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I. BÖLÜM

3. ELEKTRİK SEKTÖRÜNDE ÖZELLEŞTİRME VE

3.4. Elektrik Sektöründeki Sorunlar

3.4.3. Elektrikte YüksekTeknik ve Mali Kayıp-Kaçak

Pois bem, se a pretensão é estudar como é possível imprimir efetividade ao preceito constitucional inserido no artigo 195, parágrafo 7º, da Constituição Federal, parece salutar, antes de prosseguir na análise dos três aspectos de estudo acima propostos, traçar algumas palavras a respeito do que vem a ser ‘efetividade’ da norma.

Primeiramente vejamos o significado do verbete, de acordo com o Dicionário Houaiss:

Acepções

substantivo feminino caráter, virtude ou qualidade do que é efetivo 1 faculdade de produzir um efeito real

2 capacidade de produzir o seu efeito habitual, de funcionar normalmente

3 capacidade de atingir o seu objetivo real

4 realidade verificável; existência real; incontestabilidade 5 disponibilidade real

6 possibilidade de ser utilizado para um fim 7 Rubrica: administração.

qualidade do que atinge os seus objetivos estratégicos, institucionais, de formação de imagem etc.

Obs.: cf. eficiência e eficácia

Ex.: mais que eficiência, a firma demonstrou e. ao integrar a seus quadros gente das populações vizinhas mais carentes

8 Rubrica: termo militar.

situação de serviço ativo, prestado numa unidade ou estabelecimento militar

Etimologia

efetivo + -i- + -dade; ver faz-164

(grifos nossos)

Confira-se a conceituação de ‘efetivo’ segundo Nicola Abbagnano:

EFETIVO (in. Actual; fr. Effectif; al. Wirklich; it. Effettivo ou Effetuale). O mesmo que real (v. Realidade). Em italiano e francês, esse termo ressalta o caráter que a realidade possui diante do que só é imaginado ou desejado;

164 HOUAISS, Dicionário da Língua Portuguesa. Disponível em: <http://houaiss.uol.com.br/busca.jhtm?verbete=efetividade&stype=k&x=13&y=9>. Acesso em: 30 mar. 2011.

em inglês e alemão, ressalta o caráter que a realidade possui diante do que é somente possível. [N.A.]165

De Plácido e Silva assim conceitua o termo ‘efetividade’:

EFETIVIDADE. Derivado de efeitos, do latim effectivus, de efficere (executar, cumprir, satisfazer, acabar), indica a qualidade ou o caráter de tudo o que se mostra efetivo ou que está em atividade.

Quer assim dizer o que está em vigência, está sendo cumprido ou está em

atual exercício, ou seja, que está realizando os seus próprios efeitos. Opõe-se, assim, ao que está parado, ao que não tem efeito, ou não pode ser

exercido ou executado. (...)166

Por seu turno, Humberto Piragibe Magalhães e Christovão Piragibe Tostes Malta conceituam ‘efetividade’ da seguinte forma:

O princípio da efetividade tem influenciado de modo profundo toda a moderna literatura jurídico-internacional. A noção de efetividade, na ciência jurídica, é ‘a relação que existe entre um certo fato e uma regra ou situação jurídica’ (Touscoz). A efetividade, conclui este autor, ‘é a qualidade de um título jurídico que preenche objetivamente a sua função social’ (Celso D. de Albuquerque Mello, ‘Curso de Direito Internacional Público. 8ª Ed. Vol. I, pág. 57, ano 1986).167

Ao tratar do princípio da efetividade no Direito Internacional, José Francisco Rezek tece as seguintes palavras: “o vínculo patrial não deve fundar-se na pura formalidade ou no artifício, mas na existência de laços sociais consistentes entre o indivíduo e o Estado”. 168

Por seu turno, Luís Roberto Barroso, expõe o significado do termo ‘efetividade’, sendo “a realização do Direito, o desempenho concreto de sua função social. Ela representa a materialização, no mundo dos fatos, dos preceitos legais e simboliza a aproximação, tão íntima quanto possível, entre o ‘dever-ser’ normativo e o ‘ser’ da realidade social”.169

De tudo quanto dito, parece-nos ser possível concluir que, independentemente de se empregar a acepção ordinária ou jurídica do termo, a efetividade está intimamente ligada à capacidade de se alcançar os resultados realmente pretendidos, ou seja, de atuar na realidade,

165 ABBAGNANO, Nicola. Dicionário de Filosofia. Trad. Alfredo Bossi. 5.ed. São Paulo: Martins Fontes, 2007, p. 359.

166 SILVA, De Plácido e. Vocabulário Jurídico. 20.ed. Rio de Janeiro: Editora Forense, 2002, p. 295. 167 Dicionário Jurídico. 7.ed. Rio de Janeiro: Edições Trabalhistas, 1991, p. 342.

168 REZEK, José Francisco. Direito Internacional público: curso elementar, p. 180.

169 BARROSO, Luís Roberto. O direito constitucional e a efetividade de suas normas – limites e possibilidades da Constituição brasileira. 9.ed. Rio de Janeiro: Renovar. 2009, p. 82-83.

de produzir, no mundo real, os objetivos que se espera.170 Em outras palavras, a efetividade invoca a ideia de cumprimento, de realização prática dos comandos contidos na Carta Maior.171

No caso, o resultado a ser alcançado é aquele estampado pela Constituição Federal em seu artigo 195, parágrafo 7º, ou seja, a imunidade de contribuições para a seguridade social das entidades beneficentes de assistência social, ainda que de forma vinculada à lei infraconstitucional.

Evidente que, ao condicionar a imunidade de contribuições para a seguridade social aos requisitos a serem ditados por lei infraconstitucional, não pretendeu a Constituição Federal que tal lei viesse a invalidar seus ditames. Muito a contrário senso, é razoável se concluir que a pretensão da Constituição era que a lei infraconstitucional lhe oferecesse o suporte necessário para a efetivação do preceito constitucional.

Oportuno trazer à baila as palavras de Celso Ribeiro Bastos, eis que muito bem se ajustam ao raciocínio ora desenvolvido, ao tratar da subordinação e da limitação do Estado ao direito. Confira-se:

O Estado se subordina ao direito? (...) De início pode parecer muito difícil a aceitação dessa tese, uma vez que, se é o próprio Estado que cria o direito, por meio da sua atividade Legislativa (...) poder-se-ia de fato sempre acreditar que a submissão do Estado ao direito é impossível. (...)

Contudo, não é isto que tem prevalecido. Na verdade o Estado Moderno, democrático, tem guardado uma obediência sensível ao ordenamento jurídico. (...)

Portanto, o próprio fundamento que em última análise confere ao Estado a prerrogativa de exercer o poder – que é a sua capacidade de impor a ordem – impede que ele deixe de sujeitar-se às leis destinadas a ordenar a própria sociedade. (...)

Além disso, é imprescindível a percepção de dar-se a contenção do poder não só por limitações de ordem formal – como até agora vínhamos expondo -, mas também pela existência de limitações de ordem material, vale dizer, por regras que impedem o Estado de invadir as esferas próprias dos indivíduos e dos grupos sociais menores. São, portanto, os instrumentos jurídicos de garantia.

(...) se faz hoje importante não só a limitação das atividades do Estado pelo direito, mas também a contenção das próprias atividades do Estado. As diversas experiências históricas têm demonstrado a

170 BOTELHO, Marco César. Políticas Públicas e a Efetividade dos Direitos das Pessoas com Deficiência. In: SIQUEIRA, Dirceu Pereira; ANSELMO, José Roberto (Org.). Estudos sobre direitos fundamentais e inclusão

social: da falta de efetividade à necessária judicialização, um enfoque voltado à sociedade contemporânea. São Paulo: Editora Boreal, 2010, p. 240-243.

impossibilidade de um Estado ser totalitário quanto aos seus fins e libertário quanto aos seus meios.172

(destaques nossos)

Ora, a imunidade de contribuições para a seguridade social das entidades de assistência social se apresenta exatamente como a situação acima descrita, onde o Estado deve conter as suas próprias atividades ao delegar ao particular a função de prestar assistência social, e, em contrapartida, agraciá-lo com a imunidade de contribuições para a seguridade social.

Vale dizer que, a falta de efetividade da norma em apreço – artigo 195, parágrafo 7º da Constituição Federal – causada por outras normas editadas, evidentemente, pelo próprio Estado, em última análise, torna inócuo um direito constitucional, o que agrava inda mais a questão, eis que inadmissível lei infraconstitucional aniquilar preceito constitucional.

As supra transcritas palavras de Celso Ribeiro Bastos também fazem menção às ‘garantias’, eis que imprescindíveis para a efetividade dos direitos. Então, parece-nos pertinente investigar se a imunidade de contribuições para a seguridade social das entidades beneficentes de assistência social não se afigura verdadeira garantia constitucional.

4.2

Análise da imunidade do art. 195, § 7º, da CF, como uma garantia