X. HELLENİSTİK DÖNEMDE BATI ANADOLUDAKİ PROPAGANDA AMAÇL
X.2. Lagina Hekate Tapınağı
Com o roteiro básico de entrevistas pronto, estabeleci contato com as escolas para programar as visitas às professoras. Embora, na Rede Municipal de Belo Horizonte, os professores estivessem passando por uma avaliação de desempenho, fato que, associado à presença de um pesquisador na escola poderia causar desconforto, não encontrei dificuldades para agendar as entrevistas. Entrevistei três professoras da Rede Municipal de Belo Horizonte em duas escolas situadas na região do Barreiro de Baixo e uma professora de outra Rede Municipal da região metropolitana. Na rede particular, entrevistei cinco professoras, sendo duas atuando em uma escola de Belo Horizonte e as outras três atuando em escolas de outro município.
As entrevistas ocorreram em clima de cordialidade, e as professoras mostraram-se bem interessadas em participar da pesquisa. Vale ressaltar que nenhum roteiro é completo e que a cada entrevista sentíamos necessidade de incorporar novas questões ao roteiro que previamente havíamos estabelecido. As professoras tinham muito o que falar sobre sua relação com a Matemática e com o seu ensino. Evidentemente, nem tudo do material coletado será contemplado em nossas análises, mas não poderíamos deixar de registrar a riqueza do conteúdo das entrevistas.
A minha primeira entrevista foi com a professora Adriane9, formada em
Magistério de 2º grau. Possui pouca experiência na docência e trabalha numa escola particular de pequeno porte na região metropolitana de Belo Horizonte. No princípio, a professora aparentava estar muito nervosa, limitando-se a dar respostas curtas ao que lhe era perguntado. Adriane contou que sua relação com a Matemática foi muito traumática principalmente devido aos professores que teve, fato que a levou a se desgostar da disciplina.
No final, mais tranqüila, afirmou que gostou de participar da pesquisa e se mostrou pronta para outras participações.
Já a segunda entrevista ocorreu em uma escola particular de grande porte situada no mesmo município da primeira. A professora Adélia, pedagoga com muita experiência, desde o início aparentava tranqüilidade, mesmo quando relatava seu passado com a Matemática e as dificuldades enfrentadas na escola fundamental com anúncios de reprovação e comparações que os professores faziam entre ela (que não aprendia Matemática) e o irmão (que aprendia Matemática). Sempre muito positiva, falava com gosto de sua relação com essa matéria e teceu as conjunturas de sua formação que acabaram por levá-la a afirmar que se considerava uma “professora de Matemática também”. Essa afirmação espontânea me despertou o interesse de a propor como questão para às demais entrevistadas. Então a pergunta: “Você se considera uma professora de Matemática?” foi incorporada ao roteiro da entrevista.
Elisângela, formada em Magistério de 2º grau, professora da mesma escola que Adélia, foi também muito receptiva. Seu depoimento mostrou grande preocupação com os alunos e com os conteúdos a serem ensinados. Não tinha boas recordações do seu passado escolar em relação à Matemática, não via sentido nas coisas que estudava e procurava fazer agora, como professora, um trabalho bem diferente daquele que vivenciou como aluna. Tinha consciência das atividades que deveria promover na série em que atuava e das repercussões que um trabalho mal desenvolvido poderia trazer para os alunos e para as professoras das séries seguintes.
A quarta entrevistada, Aparecida, pedagoga há mais de 10 anos atuando na Rede Municipal de Ensino de Belo Horizonte, ao contrário das demais, teve uma trajetória tranqüila com a Matemática e disse gostar da matéria e dos professores que teve durante sua vida escolar.
Hilda, formada em Magistério de 2º grau e com pouca experiência na docência, foi a quinta entrevistada. Desde o início, mostrou-se curiosa em participar de uma entrevista que fazia parte de uma pesquisa acadêmica sobre professoras dos ciclos iniciais do Ensino Fundamental. Achava que a experiência lhe seria interessante, pois também tinha o desejo de fazer uma pós-graduação. Sua relação com a Matemática na época de estudante foi muito tranqüila apesar de um certo “terrorismo” que, segundo ela, alguns professores da área de exatas gostavam de fazer com os alunos, revelando a assimetria na relação e o jogos de poder.
A professora Catarina trabalha na mesma escola em que atua a professora Hilda e foi a entrevistada seguinte. Formada em Magistério de 2º grau, tinha um jeito “engraçado” de falar, relatou casos da sua época de estudante, inclusive o de uma colega agredida pela professora. Não teve facilidade com a Matemática e creditava seu insucesso aos professores que, segundo ela, tinham dificuldade de relacionar os conteúdos estudados à vida cotidiana.
Pedagoga, recém-formada, Aline foi a sétima entrevistada. Atua numa escola particular de pequeno porte em Belo Horizonte. Muito consciente em sua fala, apontou lacunas em sua formação inicial no que diz respeito à Matemática. Apresentou alguns problemas com a Matemática escolar, principalmente no 1º ano do Ensino Médio, e hoje encontra dificuldades de trabalhar essa matéria, principalmente devido à proposta da escola.
Lúcia trabalha na mesma escola de Alice, porém não estava na lista das entrevistadas. Quando cheguei à escola, a diretora sugeriu: “Conversa com a Lúcia, ela tem muita experiência e pode contribuir para o seu trabalho”. Sendo assim, depois da entrevista com Alice, passei a entrevistar Lúcia. A pedagoga, muito falante por sinal, narrou fatos de sua vida que acabaram por conduzi-la ao Magistério. Sempre teve facilidade com a Matemática escolar e ajudava muito as colegas em sala. Também, como Alice, apontou falhas na sua formação inicial e sente necessidade de ter uma preparação maior para trabalhar com a Matemática.
A última entrevistada, Sônia, leciona em outra Rede Municipal da grande Belo Horizonte. Em seu relato, falou muito do posicionamento político da professora e das relações conflituosas existentes entre os professores dos ciclos finais e as professoras dos ciclos iniciais do Ensino Fundamental. Também nos disse sobre sua paixão de ensinar e sobre o olhar maternal com o qual acompanha seus alunos. Pedagoga, com experiência, justifica sua preferência em trabalhar especificamente com a Matemática devido à facilidade que teve com a matéria no período escolar e também na faculdade.