poder de tal tecnologia comunicativa:

[...] a forma escrita libera cada texto do seu contexto de origem. A escritura torna independente o dito em relação ao espírito do autor e ao alento do destinatário, assim como em relação à presença do objeto de que se fala. O medium da escritura confere ao texto uma autonomia pétrea em face de todos os contextos vivos. Extingue as referências concretas a sujeitos individuais e situações determinadas e contudo conserva a legibilidade do texto. A escritura garante que um texto possa ser relido nos mais diversos contextos.(...)Visto que a escritura mortifica as referências vivas da palavra falada, promete salvação ao seu conteúdo semântico para além do dia em que todos que puderam falar e ouvir caírem no holocausto. (Habermas, 2000,p.233,234)

De forma inédita, com a escrita, o contexto comunicativo se transformou radicalmente tanto nas esferas da emissão como da recepção, com conseqüências brutais para a natureza da mensagem. A comunicação passou a ser uma forma de expansão, de desterritorialização, isto é, de ir além do lugar, de ir além da etnia, de fugir dos contextos particulares: “A escrita permite uma situação prática de

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comunicação radicalmente nova. Pela primeira vez os discursos podem ser separados das circunstâncias particulares que foram produzidos” (Levy, 1997, p.89)

No limite, a escrita estabelece uma linguagem livre do contexto. Como lembra Goody(1988,p.47), “a escrita transformou tanto a natureza da comunicação, fazendo-a ir além dos contatos pessoais, como o sistema de armazenamento das informações” . Contudo, o significado da introdução e do poder da escrita é profundo

e não se resume a uma inédita e externa forma de armazenamento das informações, nem à questão da desterritorialização.

Jack Goody (1988) mostrou que muitas mudanças analisadas por cientistas sociais e intituladas como mudanças da magia para a ciência, ou de uma consciência pré- lógica para uma consciência racional, ou ainda da mente selvagem, tal como entende Lévi-Strauss, para o pensamento domesticado, podem encontrar uma interpretação mais fértil e econômica na passagem da cultura oral para a quirográfica graças ao poder reconfigurador da psicodinâmica cultural da tecnologia da escrita.

De qualquer modo com a escrita e o livro se iniciou um processo até hoje em curso, qual seja, a superação do espaço geográfico: o texto é liberado do contexto de origem. Com a escrita o homem pode se emancipar de seu grupo, “Ele é livre, emocionalmente, de separ-se da tribo e de tornar-se um homem civilizado, um indivíduo de organização visual, com hábitos, atitudes e direitos iguais aos outros indivíduos civilizados” (Mcluhan, 2007,p.101)

Foi a escrita que permitiu a humanidade vivenciar e experimentar sua fé num espaço ultra-geográfico,características que são comuns às grandes religiões do livro.

O poder da escrita – além de levar à superação do lugar geográfico, permitindo uma comunicação através do espaço – também colaborou para o estabelecimento de uma comunicação através do tempo: a autonomia do texto escrito é pétrea em relação aos contextos vivos e sua legibilidade é mantida em qualquer contexto e a qualquer tempo. A escrita, como lembra Levy, aposta no tempo: “... a escrita, ao intercalar um intervalo de tempo entre emissão e a recepção da mensagem, instaura a comunicação diferida...” (Levy, 1997, p.88)

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Se a oralidade possuía uma percepção temporal circular, vivendo a ditadura do presente, o poder da escrita estabelece outra relação e outra experiência temporal que, conforme indica Flusser (2007,p.133), é “...a experiência de um tempo linear, de uma corrente do irrevogável progresso, da dramática irrepetibilidade, do projeto, em suma da história”. Da circularidade e da ditadura do presente se passa para um

tempo que necessariamente transcorre do passado para o futuro, no qual cada instante é único, não há repetição.

Sendo a escrita uma tecnologia linear é a linha que envolve o homem, o que colabora para uma específica representação do mundo e conseqüentemente do sagrado. O texto concebe o mundo como uma estrutura linear: “As linhas, portanto, representam o mundo ao projetá-lo em uma série de sucessões. Desse modo, o mundo é representado por linhas, na forma de um processo”. (Flusser,2007,p.103)

Todo esse poder da escrita transformou a consciência humana mediante o isolamento do pensamento numa superfície escrita separada do interlocutor, estabelecendo assim uma linguagem autônoma que é indiferente ao ataque direto pois está fora do contexto. Assim como destaca Goody (1988,p.57), “A palavra escrita deixa de estar diretamente ligada à realidade, torna-se uma coisa separada, destacada em certa medida do fluxo do discurso, perdendo a sua vinculação à ação, ao poder sobre a matéria”. A escritura apresenta o enunciado e o pensamento como

separados do contexto e independente do autor, de tal sorte que homens letrados:

“(...)são seres cujos processos de pensamento não nascem de capacidades meramente naturais, mas da estruturação dessas capacidades, direta ou indiretamente, pela tecnologia da escrita” (Ong, 1998,p.93).

A escrita, então, estabeleceu um discurso que não pode ser apenas relativamente questionado, já que “Depois de uma refutação absolutamente total e devastadora, ele diz exatamente a mesma coisa que antes.” (Ong,1998,p.94). Os textos escritos,

quaisquer que sejam, são irrefutáveis. Por isso, a revelação divina da tradição hebraico-cristã é tão estável: “A erva seca e a flor fenece, mas a palavra de nosso Deus permanece eternamente” (Is. 40,08).

A escrita – justamente por ser uma linguagem livre de seu contexto de produção e portadora dessa estabilidade – permite a noção de universalidade:

49 Do lado da emissão, foi feito um esforço para compor mensagens que pudessem circular em toda a parte, independentemente de suas condições de produção, e que, na medida do possível, contêm em si mesmas suas chaves de interpretação, ou sua razão. A esse esforço prático corresponde a idéia do universal. (Levy,1999,p.114).

É a escrita que permite os discursos inquestionáveis e invioláveis criando as condições de possibilidade das religiões dogmáticas e universais como são as grandes religiões do livro. No cristianismo, por exemplo, a bíblia é a depositária fiel dos decretos eternos da vontade de Deus, e é eterno porque está escrito.

Além disso, com a escrita, sobretudo a alfabética, mesmo o conceito de verdade se fortalece, “Códigos conceituais (como alfabetos) independem de um ponto de vista predeterminado: são objetivos” (Flusser, 2007,p.114). Jacques Derrida – conforme

indica Marcondes Filho (2009) – vai mais longe e sugere que só o texto escrito pode impor uma verdade superior, como é o caso das religiões monoteístas. O logocentrismo, ou seja, o domínio da palavra, do texto escrito, representa justamente essa imposição de uma verdade inquestionável. Para Derrida, a escritura faz parte de uma metafísica que se perdura por 2500 anos no interior da cultura ocidental.

Benzer Belgeler