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I. BÖLÜM

2. ELEKTRİK ENERJİSİ SEKTÖRÜNÜN DURUMU

2.2. Elektrik Sektörünün Yapısı ve Ekonomik

2.2.1 Üretim Segmenti

Pois bem, já cuidamos de analisar o conceito da entidade de ‘assistência social’, agora adentremos no significado de entidade ‘beneficente’, isto porque, o parágrafo 7º, artigo 195, da Constituição Federal, utiliza a expressão “entidades beneficentes de assistência social”116. Desta feita, cabe perquirir sobre o que se entende por “beneficente”.

Ante os ditames do inciso I, do artigo 204, da Constituição Federal, aparentemente as expressões entidades de ‘assistência social’ e entidades ‘beneficentes’ não se equivalem. Confiram-se as letras do citado artigo:

Art. 204. As ações governamentais na área da assistência social serão realizadas com recursos do orçamento da seguridade social, previstos no artigo 195, além de outras fontes, e organizadas com base nas seguintes diretrizes:

I - descentralização político-administrativa, cabendo a coordenação e as normas gerais à esfera federal e a coordenação e a execução dos respectivos programas às esferas estadual e municipal, bem como a entidades beneficentes e de assistência social;

(destacamos)

Primeiramente, cuidemos de investigar o significado do vocábulo ‘beneficente’, no seu sentido comum. Segundo o dicionário iDicionário Aulete, beneficência “é prática de fazer o bem, esp. a dedicação a obras de caridade (instituições de beneficência); disposição genérica de praticar o bem, de ajudar os outros: Ela é conhecida por sua beneficência”117.

Por sua vez, o Dicionário Jurídico de Humberto Piragibe Magalhães e Christovão Piragibe Tostes Malta conceitua ‘beneficência’ da seguinte maneira:

(do latim beneficentia; de bene facere, fazer o bem). Assim se designam as associações, sociedades e outras entidades de fins piedosos e de caridade, prestando assistência intelectual, moral ou material aos necessitados. Juridicamente, as igrejas e outras sociedades religiosas são entidades de beneficência.118

116 Art. 195 da CF. A seguridade social será financiada por toda a sociedade, de forma direta e indireta, nos termos da lei, mediante recursos provenientes dos orçamentos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, e das seguintes contribuições sociais:

(...)

§ 7º. São isentas de contribuição para a seguridade social as entidades beneficentes de assistência social que atendam às exigências estabelecidas em lei.

117 AULETE, iDicionário. Disponível em:

<http://aulete.uol.com.br/site.php?mdl=aulete_digital&op=loadVerbete&pesquisa=1&palavra=beneficente&x=1 7&y=7>. Acesso em: 29 jan. 2011.

Eis então que nos parece válido concluir que entidade beneficente é aquela dedicada a prestar ajuda ao próximo. Mas tal conclusão não nos auxilia muito para os fins do presente estudo. Deste modo, a fim de construir um conceito para entidade ‘beneficente’, valemo-nos, não apenas do sentido do vernáculo, mas também da sua utilização na legislação infraconstitucional.

Assim, primeiramente invocamos os ditames do artigo 29 da Lei nº 12.101, de 27 de novembro de 2009, que dispõe sobre a certificação das entidades beneficentes de assistência social:

Art. 29. A entidade beneficente certificada na forma do Capítulo II fará jus à isenção do pagamento das contribuições de que tratam os arts. 22 e 23 da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, desde que atenda, cumulativamente, aos seguintes requisitos:

I - não percebam seus diretores, conselheiros, sócios, instituidores ou benfeitores, remuneração, vantagens ou benefícios, direta ou indiretamente, por qualquer forma ou título, em razão das competências, funções ou atividades que lhes sejam atribuídas pelos respectivos atos constitutivos; II - aplique suas rendas, seus recursos e eventual superávit integralmente no território nacional, na manutenção e desenvolvimento de seus objetivos institucionais;

III - apresente certidão negativa ou certidão positiva com efeito de negativa de débitos relativos aos tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil e certificado de regularidade do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço - FGTS;

IV - mantenha escrituração contábil regular que registre as receitas e despesas, bem como a aplicação em gratuidade de forma segregada, em consonância com as normas emanadas do Conselho Federal de Contabilidade;

V - não distribua resultados, dividendos, bonificações, participações ou parcelas do seu patrimônio, sob qualquer forma ou pretexto;

VI - conserve em boa ordem, pelo prazo de 10 (dez) anos, contado da data da emissão, os documentos que comprovem a origem e a aplicação de seus recursos e os relativos a atos ou operações realizados que impliquem modificação da situação patrimonial;

VII - cumpra as obrigações acessórias estabelecidas na legislação tributária; VIII - apresente as demonstrações contábeis e financeiras devidamente auditadas por auditor independente legalmente habilitado nos Conselhos Regionais de Contabilidade quando a receita bruta anual auferida for superior ao limite fixado pela Lei Complementar nº 123, de 14 de dezembro de 2006.

(destacamos)

Note-se que referido artigo proíbe que os diretores, conselheiros, sócios, instituidores ou benfeitores da entidade beneficente percebam remuneração, vantagens ou benefícios;

proíbe também que sejam distribuídos resultados, dividendos, bonificações, participações ou parcelas do patrimônio da entidade beneficente.

Em segundo lugar, invocamos o Código Tributário Nacional, em seus artigos 9º e 14, que se encontram inseridos no Capítulo II, intitulado ‘Limitações da Competência Tributária’, que têm as seguintes letras:

Art. 9º. É vedado à União, aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios:

(...)

IV - cobrar imposto sobre: (...)

c) o patrimônio, a renda ou serviços dos partidos políticos, inclusive suas fundações, das entidades sindicais dos trabalhadores, das instituições de educação e de assistência social, sem fins lucrativos, observados os requisitos fixados na Seção II deste Capítulo;

(...)

Art. 14. O disposto na alínea c do inciso IV do artigo 9º é subordinado à observância dos seguintes requisitos pelas entidades nele referidas:

I - não distribuírem qualquer parcela de seu patrimônio ou de suas rendas, a qualquer título;

II - aplicarem integralmente, no País, os seus recursos na manutenção dos seus objetivos institucionais;

III - manterem escrituração de suas receitas e despesas em livros revestidos de formalidades capazes de assegurar sua exatidão.

§ 1º Na falta de cumprimento do disposto neste artigo, ou no § 1º do artigo 9º, a autoridade competente pode suspender a aplicação do benefício. § 2º Os serviços a que se refere a alínea c do inciso IV do artigo 9º são exclusivamente os diretamente relacionados com os objetivos institucionais das entidades de que trata este artigo, previsto nos respectivos estatutos ou atos constitutivos.

(destaques nossos)

Enquanto o artigo 9º reforça o fato de que ‘assistência social’ não equivale a ‘não possuir fins lucrativos’, o artigo 14 do Código Tributário Nacional proíbe a distribuição das rendas ou patrimônio da entidade beneficente, a qualquer título.

Do cotejo dos artigos dantes referidos e transcritos (204, I, da Constituição Federal, 29, I e IV, da Lei 12.101/2009, art. 9º, IV, ‘c’ e art. 14 do Código Tributário Nacional), aliados aos conceitos – comum e jurídico – do vernáculo ‘beneficente’ (que remete à ideia de dedicação à ajuda ao próximo), nos parece razoável concluir que beneficente é a instituição que não visa obter lucro, ou seja, é desprovida do propósito lucrativo.

Vejamos as palavras de Luciano Amaro, que assim se pronuncia a respeito da ausência de fins lucrativos da entidade:

A inexistência de fim lucrativo (exigida pela Constituição) foi corretamente traduzida pelo art. 14 do Código Tributário Nacional, ao estabelecer a não

distribuição de patrimônio ou renda. Com efeito, quando se fala em entidade sem fim lucrativo, quer-se significar aquela cujo criador (ou instituidor, ou mantenedor, ou associado, ou filiado) não tenha fim de lucro para si, o que, obviamente, não impede que a entidade aufira resultados positivos (ingressos financeiros, eventualmente superiores às despesas) na sua atuação. Em suma, quem cria a entidade é que não pode visar a lucro. A entidade (se seu criador não visou lucro) será, por decorrência, sem fim de lucro, o que – repita-se – não impede que ela aplique disponibilidades de caixa e aufira renda, ou que, eventualmente, tenha em certo período, um ingresso financeiro líquido positivo (superávit). 119

(grifamos)

Ou seja, o que não se permite é a distribuição dos lucros; de modo que ao se falar em lucros, presume-se que a entidade possa cobrar por seus serviços. Assim, a gratuidade na prestação dos serviços não é requisito para a instituição ser considerada beneficente.

Importante, neste ponto, relembrar as palavras de Wagner Balera que, ao tratar da imunidade de contribuições para a seguridade social das entidades de educação, abordou o tema da gratuidade na prestação dos serviços, se manifestando nos seguintes termos: “A assistência social, inclusive educacional, não exige a gratuidade da prestação dos serviços.”.120 (destacamos)

Mais uma vez, valemo-nos das palavras de Luciano Amaro, para quem “o importante é que todo o resultado aí apurado reverta em investimento ou custeio para que a entidade continue cumprindo seu objetivo institucional de educação ou assistência social.”.121 (grifamos)

Até mesmo porque não seria crível que a instituição tivesse que prestar apenas serviços gratuitos. Se assim fosse, ver-se-ia obrigada a sobreviver integralmente de doações, dificultando enormemente a mantença da beneficência. Em segundo, porque prestar apenas serviços gratuitos também significaria valer-se total ou predominantemente dos serviços de voluntários122, tornando inócua imunidade de contribuições para a seguridade social das

119 AMARO, Luciano. Direito Tributário Brasileiro. 17.ed. São Paulo: Saraiva, 2011, p. 180.

120 BALERA, Wagner. Entidade de fins Filantrópicos e Seguridade Social Requisitos Legais para Imunidade, p. 221.

121 AMARO, Luciano. Op. cit., p. 180.

122 Lei nº 9.608, de 18 de fevereiro de 1998 (DOU 19.02.1998), que dispõe sobre o serviço voluntário e dá outras providências:

entidades beneficentes de assistência social, eis que tais serviços não geram a incidência de contribuições sociais previdenciárias.

Evidentemente que, sendo função da assistência social o amparo aos carentes, e, sendo certo que estes não têm condições de pagar por serviços, é desejável que a entidade preste serviços de modo gratuito aos que não podem por eles pagar, de modo a atender aos preceitos da assistência social, como visto anteriormente.

Conclusivamente a este tópico, temos que a ausência do propósito lucrativo obriga, sim, a não distribuição de lucro por parte da entidade. Assim, os serviços prestados podem ser cobrados, contudo, a receita advinda destes deve ser totalmente revertida em prol da própria entidade. É este o entendimento que se adota no presente estudo.

3.3. Espécie normativa adequada para ditar as exigências para fruição da