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5. SONUÇ VE ÖNERİLER

5.1. Sonuçlar

Em vista da monumental obra intelectual que produziu, além de sua atuação nos vários campos do saber e do sucesso obtido com a venda de seus romances, é de se espantar que a figura do ficcionista Afrânio Peixoto tenha sido relegada a um apagamento sem precedentes na historiografia literária brasileira.

Dentre suas várias facetas, em se mencionando sua atuação como literato, foi no campo do romance onde Peixoto destacou-se como uma das mais conhecidas personalidades das primeiras décadas do século XX. No livro intitulado Do Meu Alforge, Luiz Annibal Falcão partia do princípio que:

Esta é uma face apenas dêsse espírito em perpétua febre de trabalho. Na verdade, o grande público conhece-o mais como romancista, — talvez o mais lido no Brasil, pois todo mundo leu A Esfinge, Maria Bonita, Fruta do Mato, As Razões do

Coração, Bugrinha, Uma Mulher como as outras e Sinhàzinha, e todo o mundo conhece as heroínas frívolas ou sinceras, requintadas ou singelas, desdenhosas ou apaixonadas, a quem êle comunicou êsse sôpro de vida palpitante que é o segredo do artista criador. [...] (FALCÃO, 1945, p. 27).

Como se pode ver pela citação supracitada, Afrânio Peixoto era por todos conhecido graças ao seu talento de ficcionista, um precursor da literatura best-seller no Brasil. No entanto, o que se constata atualmente em relação à sua obra romanesca é uma inaudito revés, uma vez que este outrora tão famoso escritor não é hoje conhecido pelos estudantes ou sequer mencionado nas cátedras de Letras do país.

A figura 11 apresenta uma foto da Casa Memorial Afrânio Peixoto em Lençóis. O anteriormente renomado escritor hoje está esquecido e desvalorizado pela historiografia literária brasileira.

Figura 11 – Foto da Casa Memorial Afrânio Peixoto, em Lençóis (BA)

Fonte: Jornal da Chapada (2017).

Em seu ensaio Arremates de Afrânio Peixoto, Josué Montello compartilha sua solidariedade à memória do escritor baiano quando afirma que:

Sempre me pareceu excessiva, e mesmo descabida, a campanha que denegriu, de modo quase sistemático, o nome e a obra de Afrânio Peixoto, nos últimos nos de sua vida estudiosa.

O livro de Leonídio Ribeiro lhe consagrou, como seu discípulo, como seu amigo, não bastou para alterar-lhe a imagem negativa, que teria tido como pretexto a frase de uma conferência. Aquela em que, na tribuna da Academia, definiu a literatura como o sorriso da sociedade.

Fui testemunha do massacre. E como, ao tempo, ainda moço me faltaria autoridade para entrar na polêmica, esperei que o tempo fluísse, para que ele próprio restabelecesse o bom nome de uma das mais altas figuras da inteligência e da cultura brasileira.

No entanto, não foi isso que se deu.

E como, por preguiça e por ignorância, há ainda quem insista em bater na mesma tecla, sem conhecer a vida e a obra de Afrânio (com quem convivi por largos anos), o resultado é que o saldo da campanha negativa ainda hoje perdura, destoando da imagem verdadeira. (MONTELLO, 2018, p. 1).

O primeiro golpe ao legado literário de Afrânio Peixoto foi “Conseqüência dos preconceitos postos em circulação pelo modernismo [...]”. Daí ao uso equívoco de sua expressão — “sorriso da sociedade” — denegriu-se não apenas a obra romanesca do citado escritor, mas rotulou-se todo o período literário das décadas 1910-1930, “[...] decisão que aberra completamente de qualquer orientação científica e técnica em historiografia literária.” (COUTINHO, 1962, p. 32).

Contudo, da parte de Peixoto, nunca houve por ele algum ranço contra o Modernismo, pois como ele mesmo havia declarado em seu depoimento a Homero Senna:

— Todos os movimentos vanguardistas são úteis à cultura [...] A negação, feita pelos novos, é sempre uma atitude salutar porque abre o debate, estabelece a controvérsia. Por isso jamais combati o Modernismo. O mérito de qualquer reação está menos nas idéias dos que a promovem do que na simples rebeldia contra os modelos estatuídos, que, do contrário, tenderiam a se eternizar, sem proveito para ninguém. O moço irreverente,quando vencer, será o velho desse momento e não escapará ao furor iconoclasta dos jovens da hora seguinte. Assim é que o mundo avança. [...] (PEIXOTO apud SENNA, 1996, p. 87).

O segundo golpe que parece haver corroborado para o desaparecimento do prestígio literário de Peixoto foi o seu veto à eleição de Getúlio Vargas para a ABL (o que ocorreu à sua revelia, em 1943). Como forma de protesto:

Afrânio não se limitou a recusar o voto — deixou de freqüentar a Academia, por entender que, para a vaga de Alcântara Machado, não devia ser eleito quem se havia batido contra ele [Getúlio]. Limitou-se, daí em diante, a freqüentar a biblioteca e o arquivo da instituição — que sensivelmente enriquecera — e a colaborar na revista da casa, além de visitar diariamente ali o seu velho amigo Fernando Nery, então chefe da Secretaria da Academia.

Teria surgido daí a campanha contra ele? Não posso afirmar. O que sei é que os dois fatos foram concomitantes. (MONTELLO, 2018, p. 1).

Apesar da intensa campanha promovida contra sua obra, é incontestável o êxito de Peixoto em seus diversos projetos profissionais, ainda mais em se tratando de sua trajetória nas letras brasileiras. Na ficção regionalista, filão onde se sobressaiu, seus romances inauguraram um estilo novo na literatura nacional, como expressa Afrânio Coutinho ao dizer que:

[...] Para chegarmos a muitas conquistas modernistas, especialmente na incorporação do nacional à ficção, com vistas à criação do romance brasileiro, há que se levar em conta o esfôrço realizado desde Alencar, e nessa linha a obra de Afrânio Peixoto ocupa um lugar muito destacado. (COUTINHO, 1962, p. 33).

Sobre a essência da arte literária peixotiana que se fez notória tanto no Brasil quanto no exterior, vale destacar o depoimento de Pedro Calmon em sua História da Literatura Baiana, quando declara que Afrânio Peixoto:

[...] Podia ser julgado na sua ‘forma’, em que se entremeiam eloqüência, realismo, doçura e malícia, e na intenção social, biográfica, irônica ou simplesmente descritiva de seus romances, pela seleção do que êle próprio achava ser o melhor dêles. Seu estilo, em que acharia a limpidez vernácula de Machado, com um ressaibo regionalista de Euclides da Cunha, nas emoções novelescas de José de Alencar — que, de fato, há nos seus romances enrêdo, paisagem e interiorismo ao sabor dos três mestres [...] Escreveu com uma objetividade perfeita o drama da vida rural, a comédia urbana, as próprias recordações (espalhadas harmoniosamente por todos os seus livros), sem tracejar limites visíveis entre a novela e o ensaio, o entrecho imaginário e a realidade, as concessões da inspiração e a vera história. Por sua ampla bibliografia poderá reanimar-se — evocando-as em preciosos pormenores — a sociedade que êle analisou, as gerações que desfilaram diante dos seus olhos benévolos e fotográficos. (CALMON, 1949, p. 219-220).

Assim como Calmon, Luiz Annibal Falcão (1945, p. 27) faz questão de relembrar a relevância da obra romanesca de Peixoto ao declará-lo: “[...] Romancista, criador de vida, forjador de almas, lido e relido de Norte a Sul do país, membro da Academia Brasileira, traduzido em várias línguas, o único escritor brasileiro possuidor de um verdadeiro público em Portugal [...]”.

Do mesmo modo, em seu Quadro Sintético da Literatura Brasileira, Alceu Amoroso Lima (1956, p. 63) acrescentava que “[...] Além desses livros, exclusivamente literários, deixou Afrânio Peixoto uma extensa obra de crítica [...] de homem de ciência, que ascende a cêrca de 100 volumes e o consagrou como um dos maiores homens de letras brasileiros da sua época.” (LIMA, 1956, p. 63).

Com toda essa gama de argumentos até aqui apresentada, mais do que nunca se faz necessário que os meios acadêmicos brasileiros reavivam o seu interesse pelo estudo da obra ficcional de Afrânio Peixoto. Ao se pensar a literatura deste escritor esquecido como expressão da sociedade em que viveu, suas narrativas tanto mostram um painel vivo da elite carioca da primeira metade do século XX, quanto apresentam um retrato do Brasil baiano- sertanejo genuinamente nacional.

3 A BAHIA REGIONALISTA DE AFRÂNIO PEIXOTO: A TERRA, A GENTE E A

Benzer Belgeler