• Sonuç bulunamadı

Existem muitas formas de fazer política, tanto para os pobres quanto para as classes ricas. Os pobres usam seus frágeis instrumentos, geralmente os movimentos; quanto a isso os ricos não têm preocupação, possuem o Estado como organização.

A política, se bem entendida e conduzida, deveria ser a arte de promover vitórias, para cada povo contar sua bela história. Para os ricos, em qualquer sociedade, esta é apenas uma possibilidade, porém muito remota. Para eles a política é a arte de produzir derrotas.

Derrotar o povo organizado (para eles, desordeiro), como se não fosse brasileiro. Esta é na verdade a equação; aniquilar mesmo sem ter razão, aqueles que querem com luta se tornar nação.

Aristóteles ao fazer a sua crítica, disse que os jovens não podiam fazer política. Para Ele, isso era certo e verdadeiro; e exigia que aprendessem os hábitos primeiro.

Que hábitos têm os latifundiários e os fazendeiros? Os industriais e os banqueiros? Os liberais e os comerciantes? Que virtudes podem apresentar, se teimam em levar, para a política seus hábitos ignorantes?

Os ricos inventaram a propriedade, o imposto e o salário. Criaram o direito civil, criminal, familiar e agrário. Tomaram o Estado e o administram de seu jeito. Sendo assim, a força e a violência viraram forma de consciência e fazem parte do direito.

O Estado serve de partido, ou seja, protege quem está incluído. Quem está fora, não pode reclamar, tem o direito a eleger quem deve governar. Os argumentos são sempre fraudulentos: se escolher mal, que espere outro momento! Se escolher bem e nada acontecer, é sinal que precisa levar mais candidatos ao poder. E assim o povo fica esperando a esmo, porque, nada pode mudar quando os hábitos são os mesmos.

Então para os ricos e seu regime, tudo o que ameaça o poder e a propriedade, vira crime. Por isso é que, sem exagerar, podemos comparar o político capitalista com um homem machista. Este último, antes de se casar, namorava escondido, era liberal e atrevido. Agora tem a sua própria filha, fala que “ela é de família”. Quanto ao primeiro, a mesma coisa se dá com o dinheiro. Apropria-se sem dó das verbas públicas, e deixa depenadas as asas da República. Mas basta um movimento receber um mísero projeto, que se exalta dizendo que o uso está incorreto.

Para entrar na casa da política existem muitas portas. Entrando nela se encontrará dois lados, por isso é que nos alerta este ditado: “Político que não presta, faca que não corta, se perder pouco me importa”. Resta saber, antes e depois de se eleger, como cada político se comporta.

A lição a tirar neste momento é que, política não se faz sem instrumento, pode ser uma organização, um partido ou um movimento. Mas é preciso que siga princípios solidários, e seja sempre mais revolucionário. Que ostente a disciplina e a lealdade e tenha coragem de atacar a propriedade; seja da terra, da indústria, do comércio ou dos bancos, mas, acima de tudo é preciso que as lideranças não frustrem as esperanças e nunca deixem de ser honestos, democráticos, e muito francos.

É de se pensar que na política prevaleça um dia, não a opinião de um lado só, como uma música tocada só em dó, mas, onde de fato a minoria, não se sujeite, mas respeite a opinião da maioria.

Cartas de Amor Nº 100

À DEVOLUÇÃO

Os Estados Unidos estão “arrependidos” de seus planos; dizem que vão devolver o governo ao povo iraquiano. Devolver o que, se nada colocarão de volta? O que irão fazer, é por um fantoche na mesa do poder, mas não irão embora, do lado de fora, ficarão vigiando a porta.

A devolução é uma hipocrisia. O próximo mandatário é um ex-funcionário da malfadada CIA. Ficarão lá até quando não se sabe: 160 mil soldados, 3 mil diplomatas e 80 mil mercenários aterrorizando o mundo Árabe.

Devolverão apenas os escombros, pois manterão em seus ombros a responsabilidade, sobre o petróleo, o gás, as comunicações, o transporte e a eletricidade. Se não conhecêssemos essa estratégia perderíamos nossa fala. Só que aqui, a indevida apropriação, se deu pela privatização, lá no Iraque foi à bala.

Não falam, nem deveriam falar em devolver as incontáveis vidas, nem o alimento dos 10 milhões de famintos e sedentos que vivem sem terra e sem comida.

Não falam em devolver a água potável a 40% da população, que as bombas e os tanques quebraram a transmissão, poluíram os mananciais e o solo; por essa razão, morrem envenenadas ou de subnutrição, uma em cada oito crianças ainda de colo.

É verdade! Mais de um milhão de crianças já morreram antes de completar 5 anos de idade. 30 por cento das que ainda vivem, estão condenadas, seguindo a mesma trilha. Isto representa no mínimo uma morte por família.

O que pode devolver o império sujo e imundo se em cada lar produziu um moribundo? Como devolver a soberania se os métodos repressivos oscilam entre a humilhação, o terror e a covardia? Se os presos sem serem interrogados, são despidos e empilhados como caixotes de verdura? E olha que foram lá para combater a ditadura!!

Como poderiam levar a paz e as conquistas se os interventores são os próprios terroristas? Para ser franco, sem fazer atalho, Osama Bin Laden, em matéria de terror, há tempo já é carta fora do baralho. O Chefe das operações não vive escondido, goza de assistência e disputa novamente a presidência nos Estados Unidos.

O que vão devolver se foi roubada a história? O direito a guardar o tempo e a memória? São cento e setenta mil obras de arte de valor enorme; como as tabuletas de argila da civilização Suméria que inventou a escrita cuneiforme.

Onde estudarão as crianças com idade já comprometida, se sete mil escolas foram destruídas? Não contando os seus lares. Eram estes os alvos militares?

A dor do povo iraquiano é a dor do mundo inteiro. O império faz ali o seu viveiro de treinamentos e experiências, por isso as suas diretrizes, irão produzindo cicatrizes no corpo e nas consciências.

É bom que vejamos um jeito, antes que cicatrize em nós a indiferença e o desrespeito, como se não sentíssemos dor alguma. Porque, há um ditado onde afirma que: quem tem duas, perdendo a metade, só tem uma; mas quem tem uma não pode perder nada ou fica sem nenhuma.

As duas, são a pátria e a vida. Perdendo-se a primeira, a segunda mesmo ressentida, terá que defender-se para garantir o rumo do destino, como bem fazem os iraquianos e o povo palestino.

Cartas de Amor Nº 101

Benzer Belgeler