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2. GENEL BİLGİLER

2.1. Otizm Spektrum Bozukluğu

2.2.5. Kuramlar

A oferta da educação ponta-grossense não ocorreu desvinculada do contexto mais amplo, mas esteve profundamente relacionada às políticas de educação do estado do Paraná e do Brasil (e todas as influências e determinações a que estão sujeitas), refletindo os encaminhamentos mais gerais e demonstrando como o particular está contido no geral e ao mesmo tempo o contém. A relação dialética entre particular e geral é fundamental para a compreensão da totalidade da política educacional investigada.

Nesse sentido e visando demonstrar a relação existente entre as políticas municipal e estadual faz-se necessário ampliar a discussão sobre a escolaridade obrigatória no contexto imediatamente mais amplo e mais próximo à realidade estudada. Para tanto, se torna importante conhecer os encaminhamentos políticos para o setor educacional paranaense a partir dos anos de 1990, quando as reformas educacionais, em especial para o ensino fundamental, tornam-se mais evidentes e são implementadas com maior rigor.

Inserida organicamente no contexto das reformas educacionais da década de 1990 e tendo governos que assumiram tais defesas em prol da reorganização administrativa, ampliação da oferta educativa e melhoria dos resultados obtidos, a educação paranaense tornou-se solo fértil para a implementação de políticas de cunho neoliberal, conforme apontado por inúmeras pesquisas (GONÇALVES121, 1994; AMARAL, 1996122; HIDALGO, 1998123; SANTOS, 1998124; SILVA, 1998125, GORNI, 1999126; SOUZA, 2001127;

121 GONÇALVES, Maria Dativa de Salles. Autonomia da escola e neoliberalismo: Estado e escola pública.

1994. Tese (doutorado em Educação) – Faculdade de Educação, Pontifícia Universidade Católica de São Paulo, São Paulo, 1994.

122 AMARAL, Marilene Alves. A qualidade da educação na “qualidade total”: uma análise crítica. 1996.

Dissertação (Mestrado em Educação) – Faculdade de Educação, Pontifícia Universidade Católica de São Paulo, São Paulo, 1996.

123 HIDALGO, Ângela Maria. Tendências contemporâneas da privatização do ensino público: o caso do

Estado do Paraná. 1998. Dissertação (Mestrado em Educação) – Faculdade de Educação, Pontifícia Católica de São Paulo, São Paulo, 1998.

124 SANTOS, Jussara Maria Puglieli. As políticas governamentais para o ensino fundamental no Estado do

Paraná diante dos preceitos da Constituição. 1998. Tese (Doutorado em Educação) - Faculdade de Educação, Universidade de São Paulo, São Paulo, 1998.

125 SILVA, Ileizi Luciana Fiorelli. Reforma ou contra-reforma no sistema de ensino do Estado do Paraná?

Uma análise da meta da igualdade social nas políticas educacionais dos anos 90. Dissertação (Mestrado em Educação) - Faculdade de Educação, Pontifícia Católica de São Paulo, São Paulo, 1998.

ZANARDINI, 2001128). Algumas áreas sofreram maiores impactos das políticas educacionais implementadas, evidenciando o aporte teórico de sustentação das ações, dentre as quais se podem citar: a gestão do sistema educacional e das escolas; o processo de municipalização dos anos iniciais do ensino fundamental, principalmente após a aprovação da Emenda Constitucional nº 14/96, regulamentada pela Lei 9424/96; a descentralização/desconcentração de recursos financeiros; a readequação do fluxo escolar e a formação de professores, evidenciada através da criação da Universidade do Professor, em Faxinal do Céu129.

Luiz Antonio Cunha (2005), ao analisar os principais pontos da política educacional paranaense no governo José Richa/João Elísio (1983/1987) aponta como objetivo principal desta, em especial para o então 1º grau, a garantia de acesso e permanência dos alunos provenientes da classe trabalhadora, a preocupação com a qualidade do ensino e a criação de oportunidades de participação nos processos decisórios em relação à educação. As contradições extraídas da política educacional paranaense no período analisado pelo referido autor, podem ser assim sintetizadas: existência de bolsas de estudo em escolas privadas para alunos não atendidos na rede pública; gratuidade do ensino apenas para alunos com idade entre 7 e 14 anos e cobrança de “contribuição comunitária” para aqueles com idade superior, organização de eleição para diretores visando compor uma lista tríplice, onde o diretor seria escolhido pela Secretaria de Estado da Educação.130

Embora contraditória, a política educacional paranaense, apresentava indícios de rompimento com a forte influência autoritária que caracterizou o período militar, evidenciando um “discurso pedagógico e da gestão da máquina educacional”, mas, também

126 GORNI, Doralice Aparecida Paranzini. Sistema Estadual de Educação do Paraná: qualidade e educação.

1999. Tese (doutorado) – Universidade Estadual Paulista, Marília, SP, 1999.

127 SOUZA, Silvana Aparecida de. Gestão Escolar compartilhada: democracia ou descompromisso? São

Paulo: Xamã, 2001.

128 ZANARDINI, Isaura Mônica Souza. A gestão compartilhada implementada no Estado do Paraná e as

orientações do Banco Mundial (1995 – 2000). 2001. Dissertação (Mestrado em Educação) – centro de Ciências Humanas, Letras e Artes, Universidade Estadual de Maringá, Maringá, 2001.

129A Universidade do Professor fez parte de um projeto de capacitação de profissionais da educação do Paraná, iniciado em

1995. O Programa foi financiado pelo Governo do Estado em parceria com o Banco Mundial. O gasto orçamentário em 1996 foi de R$12.502.478,10 e, até o final do primeiro semestre de 1997, de R$ 5.625.356,01. Em 1996, este gasto representou 0,39% da receita e, no período referente a 1997, representou 0,11% da receita estadual. (C. KOSLINSKI, Mariane Campelo. Universidade do Professor. In: FUJIWARA, Luis Mario; ALESSIO, Luiz Nouvel; FARAH, Marta Ferreira. 20 Experiências de Gestão Pública e Cidadania. 1998.

Disponível em:

http://www.eaesp.fgvsp.br/subportais/ceapg/Acervo%20Virtual/Cadernos/Experi%C3%AAncias/1997/13%20-

%20professor.pdf

130 CUNHA, Luiz Antônio. Educação, Estado e Democracia no Brasil. 5 ed. São Paulo: Cortez; Niterói:

revestido de uma ideologia baseada em três vetores: a democracia, o populismo e o confessionalismo. (CUNHA, 2005, p. 255 - 256). Mesmo assim, a política educacional paranaense mostrava possibilidades de contribuir com a emancipação da classe trabalhadora, visto que havia uma tentativa explícita nos documentos e discursos oficiais de oferecer subsídios para a reflexão e rompimento com a realidade até então existente.

No entanto, esse processo foi rompido a partir da gestão Roberto Requião (1991 – 1994), pois a política educacional paranaense incorporou, gradativamente, os princípios da gestão empresarial para a gestão escolar. (SANTOS, 1998; SOUZA, 2001). Tais princípios permaneceram e se aprofundaram durante a gestão Jaime Lerner, sendo objeto de inúmeras pesquisas de caráter crítico que evidenciaram os pressupostos da Gestão de Qualidade Total na educação paranaense, demonstrando como o pensamento capitalista adentra no espaço escolar. (GONÇALVES, 2004131; MUNHOZ, 2002132);

Segundo Gorni (2004), a composição da política educacional paranaense, naquele período, foi contraditória, visto que agregou, em uma mesma orientação político- educacional, vertentes distintas. As perspectivas de cunho emancipatório foram agregadas às de cunho neoliberal, conforme explicitado por Gorni (2004, p. 311):

Alguns dos princípios e metas que sustentavam o projeto de reestruturação em andamento, como os ideais de formação do aluno enquanto ser e cidadão, de promoção do desenvolvimento humano, de autonomia e de descentralização do sistema mantiveram-se nos documentos oficiais, e ao mesmo tempo foram introduzidas novas orientações que, calcadas nas teorias econômicas, instituíram a avaliação dos resultados do sistema mediante a medida do rendimento dos alunos, da capacidade de certificação do sistema e da otimização da relação custo- benefício.133

Houve, portanto, uma mudança de eixo da orientação político-educacional paranaense, a qual até a década de 90 demonstrava aproximação, mesmo contraditória, com a concepção histórico-crítica.

131 GONÇALVES, Ademir Nunes. A Ambiguidade da Autoridade Eleita: um olhar sobre a ação do gestor

paranaense. 2004. Dissertação (Mestrado em Educação) – Universidade Estadual Paulista, Marília, SP, 2004.

132 MUNHOZ, Margarete. Uma Avaliação do Projeto de Correção de Fluxo nas Escolas Estaduais

Paranaenses: um novo olhar sobre o sucesso escolar. 2002. . Dissertação (Mestrado em Educação) – Universidade Estadual Paulista, Marília, SP, 2004.

133 GORNI, Doralice Aparecida Paranzini. Ensino Fundamental do Paraná: revisitando a qualidade e a avaliação.

É importante contextualizar que, no período imediatamente posterior à reabertura política, em meados da década de 1980, o Brasil foi tomado pela retórica da globalização da economia, apresentando características muito peculiares em relação ao chamado neoliberalismo que se fortalecia nos países desenvolvidos, pois incorporou orientações de flexibilização mercadológica e assumiu a função de Estado normatizador. Segundo Malaguti, Carcanholo e Carcanholo (2002, p. 9) a adesão aos preceitos neoliberais, entre os intelectuais brasileiros, ocorre de maneira envergonhada, conforme explicitado a seguir:

Os soldados brasileiros do neoliberalismo não são muito diferentes de seus pares do Primeiro Mundo. Aqui, porém, eles aderem aos modismos intelectuais de forma envergonhada: dos seus generais aos seus sargentos, são poucos os que assumem uma explícita militância neoliberal. Ao contrário, eles procuram até negar a existência de tal concepção de mundo. Chegam mesmo a denominar de bobos (ou, numa licença lingüística que a todos é permitida, de “neobobos”) os seus adversários. É até possível que um ou outro escape da hipocrisia e do cinismo, mas só será porque acredita ter sido eleito o grande salvador. Para os que pensam representar o “neoliberal salvador”, humildemente recomendaríamos que escutem mais e olhem menos no espelho.134

A retórica neoliberal, assim como as orientações dos Organismos Internacionais, encontrou guarida junto aos responsáveis pelas propostas educacionais paranaenses. Dentre as propostas educacionais inseridas nessa retórica podem ser citadas: O Projeto Qualidade do Ensino Público, o Programa de Capacitação de Professores através da Universidade do Professor em Faxinal do Céu e o Programa de Adequação Idade Série.

Com o Programa de Adequação Idade-série, aprovado pela Deliberação nº 001/96 do Conselho Estadual de Educação, aprovada em 09 de fevereiro de 1996, foi possível corrigir as distorções existentes em relação à oferta do 1º grau para alunos em defasagem, e, assim, corrigir o inchaço de matrículas existentes na rede pública naquela etapa do ensino.

Para justificar a importância e necessidade do Programa de Adequação Idade- Série, a Indicação nº 01/96, aprovada em 09 de fevereiro de 1996, que acompanha a Deliberação acima citada, indica a distorção de 43,84% dos alunos matriculados no 1º grau no ano de 1993, conforme apresentado na Tabela:

134 MALAGUTTI, Manoel L.; CARCANHOLO, Reinaldo A.; CARCANHOLO, Marcelo D. (orgs).

TABELA 11 - TOTAL DE ALUNOS MATRICULADOS, Nº DE MATRICULADOS FORA DA FAIXA ETÁRIA CORRETA E PERCENTAGEM – 1993

DEPENDÊNCIA ADMINISTRATIVA: ESTADUAL, MUNICIPAL, FEDERAL, PARTICULAR – URBANA

IDADE SÉRIE TOTAL DE ALUNOS

MATRICULADOS

Benzer Belgeler