• Sonuç bulunamadı

I. BÖLÜM

3. ELEKTRİK SEKTÖRÜNDE ÖZELLEŞTİRME VE

3.2. Yasal Adımlar

3.2.2. Kurumsal Altyapı

Como resta evidente nas letras dos artigos 1º e 2º da Lei nº 12.101/2009, a linha mestra da Lei nº 12.101/2009 é a questão da certificação da entidade beneficente de assistência social. Ocorre que tal certificação é tratada de forma apartada para as áreas da (i) saúde, (i) educação, e (iii) assistência social.

Desse modo, iniciaremos a abordagem da certificação tratando das áreas da saúde e educação, para, derradeiramente, abordar a área da assistência social. Até mesmo porque, então, prosseguiremos o estudo nos detendo apenas à análise desta área.

Pois bem. A Lei nº 12.101/2009 destinou todo o Capítulo II à certificação das entidades. O Capítulo II tem como inaugural o artigo 3º, que se aplica às três áreas de atuação – (i) saúde, (i) educação, e (iii) assistência social – e, após, encontramos os demais artigos distribuídos nas seções I, II e III, que versam, respectivamente a respeito destas três áreas.

Vale dizer que a certificação deverá ser concedida pelos respectivos ministérios de cada uma das áreas, ou seja, pelos Ministérios da Saúde, da Educação e do Desenvolvimento Social e Combate à Fome142. Vejamos, pois, as determinações do artigo 3º e das três seções do Capítulo II.

3.3.2.2.1 Determinações do Artigo 3º da Lei nº 12.101/2009

Como já frisamos, antes de arrumar seus artigos em seções destinadas às áreas específicas de atuação das entidades beneficentes, o Capítulo II, da Lei nº 12.101/2009, dita algumas regras a serem seguidas por todas as entidades que pretendam a certificação. Tais regras estão insculpidas no artigo 3º. Confira-se:

Art. 3º A certificação ou sua renovação será concedida à entidade beneficente que demonstre, no exercício fiscal anterior ao do requerimento, observado o período mínimo de 12 (doze) meses de constituição da entidade, o cumprimento do disposto nas Seções I, II, III e IV deste Capítulo, de acordo com as respectivas áreas de atuação, e cumpra, cumulativamente, os seguintes requisitos:

I - seja constituída como pessoa jurídica nos termos do caput do art. 1º; e II - preveja, em seus atos constitutivos, em caso de dissolução ou extinção, a destinação do eventual patrimônio remanescente a entidade sem fins lucrativos congêneres ou a entidades públicas.

Parágrafo único. O período mínimo de cumprimento dos requisitos de que trata este artigo poderá ser reduzido se a entidade for prestadora de serviços por meio de convênio ou instrumento congênere com o Sistema Único de Saúde - SUS ou com o Sistema Único de Assistência Social - SUAS, em caso de necessidade local atestada pelo gestor do respectivo sistema.

Sendo assim, a entidade que pretenda obter certificação deverá: (i) ser constituída como pessoa jurídica (como já fora determinado pelo artigo 1º); e (ii) prever em seus atos

142 Art. 21 da L. 12.101/2009. A análise e decisão dos requerimentos de concessão ou de renovação dos certificados das entidades beneficentes de assistência social serão apreciadas no âmbito dos seguintes Ministérios:

I - da Saúde, quanto às entidades da área de saúde; II - da Educação, quanto às entidades educacionais; e

constitutivos que, em caso de dissolução ou extinção, eventual patrimônio remanescente será destinado a uma entidade congênere sem fins lucrativos ou a entidades públicas.

Ainda, determina que para a concessão de sua certificação, ou de sua renovação, a entidade deverá demonstrar o cumprimento do disposto nas Seções I, II, e III no exercício fiscal anterior ao do requerimento, observado o período mínimo de doze meses de constituição da entidade, sendo que tal período poderá ser reduzido se a entidade for prestadora de serviços por meio de convênio ou instrumento congênere com o Sistema Único de Saúde ou com o Sistema Único de Assistência Social, em caso de necessidade local atestada pelo gestor do respectivo sistema.

Passemos, então, à explanação das exigências para obtenção de certificação em cada uma das áreas de atuação da assistência social, finalizando com a assistência social (onde reside o objeto do nosso estudo).

3.3.2.2.2 Certificação das entidades de saúde

A Seção I, Capítulo II, da Lei nº 12.101/2009, compreende os artigos 4º ao artigo 11 e enumera as exigências para que a entidade de saúde receba certificação do Ministério da Saúde.

Segundo o artigo 4º da Lei nº 12.101/2009, para que as entidades de saúde sejam consideradas beneficentes, deverão comprovar (i) o cumprimento das metas estabelecidas em convênio ou instrumento congênere celebrado com o gestor local do Sistema Único de Saúde – SUS; (ii) ofertar os seus serviços ao SUS no percentual mínimo de sessenta por cento, com base no somatório das internações realizadas e dos atendimentos ambulatoriais prestados; e, (iii) comprovar a prestação dos serviços anualmente. Confira-se:

Art. 4º Para ser considerada beneficente e fazer jus à certificação, a entidade de saúde deverá, nos termos do regulamento:

I - comprovar o cumprimento das metas estabelecidas em convênio ou instrumento congênere celebrado com o gestor local do SUS;

II - ofertar a prestação de seus serviços ao SUS no percentual mínimo de 60% (sessenta por cento);

III - comprovar, anualmente, a prestação dos serviços de que trata o inciso II, com base no somatório das internações realizadas e dos atendimentos ambulatoriais prestados.

Consoante artigo 8º, se, por falta de demanda declarada pelo gestor local do SUS, houver a impossibilidade do cumprimento do percentual mínimo de sessenta por cento, a que se refere o inciso II do art. 4º, deverá ela comprovar a aplicação de percentual da sua receita bruta em atendimento gratuito de saúde (i) em vinte por cento, se o percentual de atendimento ao SUS for inferior a trinta por cento; (ii) dez por cento, se o percentual de atendimento ao SUS for igual ou superior a trinta e inferior a cinquenta por cento; ou, (iii) cinco por cento, se o percentual de atendimento ao Sistema Único de Saúde - SUS for igual ou superior a cinquenta por cento ou se completar o quantitativo das internações hospitalares e atendimentos ambulatoriais, com atendimentos gratuitos devidamente informados143.

O artigo 5º da Lei nº 12.101/2009, por sua vez, estabelece o dever de a entidade prestar algumas informações ao Ministério da Saúde. São elas: (i) informar a totalidade das internações e atendimentos ambulatoriais realizados para os pacientes não usuários do Sistema Único de Saúde – SUS; (ii) informar a totalidade das internações e atendimentos ambulatoriais realizados para os pacientes usuários do Sistema Único de Saúde – SUS; e, (iii) informar as alterações referentes aos registros no Cadastro Nacional de Estabelecimentos de Saúde – CNES.144

Por fim, insta destacar que no pertinente à certificação das entidades da área de saúde de reconhecida excelência, a Lei nº 12.101/2009 lhes despende um tratamento diferenciado para cumprimento do percentual de sessenta por cento em atendimentos ao SUS (previsto no artigo 4º, inciso II, da Lei nº 12.101/2009, supra). Vejamos:

Art. 11. A entidade de saúde de reconhecida excelência poderá, alternativamente, para dar cumprimento ao requisito previsto no art. 4º, realizar projetos de apoio ao desenvolvimento institucional do SUS, celebrando ajuste com a União, por intermédio do Ministério da Saúde, nas seguintes áreas de atuação:

143 Art. 8º Na impossibilidade do cumprimento do percentual mínimo a que se refere o inciso II do art. 4º, em razão da falta de demanda, declarada pelo gestor local do SUS, ou não havendo contratação dos serviços de saúde da entidade, deverá ela comprovar a aplicação de percentual da sua receita bruta em atendimento gratuito de saúde da seguinte forma:

I - 20% (vinte por cento), se o percentual de atendimento ao SUS for inferior a 30% (trinta por cento);

II - 10% (dez por cento), se o percentual de atendimento ao SUS for igual ou superior a 30 (trinta) e inferior a 50% (cinqüenta por cento); ou

III - 5% (cinco por cento), se o percentual de atendimento ao SUS for igual ou superior a 50% (cinqüenta por cento) ou se completar o quantitativo das internações hospitalares e atendimentos ambulatoriais, com atendimentos gratuitos devidamente informados de acordo com o disposto no art. 5º, não financiados pelo SUS ou por qualquer outra fonte.

144 Art. 5º A entidade de saúde deverá ainda informar, obrigatoriamente, ao Ministério da Saúde, na forma por ele estabelecida:

I - a totalidade das internações e atendimentos ambulatoriais realizados para os pacientes não usuários do SUS; II - a totalidade das internações e atendimentos ambulatoriais realizados para os pacientes usuários do SUS; e III - as alterações referentes aos registros no Cadastro Nacional de Estabelecimentos de Saúde - CNES.

I - estudos de avaliação e incorporação de tecnologias; II - capacitação de recursos humanos;

III - pesquisas de interesse público em saúde; ou

IV - desenvolvimento de técnicas e operação de gestão em serviços de saúde.

§ 1º O Ministério da Saúde definirá os requisitos técnicos essenciais para o reconhecimento de excelência referente a cada uma das áreas de atuação previstas neste artigo.

§ 2º O recurso despendido pela entidade de saúde no projeto de apoio não poderá ser inferior ao valor da isenção das contribuições sociais usufruída. § 3º O projeto de apoio será aprovado pelo Ministério da Saúde, ouvidas as instâncias do SUS, segundo procedimento definido em ato do Ministro de Estado.

§ 4º As entidades de saúde que venham a se beneficiar da condição prevista neste artigo poderão complementar as atividades relativas aos projetos de apoio com a prestação de serviços ambulatoriais e hospitalares ao SUS não remunerados, mediante pacto com o gestor local do SUS, observadas as seguintes condições:

I - a complementação não poderá ultrapassar 30% (trinta por cento) do valor usufruído com a isenção das contribuições sociais;

II - a entidade de saúde deverá apresentar ao gestor local do SUS plano de trabalho com previsão de atendimento e detalhamento de custos, os quais não poderão exceder o valor por ela efetivamente despendido;

III - a comprovação dos custos a que se refere o inciso II poderá ser exigida a qualquer tempo, mediante apresentação dos documentos necessários; e IV - as entidades conveniadas deverão informar a produção na forma estabelecida pelo Ministério da Saúde, com observação de não geração de créditos.

§ 5º A participação das entidades de saúde ou de educação em projetos de apoio previstos neste artigo não poderá ocorrer em prejuízo das atividades beneficentes prestadas ao SUS.

§ 6º O conteúdo e o valor das atividades desenvolvidas em cada projeto de apoio ao desenvolvimento institucional e de prestação de serviços ao SUS deverão ser objeto de relatórios anuais, encaminhados ao Ministério da Saúde para acompanhamento e fiscalização, sem prejuízo das atribuições dos órgãos de fiscalização tributária.

(grifamos)

Sendo isto que nos cumpria na verificação das exigências para concessão de certificação das entidades da área de saúde, passemos então à área da educação.

3.3.2.2.3 Certificação das entidades de educação

Reza a Lei nº 12.101/2009 que, para que as entidades de educação façam jus à certificação que lhes servirá de supedâneo para imunidade de contribuições para a seguridade social, deverão atentar para as exigências estabelecidas nos seus artigos 12 a 17.

O cerne da concessão da certificação para entidades de ensino é a gratuidade de certo percentual de seus serviços, por meio de bolsas de estudo, de acordo com os critérios da Lei nº 12.101/2009. Vejamos os critérios estabelecidos, a começar pelas disposições do artigo 13 da Lei nº 12.101/2009:

A entidade de educação deverá aplicar anualmente, em gratuidade, pelo menos vinte por cento da receita anual efetivamente recebida.

Deverá, ainda, (i) demonstrar adequação às diretrizes e metas estabelecidas no Plano Nacional de Educação – PNE, na forma do artigo 214, da Constituição Federal145; (ii) atender a padrões mínimos de qualidade, aferidos pelos processos de avaliação conduzidos pelo Ministério da Educação; e, (iii) oferecer bolsas de estudo146 nas proporções de (iii.1) no mínimo, uma bolsa de estudo integral para cada nove alunos pagantes da educação básica; e,

145 Art. 214. A lei estabelecerá o plano nacional de educação, de duração decenal, com o objetivo de articular o sistema nacional de educação em regime de colaboração e definir diretrizes, objetivos, metas e estratégias de implementação para assegurar a manutenção e desenvolvimento do ensino em seus diversos níveis, etapas e modalidades por meio de ações integradas dos poderes públicos das diferentes esferas federativas que conduzam a:

I - erradicação do analfabetismo;

II - universalização do atendimento escolar; III - melhoria da qualidade do ensino; IV - formação para o trabalho;

V - promoção humanística, científica e tecnológica do País.

VI - estabelecimento de meta de aplicação de recursos públicos em educação como proporção do produto interno bruto.

146 Art. 14 da Lei nº 12.101/2009. Para os efeitos desta Lei, a bolsa de estudo refere-se às semestralidades ou anuidades escolares fixadas na forma da lei, vedada a cobrança de taxa de matrícula e de custeio de material didático.

§ 1º A bolsa de estudo integral será concedida a aluno cuja renda familiar mensal per capita não exceda o valor de 1 1/2 (um e meio) salário mínimo.

§ 2º A bolsa de estudo parcial será concedida a aluno cuja renda familiar mensal per capita não exceda o valor de 3 (três) salários mínimos.

Art. 15 da Lei nº 12.101/2009. Para fins da certificação a que se refere esta Lei, o aluno a ser beneficiado será pré-selecionado pelo perfil socioeconômico e, cumulativamente, por outros critérios definidos pelo Ministério da Educação.

§ 1º Os alunos beneficiários das bolsas de estudo de que trata esta Lei ou seus pais ou responsáveis, quando for o caso, respondem legalmente pela veracidade e autenticidade das informações socioeconômicas por eles prestadas.

§ 2º Compete à entidade de educação aferir as informações relativas ao perfil socioeconômico do candidato. § 3º As bolsas de estudo poderão ser canceladas a qualquer tempo, em caso de constatação de falsidade da informação prestada pelo bolsista ou seu responsável, ou de inidoneidade de documento apresentado, sem prejuízo das demais sanções cíveis e penais cabíveis.

(iii.2) bolsas parciais de cinquenta por cento, quando necessário para o alcance do número mínimo exigido.

As proporções poderão ser cumpridas considerando-se diferentes etapas e modalidades da educação básica presencial. Além disso, o cumprimento das proporções poderá contabilizar o montante destinado a ações assistenciais147, bem como o ensino gratuito da educação básica em unidades específicas, programas de apoio a alunos bolsistas, tais como transporte, uniforme, material didático, além de outros, até o montante de vinte e cinco por cento da gratuidade. Para alcançar tal condição, a entidade poderá observar a seguinte escala de adequação sucessiva: (i) até setenta e cinco por cento no primeiro ano; (ii) até cinquenta por cento no segundo ano; e, (iii) vinte e cinco por cento a partir do terceiro ano.

No ato de renovação da certificação, as entidades de educação que não tenham aplicado em gratuidade o percentual mínimo de vinte por cento poderão compensar o percentual devido no exercício imediatamente subsequente com acréscimo de vinte por cento sobre o percentual a ser compensado. Contudo, tal permissão alcança tão somente as entidades que tenham aplicado pelo menos dezessete por cento em gratuidade, em cada exercício financeiro a ser considerado. São esses os ditames do artigo 17 da Lei nº 12.101/2009.

O parágrafo 6º da Lei nº 12.101/2009 determina que para a entidade que, além de atuar na educação básica ou em área distinta da educação, também atue na educação superior, aplicar-se-á o disposto no art. 10 da Lei nº 11.096/2005148, o qual traz as seguintes letras:

Art. 10. A instituição de ensino superior, ainda que atue no ensino básico ou em área distinta da educação, somente poderá ser considerada entidade beneficente de assistência social se oferecer, no mínimo, 1 (uma) bolsa de estudo integral para estudante de curso de graduação ou seqüencial de formação específica, sem diploma de curso superior, enquadrado no § 1º do art. 1º desta Lei, para cada 9 (nove) estudantes pagantes de cursos de graduação ou seqüencial de formação específica regulares da instituição, matriculados em cursos efetivamente instalados, e atender às demais exigências legais.

§ 1º A instituição de que trata o caput deste artigo deverá aplicar anualmente, em gratuidade, pelo menos 20% (vinte por cento) da receita bruta proveniente da venda de serviços, acrescida da receita decorrente de aplicações financeiras, de locação de bens, de venda de bens não integrantes do ativo imobilizado e de doações particulares, respeitadas, quando couber,

147 Consideram-se ações assistenciais aquelas previstas na Lei nº 8.742, de 7 de dezembro de 1993 - Lei Orgânica Da Assistência Social.

148 Institui o Programa Universidade para Todos – PROUNI, regula a atuação de entidades beneficentes de assistência social no ensino superior; altera a Lei nº 10.891, de 9 de julho de 2004, e dá outras providências.

as normas que disciplinam a atuação das entidades beneficentes de assistência social na área da saúde.

§ 2º Para o cumprimento do que dispõe o § 1º deste artigo, serão contabilizadas, além das bolsas integrais de que trata o caput deste artigo, as bolsas parciais de 50% (cinqüenta por cento) ou de 25% (vinte e cinco por cento) para estudante enquadrado no § 2º do art. 1º desta Lei e a assistência social em programas não decorrentes de obrigações curriculares de ensino e pesquisa.

§ 3º Aplica-se o disposto no caput deste artigo às turmas iniciais de cada curso e turno efetivamente instalados a partir do 1º (primeiro) processo seletivo posterior à publicação desta Lei.

§ 4º Assim que atingida a proporção estabelecida no caput deste artigo para o conjunto dos estudantes de cursos de graduação e seqüencial de formação específica da instituição, sempre que a evasão dos estudantes beneficiados apresentar discrepância em relação à evasão dos demais estudantes matriculados, a instituição, a cada processo seletivo, oferecerá bolsas de estudo integrais na proporção necessária para restabelecer aquela proporção. § 5º É permitida a permuta de bolsas entre cursos e turnos, restrita a 1/5 (um quinto) das bolsas oferecidas para cada curso e cada turno.

Finalizada a exposição dos critérios para concessão de certificação das entidades de ensino, passamos à análise dos critérios para certificação das entidades de assistência social.

3.3.2.2.4 Certificação das entidades de assistência social

Ocupemo-nos, finalmente, da certificação das entidades de assistência social, entidades estas, desígnio do presente trabalho.

As exigências para certificação de tais entidades estão dispostas nos artigos 18 a 20 da Lei nº 12.101/2009, todos inseridos na Seção III, do Capítulo II. Vejamos os termos do artigo 18:

Art. 18. A certificação ou sua renovação será concedida à entidade de assistência social que presta serviços ou realiza ações assistenciais, de forma gratuita, continuada e planejada, para os usuários e a quem deles necessitar, sem qualquer discriminação, observada a Lei nº 8.742, de 7 de dezembro de 1993.

§ 1º As entidades de assistência social a que se refere o caput são aquelas que prestam, sem fins lucrativos, atendimento e assessoramento aos beneficiários, bem como as que atuam na defesa e garantia de seus direitos. § 2º As entidades que prestam serviços com objetivo de habilitação e reabilitação de pessoa com deficiência e de promoção da sua integração à vida comunitária e aquelas abrangidas pelo disposto no art. 35 da Lei nº 10.741, de 1º de outubro de 2003, poderão ser certificadas, desde que comprovem a oferta de, no mínimo, 60% (sessenta por cento) de sua capacidade de atendimento ao sistema de assistência social.

§ 3º A capacidade de atendimento de que trata o § 2º será definida anualmente pela entidade, aprovada pelo órgão gestor de assistência social municipal ou distrital e comunicada ao Conselho Municipal de Assistência Social.

§ 4º As entidades certificadas como de assistência social terão prioridade na celebração de convênios, contratos, acordos ou ajustes com o poder público para a execução de programas, projetos e ações de assistência social.

Como se percebe, o caput do artigo 18 reza que, para fazer jus à certificação, a entidade de assistência social deverá (i) prestar serviços ou realizar ações assistenciais de forma gratuita, continuada e planejada; (ii) prestar ditos serviços ou realizar as citadas ações para os usuários que delas necessitarem, sem qualquer discriminação; e, (iii) observar as disposições da Lei Orgânica da Assistência Social (Lei nº 8.742/1993).

Assim, para que receba a certificação, a entidade deverá, de forma continuada, planejar a realização de serviços ou de ações assistenciais; tais ações ou serviços devem ser gratuitos e prestados a quem necessitar.

Retomando as premissas traçadas no tópico que abordou a gratuidade na prestação dos serviços (ao traçar os parâmetros para se conceituar o quem a ser ‘beneficente’), devemos ter em mente que, considerando ser a assistência, dentro da seguridade social, área de atuação destinada ao amparo dos carentes, a gratuidade de serviços a estes é algo desejável (sob pena de desvirtuamento dos ditames constitucionais sobre o tema da seguridade social. Contudo, a cobrança dos serviços aos que possuam condições para tanto é algo totalmente aceitável e até desejável, haja vista trazer à instituição o ingresso de recursos capazes de incrementar e melhorar suas atividades.

O parágrafo 1º, do artigo 18, da Lei nº 12.101/2009, por seu turno, esclarece que as entidades de assistência social a que se refere seu caput “são aquelas que prestam, sem fins lucrativos, atendimento e assessoramento aos beneficiários, bem como as que atuam na defesa e garantia de seus direitos.”.

O parágrafo 2º do mesmo artigo fixa o mínimo de sessenta por cento da capacidade de