1. VERGİ PLANLAMASI KAVRAMI VE TEORİK ÇERÇEVESİ
2.1. Kuruluş Yeri Seçimi Yoluyla Vergi Planlaması
2.1.3. Kurumlar Vergisinde İndirim
Neste eixo temático, a morte é construída com base na dualidade entre bem e mal; entre Mesmo e Outro; entre anjo e monstro; entre vida e morte; riqueza e miséria;
libertador e vilão. Trata-se, nestas versões de Veja, de uma sociedade dividida entre dois mundos contrastantes em que, de um lado, estão indivíduos ou grupos do mal, isto é, responsáveis pelos atos de criminalidade e violência urbana que, em certos casos, acontecem dentro da própria família e, de outro, encontram-se pessoas do bem que lutam e trabalham para a sua autorrealização.
Dentro dos limites conservadores da revista, o bem está em ser alguém honesto, trabalhador, que segue os padrões do status quo de conduta construídos pelo enunciador. O mal seria o que o enunciador identifica como prática do bandido, do marginal que não tem um projeto de vida definido, e por isso vive do mundo do crime para satisfazer seus desejos de consumo sem para isso empreender algum esforço.
De forma geral, há aqui a definição de um mal transcendental, ligado à criatura humana, que tem de ser segurado, interditado, seja pela atuação das autoridades, no caso dos bandidos tresloucados ou desse pai desnaturado. Essa construção do mal é muito forte em Veja e confirma a posição conservadora do enunciador. A morte é aqui consequência de um mal não interditado, construído como naturalizado.
Nas mortes por assassinato, bem e mal são figurativizados, respectivamente, no anjo e no monstro. No imaginário popular, o bem é figurativizado pela imagem de anjo, que representa paz, bondade e simplicidade, enquanto o mal é figurativizado pelo monstro, cuja imagem é associada à maldade, à morte, à violência contra a vida humana.
Esse ponto de vista do enunciador é sustentado nas reportagens sobre crime e violência urbana, por meio de linguagem afirmativa opinativa, em que o enunciador expressa sua indignação pelo cenário de violência urbana: “chega de romancear o criminoso; chega de culpar abstrações como a violência, o neoliberalismo, o descaso da classe média”.
Ao mesmo tempo em que o enunciador clama por soluções para esse mal que afeta a sociedade, critica a atitude dos especialistas ocupados em produzir pesquisas sobre a temática: “os explicadores continuarão suas ladainhas, seus seminários, suas viagens para conhecer cidades que venceram o crime, suas reformas para dar resultado daqui a um século, suas visões idílicas de que favelas são soluções, o Brasil está na sala de emergência”. A briga é contra a esquerda, que luta para a compreensão do assunto, não a partir da óptica do castigo e da punição, mas da produção social do crime, da desigualdade.
Na capa da morte de João Hélio, o enunciador questiona: “não vamos fazer nada?” E sentencia: “que se faça o que tem que ser feito já para conter a hemorragia social provocada pelo crime. Ou em breve, estaremos chorando outro João Hélio”. Este tipo de questionamento, além de reforçar o sentimento de ódio e incorrer no risco de estimular atitudes de justiça com as próprias mãos, pode induzir a atitudes policiais mais repressivas e autoritárias contra os envolvidos além de fortalecer a ideia de legitimação destas ações violentas, principalmente contra aqueles que se situam à margem da sociedade do consumo, como expôs Benoni Belli (2004).
Um exemplo de “retribuir na mesma moeda o mal causado” (BELLI, 2004, p.19) está exposto nas fotografias publicadas. Logo abaixo da imagem do carro com o corpo da criança coberto, aparecem os policiais militares do Rio de Janeiro segurando os suspeitos pelo pescoço e pelos trajes, inclusive um adolescente. Apesar de o procedimento da PM não ser o recomendado pela legislação, não foi em nenhum momento questionado pelo enunciador, tendo, ao contrário, sido exaltado.
Considerado um dos mais importantes estudiosos da criminologia contemporânea, David Garland destaca as principais motivações desta transformação: “o crime e o medo do crime são hoje em dia amplamente vividos como fatos da vida moderna (...) pouco a pouco, o crime tornou-se para as gerações atuais, um risco cotidiano que deve ser avaliado e administrado de forma rotineira” (GARLAND, p.67). Desta forma, o Estado, antes visto como soberano no controle das investidas criminosas e demais acontecimentos de desordem pública, expõe agora “a sua inaptidão para, sozinho, implementar estruturas direcionadas a garantir o bem-estar social, procurando impor e delegar responsabilidades a grupos ou indivíduos que, antes, voltavam-se para o Estado na procura de proteção contra o crime” (idem, p. 67).
Na mesma linha, Garland chama a atenção para a ambivalência do debate sobre o crime na atualidade: “há uma ‘criminologia do eu’ que faz do criminoso um consumidor racional, à nossa imagem e semelhança, e uma ‘criminologia do outro’, do pária ameaçador, do estrangeiro inquietante, do excluído e do rancoroso” (p. 75). Ou seja, na primeira opção, propõe-se reduzir o medo pela ação preventiva, fundamentalmente com a mudança de hábitos dos cidadãos, dando ao crime um caráter de fato “normal” da vida cotidiana. Por outro lado, valorizam-se também os discursos de lei e ordem, nos quais o criminoso é satanizado e tratado como monstro, devendo ser simplesmente excluído do convívio social.
produto vendável, na medida em que, elaborando narrativas sensacionalistas, o enunciador reforça a ideia defendida por Porto de que “a violência é, assim, uma moeda com alto poder de troca, porque é uma mercadoria que vende e vende bem” (PORTO, 2002, p. 165). A abordagem da revista em relação à temática da violência revela alguns elementos recorrentes, principalmente no que tange à discriminação de sujeitos da narrativa, autonomia no julgamento dos fatos e suspeitos e apelo a guias práticos de compreensão. Muito além da linha editorial, cuja rigidez norteia a produção noticiosa de Veja, a análise deste bloco revelou uma forte característica da revista de adotar uma voz autônoma dispensando suas fontes.
Também está patente o recurso a um raciocínio reducionista e preconceituoso sobre a figura do Outro, ou seja, daquele que realiza as ações criminosas e violentas (criminoso, favelado, pobre, negro) contra o Mesmo (a classe média-alta) e ignora a dimensão social desse fenômeno como consequência de falhas graves na implementação das políticas públicas, sobretudo, nas áreas de educação profissionalizante, de redução da desigualdade, de segurança pública e de outros serviços que ofereçam condições necessárias para a integração social efetiva do cidadão.
3.2.3. Morte por desastres naturais
O terceiro bloco a ser analisado são as capas em que Veja traz para a discussão as mortes por desastres naturais, terremotos, maremotos, enchentes.
No período analisado, a revista abordou três vezes o assunto em cinco diferentes capas. Mereceram destaque o tsunami3, em 2005; a enchente de Santa Catarina, em 2008 e o terremoto que destruiu a capital do Haiti, em 2010.
“A tragédia de Santa Catarina”, antecede a chamada principal em letras maiúsculas e fonte maior “A PRIMEIRA VÍTIMA” e, logo abaixo, “Luana Eger, de 3 anos, foi a primeira dos mais de 100 mortos pelo dilúvio que desabrigou quase 80.000 e impactou 1,5 milhões de pessoas em um dos estados mais ricos do Brasil”. Esses dizeres estão sobressaindo da foto da menina, em vida, com expressão serena vestida
3
Tsunami, de acordo com o Dicionário Houaiss da Língua Portuguesa, vaga marina volumosa provocada
por movimento da terra submarino ou erupção vulcânica jap. Tusinami, de “tsu”, porto, ancoradouro + “nami” onda do mar.Foi ação do mar que devastou a orla de vários países asiáticos.
com roupa de inverno na cor rosa, como se ela estivesse preparada para ir à escola ou qualquer outro evento.
O tsunami que devastou a orla de vários países asiáticos, em 2005, foi assunto de duas capas da revista. A primeira, no dia 5 de janeiro, com a chamada “O MAR DOS MORTOS”, seguida de “A catástrofe no Oceano Índico que matou 100.000 pessoas é uma advertência sobre a fragilidade do homem diante da natureza”. Em close o rosto de um homem que chora, segurando a mão do filho morto, de 8 anos, na Índia. Na semana seguinte, Veja deu continuidade ao assunto “A GUERRA MUNDIAL PELA VIDA”, como chamada principal, seguida de “Os países descobrem na ajuda às vítimas do tsunami uma causa planetária comum” e, em três blocos menores, no final da página “GEOPOLITICA - A tragédia une nações que não se entendiam na luta contra o terrorismo nem na preservação ambiental”; “DOAÇÕES - O empenho das celebridades em uma era em que a imagem depende de como gastam seu dinheiro”; “RISCOS - Os desastres naturais vitimam cinco vezes mais pessoas hoje do que há quarenta anos”. A foto ilustrando a capa é um militar da força de paz carregando uma menina ferida, mas com vida, resgatada na Indonésia.
O terremoto que destruiu a capital do Haiti, em 2010, também foi assunto de duas capas. Em 20 de janeiro a chamada foi “HAITI” em letras maiúsculas e logo abaixo a data “12 de janeiro de 2010”, como se costuma ver em lápides. No final da página, “A tragédia brasileira em Porto Príncipe e a morte de Zilda Arns, protetora das crianças”. A foto de página inteira mostra uma mão sem vida que emerge do meio dos escombros e, em menor destaque, a imagem de Arns sorridente acenando.
Na semana seguinte, 27 de janeiro, a revista volta a dar espaço ao terremoto: “HAITI do Caos a Esperança” e entre aspas o relato do repórter que fez a cobertura do desastre: “Sob as trevas da noite o pavor aumenta. Os raros focos de luz são dos faróis de carros, dos postes de quartéis com geradores e das fogueiras (...) assustadoras fogueiras alimentadas por escombros e corpos”. Do Hospital-Geral de Porto Príncipe “emergem urros de dor de pacientes. Com os primeiros raios de sol chega a notícia do resgate de uma criança com vida, e a esperança renasce”. Toda a superfície da capa é tomada por uma foto que mostra o resgate de um menino por bombeiros, cercados por equipes de resgate e populares.
Foram três episódios de grandes proporções que deixaram muitos mortos, feridos e desabrigados, sendo dois internacionais e um nacional. Os números da tragédia, depois se confirmaram maiores do que os que a revista trouxe. Foram 230 mil mortos no Haiti e 160 mil mortos na Ásia. Como Veja fez a cobertura desses acontecimentos será o exercício de análise desse bloco.
Nas 16 páginas que em média compõem as cinco matérias de capa, menos de 30% do espaço são dedicadas ao relato dos fatos em forma de texto. A maior parte do espaço é ocupada por fotografias, gráficos e infográficos com os números das tragédias, explicações técnicas do ocorrido e quadros históricos comparativos com eventos semelhantes. As primeiras páginas são dedicadas a mostrar a devastação das pessoas e das construções, por meio de imagens, que por si só dão a dimensão da catástrofe. Em seguida, há uma matéria principal com chamada e linha fina explicativa para introduzir o leitor no discurso da revista ou na visão que o enunciador pretende que o enunciatário tenha daquele episódio.
No caso de Santa Catarina, a chamada da matéria principal “O horror diante dos olhos”, informa ao leitor que ele mais verá do que lerá nas páginas seguintes. A linha fina também antecipa a abordagem: “As causas, o desespero e os prejuízos do dilúvio que atingiu o coração de Santa Catarina, um dos estados mais prósperos e desenvolvidos do Brasil”. No caso do tsunami, a revista repete na matéria interna a
mesma chamada da capa “O mar dos mortos”. Na semana seguinte (12 de janeiro de 2005), o título da matéria interna foi “Tsunami de Solidariedade”. Diferentemente dos demais títulos, a primeira matéria do Haiti, diz “O Dia em que o mundo acabou”, o único a levar um verbo no enunciado. A segunda segue a tendência da revista com frase nominal, “O Caos depois do desastre”.
Veja se utiliza de frases nominais (identificadas pela ausência do verbo) com bastante frequência, porém, percebe-se nesse bloco uma incidência ainda maior do recurso, tanto nas capas quanto nos títulos internos. Nesse tipo de construção, diferentemente de uma frase verbal que possui todos os elementos (sujeito + verbo + predicado), há uma falta. Falta o verbo, sendo indicativo de texto opinativo, como a maioria dos encontrados na revista. É um recurso discursivo adotado pelo enunciador para gerar maior expectativa em torno de como o periódico vai fazer a leitura dos fatos para o seu enunciatário/leitor. Obviamente, a construção é comum em textos em que o enunciador quer gerar maior interesse no enunciatário, já que “frases dessa natureza são subjetivas e vagas, dependendo de um contexto para a sua correta interpretação” (GARCIA, 2000 p. 38) e aguçam a imaginação.
A falta do verbo pode ser entendida apenas como um recurso jornalístico utilizado pelos mais diversos veículos, mas também como uma marca da falta que há no texto de discutir o que poderia ser considerado essencial: o tema da morte como fim da vida, seja para as pessoas atingidas no momento da catástrofe ou para os leitores e todos os demais seres humanos, em algum outro momento, inevitavelmente, se depararão com a situação. O que o enunciador deixa de abordar é o chamado Real, nos preceitos Lacanianos, conforme nos explica Oscar Cesarotto:
o Real define-se inicialmente pela negativa: é aquilo que não pode ser simbolizado nem integrado narcisicamente. A reflexão a seu respeito traz de novo o velho problema filosófico da relação imediata entre sujeito e objeto. Relação inviável, por estar o objeto sobredeterminado, e o sujeito condicionado pelo desejo. Portanto, o Real é o que é, além de qualquer interferência, independentemente dos outros registros (CESAROTTO, 2001, p. 74).
A morte como fim da vida toca o Real, e, por ser o Real o que é, não há como traduzi-lo para o enunciatário, não há como estruturar um discurso aceitável para o leitor. Trazer o objeto “corpo morto”, transformado em números, quantificar e qualificar as mortes, contabilizar os estragos e dar uma receita para o problema é o caminho que
o enunciador segue, já que seu o leitor também não está preparado e não quer saber mais do que isso.
Na visão de Lacan, o Real faz parte das três dimensões do espaço habitado pelos seres falantes e ele os define a partir da experiência analítica, como Imaginário, Simbólico e Real. Na mesma linha, Cesarotto (2001) argumenta que
o imaginário constitui o plano onde se manifesta o ego. Devem ser considerados dois dos sentidos possíveis desta palavra: por um lado quer dizer falso, apontando desta maneira à ilusão de autonomia da consciência. Por outro lado, tem a ver diretamente com as imagens, a matéria-prima a partir da qual se estrutura o estágio do espelho, por meio de identificações. Em termos freudianos, corresponde à dimensão do narcisismo, etapa intermediária entre o autoerotismo e as relações objetais da libido. É o momento fundamental da cristalização da imagem do corpo, que dá lugar à instalação, no psiquismo, da matriz do ego. O registro do Simbólico tem, na linguagem, sua expressão mais concreta: é o âmbito da palavra e suas consequências na constituição do ser humano, chamado tautologicamente de falante, por depender sua qualidade humana do fato de falar. O Real é a terceira dimensão e, de acordo com Lacan, já está definido acima. No sistema de Freud, entretanto, era a referência à base biológica do ser, em cima da qual iria se organizando o aparelho psíquico. Todavia, era o lugar outorgado ao trauma nos começos de sua teorização: aquilo que, por irromper de repente, não permite que o sujeito se defenda, desestruturando-o (CESAROTTO, 2001, p. 73 e 74).
Outro aspecto evidente em todas as capas é o fato das catástrofes serem relatadas com metáforas de guerra, mas não a guerra do Oriente Médio que o leitor está acostumado a saber por notícias, quase diárias, veiculadas pelos mais diversos meios de comunicação, mas de uma guerra nuclear de proporções só vistas em filmes. É nessa construção discursiva que Veja busca dimensionar a quantidade de mortes e o tamanho dos estragos materiais, sociais, políticos e psicológicos. “Com a força de 30 bombas atômicas, o grande terremoto que sacudiu o Haiti destroçou a capital, Porto Príncipe, causou um número ainda ‘inimaginável’ de mortos, vitimou brasileiros e deixou o país, já paupérrimo, mais arrasado do que nunca”.
O terremoto do Haiti e o tsunami no Índico vitimaram, respectivamente, 230 mil e 160 mil pessoas, mas Veja tratou o segundo episódio como de maior proporção, por ter atingido a costa de 12 países. “A violência do maremoto no Oceano Índico mexeu até na rotação da Terra...”. “Que adjetivos usar para um cataclismo que deslocou ilhas
inteiras? Que liberou uma energia equivalente a 1 milhão de bombas atômicas como a de Hiroshima?”
Em todas as matérias há precisão em descrever, com detalhes e adjetivos qualificativos, como a catástrofe ocorreu, o horário exato, como se sucederam as mortes e a destruição que devastou o entorno. “Quando o mundo acabou no Haiti, às 4h e 53min da tarde de terça-feira...” as placas tectônicas norte-americanas e caribenhas se deslocaram horizontalmente em direção opostas “essas duas placas são separadas por uma microplaca conhecida como ‘Gonave’, delimitada por pequenas falhas – em uma delas, a falha de Emlquillo-Plantain Garden, ocorreu o terremoto”. Normalmente as placas se movem apenas 20 milímetros, no dia, calcula-se que a movimentação tenha sido de 1,5 metros.
Na enchente de Santa Catarina “apenas na Blumenau dos laboriosos imigrantes alemães, caíram, em cinco dramáticos dias, 300 bilhões de litros de água”. “Sim, bilhões – o suficiente para abastecer a cidade de São Paulo durante três meses”. As condições meteorológicas e geográficas determinaram o desastre. Houve a junção de um anticiclone, estacionado no litoral gaúcho que levou chuvas para a costa catarinense, simultaneamente um vórtice ciclônico estacionou sobre o litoral do estado e provocou mais chuva. “A combinação desses dois fenômenos foi o que aumentou extraordinariamente o índice pluviométrico”. A mesma descrição detalhada ocorreu no relato do tsunami que começou com 9 graus na escala Richter, “nas proximidades da ponta superior do arquipélago indonésio, teve força para atravessar 6.500 quilômetros e matar gente na costa oriental da África, além de alterar marés no Chile”.
Pode-se argumentar que em todo relato jornalístico, dar detalhes é o mínimo que o enunciador deve fazer para manter o contrato fiduciário estabelecido com seu leitor, o que não deixa de ser verdade. Há, no entanto, uma predisposição de Veja de se ater aos detalhes técnicos, a descrições minuciosas de condições geográficas, meteorológicas e formatar quadros estatísticos e numéricos. A própria revista explica a razão desse tipo de discurso: “como levar o leitor a trilhar um caminho que desembocará na identificação com alguém que perdeu o pai, a mãe, o filho, um parente, amigos, se, provavelmente, o leitor, de fato, terá parentes e conhecidos na tragédia”.
Nas reportagens Veja relata com detalhes os desastres naturais e isso possibilita o enunciatário a ter visão ampla sobre os impactos dessas tragédias na população diretamente afetada. Ao mesmo tempo, o enunciador busca argumentos na ciência
para dizer ao leitor que todas as catástrofes foram uma grande fatalidade, que dificilmente voltarão a acontecer. Trata de maneira diferente as catástrofes ocorridas no exterior ao mostrar corpos sem vida em fotografias e é mais comedido na exposição das mesmas quando se trata de tragédias no Brasil. Para enfatizar o caso como único, relata que houve junção de fatores nunca ocorridos: “Isolados, os fenômenos que se abateram sobre Blumenau não teriam força de causar grandes estragos”.
Em relação ao tsunami, ouve a preocupação de tranquilizar o leitor, que embora já soubesse que o Brasil não tem histórico de maremotos ou terremotos, informando que sua localização, no centro de uma placa tectônica, é garantia de que a população nunca será atingida. “Os maiores abalos ocorrem nas bordas das placas”. O país está localizado no centro, onde o movimento das mesmas é considerado normal, ou seja, a placa Sul-Americana afasta-se da Africana o que provoca poucos tremores. Ao contrário do que aconteceu em Sumatra (no arquipélago) em que as bordas das placas se chocaram e deslocaram-se uma sobre a outra. Para o leitor é quase um alívio poder se solidarizar com as vítimas de um acontecimento tão triste sabendo que está totalmente protegido. O que o enunciador faz, nesse caso, é trazer uma explicação racional e científica para o ocorrido, de modo que o despropósito e a falta de sentido da catástrofe, seu Real, fique simbolizado. O enunciador é um simbolizador, diminuindo o