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II. BÖLÜM

2.5. Kurumlarda İletişim Kanalları

2.5.2. İnformel (Biçimsel Olmayan) İletişim Kanalları

No artigo Infância e risco, Bujes, tomando como central os conceitos de governamentalidade, dispositivos de segurança e risco, examina algumas transformações nos modos como determinados grupos de crianças vieram a ser objetificados e como se tornaram alvo de alguma forma de cuidado ou assistência social por parte do Estado, a partir do momento em que foram considerados em risco. Suas análises preocupam-se em explicitar especialmente os mecanismos de poder presentes nessa racionalidade. Assim, podemos dizer que a autora realiza uma analítica do poder exercido sobre a infância a partir dos dispositivos de segurança, tomando como principal exemplo as políticas federais de investimento na educação infantil, tal como veremos a seguir.

A partir da reflexão sobre os atuais investimentos e preocupações do governo federal com a ampliação da oferta de vagas para creches a partir do IDEB (Índice de

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Desenvolvimento da Educação Básica), sob a justificativa de melhorar a qualidade da educação no país, a autora, baseando-se na noção de risco desenvolvida por Foucault, problematiza as políticas de investimento na infância que tomam parte ou parcela dessa população como suscetíveis a riscos para o desenvolvimento de tais políticas.

Ela ocupa-se em descrever o surgimento da arte de governar. Para tanto, aborda os deslocamentos ocorridos na ordem do poder ao longo dos séculos, apontando as transformações culturais, econômicas e sociais que os acompanharam. Sinaliza que a preocupação social com os doentes, os pobres, os desvalidos e as crianças tem assumido, no decorrer do tempo, feições diversificadas e vem sendo associada aos mais variados discursos e práticas; a autora dá destaque, porém, às iniciativas envolvidas com a assistência às crianças no período moderno.

A partir das transformações econômicas, sociais, culturais ocorridas no século XVI, Bujes sinaliza a emergência de problemas de ordem social desencadeados pela problemática da fome, da miséria, do emprego e o apontamento de soluções de ordem política, econômica e prática, que possibilitou a instalação de políticas de assistência aos pobres. A despeito da influência religiosa e moralizadora presente, a organização de assistência aos pobres construiu-se ao longo de um processo de paulatina secularização das instituições sociais. As soluções propostas vão passando da salvação na vida após a morte a situações bastante terrenas e concretas, como a insuficiência de meios de subsistência das populações mais pobres. A autora afirma que o Estado ampliou seu escopo por meio da disputa com a Igreja pela assistência aos pobres e da proposta de medidas policiais e de controle das doenças, evocando as crianças como parte dos objetos a serem governados.

O século XVII foi o momento do surgimento do poder disciplinar, que, como conjunto de micropoderes, passa a investir sobre os corpos individuais, substituindo um poder centralizado no Estado e no soberano. Com o aparecimento desse tipo de poder, as instituições de educação da infância ganham lugar, ampliando-se, assim, as formas de confinamento da infância e de administração da vida infantil.

Apoiada no surgimento da população como objeto de preocupação do Estado e de uma nova ordem de saberes a ela associados, a partir do século XVIII, inicia-se a era do biopoder, calcado em esforços por preservar a vida. É a partir dessa época que a sociedade passa a caracterizar-se como uma sociedade de segurança, que explora tanto os dispositivos disciplinares e de soberania quanto uma lógica estratégica de heterogeneidade. É também nessa época que se define mais precisamente a ideia de infância e que esta passa a ser alvo da governamentalidade. A escolarização desempenhou papel fundamental não só na constituição

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da infância, como em sua governamentalização por meio de seus mecanismos disciplinares e da produção de saberes sobre ela. A autora assinala:

O século XIX vai presenciar a instituição da escola obrigatória na maioria dos países europeus, mas, ao mesmo tempo, acompanhará a proliferação de leis e estatutos que têm como objeto a infância; verá também o desenvolvimento de um tipo de assistência às populações pobres, que se pretende científica, e uma intensificação da produção de saberes que justificará grande parte das iniciativas práticas de confinamento e de educação das populações infantis. O que se pode indicar é que coexistiram, a partir do século XVIII, dois tipos de estratégias paralelas em relação à população infantil: a organização da família burguesa em torno da sua prole, centralizada no controle da sexualidade infantil, e um movimento de controle e moralização das famílias pobres/operárias. (BUJES, 2010, p. 168)

De acordo com Bujes, nas sociedades de segurança, os dispositivos de segurança possibilitam inserir determinado fenômeno dentro de uma série de acontecimentos prováveis, em que as reações do poder serão de um cálculo de custos. Isso significa que tais mecanismos operam uma proliferação/fabricação de riscos que são confrontados com uma forma de normalização que parte de uma definição do normal e do anormal, segundo curvas de normalidade.

Nesse sentido, ela constata que o discurso sobre o risco na infância está presente nos diferentes âmbitos do mundo social (políticas públicas, mídia, cotidiano, práticas médicas, etc.). Esse discurso coloca em ação um conjunto de modos de objetivar a infância e habilita-se a exercer o poder sobre tal objeto. Apoiando-se em Ewald (1991 apud BUJES, 2010), a autora afirma que os riscos são inventados, dando a certos eventos familiares um tipo de realidade que altera sua natureza. A segurança pode ser vista como uma gestão diferencial das normalidades e dos riscos, que não são considerados nem bons, nem maus, mas fenômenos naturais espontâneos. Assim, as técnicas de segurança, baseadas no risco, estão tornando-se dominantes porque servem para intensificar a efetividade do poder. Ao serem vistas como atuantes em relação aos fenômenos espontâneos, as tecnologias de segurança diminuem a resistência à regulação social, pois oferecem segurança ao manejar riscos. Isso faz com que elas tenham enfatizada sua natureza técnica em vez de seu caráter moral. A autora finaliza o texto apontando as potencialidades das técnicas de segurança e sinalizando a importância de problematizá-las.

Por fim, ressaltamos outros aspectos presentes em seu texto: o fato de inscrever a constituição da infância nas relações de poder-saber, num percurso histórico e contingente, permite-nos afirmar que não há espaço em seu texto para a compreensão de um sujeito centrado, uno, autônomo e transcendente como o moderno, pois a compreensão da infância

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como constituição histórica e contingente leva-nos à constituição de um sujeito também histórico e contingente, o que nos indica a presença de uma crítica ao sujeito moderno; o emprego do conceito de governamentalidade em suas análises revela uma crítica política dos valores iluministas, inscrevendo a racionalidade presente nas políticas de assistência e de segurança pautadas na ideia de risco no interior das mutações e transformações das tecnologias de poder, apontando-as como práticas e discursividades interessadas no controle da vida, dos corpos e da sociedade, e não como apenas políticas bem-intencionadas de proteção à infância.

Em face dos elementos aqui levantados, podemos afirmar que, nesse artigo, Bujes traz contribuições importantes que inscrevem a infância nas relações de poder-saber, especificamente nos raciocínios governamentais, sinalizando a contingência dos efeitos que essa lógica produz. Fornece-nos elementos para colocar em xeque as bem intencionadas políticas de atenção à infância, dentre elas as políticas voltadas à educação infantil, como estratégias do poder no controle, governo e produção da infância, no caso, da população infantil considerada em risco.

3.3. E os pequeninos senhor? Inocência e culpa na pastoral educativa – Sandra Mara

Benzer Belgeler