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1. KAMU İDARESİ HAKKINDA BİLGİ

1.2 Kuruluşun Mevzuatı ve Amacı

A pluviometria da região semiárida do Nordeste é influenciada pelos padrões das TSM nas bacias dos oceanos Atlântico e Pacífico, de modo que o comportamento termodinâmico das mesmas promove a variabilidade entre anomalias positivas e negativas da temperatura, resultando em modificações no padrão de circulação atmosférica global, com ênfase nas perturbações sobre as células de Hadley e Walker, alterando os seus deslocamentos e consequentemente a circulação na zona tropical (FERREIRA; MELLO, 2005). Tais anomalias, ora são responsáveis pela intensificação do período chuvoso, ora pelo prolongamento do período de estiagem, bem como pela situação de normalidade.

A seguir são apresentados os fenômenos oceânico-atmosféricos de El Niño/La Niña e o Dipolo do Atlântico, eventos resultantes das oscilações nas

Anomalia Positiva Anomalia Negativa A B

temperaturas das águas oceânicas do Pacífico e do Atlântico, respectivamente. A atuação destes dois fenômenos são os principais responsáveis pela determinação do comportamento pluviométrico anual, bem como pela sua distribuição espacial.

4.1.4.1 El Niño Oscilação Sul

O El Niño Oscilação Sul (ENOS) consiste em um fenômeno oceânico- atmosférico de macroescala, formado a partir das variações da TSM do Pacífico equatorial, próxima da costa peruana. Sob condições normais, nesta região ocorrem ressurgências de águas frias, entretanto a variabilidade térmica destas permite que o ENOS apresente duas fases, uma quente (El Niño) e outra fria (La Niña).

Em anos normais, a circulação atmosférica sobre o oceano Pacífico apresenta um ramo ascendente da célula de Walker sobre o oeste do Pacífico, havendo a convecção, sendo favoráveis às chuvas. Por outro lado, há um ramo descendente desta célula sobre a costa peruana e equatoriana, inibindo a formação de nuvens e, consequentemente, as precipitações tendem a reduzir (Figura 22).

Figura 22 - Comportamento da célula de Walker sob uma situação normal

Fonte: Funceme.

Entretanto, em anos de El Niño esse padrão se modifica. Este fenômeno decorre do aquecimento anormal das águas no Pacífico equatorial, produzida por alterações na circulação da corrente marinha de Humbolt. A célula de Walker tende a deslocar-se para leste, de modo que há um ramo ascendente de ar sobre a costa peruana e outro no Pacífico centro-leste, intensificando as chuvas nesta região e, em contrapartida, ocorre um ramo descendente sobre o Pacífico oeste e outro no Nordeste brasileiro, impedindo que a ZCIT migre para posições mais meridionais,

reduzindo as precipitações (Figura 23). Deste modo, o evento de El Niño é responsável por anos considerados secos e muito secos.

Figura 23 - Comportamento da célula de Walker sob influência de El Niño

Fonte: Funceme.

Já a La Niña apresenta manifestações contrárias ao El Niño. Ela é formada a partir do resfriamento anormal das águas do Pacífico próximo as costas peruanas e equatorianas, provocando a intensificação da dinâmica da célula de Walker, resultando em totais pluviométricos mais expressivos sobre o Nordeste e na Amazônia. Portanto, nos anos de La Niña o esperado é que ocorram anos chuvosos e muito chuvosos. O quadro 7 apresenta o Oceanic Niño Index (ONI), desenvolvido pelo Climate Prection Center (CPC), o qual apresenta os valores indicativos da ação e da intensidade dos eventos de El Niño, de La Niña ou de um estado de neutralidade para os anos de 2003 a 2012.

Quadro 7 – Oceanic Niño Index para os anos de 2003 a 2012

An o DJF JFM FM A M AM AMJ M JJ JJA JAS ASO SON ON D N DJ

2 0 0 3 1 .1 0 .8 0.4 0.0 - 0 .2 - 0 .1 0.2 0.4 0.4 0.4 0.4 0 .3 2 0 0 4 0.3 0.2 0.1 0.1 0.1 0.3 0 .5 0 .7 0 .7 0 .7 0 .7 0 .7 2 0 0 5 0 .6 0.4 0.3 0.3 0.3 0.3 0.2 0.1 0.0 - 0 .2 - 0 .5 - 0 .8 2 0 0 6 - 0 .9 - 0 . 7 - 0 . 5 - 0. 3 0.0 0.1 0.2 0.3 0 .5 0 .8 1 .0 1 .0 2 0 0 7 0 .7 0.3 - 0. 1 - 0. 2 - 0 .3 - 0 .3 - 0 .3 - 0 .6 - 0 .9 - 1 .1 - 1 .2 - 1 .4 2 0 0 8 - 1 .5 - 1 . 5 - 1 . 2 - 0 . 9 - 0 . 7 - 0 . 5 - 0 .3 - 0 .2 - 0 .1 - 0 .2 - 0 .4 - 0.7 2 0 0 9 - 0 .9 - 0 . 8 - 0 . 6 - 0. 2 0.1 0.4 0 .5 0 .6 0 .7 1 .0 1 .4 1 .6 2 0 1 0 1 .6 1 .4 1 .1 0 .7 0.2 - 0 .3 - 0 . 8 - 1 .2 - 1 .4 - 1 .5 - 1 .5 - 1 .5 2 0 1 1 - 1 .4 - 1 . 3 - 1 . 0 - 0 . 7 - 0 .4 - 0 .2 - 0 .2 - 0 .3 - 0 .6 - 0 .8 - 1 .0 - 1 .0 2 0 1 2 - 0 .9 - 0 . 7 - 0 . 5 - 0. 3 - 0 .1 0.0 0.1 0.3 0.4 0.6 0.2 - 0.3 Fonte: CPC, 2012.

Neste índice considera-se que os valores iguais ou superiores a 0,5 (vermelho) são indicativos da manifestação do El Niño, enquanto os valores iguais ou inferiores a -0,5 (azul) correspondem à ação de La Niña. Já o intervalo entre 0,4 a -0,4 são considerados neutros. O ONI também apresenta a magnitude de ambos os

fenômenos, assim os valores entre 0,5 a 0,9 são fracos, entre 1,0 a 1,4 são moderados e ≥ 1,5 são fortes (MONTEIRO, 2011; CPC, 2012).

4.1.4.2 Dipolo do Atlântico

Consiste em um dos principais elementos para determinação da intensidade da quadra chuvosa na região. É formado a partir da diferença de temperatura entre as águas dos hemisférios norte e sul do oceano Atlântico, gerando uma gangorra barométrica entre as referidas regiões, podendo intensificar ou restringir as precipitações em ambos os hemisférios.

Quando as águas do Atlântico norte encontram-se mais frias que as do sul, há a intensificação do Sistema de Alta Pressão do Atlântico Norte (AAN) e dos ventos Alísios de nordeste, favorecendo o deslocamento da ZCIT para posições mais meridionais. Logo, sendo favorável às chuvas na região Nordeste. Esta situação caracteriza a fase negativa do dipolo (Figura 24a).

Porém, quando as águas do Atlântico sul estão mais frias que as do Atlântico norte, o Sistema de Alta Pressão do Atlântico Sul (AAS) e os ventos Alísios de sudeste intensificam-se, deslocando a ZCIT para posições acima da linha do equador, portanto inibindo as precipitações no Nordeste brasileiro. Tal situação corresponde à fase positiva do dipolo (Figura 24b).

Figura 24 - Influência do Dipolo do Atlântico na dinâmica das massas de ar atuantes no Nordeste brasileiro. a) TSM mais fria no Atlântico norte, favorável às precipitações b) TSM mais fria no Atlântico sul, desfavorável às chuvas

Fonte: Funceme.

Em anos de neutralidade do Pacífico equatorial, a pluviosidade encontra- se comandada pela TSM do Atlântico equatorial. Xavier (2004) expõe que nesta situação de neutralidade, tanto podem ocorrer desvios positivos como negativos na pluviosidade, sendo favorável a ocorrência dos eventos extremos.

Para a análise da variabilidade interanual do Dipolo do Atlântico foram empregados os dados produzidos pelo projeto Pilot Research Moored Array in the Tropical Atlantic (PIRATA) e disponibilizados pela Fundação Cearense de Meteorologia e Recursos Hídricos (FUNCEME). Consiste em uma rede de observação in situ composta por boias empregadas no monitoramento de uma série de variáveis dos processos de interação oceano-atmosfera no oceano Atlântico tropical (Figura 25).

Figura 25 – Variabilidade da temperatura da TSM do Atlântico tropical (Boia SAMBA), entre 1998 a 2012

Fonte: Funceme.

Os dados revelam que este fenômeno possui elevada variabilidade intra e interanual. As temperaturas médias estão próximas de 26°C, apresentando oscilações médias de um grau, mas com extremos que podem chegar até 3°C.

Assim, a interação entre as temperaturas das águas nos oceanos Atlântico e Pacífico tropicais com a atmosfera sobreposta determina a intensidade, a distribuição e a regularidade das precipitações no continente sul-americano, mas com reflexos em todo o comportamento atmosférico global. Nestes termos, o conhecimento dos fenômenos de ENOS e Dipolo do Atlântico é essencial para a gestão do risco de desastres, principalmente durante a etapa de previsão, garantindo informações, com intuito de realizar medidas mais coerentes para o evento esperado. O quadro 8 apresenta a variabilidade destes fenômenos durante os anos da série histórica e a intensidade pluviométrica resultante.

Quadro 8 – Relação entre ENOS, Dipolo do Atlântico e a intensidade da quadra chuvosa Anos ENOS Fevereiro à Maio Dipolo do Atlântico Fevereiro à Maio Classificação Pluviométrica

2003 El Niño moderado a neutro Negativo Muito Chuvoso

2004 Neutro Positivo no inicio da estação e

negativo no término Habitual

2005 El Niño fraco a neutro Positivo Habitual

2006 La Niña moderada a neutro Positivo no inicio da estação e

negativo no término Habitual

2007 El Niño fraco a neutro Positivo no inicio da estação e

negativo no término Habitual

2008 La Niña forte a La Niña fraca Negativo Habitual

2009 La Niña moderada a neutro Negativo Muito Chuvoso

2010 El Niño Forte a Neutro Positivo Seco

2011 La Niña moderada a neutro Positivo Habitual a

Chuvoso

2012 La Niña fraca a neutro Positivo Seco

Fonte: CPC (2012), FUNCEME (2012), MONTEIRO (2011).

Benzer Belgeler