• Sonuç bulunamadı

4. ARAġTIRMA SONUÇLARI VE TARTIġMA

4.2. Araştırma Analiz Sonuçları

4.2.6.1. L* değeri sonuçları

No presente estudo, os principais resultados encontrados através da análise univariada foram a associação dos seguintes fatores de risco:

 para o VHB – antecedente de icterícia e contato sexual de risco, que inclui tanto parceiro infectado quanto promiscuidade;

 para o VHC – houve tendência a significância ser da raça negra, diabetes mellitus, uso de drogas injetáveis, tatuagem e ter sido submetido a transfusão de sangue antes de 1993.

Após análise multivariada realizada por regressão logística foram encontrados como fatores de risco independentes para o VHB: antecedente de icterícia e promiscuidade sexual. Para o VHC foram diabetes mellitus, transfusão sanguínea antes de 1993 e tatuagem.

Nosso estudo encontra-se em acordo com diversos relatos na literatura em relação aos principais fatores de risco. Os fatores de risco mais frequentemente citados são transfusão de sangue, uso de droga injetável e uso de seringas não descartáveis, sendo o uso de drogas injetáveis consideradas predominantes em países desenvolvidos, enquanto transfusão de sangue e uso de seringa não descartável são mais frequentes em países em desenvolvimento (ALTER, 2002; SHEPARD et. al., 2005; BAHA et. al., 2013).

Segundo Pereira e colaboradores (2013), os principais fatores de risco associados à positividade para a infecção pelo VHC no Brasil foram transfusão de sangue, hospitalização nos últimos 12 meses, tatuagem, parceiro infectado, uso de drogas inaláveis e injetáveis, uso de seringa de vidro e situações de extrema pobreza.

Em nossa amostra, 53 (5,33%) das pessoas apresentaram antecedente de icterícia e destas, 2 (3,77%) foram positivas para o VHB, havendo associação desse fator de risco com a positividade para a infecção pelo vírus B (p=0,0254). Essa associação foi confirmada posteriormente através da análise de regressão logística multivariada.

Baha et.al., (2013), estudando doadores de sangue da cidade de Morocco, encontrou como fator de risco para a positividade do AgHBs tanto antecedente de icterícia (OR=1,4; p=0,03) quanto história de comportamento sexual de risco (OR=2,9; p<0,01).

O risco de contaminação pelo VHC relacionado à transmissão sexual é controverso e não há dados na literatura que solucionem essa questão definitivamente. Relatos que sugerem a transmissão intrafamiliar, como a alta prevalência entre indivíduos da mesma família por vezes são fatores confundidores, como os encontrados por Ozer et.al., (2012) em estudo realizado numa pequena cidade da Turquia, onde houve diferença estatisticamente significativa na positividade do Anti-VHC entre os indivíduos casados em relação aos solteiros (OR=8,7; 95% IC=1,2-63,7).

Cavalheiro et. al. (2009) concluiu em um estudo realizado entre casais com diagnostico de infecção por HCV que uma das formas de transmissão do vírus pode ser através do compartilhamento de objetos de uso pessoal, entretanto concluiu ainda que a promiscuidade sexual, o uso de drogas ilegais e a presença de DST`s antes de um relacionamento estável são fortes fatores de risco, principalmente no sexo masculino. Por esta razão, há a possibilidade de que o risco ligado ao comportamento sexual ocorra apenas em relação à infecção pelo vírus B, fato verificado também por Valente e colaboradores (2005), que em estudo realizado com doadores de sangue na cidade de Ribeirão Preto ressaltou a ausência de associação com o sexo em relação à hepatite C.

Com a descoberta do vírus da Hepatite C por Choo e colaboradores em 1989 e a implementação obrigatória dos testes de triagem em doadores de sangue a partir de 1993, a transmissão do vírus C, antes associada quase que exclusivamente à transfusão de sangue, passou a ser associada ao uso de drogas ilícitas, principalmente na população mais jovem com um histórico médico que sugere contaminação mais recente. Em nosso estudo, o uso de drogas injetáveis foi relatado por 2 (0,2%) pessoas. Entre os indivíduos com soropositividade para a Hepatite C, 1 (50%) referiu ter feito uso de drogas injetáveis, sendo essa uma associação estatisticamente significante (p=0,0359). Por se tratar de uma faixa etária mais alta do que na maior parte dos estudos, pode-se inferir que a contaminação tenha ocorrido em um passado mais distante.

Gramenzi e colegas (2010) realizaram um estudo com 560 pacientes na Itália e distribuiu sua amostra entre pacientes com menos de 65 anos e pacientes com 65 anos ou mais. Os que encontravam-se na faixa acima de 65 anos apresentaram um menor consumo de drogas intravenosas.

Ter sido submetido a transfusão sanguínea antes de 1993 foi relatado por 87(8,74%) indivíduos em nosso estudo, sendo que destes 10 (11,49%) foram positivos para o VHC, havendo associação deste fator de risco com a positividade da infecção pelo vírus C (p<0,0001). Tal fator de risco foi confirmado na análise de regressão multivariada. Este dado corrobora o de diferentes estudos realizados em áreas distintas ao mostrar a hemotransfusão como um grande fator de risco para a contaminação pelo vírus C (MONICA et. al., 1998; SEONG et.al., 2013; KING et.al., 2009)

Em usuários de um serviço público de saúde no Paraná, Rodrigues Neto et.al. (2012) recentemente verificou associação significativa com história de transfusão de sangue (OR=6,1; IC95%=1,99-18,73) e tatuagem (=0,001).

Em relação à tatuagem, encontramos uma prevalência de 1,21%, sendo que de 12 indivíduos, 2 (16,67%) eram anti-VHC positivos, com associação estatisticamente significante desse fator de risco com a positividade para o anticorpo da hepatite C, sendo confirmado como fator de risco independente após análise de regressão logística multivariada.

O risco de contaminação pelo vírus da hepatite C associado à tatuagem reside no fato de que as mesmas podem ser realizadas com materiais reutilizados e não esterilizados corretamente. Apesar de estar mais fortemente associado a populações de alto risco (URBANUS et.al., 2011), recentemente em um estudo de revisão sistemática que incluiu 124 artigos, foi associada à hepatite C (OR=2,74; IC95%=2,38-3,15), sendo ainda mais importante em não usuários de drogas injetáveis (OR=5,74; IC95%=1,98-16,66) (JAFARI et.al., 2010)

Por se tratar de uma população com provável dificuldade de leitura e entendimento do questionário, foi realizada uma entrevista com cada um dos sujeitos. Talvez, por acreditarem que questões relacionadas a alguns fatores de risco fossem irrelevantes, por medo ou vergonha, há a possibilidade de que o número de idosos que tenha feito uso de drogas no passado seja maior do que o encontrado. Observamos esse fato também em relação ao uso do polivitamínico Gluconergan®, cujo relato ocorreu em apenas 4 pessoas (0,4%).

Benzer Belgeler