1.15. Antrenörlerde Liderlik Davran ışları
1.15.1. Liderlik ve Etkili Antrenörlük
A manifestação religiosa na pós-modernidade é um misto de transcendência e fragmentação do sagrado. Fato que resulta na eclosão de uma enorme diversidade de credos e porosidade da fé. Paradoxalmente, no mundo global e secularizado observa-se um retorno às tradições religiosa, inclusive do Oriente, de cuja heterogeneidade mística deriva o hibridismo religioso e pragmático, que vai se mesclar a inúmeras
tendências religiosas no Ocidente, tanto de gênese católica como protestante ou esotérica.
Se por um lado, se esvazia a ideia de fidelidade a um culto religioso, por outro se mercantiliza a fé na violenta disputa mediática por adeptos. Nesse espaço plural a religiosidade se reveste de forte cunho emocional embotando, muitas vezes, a razão. Nesse inusitado trânsito religioso a experiência com o sagrado se banaliza entre os supostos milagres e o frenético consumo de bens religiosos. Naturalmente, os contornos do divino se diluem numa virtualidade mercenária de um Deus negociável sempre a serviço do homem.
Nas ciências pelo seu caráter institucional a assimilação do novo espírito do tempo ocorreu de forma mais lenta, o que possibilitou certa diluição dos impactos. Nesse ramo do conhecimento, as luzes da incerteza se projetaram não como parâmetro para desestabilizar ou desconstruir (como preferem os pós-modernos), a base de prospecção evolutiva do saber científico, mas como evidência plausível de que os fundamentos da ciência precisam extrapolar os limites sensoriais, para que se apreendam no fenômeno investigado indícios, significados para além dos estreitos campos perceptivos da realidade.
Por vias diferentes, os cientistas e filósofos Gaston Bachelard (1978) e Albert Einstein (2007) defendem nas suas teorias a recorrência ao liame intuitivo como ferramenta determinante na expansão do conhecimento científico. Por sua vez, os filósofos da ciência Popper e Kuhn, apesar de algumas divergências metodológicas, apresentam semelhanças de base epistemológica. Sem olvidar do importante contributo de Émile Durkheim (1996) ao defender nos seus estudos sociológicos que, tomando por base as formas primitivas da vida religiosa, há uma sensível permeabilidade entre as fronteiras do conhecimento científico e religioso.
Na teoria de Karl Popper (1975) o critério de demarcação científica é o princípio de refutabilidade ou falsificabilidade. Também reconhecido por Wilber (1998, p.64) como um dos defensores da integração das Três Grandes, denominadas por ele dos “três mundos: [...] subjetivo (Eu), cultural (Nós) e objetivo (Ele).
Enquanto para o físico Thomas Kuhn (2006) a teoria científica obtém validade por intermédio de injunção32 ou aplicabilidade de paradigma, que contém no seu bojo tanto referências objetivas como subjetivas. Na sua famosa obra, A Estrutura das
Revoluções Científicas, ele reflete também acerca das dimensões históricas e sociais
como elementos constitutivos da produção científica.
Some-se a essa releitura crítica da ciência formal uma tentativa não menos importante de pensadores que apontam para um possível realinhamento entre ciência e religião. Nessa proposição, o físico Fritjof Capra (1983) publica seu best seller, O Tao
da Física que, para além das controvérsias acadêmicas, representa um grande avanço
no sentido de uma coerente aproximação da ciência com a espiritualidade. Nesse ensaio teórico, Capra traça um paralelo entre a física moderna e a religião oriental à luz da teoria da relatividade e da mecânica quântica, e defende que a mente humana comporta o racional e o intuitivo; o analítico-sintético e o contemplativo. Mais recentemente, Capra (2002, p.86) retoma a discussão por uma ciência crítica, onde a racionalidade aberta, ancorada na complexidade conjuntiva dos saberes
emancipatórios, amplie a noção de sentido e significado “como uma expressão
sintética do mundo interior da consciência reflexiva, que contém uma multiplicidade de características interrelacionadas”.
Numa perspectiva semelhante, porém, mais abrangente, se destaca o filósofo Ken Wilber (1998, p.166), quando propõe uma teoria integral em que o “contrato pré- nupcial” entre ciência e religião deva conter revisões, aproximações e, sobretudo, concessões por cada um dos consorciados. Para tanto, indica uma trilha de respeito e libertação para toda humanidade e conclama o reino temporal do iluminismo ocidental, através da ciência com sua verdade essencial, a se integrar ao reino atemporal do iluminismo oriental, com sua liberdade espiritual. Porque ambos os iluminismos “oferecem liberdades que a evolução levou bilhões de anos para desenvolver, [...] e falam aos corações mais bondosos, almas mais elevadas e destinos mais profundos de uma humanidade comum” (WILBER, 1998, p.165). Ou seja, esse manancial de sabedoria precisa reintegrar as Três Grandes esferas de valores culturais: arte (beleza),
32Esta é uma das “três linhas válidas de conhecimento” propostas por Wilber (1998), seguida de perto pela apreensão e confirmação (ou rejeição).
ciência (verdade) e religião (ética), a fim de evitar um colapso na contextura da vida em sociedade.
Mais recentemente, surge uma obra de grande impacto nos meios acadêmicos:
A Linguagem de Deus, do cientista religioso, Francis Collins, primeiro diretor do
Projeto Genoma. Profundo conhecedor da estrutura do DNA, o código genético, ao desvendá-lo mostra evidências da “ação criativa divina” (COLLINS, 2007, p.99), que se revela numa linguagem de infinitas combinações em níveis inimagináveis e conclui como sendo esta uma das expressões mais genuínas dos atributos de Deus na composição da vida. Uma demonstração singular de que há um liame ainda pouco visível que interpenetra os conhecimentos científico e religioso. Ao invés de se excluírem eles se complementam. Nesse diapasão, se afirma a engenharia genética como um novo modelo de tangibilidade, capaz de redesenhar “uma nova ordem paradigmática de produção e relação ambiental”, pontua Moreira (2008, p.146).
Em suma, como já afirmava Kardec (2004, p.377) na segunda metade do século XIX, “a ciência [...] é convidada a constituir a verdadeira gênese, segundo as leis da natureza. Os descobrimentos da ciência glorificam a Deus, em vez de o rebaixarem, e não destroem senão o que os homens edificaram sobre ideias falsas, que fizeram de Deus”.