1. BÖLÜM: ÇEVRENİN ÖRGÜT ÜZERİNDEKİ ETKİSİNİ AÇIKLAMADA İKİ
1.1. Yeni Kurumsal Kuram
Dentre as reformas do ensino superior viabilizadas por instrumentos legais, destaca-se a Lei de Diretrizes e Bases da Educação (LDB), Lei Nº. 9394/96, de 20 de dezembro de 1996. A LDB dedica um capítulo especificamente à educação superior. Trata-se do Capítulo IV que, inicialmente, enfatiza as finalidades da educação superior, apresentadas no Art. 43, incisos I ao VII. O texto esclarece que a educação superior tem como dever promover a cultura e desenvolver a capacidade científica, bem como o pensamento crítico dos estudantes, diplomar pessoas nas diversas áreas do conhecimento, com duas aberturas: inserção profissional e participação no desenvolvimento social do país, deixando evidente que as IES possuem o dever de ultrapassar a formação de competências profissionais, o que implica criar mecanismos capazes de incutir nos estudantes o senso de responsabilidade em
relação à comunidade em seu entorno. Incentiva a investigação científica, recomendando o direcionamento ao desenvolvimento da ciência e da tecnologia com vistas à difusão da cultura e destaca a compreensão do homem e do ambiente em que vive. Considera o conhecimento cultural, científico e técnico como “patrimônio da humanidade”, devendo as IES difundir os saberes por meio do ensino, da publicação e de outras formas de comunicação.
A LDB salienta que a universidade deve: provocar o anseio de busca permanente de aperfeiçoamento cultural e profissional e realce aos estudos contemporâneos por intermédio do estímulo ao conhecimento dos problemas do mundo atual, enfatizando-se as atividades de extensão, na forma de prestação de serviços à comunidade e da difusão dos resultados conquistados por meio da pesquisa científica e tecnológica realizada na instituição. Dentre os aspectos apresentados até aqui, buscando delimitar a análise ao aspecto da responsabilidade social, destacam-se, inicialmente, os incisos VI e VII do Art. 43:
VI - estimular o conhecimento dos problemas do mundo presente, em particular os nacionais e regionais, prestar serviços especializados à comunidade e estabelecer com esta uma relação de reciprocidade; VII - promover a extensão, aberta à participação da população, visando à difusão das conquistas e benefícios resultantes da criação cultural e da pesquisa científica e tecnológica geradas na instituição (BRASIL, 1996b, p. 7).
É importante salientar que é necessário que a comunidade interna da universidade conheça de perto a realidade e, para que isso ocorra, os seus atores devem manter uma relação constante com a comunidade na qual estão inseridos. Com relação à extensão, a LDB destaca a sua prática como uma difusão do conhecimento, quando existe uma necessidade de rompimento de fronteiras entre a universidade e a sociedade através do ensino, da pesquisa e da extensão.
O Art. 44 refere-se à abrangência da educação superior, tipificando os cursos como: sequenciais, regulares de graduação, pós-graduação e prevendo outros, de natureza livre, por meio da extensão:
A educação superior abrangerá os seguintes cursos e programas: I-cursos seqüenciais por campo de saber, de diferentes níveis de abrangência, abertos a candidatos que atendam aos requisitos estabelecidos pelas instituições de ensino, desde que tenham concluído o ensino médio ou equivalente; II - de graduação, abertos a candidatos que tenham concluído o ensino médio ou equivalente e tenham sido classificados em processo seletivo; III - de pós-graduação, compreendendo programas de mestrado e doutorado, cursos de especialização, aperfeiçoamento e outros, abertos a candidatos diplomados em cursos de graduação e que atendam às exigências das instituições de ensino; IV - de extensão, abertos a candidatos que
atendam aos requisitos estabelecidos em cada caso pelas instituições de ensino (BRASIL, 1996b, p. 7).
Quanto ao acesso à graduação, vale ressaltar que a legislação determina que seja feito pela classificação em processo seletivo afirmando, assim, a meritocracia. No entanto deve-se, por meio de uma visão crítica, salientar a urgência de melhoria da qualidade da educação na esfera pública nos demais níveis de ensino, a fim de que as oportunidades de acesso sejam igualitárias para aqueles que concorrem com estudantes oriundos de escolas particulares.
O Art. 45 estabelece uma distinção entre instituições de ensino públicas e privadas, esclarecendo que a educação superior pode ser ministrada nas duas esferas: “a educação superior será ministrada em instituições de ensino superior, públicas ou privadas, com variados graus de abrangência ou especialização” (BRASIL, 1996b, p. 7). A partir da aprovação da referida lei, percebeu-se o aumento da privatização do ensino superior no interior, através da criação de instituições privadas e parcerias com a esfera pública, bem como a crescente oferta de cursos de extensão pagos.
O Art. 46 é consagrado ao controle dos cursos superiores pelo poder público por meio da autorização, do reconhecimento e da avaliação das IES e determina o princípio da validade periódica do seu funcionamento, devendo a sua continuidade sujeitar-se ao processo avaliativo permanente do Poder Público:
A autorização e o reconhecimento de cursos, bem como o credenciamento de instituições de educação superior, terão prazos limitados, sendo renovados, periodicamente, após processo regular de avaliação. § 1º Após um prazo para saneamento de deficiências eventualmente identificadas pela avaliação a que se refere este artigo, haverá reavaliação, que poderá resultar, conforme o caso, em desativação de cursos e habilitações, em intervenção na instituição, em suspensão temporária de prerrogativas da autonomia, ou em descredenciamento. § 2º No caso de instituição pública, o Poder Executivo responsável por sua manutenção acompanhará o processo de saneamento e fornecerá recursos adicionais, se necessários, para a superação das deficiências (BRASIL, 1996b, p. 7.).
As normas servem de subsídios para regimentos dos cursos, no que diz respeito ao período letivo, organização curricular, critérios de avaliação, qualificação docente, duração dos cursos e obrigatoriedade de frequência de alunos e professores, salvo em programas de educação a distância, como destacado no Art. 47:
Na educação superior, o ano letivo regular, independente do ano civil, tem, no mínimo, duzentos dias de trabalho acadêmico efetivo, excluído o tempo reservado
aos exames finais, quando houver. § 1º As instituições informarão aos interessados, antes de cada período letivo, os programas dos cursos e demais componentes curriculares, sua duração, requisitos, qualificação dos professores, recursos disponíveis e critérios de avaliação, obrigando-se a cumprir as respectivas condições. § 2º Os alunos que tenham extraordinário aproveitamento nos estudos, demonstrado por meio de provas e outros instrumentos de avaliação específicos, aplicados por banca examinadora especial, poderão ter abreviada a duração dos seus cursos, de acordo com as normas dos sistemas de ensino. § 3º É obrigatória a freqüência de alunos e professores, salvo nos programas de educação a distância. § 4º As instituições de educação superior oferecerão, no período noturno, cursos de graduação nos mesmos padrões de qualidade mantidos no período diurno, sendo obrigatória a oferta noturna nas instituições públicas, garantida a necessária previsão orçamentária (BRASIL, 1996b, p.7 ).
O Art. 48 disciplina a questão dos diplomas no ensino superior, incluindo expedição, registro, validade, reconhecimento e revalidação, estabelecendo que “os diplomas de cursos superiores reconhecidos, quando registrados, terão validade nacional como prova da formação recebida por seu titular” (BRASIL, 1996b, p. 7-8). Nos artigos 49, 50 e 51, a LDB estabelece regulamentos para a questão das transferências de alunos: “as instituições de educação superior aceitarão a transferência de alunos regulares, para cursos afins, na hipótese de existência de vagas, e mediante processo seletivo” (BRASIL, 1996b, p. 8), regulamenta as matrículas em disciplinas determinando que as IES, “[...] quando da ocorrência de vagas, abrirão matrícula nas disciplinas de seus cursos a alunos não regulares que demonstrarem capacidade de cursá-las com proveito, mediante processo seletivo prévio” (BRASIL, 1996b, p.8) e designa a autonomia acadêmica para determinação de critérios de seleção levando “[...] em conta os efeitos desses critérios sobre a orientação do ensino médio, articulando-se com os órgãos normativos dos sistemas de ensino” (BRASIL, 1996b, p.8).
É importante que seja dada uma atenção especial ao Art. 52 da LDB que se ocupa das universidades, conceituando-as, indicando os seus objetivos e acentuando alguns traços inerentes às mesmas:
As universidades são instituições pluridisciplinares de formação dos quadros profissionais de nível superior, de pesquisa, de extensão e de domínio e cultivo do saber humano, que se caracterizam por: I - produção intelectual institucionalizada mediante o estudo sistemático dos temas e problemas mais relevantes, tanto do ponto de vista científico e cultural, quanto regional e nacional; II - um terço do corpo docente, pelo menos, com titulação acadêmica de mestrado ou doutorado; I I I - u m terço do corpo docente em regime de tempo integral. Parágrafo único. É facultada a criação de universidades especializadas por campo do saber (BRASIL, 1996b, p.8).
A autonomia universitária é tratada no Art. 53 com o propósito de estabelecer a forma que a autonomia didático-científica, administrativa, de gestão financeira e patrimonial:
No exercício de sua autonomia, são asseguradas às universidades, sem prejuízo de outras, as seguintes atribuições: I - criar, organizar e extinguir, em sua sede, cursos e programas de educação superior previstos nesta Lei, obedecendo às normas gerais da União e, quando for o caso, do respectivo sistema de ensino; II - fixar os currículos dos seus cursos e programas, observadas as diretrizes gerais pertinentes; III - estabelecer planos, programas e projetos de pesquisa científica, produção artística e atividades de extensão; IV - fixar o número de vagas de acordo com a capacidade institucional e as exigências do seu meio; V - elaborar e reformar os seus estatutos e regimentos em consonância com as normas gerais atinentes; VI - conferir graus, diplomas e outros títulos; VII - firmar contratos, acordos e convênios; VIII - aprovar e executar planos, programas e projetos de investimentos referentes a obras, serviços e aquisições em geral, bem como administrar rendimentos conforme dispositivos institucionais;IX - administrar os rendimentos e deles dispor na forma prevista no ato de constituição, nas leis e nos respectivos estatutos;X - receber subvenções, doações, heranças, legados e cooperação financeira resultante de convênios com entidades públicas e privadas (BRASIL, 1996b, p. 8).
No Art. 54 são abordadas as instruções para as universidades públicas, respeitando as peculiaridades da sua estrutura, organização e financiamento pelo Poder Público, em termos de seus planos de carreira e regime jurídico para o seu pessoal. No parágrafo único desse artigo são apresentadas as atribuições nas quais a universidade terá autonomia, respeitando, porém, a limitação dos recursos financeiros ao que dispõe a legislação e as normas referentes às competências citadas:
As universidades mantidas pelo Poder Público gozarão, na forma da lei, de estatuto jurídico especial para atender às peculiaridades de sua estrutura, organização e financiamento pelo Poder Público, assim como dos seus planos de carreira e do regime jurídico do seu pessoal.§ 1º No exercício da sua autonomia, além das atribuições asseguradas pelo artigo anterior, as universidades públicas poderão: I - propor o seu quadro de pessoal docente, técnico e administrativo, assim como um plano de cargos e salários, atendidas as normas gerais pertinentes e os recursos disponíveis; II - elaborar o regulamento de seu pessoal em conformidade com as normas gerais concernentes; II - aprovar e executar planos, programas e projetos de investimentos referentes a obras, serviços e aquisições em geral, de acordo com os recursos alocados pelo respectivo Poder mantenedor; IV - elaborar seus orçamentos anuais e plurianuais; V - adotar regime financeiro e contábil que atenda às suas peculiaridades de organização e funcionamento; VI - realizar operações de crédito ou de financiamento, com aprovação do Poder competente, para aquisição de bens imóveis, instalações e equipamentos; VII - efetuar transferências, quitações e tomar outras providências de ordem orçamentária, financeira e patrimonial necessárias ao seu bom desempenho. § 2º Atribuições de autonomia universitária poderão ser estendidas a instituições que comprovem alta qualificação para o ensino ou para a pesquisa, com base em avaliação realizada pelo Poder Público (BRASIL, 1996b, p. 8).
O Art. 55 determina que a União deve reservar, em seu orçamento anual, os recursos necessários à manutenção e ao desenvolvimento das IES mantidas por ela. A gestão democrática é assegurada no do Art. 56 para as instituições públicas de educação superior, destacando a existência de órgãos colegiados deliberativos formados pela comunidade acadêmica e abertos para a participação de representantes da comunidade local e regional.
A nova redação da LDB que, de acordo com Carvalho (2006), foi resultado da interação de diversos atores políticos e de conflitos de interesses, combinando a coexistência entre instituições públicas e privadas de ensino e a manutenção da gratuidade do ensino público em estabelecimentos oficiais, têm sido um desafio e alvo de diversas interpretações abrindo um leque de possibilidades, o que permite a inovação por parte dos educadores. Tendo como foco a responsabilidade social da universidade, a análise desse documento revela que esse aspecto deve estar na sua essência, ressaltando-se, principalmente, que as suas finalidades são direcionadas ao desenvolvimento de atividades capazes de atender às demandas sociais, por meio da cultura, da pesquisa científica, do estímulo ao conhecimento dos problemas contemporâneos, da divulgação desse conhecimento e da extensão.