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3. DA-DA DÜŞÜRÜCÜ TİP KONVERTÖRÜN ANALİZİ VE

3.1 Da-da Düşürücü Tip Konvertörler

No âmbito da morfologia da língua portuguesa, enquanto existem morfemas que designam colocações de trabalho como: pedreiro, entregador, dentista, professor, etc., especialistas como: esteticista, dermatologista, linguista, etc., dentre os mais diversos campos lexicais, existe o morfema que possibilita a criação de gentílicos, que por sua vez está associado à natureza toponímica, que se estende às comunidades de indivíduos que partilham de mesmas particularidades de origem ou habitação. Alguns sufixos como –ista, –eira e –eiro também são capazes de formar gentílicos e apresentam grande relevância na formação de nomes agentivos, em particular profissionais. Segundo manuais de gramática como o de Bechara (2009, pág. 298), em uma visão afixocêntrica de produção lexical, esses últimos sufixos são responsáveis pela formação de substantivos e adjetivos de agente e instrumento. Ainda segundo ele, o sufixo –ista indica a maneira de pensar, doutrinas religiosas além de profissão, como ocorre em: socialista, comunista e metodista.

Além da função semântica comumente reconhecida, como nos mostra Bechara, existem trabalhos na morfologia histórica que fazem a genealogia semântico- funcional especificamente dos dois sufixos estudados. No trabalho de Areán-García (2012), há uma explicação a respeito da produtividade desses sufixos na criação de agentivos e de gentílicos. Primeiramente, para esses últimos, segundo a autora, -ista é pouco usado para a formação de gentílicos, sendo somente encontrados no Brasil e nos países lusófonos da África, enquanto que tanto em Portugal quanto em outros países de línguas europeias, o morfema é utilizado somente no seu emprego agentivo.

que diz respeito ao seu status social e à sua variação regional. Segundo Areán-García (2012), podem ser realizadas construções com mesmos radicais com esses dois afixos, como por exemplo: bolsista (utilizado no Brasil) e bolseiro (utilizado em Portugal), caracterizando sua produtividade no que cabe à variação no sistema da língua. No que concerne ao status social das profissões dentro da língua, há certo desprestígio nos profissionais formados por –eiro, enquanto que quando se usa –ista automaticamente nos referimos aos profissionais mais bem qualificados. Para Areán-García (2012, p. 2480) “as atividades de maior prestígio seriam designadas por agentivos em –ista; enquanto os ofícios de menor prestígio ou marginalizados seriam expressos por agentivos em –eiro(a)”. Podemos citar como exemplo as profissões jornalista e jornaleiro, que têm seus trabalhos voltados ao mesmo objeto, mas com valorações diferentes; e ao observarmos a formação médica de especialidades: dermatologista, otorrinolaringologista, etc., em contrapartida aos trabalhos menos remunerados como: pedreiro, jornaleiro, copeiro, faxineiro, etc.

Há ainda o trabalho de Ferrari e Medeiros (2012), que consiste na análise da disputa de designação, por meio da memória histórica e etnológica das pessoas que eram naturais do Brasil durante o período de colonização. Segundo a conclusão dos autores, havia três formas de chamar as pessoas que tinham ligações com o Brasil, eram os

brasilienses, os brasileiros e os brasilianos. Os primeiros eram os descendentes de

estrangeiros que imigraram e constituíram famílias por aqui; os segundos eram os estrangeiros que vieram como comerciantes ou negociadores em terras brasileiras, sem a intenção de se estabelecerem, mas que acabaram não retornando aos seus países de origem; e os terceiros, brasilianos, eram os próprios nativos indígenas.

Ao observarmos os gentílicos como um todo, é impossível nos restringirmos ao escopo dos topônimos municipais, pois lidamos com o vasto mundo dos nomes que se referem aos grupos de indivíduos. Mais do que isso, para Ferrari e Medeiros (2012, p. 85) “a atribuição de um gentílico diz respeito à relação de pertencimento do sujeito”. E isso pode ser aplicável também, como observamos, aos grupos de indivíduos que são adeptos de algo. Nesse sentido, podemos utilizar esses adjetivos para nomear pessoas relacionadas aos times de futebol, aos moradores de comunidades, bairros, clubes, etc. Em relação aos adeptos dos times esportivos – cujos mecanismos linguísticos são os mesmos dos gentílicos advindos de topônimos – trouxemos na subseção seguinte, a título de apontamento, algumas discussões a respeito dos seus usos em relação ao tema desta

dissertação.

4.1.2.1. Torcedores de times esportivos

O uso dos gentílicos não se circunscreve somente às cidades brasileiras que foram o objeto de estudo do nosso trabalho. As designações para os torcedores ou adeptos dos times esportivos, por exemplo, podem ser abarcadas pelos mesmos processos morfológicos descritos neste trabalho.

Considerando esse fato, foi realizada uma consulta ao verbete “nação” no Dicionário Eletrônico Houaiss (2009), que possui como acepção: “comunidade de indivíduos que, dispersos em áreas geográficas e políticas diversas, estão unidos por identidade de origem, costumes, religião”. Com base nessa definição, entendemos que torcedores das diversas equipes esportivas, por se constituírem como uma comunidade de indivíduos e partilharem costumes semelhantes definem-se como uma nação. Esse fenômeno pode ser comprovado ao entrarmos em contato com qualquer jornalismo ou comentário esportivo, os quais utilizam seguidamente manchetes como “Parabéns Nação Corinthiana!”36 ou “(...) um grupo de 35 torcedores fundou oficialmente a Associação

Nação Santista.”,37 expressões que se referem aos times de futebol Corinthians e Santos,

respectivamente..

Além dessa associação ao campo de nação, as designações dos torcedores, quando não apelidados e nomeados segundo particularidades especificas, sofrem os mesmos processos morfológicos que os gentílicos de origem toponímica. A classe de palavras que designa essas pessoas é a mesma, são adjetivos que dão valor semântico aos indivíduos adeptos. As construções são feitas seguindo as mesmas regras levantadas neste trabalho. Para torcedores do time de futebol Sociedade Esportiva Palmeiras, por exemplo, há o adjetivo palmeirense e o palestrino (devido ao antigo nome do time Palestra Itália), para o Sport Club Corinthians Paulista há o adjetivo corinthiano, para o Botafogo de Futebol e Regatas há os adjetivos botafoguense e alvinegro, para o Santos Futebol Clube há o adjetivo santista e para o São Paulo Futebol Clube há o adjetivo são-paulino.

36 http://globoesporte.globo.com/blogs/especial-blog/torcedor-do-corinthians/post/parabens-corinthians- parabens-nacao-corinthiana.html

37 http://www.atribuna.com.br/noticias/noticias-detalhe/santos-fc/associacao-nacao-santista-quer-virar-uma- usina-de-ideias/?cHash=c7b9cac36d78e438e3ed5575c5751455

Observemos que para todos esses exemplos de times de futebol brasileiros, os morfes utilizados são os mais produtivos na formação dos gentílicos. Com exceção o time São Paulo, que possivelmente para distinguir-se dos habitantes do Estado (paulistas) e da cidade (paulistanos) se realiza como são-paulino.

Se partirmos da hipótese de que a forma de nomeação dos torcedores está ligada diretamente à forma de nomear os habitantes das cidades, estaríamos parcialmente certos quando dizemos que quem é Santista é torcedor do Santos e habitante do município de Santos (SP), porém, como chegaríamos à localidade exata do torcedor do Atlético Mineiro, do Corinthians, ou do Vasco? E em relação ao time Ituano? Chamamos o torcedor do Ituano de ituanista, ou não há designação específica? Dessa forma, podemos cair em diversos equívocos: o primeiro é que nem todos os nomes de time podem receber “gentílicos” ou adjetivos para identificar seus torcedores; e o segundo é que muitos dos nomes de times são formados por meio de gentílicos, como: Curitibano, Paulista de Jundiaí, Ituano, etc.

Portanto, os mecanismos da língua responsáveis pelo campo lexical de estudo dos topônimos e gentílicos também são responsáveis pelo campo dos times esportivos, principalmente de futebol no Brasil. A causa mais provável dessa partilha de propriedades linguísticas advém do fato de grupos de pessoas que partilham de mesmas características, estilo de vida ou origem também serem qualificados por meio de adjetivos que carregam essas cargas semânticas.

Resumindo:

 alguns dos sufixos utilizados para a formação dos gentílicos também são utilizados para formar outras palavras pertencentes a outros campos lexicais, como os adjetivos que designam os profissionais de dada profissão, por exemplo;

 mudar o percurso de observação do fenômeno linguístico, do gentílico ao topônimo, abriria um leque para diferentes resultados;

 os gentílicos não são somente utilizados com topônimos, são utilizados com outras entidades nomeadas que representam grupos de indivíduos ou adeptos de times de futebol, clubes, etc.;

maneira, fez-se necessária a possibilidade de criar gentílicos (estruturas de formação de gentílicos) que pudessem abarcar todas as formas em que a unidade base se encontraria;

 os gentílicos estão ligados à ideia de pertencimento expressa pelas pessoas ligadas aos grupos, culturas e locais;

 mesmo com a variedade de constituição de topônimos (uns são nomes indígenas, outros nomes de santos, etc.), os processos morfológicos conseguem abarcar todas as unidades, e isso pode ter refletido na capacidade de criar adjetivos designativos com os mesmos sufixos gentílicos, como no caso dos times de futebol;