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4. TEDARİKÇİ SEÇİMİ PROBLEMİ

4.3 Literatür Araştırması

No início deste capítulo mencionou-se que a aparição da Revista de Cultura Religiosa fora saudada pelo jornal O Estandarte na pessoa de seu principal diretor, o Rev. Eduardo Carlos Pereira. Na verdade, o mesmo ECP já se pronunciara a respeito da RCR na edição de O

Estandarte de 13 de outubro de 1921, em termos elogiosos. Porém, com um pé atrás:

Vem ella preencher sentida lacuna em nossa propaganda. Já era tempo de se ministrar, á já crescida communidade evangelica no Brasil, um ensino superior, substancial e ponderado, que imprimisse, no elemento evangelico nacional, mais consistencia, harmonia e profundidade, relacionando-o, ao mesmo tempo, mais intimamente, com a vida moral, religiosa e intellectual do Christianismo em geral, e do Protestantismo em particular. (...) Força é confessar, entretanto, que a grandeza da missão e a propria belleza do trabalho typographico devem volver aos hombros de seus jovens editores

grave fardo de natural responsabilidade...(O Estandarte, 13/10/1921, p. 4, grifo

nosso).

A ressalva de Pereira se destaca mais que o elogio. ECP não confia nos “jovens editores”. Em termos semióticos, constitui-se em uma forma de desclassificar a dupla de diretores da revista. Se Epaminondas Melo do Amaral e Miguel Rizzo Júnior precisam estar atentos para o “fardo de responsabilidade” que pesa sobre seus “hombros”, é porque ainda não estão suficientemente maduros para a tarefa que assumiram.

As inovações trazidas pela nova geração configuram-se como objeto de preocupação para ECP porque ameaçam a ordem eclesiástica e doutrinária já estabelecida. Porém, ele não é o único a manifestar-se diante das novidades. Na página seguinte do mesmo número do jornal, Othoniel Motta comparece (O Estandarte, p. 5-6), defendendo-se de um ataque do Rev. Álvaro Reis, da Igreja Presbiteriana do Rio, dos maiores líderes do presbiterianismo brasileiro, que se queixa de seu artigo publicado no vol. I-1 da RCR a respeito da hinologia protestante no Brasil. Vê-se que Pereira não é o único a ter a visão crítica das novidades, o que mostra os laços de solidariedade da geração intelectual anterior. Motta, porém, usa o espaço de O Estandarte de maneira enérgica, eloqüente e arrasadora. Suas palavras são duras, pondo em evidência a ignorância do queixoso no que se refere aos problemas detectados nos hinos.

O ano de 1921 é de grande desgaste na Igreja Presbiteriana Independente do Brasil. Estão em rota de colisão Eduardo Carlos Pereira e os jovens ministros, dos quais dois tomam a frente – Epaminondas Melo do Amaral e Thomaz Pinheiro Guimarães – passando a, cúmulo da ousadia! – se contrapor às idéias do “grande leader” pelas próprias páginas de O Estandarte. Guimarães, em 1º de dezembro de 1921, fizera artigo em O Estandarte com o título “A nossa situação”, rebatendo o pessimismo do Rev. Eduardo Carlos Pereira, particularmente em relação às mudanças que os jovens ministros preconizavam para o Seminário. ECP, então, responde aos jovens ministros com artigos seqüenciais sob o mesmo título, em primeira página, espaço do editorial. Assim argumenta o Rev. Eduardo:

Chegado a esta altura, era tempo de deixar a outros a plena realização do sonho.. Persuadido disso, tive a idéa, feliz ou infeliz, de formular, no meu discurso de 31 de julho e na pequena série sobre “O Seminário”, o que julgava ser o inventario historico de nossa amada Egreja, acompanhado de rapidos commentarios, que me pareceram convenientes. Levava eu em tudo isso o manifesto intuito de lembrar á nova geração o

quanto custára a preciosa herança, que lhe era transmittida; frisar o elemento moral

dos grandes ideaes, que teem sido a força e o prestigio de nosso movimento, e, por ventura, exhortá-la a trilhar, sem vacillação, sempre de fronte erguida, a senda aberta e abençoada pela mão do Senhor, através de mais de trinta e trez annos de árduo labutar. Não fui, talvez, comprehendido, por dois de meus jovens companheiros, que teem, em

a nova phase, tomado a frente de seus irmãos. (...) É, pois, motivo para alegrar a todo

amigo de nossa Egreja o terem entrado ultimamente na discussão dos problemas

geraes e da attitude da Egreja Presbyteriana Independente os que vão sentindo a

responsabilidade pessoal dos destinos do Evangelho no Brasil. Esta alegria, porém, não

impede o receio de uma falsa orientação, bem como de uma certa confusão e baralhamento a que todos estamos sujeitos, mormente os jovens inexperientes. É o

Thomaz Pinheiro Guimarães, em numeros transactos de nosso jornal. Impugnou o

Rev. Epaminondas a parte da serie sobre “O Seminario” em que eu, por uma questão de principios e prudencia, reclamava a remoção preliminar de obstaculos creados pela questão maçonica, para podermos cooperar, hombro a hombro, na formação comum de um ministerio presbyteriano. Dissemos então que trez pontos devíamos assentar com esses nossos patricios e irmãos: 1º) reconhecerem elles a nossa plena liberdade anti- maçonica; 2º) não se melindrarem com a nossa festa de 31; 3º) reconhecerem elles a

injustiça que nos fizeram com a célebre mão do gato. Ora, causou-nos triste surpresa

que o Rev. Epaminondas impugnasse qualquer desses topicos e contra a nossa dureza defendesse os irmãos synodaes, que, aliaz, não lhe passaram procuração. A nossa surpresa cresceu, quando, em nome de uma caridade ás avessas, não queria elle com

esses topicos renovarem dolorem. Ora, com esses topicos não queria eu renovar a dor

de ninguem, mas apenas obter balsamo curativo de dores passadas e preventivos de dores futuras. (...) Mas, repellindo nossa actitude, o Rev. Epaminondas declara-se filiado á corrente reaccionaria da cooperação incondicional. (...) O amor, conforme entende, o

faz enrolar a bandeira de nossa Egreja e deixar correr á revelia o grave labéo lançado

sobre as origens de nossa independencia. (...) Julgo perigosa a corrente para os

nossos destinos, e até ameaçadora de nossa existencia (PEREIRA, 22/12/1921, p. 1-

2, grifo nosso).

O artigo foi seguido por outros dois, na mesma linha desclassificatória da fala dos pastores jovens e na defesa intransigente das “bandeiras” que a nova geração teimava em querer enrolar. A crítica aos pastores jovens a contrariedade às pretensões dos mesmos em governar a Igreja, pela falta de apego às “bandeiras históricas” e por sua “inexperiência”.

No princípio, são divergências sobre a política interna da IPI. Os novos líderes desejam mudanças de natureza administrativa, no que são rebatidos por Pereira. O jornal se mostra democrático, evidenciando um traço que ECP sempre priorizou – o da abertura das páginas de O

Estandarte para os debates, mesmo que em detrimento de suas idéias. Havia também o compromisso de atender à Igreja de uma maneira geral, pois o status do jornal como “órgão oficial da Igreja” poderia desacreditar-se. A chegada da Revista de Cultura Religiosa se dá nesse quadro crítico. ECP mostrou-se democrático para com a veiculação da RCR, mesmo no ambiente pesado que se configurava. Mas o processo desclassificatório da RCR – que se encontrava nas mãos do mesmo grupo de jovens atrevidos – já estava em andamento.

Após a viagem que Eduardo Carlos Pereira empreende para o exterior, em 1922, a RCR desaparece das páginas de O Estandarte, pois a direção do jornal ficara com Bento Ferraz. As divergências se tornaram confronto aberto e declarado, quando os assuntos prediletos da RCR são atacados em O Estandarte. O ostracismo pelo qual passa a RCR é apenas de fachada. Suas teses

são negadas a cada artigo em que O Estandarte alerta para os perigos do “liberalismo teológico” e do “modernismo liberal”.

Benzer Belgeler