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II. BÖLÜM

2.8. Kurumsal İletişim Sürecinde Liderlik

César e Duarte, em Governo dos corpos e escola contemporânea: pedagogia do

fitness, a partir do conceito de governamentalidade desenvolvido por Michel Foucault,

centram suas análises nos modos como a racionalidade política tem se ocupado do governo das subjetividades na contemporaneidade. Verificamos que os autores exploram a maneira como Foucault desenvolveu o conceito de governamentalidade, passando dos dispositivos disciplinares que orientavam as condutas individuais aos dispositivos que regulavam o corpo- espécie, a população, dando principal atenção à governamentalidade neoliberal que centra suas estratégias de poder em levar a lógica do mercado e o funcionamento empresarial às diferentes instâncias sociais. O emprego do conceito de governamentalidade em suas análises revela uma crítica política dos valores iluministas, uma vez que inscreve a racionalidade política do liberalismo e do neoliberalismo no interior das mutações e transformações das

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tecnologias de poder, apontando-as como práticas e discursividades interessadas no controle da vida, dos corpos e da sociedade.

Além disso, ao assumir o conceito de governamentalidade como central em suas análises, os autores realizam, a partir de Foucault, uma analítica de como a governamentalidade neoliberal opera, isto é, uma analítica de como essa forma de poder se exerce. Assim, de acordo com César e Duarte, dentro da lógica neoliberal, o capital humano, a sociedade empresarial, o mercado competitivo assumem as novas instâncias normativas da padronização, veridicção e da gestão dos comportamentos da população. O homo economicus torna-se o centro da biopolítica neoliberal, como agente que responde à lógica econômica da concorrência de mercado, tornando-se empreendedor de si mesmo, ou seja, tomando-se a si mesmo como produtor de rendimentos e capital. Esse novo sujeito econômico e ativo deverá produzir-se a si mesmo por meio das novas tecnologias informacionais, nutricionais, educativas, físicas, as quais deverão ampliar suas capacidades corporais e cognitivas no sentido de torná-lo um empreendedor de si. O objetivo das novas formas de governo dos corpos e das almas – sejam elas por meio de políticas estatais ou por meio de demandas flexíveis e descentradas do mercado econômico, ou combinadas – é a aquisição de competências adequadas ao mercado neoliberal, às quais se associam exigências de prolongamento da saúde, da juventude e da beleza dos corpos produtivos.

A partir do conceito de Deleuze de sociedade de controle, os autores defendem que está havendo um novo deslocamento nas práticas de governo da população. Na escola, isso se manifesta por meio de algumas transformações em relação à profissionalização da docência, à substituição da ideia de formação básica por formação permanente ou continuada, à entrada do ensino à distância, à implantação dos ciclos de aprendizagem, à intervenção direta nos currículos com a inserção de maneiras transversais de abordagem de conteúdos. Associando o conceito deleuzeano de controle aos conceitos de governamento e biopolítica de Foucault, os autores afirmam que a introdução desse novo conjunto de discursos e práticas configurou novas formas de governamento da infância e da juventude.

Segundo César e Duarte, com a introdução da nova pedagogia do controle, os discursos escolares e não-escolares tornam-se idênticos e assumem uma mesma função, que pode ser compreendida em termos da produção do novo sujeito moral, o sujeito flexível, tolerante e supostamente autônomo, requerido pelas novas modulações do controle que gravitam entre o Estado e o mercado neoliberal. Os autores identificam que a introdução de programas alimentares em escolas públicas de Estados brasileiros na atualidade têm contribuído para o que chamam implantação da pedagogia do fitness. Para eles, as novas

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pedagogias do fitness são o resultado de uma singular equação entre as técnicas de governamento estatal, visando ao controle público da alimentação na instituição escolar, e às técnicas biopolíticas neoliberais orientadas pelo mercado econômico, ambos tendo em vista a formação de futuros sujeitos autoempreendedores.

Os autores concluem que a escola contemporânea ainda é uma instituição disciplinar e nela encontramos os velhos artefatos como currículos, grades curriculares, exames, boletins, carteiras enfileiradas e professores que clamam por mais disciplina nas aulas. Todavia, também se observa a entrada definitiva de novos temas e problemas que passam a habitar e a colonizar definitivamente os velhos programas curriculares, tais como a ética, o consumo, o meio ambiente, a sexualidade, as relações étnico-raciais, as relações de gênero, a prevenção de doenças sexualmente transmissíveis e, mais recentemente, as questões alimentares voltadas para projetos contra a obesidade. Estes últimos têm gerado uma série de intervenções, como a elaboração de cardápios saudáveis, o controle de medidas e estatísticas para uma escola com alunos saudáveis, uma nova cruzada normalizadora, resultando em atos de classificação e nominação da criança anormal; assim, corre-se o risco de gerar novos outros no âmbito social. Os elementos explicitados anteriormente nos fornecem dados para afirmar que para além de uma crítica a um sujeito centrado e consciente, agente no mundo social, os autores identificam a emergência de uma nova subjetividade a partir da governamentalidade neoliberal: o sujeito empreendedor de si mesmo, fabricado por um discurso que procura atender a lógica do mercado. A abordagem dos autores na identificação dessa subjetividade e dos mecanismos responsáveis por governá-la fornece pistas sobre como o sujeito é por eles concebido: como produto de produções discursivas e práticas reguladoras, como simples e puro resultado de um processo de produção cultural, social e discursiva.

Por fim, embora tomem a governamentalidade como eixo central, fica subentendido nas análises tecidas que a linguagem e o discurso são tomados como elementos-chave e pressupostos constituintes da realidade. Durante todo o texto, o emprego de expressões como

procedimentos discursivos, discurso pedagógico, marcos discursivos para referirem-se a

formas de intervenção sobre os sujeitos, mudanças de paradigmas, revelam uma abordagem que entende a linguagem não como representação da realidade, mas como uma compreensão que a reconhece como produtora desta última enlaçada com relações de poder.

A partir dos elementos expostos, entendemos que as análises de César e Duarte contribuem para a problematização da racionalidade política neoliberal, a partir do conceito de governamentalidade de Foucault, identificando como operam os mecanismos do poder e do saber na conformação de novas subjetividades infantis empreendedoras de si mesmas.

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3.8. Morte da infância moderna ou construção da quimera infantil? – Dora Lilia Marín-

Benzer Belgeler