• Sonuç bulunamadı

Cultivar é o ato de cuidar. É a relação entre duas partes; por isso é que o cultivo, entre todos os seres vivos, exige que sejamos prestativos como as cores misturadas se transformam em belas artes.

Quando se cultiva se tem a alma altiva. Transformam-se as ações em parte das canções, que têm boas razões, para estarem sempre vivas.

Ao cultivar se faz cultura. Combina-se a dureza e a ternura em busca da preservação. Cultivo é emoção, é ver crescer o resultado, do esforço empregado, por muitos, na mesma direção.

A base também se cultiva. Não há como cuidar dela sem a presença intensiva. Seja lá o militante ou o dirigente, cada qual deve saber qual é o seu elo da corrente. Deve estar sempre em alerta para cultivar na hora certa. Nem antes nem depois, assim é que se ligam os dois.

Cultiva-se com jeito, para, ao cultivar não faltar respeito. A força e o carinho se combinam no caminho, basta que se busque a lealdade para nunca se faltar com a verdade.

Cultiva-se também a esperança para que os problemas se tornem uma lembrança. O mal e a derrota pertencem ao passado, os sonhos é que precisam ser alimentados.

Eles bebem comem e respiram, talvez até suspiram se sentirem indecisão! Um sonho também é uma canção, cantada com as vozes do futuro, torna-se sempre mais seguro, quando passa das idéias ao coração.

Quem imagina sonha acordado. Quem cuida do sonho imaginado é um cultivador. Porém o sonho não tem sexo, somente identidade, pertence a quem tem ansiedade de vê-lo um dia vencedor. No trabalho de base se cultiva, se estimula e se ativa a vontade de vencer. Onde não há cultivo há carência de poder; a força vai embora quando quem a tem não colabora.

Cultive a lealdade, o otimismo, a honestidade e todos os valores, na certa seremos vencedores se derrotarmos os vícios e as vaidades.

Cultive a ética e a estética. Faça da beleza uma fortaleza. Acredite que, entre o certo e o errado existe um sonho colocado, ele poderá ser vencedor ou derrotado.

Cultive também a simpatia, ela é a voz que anuncia o raiar da liberdade. A força tem suas qualidades, mas só ela não abre as rachaduras, é preciso a inteligência e a ternura para fazer a luta sem perversidade.

Cultivar então é estar presente, não deixar abandonadas as sementes ou perdidas nas entranhas dos problemas. Por mais que nos rodeiem os dilemas, devemos ser sempre mais inteligentes.

As vitórias são frutos do cultivo. Há os que são mais intuitivos e há os que são mais racionais. O importante é que somos iguais, ninguém é maior do que ninguém, cada um sabe o dever que tem para tornar as conquistas atuais.

O cultivo exige vigilância. A obra tem sempre importância, principalmente quando é de contestação. Cuidar para que a repressão não ataque, a base descuidada, as perdas serão sempre lembradas, como derrotas em nossa construção.

Gostar de cultivar é gostar do que se faz. Seja na guerra ou na paz, a base é sempre a referência. Um povo não precisa de clemência, quando cultiva com vigor a sua consciência.

Cartas de Amor N

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98

À JUSTIÇA

É conveniente esclarecer com simplicidade, que a justiça em nossa sociedade se ocupa da legalidade. Deveria cuidar também da igualdade e da democracia, mas isto se vê pouco hoje em dia. Desde que surgiu a sociedade é que a igualdade vive em conflito com a legalidade. Legal não significa ser igual.

No final de tudo, a legalidade, está presa à propriedade; daí se extrai o conceito do direito. O poder legislativo ou mais propriamente os deputados legislam para o Estado. Mas entre a justiça e os interesses há um espaço imenso, caso contrário, as leis seriam aprovadas por consenso. Para encurtar a conversa, o que é legal nem sempre é justo ou vice-versa.

Por isso é que devemos perceber, que a ordem em si carrega uma coisa estranha, pois o direito sempre acompanha quem está no poder. Aqueles que estão fora o nome põem como penhora, e fazem da injustiça o seu dever.

Vejamos uma ilustração, todos temos direito à moradia, trabalho e educação, mas o dever nos alerta, que devemos esperar a hora certa. A lei é quem manda esperar até que se tenha condição para comprar, aquilo que é de direito, logo, justiça e democracia deformam aqui os seus conceitos.

Vejamos de um modo mais concreto: como podem ser iguais um juiz e um analfabeto? Um industrial “honrado” e um desempregado? Um deputado e um idoso aposentado? Então, a justiça do poder legislativo é feita de interesses muito vivos.

O divisor de águas está aqui, quando o Congresso instala uma CPI, dizem que é para investigar, ora, mas este poder não é para legislar? Então o eleitor foi informado mal na última campanha eleitoral, e, ao invés de um deputado elegeu um policial!

É a hipocrisia do poder. Quando querem se eleger, ficam mansos como os gansos. Quando alcançam seus intentos, tornam-se egoístas e violentos. Passam até a investigar os movimentos.

Bem sabem estes canalhas, que aos pobres sobram apenas migalhas. E o governo se quiser assumir o nosso lado, deveria divulgar quanto liberou para cada deputado. Mas aí, mais do que a confiança, estariam ameaçadas as alianças.

Nada têm a temer aqueles que não partilham o poder! Corruptos são aqueles que com voracidade, usam o dinheiro público para aumentar as suas propriedades.

Dizem em suas contestações que os pobres usam as verbas para “fazer ocupações”. Isso não é verdade! Os políticos devem explicar como adquiriram as suas propriedades! E dizer se é falso ou verdadeiro, que por trás de muitos políticos de direita, vive na espreita um astuto fazendeiro.

Os pobres, se algo têm, é fruto do esforço transformado em conquista, instale-se uma CPI para saber de onde vieram os bens da bancada ruralista.

Disse-nos Anacaris, um sábio grego muito justo: “As leis são como as teias de aranha; os pequenos insetos prendem-se nelas, e os grandes rasgam-nas sem custo”.

É o que vemos, e muito isto nos custa. Podemos dizer mais, que enquanto existir classes sociais, a justiça para nós pobres mortais, sempre será injusta.

Cartas de Amor Nº 99

Benzer Belgeler