Nas diversas espécies de rede de telecomunicação, tanto o início como o final - os consumidores -, eram específicos de cada rede. Todavia, quando se refere a meios de transmissão - o caminho percorrido do usuário inicial ao usuário final - são iguais
421
Odlyzko, Andrew. The history of communications and its implications for the Internet. 2000. Disponível em: < http://www.dtc.umn.edu/~odlyzko/doc/history.communications0.pdf > Acesso em: 14/04/2014.
422 FEDELI, Marco Aurélio. Implantação de Sistema VoIP. 2008. Disponível em: < http://analiseseopinioes.blogspot.com.br/2008/09/implantao-de-sistema-voip.html > Acesso em: 15/04/2014.
423 É uma rede independente. Várias redes VLAN's podem existir simultaneamente em um único comutador, para dividir sessa rede local em mais de uma rede virtual.BRITO, Pedro do Rosário.
Implementação de uma VLAN. Disponível em:
http://bdigital.unipiaget.cv:8080/jspui/bitstream/10964/290/1/Pedro%20Brito.pdf > Acesso em: 18/05/2014. 424 É uma rede de comunicação privada utilizada por empresas, para separar a rede privada da rede pública. BORGES, Fábio; FAGUNDES, Bruno Alves; e CUNHA, Gerson Nunes da. VPN:Protocolos e
Segurança. Disponível em: <
http://www.lncc.br/~borges/doc/VPN%20Protocolos%20e%20Seguranca.pdf > Acesso em: 18/05/2014. 425
FEDELI, Marco Aurélio. Implantação de Sistema VoIP. 2008. Disponível em: < http://analiseseopinioes.blogspot.com.br/2008/09/implantao-de-sistema-voip.html > Acesso em: 15/04/2014.
para todos os tipos de rede. Isso significa que, antes mesmo da era digital426, sempre que havia a oportunidade uma rede se interligar a outra rede, ou seja, uma rede utilizar os meios de transmissão de outra, obviamente aquela que possuísse mais capacidade.427
Logo no início da digitalização do serviço de telefonia, que se deu nas grandes metrópoles, isso porque as concessionárias não conseguiam a autorização necessária das Prefeituras de pequenos Municípios para a construção de novos dutos, que possibilitassem o crescimento e desenvolvimento das redes de telefonia existentes, com o objetivo único de atender a demanda por serviços telefônicos.428
Dessa maneira, em 1962, iniciou-se a utilização comercial dos primeiros sistemas Pulse Code Modulalion - PCM de 1ª ordem para a melhoria da prestação do serviço de telefonia, o que possibilitou um avanço em cerca de 10 vezes a capacidade dos cabos de pares429 até então instalados.430 O uso comercial de centrais de comutação totalmente digitais,431 inicia-se cerca de 10 anos depois do uso comercial do PCM, por volta da década de 70.432 Pelo crescimento dos sistemas PCM na transmissão e também de centrais de comutação digital, a rede de telefonia vai gradativamente tornando-se digital - formando a Rede Digital Integrada - RDI.433
Com o constante avanço digital da rede de telefonia, em 1984, o antigo Comitê Consultivo Internacional em Telegrafia e Telefonia - CCITT, publica a recomendação I.120, suscitando o entendimento de uma Rede Digital de Serviços Integrados, que
426 Era digital refere-se a inserção da internet nos serviços de telecomunicações, ocorrendo inicialmente na década de 30 e fixando-se na atualidade como a maior rede de telecomunicação.
427
RODRIGUES, Francisco Luís dos Santos. Tendências tecnológicas em telecomunicações e seus
impactos na regulação do setor. Portal Anatel: Brasília. 2010. Disponível em: <
http://www.regulacao.gov.br/artigos/tendencias-tecnologicas-em-telecomunicacoes-e-seus-impactos-na- regulacao-do-setor > Acesso em: 23.05.2014
428
LEHFELD, Lucas de Souza. As novas tendências na regulamentação do sistema de
telecomunicações pela Agência Nacional de Telecomunicações - ANATEL. Rio de Janeiro: Renovar.
2003. p. 121. 429
Nos cabos de pares instalados, cada conversação telefônica usava um par (ligação a 02 fios); com o uso do PCM (inicialmente de 24 canais), cada conversação telefônica passa a usar 02 pares (01 para a transmissão mais 01 para a recepção). Além disso, é necessário o uso de mais alguns pares para alimentar os regeneradores do PCM, instalados nas câmaras subterrâneas ao longo dos cabos.
430
MOTOYAMA, Shusaburo. Capítulo 3 : Transmissão e Multiplexação Digitais. Disponível em < http://www.dt.fee.unicamp.br/~motoyama/ee981/apostilas/Capitulo3.pdf> Acesso em: 09.05.2014. 431 "Nessa época, não se vislumbrava a convergência de serviços, tanto assim que os sistemas PCM a partir da 2ª ordem não têm a preocupação de, ao multiplexar as informações dos diferentes tributários de ordem mais baixa, preservar as amostras originais (de 07 ou 08 bits) dos diferentes canais telefônicos (analógicos) multiplexados Levando à necessidade de demultiplexação total, até a 1ª ordem, cada vez que se transmitia em velocidades maiores e se tinha de extrair algum canal do sinal de alta velocidade." MOTOYAMA, Shusaburo. Capítulo 3 : Transmissão e Multiplexação Digitais. Disponível em < http://www.dt.fee.unicamp.br/~motoyama/ee981/apostilas/Capitulo3.pdf> Acesso em: 09.05.2014.
432 TELEPHONE WORLD. Telephone Switch Timeline. Disponível em
<http://www.phworld.org/switch/timeline.htm> Acesso em: 09.05.2014.
433 MOTOYAMA, Shusaburo. Capítulo 3 : Transmissão e Multiplexação Digitais. Disponível em < http://www.dt.fee.unicamp.br/~motoyama/ee981/apostilas/Capitulo3.pdf> Acesso em: 09.05.2014.
utilizasse a rede de transmissão do PCM e prestasse o serviço de telecomunicação em seus vários ramos - texto, áudio, imagens e dados.434
Importante dizer que atualmente preza-se pelo entendimento que as plataformas de telecomunicações estão caminhando rumo a uma plataforma comum que é inclusive defendida pelo Programa Geral de Atualização da Regulamentação das Telecomunicações no Brasil - PGR da ANATEL.435 Com a onipresença atualmente da redes de telecomunicações no dia a dia da sociedade - seja pelo avanço da telefonia fixa, da telefonia móvel, ou da Internet - é que se depara com a ideia ainda a ser bem desenvolvida, da prestação de qualquer serviço "a qualquer tempo, em qualquer lugar, através de qualquer interface" 436 (citado no PGR, entre os princípios regulatórios - princípio da ubiquidade).437
Hoje em dia com o surgimento da convergência dos serviços, isto é, diferente serviços serem prestados conjuntamente, utilizando uma estrutura de rede como apoio, torna-se inviável, cada um desses serviços simultâneos, possuírem obrigações regulatória diversas. Outra limitação inviável é a que se refere a prestação mediante protocolo IP de serviços convergentes possuírem limitação geográfica para a prestação do serviço - um usuário de VoIP, pode usufruir do serviço lá no Japão, e possuir a autorização da prestação do serviço de VoIP no Brasil, na numeração 013 - isso não apenas é possível, como acontece, haja vista que o VoIP é um serviço móvel, que pode ser usufruído tanto através de um computador, como através de um telefone com o Analogic Telephone Adaptar - ATA.438
Essa limitação de área para outorga até pode continuar a existir, em relação à comercialização da prestação desses serviços, todavia, tal limitação é de difícil
434
ITU-T. Recommendation I.120 – Integrated Services Digital Networks (ISDNs). Disponível em
<http://www.itu.int/rec/T-REC-I.120-199303-I>. Acesso em: 18.05.2014. 435
Portal ANATEL. PGR - Plano Geral de Atualização da Regulamentação das Telecomunicações no
Brasil. Aprovado pela resolução nº 516 de 30 de outubro de 2008. Disponível em: <
http://www.anatel.gov.br/Portal/verificaDocumentos/documento.asp?numeroPublicacao=233747&assunto Publicacao=null&caminhoRel=CIdadao-Biblioteca-
Acervo%20Documental&filtro=1&documentoPath=219932.pdf >. Acesso em: 23.05.2014. 436
"A prestação de serviço “a qualquer tempo, em qualquer lugar, através de qualquer interface” pode ser exemplificado com a possibilidade de uma mesma comunicação ser iniciada em casa, através de um terminal acessando uma rede de telefonia fixa e, sem ser descontinuada, migrar dentro do automóvel, a caminho do escritório, para um terminal acessando uma rede de telefonia móvel - mesmo que de prestadora diferente da de telefonia fixa - sendo completada, já no escritório, através de um computador." RODRIGUES, Francisco Luís dos Santos. Tendências tecnológicas em telecomunicações e seus
impactos na regulação do setor. Portal Anatel: Brasília. 2010. Disponível em: <
http://www.regulacao.gov.br/artigos/tendencias-tecnologicas-em-telecomunicacoes-e-seus-impactos-na- regulacao-do-setor > Acesso em: 23.05.2014
437 SRIVASTAVA, LARA. Towards the Portable INTERNET and the Ubiquity of the Networks.
Disponível em: <
http://www.itu.int/osg/spu/presentations/2005/hongkong05_srivastava_portableinternet_shorter.pdf>. Acesso em: 18.05.2014
438 RODRIGUES, Francisco Luís dos Santos. Tendências tecnológicas em telecomunicações e seus
impactos na regulação do setor. Portal Anatel: Brasília. 2010. Disponível em: <
http://www.regulacao.gov.br/artigos/tendencias-tecnologicas-em-telecomunicacoes-e-seus-impactos-na- regulacao-do-setor > Acesso em: 23.05.2014
fiscalização. Hoje em dia, essa limitação está prevista: no Plano Geral de Outorgas - PGO439, no Plano de Autorizações do Serviço Móvel Pessoal - PGA-SMP440, nos contratos de concessões441 e termo de autorizações442 do STFC vigentes, e, nos termos de autorizações do Serviço Móvel Pessoal - SMP.443
A ANATEL não tem competência para regulamentar especificamente a tecnologia VoIP, devido a essa falta de regulamentação utiliza-se o entendimento já existente na tentativa de adequação da VoIP com o serviço de telefonia já regulamentado.444
Se for considerado serviço de telecomunicação é obrigatório requerer na ANATEL uma autorização para prestar o serviço no Brasil. Essa autorização especificará se é para SCM ou para STFC.445 Todavia, há casos, em que o VoIP não necessita dessa autorização da ANATEL, como por exemplo, a utilização do Skype - bastante difundido aqui no Brasil. Nesse caso, não necessita da autorização pela ANATEL, porque se trata de um serviço de valor adicionado, inclusive entendimento defendido pela própria agência, haja vista ser classificado como a VoIP de computador para computador, já explicitado anteriormente.
A demora da ANATEL para produzir um plano de numeração para os provedores de SCM, modalidades em que se enquadram as operadoras da tecnologia VoIP, obriga as empresas prestadoras do serviço pediram a ANATEL uma autorização de STFC, com o intuito de se regularizar perante a ANATEL e oferecer um serviço completo para os usuários.
439 BRASIL. PGO - Plano Geral de Outorgas de Serviço de Telecomunicações prestado em regime
público. Aprovado pelo Decreto Presidencial nº 6.654, de 20 de novembro de 2008. Disponível em: <
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2007-2010/2008/Decreto/D6654.htm > Acesso em: 08.05.2013. 440
PORTAL ANATEL. PGA-SMP - Plano Geral de Autorizações do Serviço Móvel Pessoal. Aprovado pela resolução nº 318 de 27 de setembro de 2002. Disponível em: < http://legislacao.anatel.gov.br/resolucoes/17-2002/262-resolucao-318> Acesso em: 08.05.2013
441 PORTAL ANATEL. Exemplo de Contrato de Concessão do STFC. Disponível em: < http://www.anatel.gov.br/Portal/verificaDocumentos/documento.asp?numeroPublicacao=262424&assunto Publicacao=%20&caminhoRel=In%EDcio-Biblioteca-
Apresenta%E7%E3o&filtro=1&documentoPath=262424.pdf > Acesso em: 08.05.2013. 442
PORTAL ANATEL. Exemplo de Termo de Autorização de STFC. Disponível em: < http://www.anatel.gov.br/Portal/verificaDocumentos/documento.asp?numeroPublicacao=307825&assunto Publicacao=Termo%20de%20autoriza%E7%E3o%20n%BA%20172/2013%20-
%20ORLE/SOR&caminhoRel=In%EDcio-Biblioteca-
Apresenta%E7%E3o&filtro=1&documentoPath=307825.pdf > Acesso em: 08.05.2014.
443 PORTAL ANATEL. Exemplo de Termo de Autorização do SMP. Disponível em: < http://www.anatel.gov.br/Portal/verificaDocumentos/documento.asp?numeroPublicacao=312121&assunto Publicacao=Termo%20de%20autoriza%E7%E3o%20n%BA%2048/2014%20-
%20ORLE/SOR&caminhoRel=In%EDcio-Biblioteca-
Apresenta%E7%E3o&filtro=1&documentoPath=312121.pdf > Acesso em: 08.05.2014 444
SCM Consultoria. É necessária uma autorização da Anatel para prestar serviços de VoIP?.
Disponível em: <
http://www.scmconsultoria.com.br/index.php?option=com_content&view=section&layout=blog&id=3&Itemi d=109&limitstart=15 >. Acesso em: 18.05.2014.
445
PORTAL ANATEL. Serviços de voz obre IP (VoIP). Disponível em: <http://www.anatel.gov.br/Portal/exibirPortalPaginaEspecial.do?codItemCanal=1216> Acesso em: 29/11/2013.
O investimento para a implantação nacional desse serviço é calculado em R$ 5 milhões. Todavia, com essa falta de posicionamento da ANATEL, de criar uma normatização específica para a regulamentação do VoIP, muitas empresas, requerem perante a agência uma autorização para prestar o serviço de STFC, com o único fim de proporcionar ao consumidor tal serviço. Embora, a prestação seja realizada, as prestadoras arcam com melhorias nas centrais de interconexões e nos sistemas para evitar o congestionamento da linha e interferências nas ligações, gerando com isso o aumento das ligações VoIP.446
A prestação da VoIP é tido pela ANATEL como um SCM, e, por isso, não necessita dessas "melhorias" realizadas pelas prestadoras, se a agência se mobilizasse e regulamentasse o plano de numeração para as SCM's. Nesse caso, a VoIP seria enquadrada como SCM e não seria necessário a autorização para que a VoIP atue como STFC. Todavia, um avanço tido nas ligações VoIP, quanto ao posicionamento da ANATEL, foi que os contratos de prestação de SCM, não podem restringir a transmissão de nenhum tipo de sinal - áudio, vídeo, dado, voz, imagem - por tratar-se de um serviço abrangente, e por definição permitirem a oferta de capacidade de transmissão, emissão e recepção de informações multimídia definidas como sinais de áudio, vídeo, dados e voz.447
Todavia, atualmente, na prática, as concessionárias buscam, pelo provedor VoIP, uma autorização de STFC com o objetivo único de ofertarem aos consumidores um número de retorno ao usuário. Essa prática não apenas incentiva cada vez mais a necessidade de investimentos, como arrisca um negócio que não possua todos os requisitos de regulamento do STFC.448
Para se instalar como um STFC a operadora não é obrigada a possuir a infra- estrutura necessária. É exigido pela ANATEL apenas o cumprimento do projeto no período em que foi estipulado pela agência. O STFC torna a operação bem mais complicada, faz-se necessário o uso de equipamentos - que são bem mais caros, do que os gateways da VoIP. Além do mais, a empresa fica obrigada, a cumprir metas de qualidades.449
446 IPNEWS. Licença STFC aumenta custo de provedor de serviço VoIP. 2006. Disponível em: < http://www.ipnews.com.br/telefoniaip/index.php?option=com_content&view=article&id=2084:licenstfc- aumenta-custo-de-provedor-de-servivoip&catid=1:regulamentacao&Itemid=544 >. Acesso em: 23.05.2014 447
PORTAL ANATEL. ANATEL esclarece uso de VoIP para oferta de serviço de voz. 2005. Disponível em:<http://www.anatel.gov.br/Portal/exibirPortalPaginaEspecialPesquisa.do?acao=&tipoConteudoHtml=1 &codNoticia=700 >. Acesso em: 29.11.2013.
448 IPNEWS. Licença STFC aumenta custo de provedor de serviço VoIP. 2006. Disponível em: < http://www.ipnews.com.br/telefoniaip/index.php?option=com_content&view=article&id=2084:licenstfc- aumenta-custo-de-provedor-de-servivoip&catid=1:regulamentacao&Itemid=544 >. Acesso em: 23.05.201 449
IPNEWS. Licença STFC aumenta custo de provedor de serviço VoIP. 2006. Disponível em: < http://www.ipnews.com.br/telefoniaip/index.php?option=com_content&view=article&id=2084:licenstfc- aumenta-custo-de-provedor-de-servivoip&catid=1:regulamentacao&Itemid=544 >. Acesso em: 23.05.2014
O maior problema encontrado para o STFC é a exigência de aceitação de ligações 0800 e os números de seguranças como o 190. Esta obrigação é a maior dificuldade encontrada, isso porque, a VoIP é móvel e o adaptador ATA pode acompanhar o usuário a qualquer lugar. Então, se o usuário da VoIP ligar para o 190, fora da cidade onde foi cadastrado o número, a ligação cairá no Departamento Policial da cidade de origem - a cidade de cadastro. A ideia inicial de implantação da VoIP no Brasil, está seguindo os rumos do modelo norte-americano, onde as ligações de segurança realizadas pelo VoIP, só poderão ser utilizada no local onde foi registrado o número. Entretanto, para ser obtido a autorização de STFC, a oferta das chamadas de emergência, tem que ser disponibilizada irrestritamente.450